terça-feira, 1 de junho de 2010

O GUIA DA VIDA

O GUIA DA VIDA

A ideia não é minha, o texto eu o desenvolvi a partir da sugestão de James Lovelock, autor da Teoria de Gaia. Suspeito que o título também não seja original; que já exista livro assim denominado, contudo, é a proposta para consecução de obra que nos ensine a viver; a olhar o mundo o qual nos rodeia e compreendê-lo nos seus fundamentos; a ter noção exata sobre o ambiente que nos cerca. O projeto terá a função de restaurar os múltiplos aspectos e condições de uma civilização que poderá ser extinta nos próximos séculos, por incúria nossa ou por algum fenômeno natural inescapável e mortal.

Partindo do pressuposto que a civilização poderá estar a caminho de sua derrocada em função da exaustão dos meios que Gaia nos oferece para a sobrevivência, e os quais não usamos judiciosamente, é estultice ignorar a possibilidade de desastre.

Considerando que a civilização venha a sucumbir, mas que haja sobreviventes, um manual de como reconstruir a sociedade sem repetir os erros que já cometemos, torna-se quase compulsório. Seria um guia prático para nossos descendentes com os registros precisos, escritos em linguagem descomplicada, de todo o caminho que percorremos até aqui com relação ao meio ambiente, com instruções de como viver em harmonia com ele. É claro que, um guia desses não iluminaria para frente; não descortinaria o futuro, mas, voltado para nosso passado, resumiria o que fizemos para chegar ao presente. Qualquer pessoa inteligente entenderia como chegamos aqui e deduziria o que fazer para não cometer os mesmos erros.

Um manual desses não existe. Procuremos em qualquer biblioteca do mundo um guia que explique com clareza a condição atual da civilização e como ela chegou até ao presente, e nada encontraremos. Todos os livros que existem não tratam da maneira como a sociedade pode encarar uma possível ruína.

A ciência nos proporcionou uma vida tão confortável e segura que ignoramos os caminhos que ela percorreu e as pequenas (e grandes também) conquistas que criaram a civilização.

Imaginemos os sobreviventes de uma civilização fracassada tentando enfrentar um simples surto de infecção bacteriana qualquer. Sem o conhecimento que temos desses organismos essas pessoas poderiam sucumbir.

Seria um livro de divulgação do conhecimento, bem escrito, agradável de ler, cuja qualidade do texto permitiria uma leitura como passatempo. Abrangeria desde coisas simples como instruções para acender uma fogueira, construção de um abrigo na selva, planejamento de uma horta básica até a descrição do sistema solar e a intimidade da matéria. Seria um tratado filosófico, antropológico e de ciência o qual forneceria uma visão ampla e genérica do Planeta e da vida que nele existe. Explicaria os mecanismos da evolução, da seleção natural, noções básicas de medicina incluindo o funcionamento dos sistemas, das células e dos órgãos. Falaria sobre os microorganismos nocivos e os meios de combatê-los. Seria muito mais que um manual de sobrevivência, seria um guia de conduta e esclarecimento. Explicaria as leis básicas da física, da química, da meteorologia e dos fenômenos naturais como terremotos e vulcões. Publicaria a tabela periódica dos elementos onde incluiria as principais qualidades e utilidades dos metais, substâncias e ligas conseguidas através deles. Explicaria as propriedades do ar, das rochas, das águas; esclareceria a importância das florestas, dos rios e dos mares. Por último, informaria o conteúdo da “Arca de Noé Genética” da Noruega, mostraria maneiras de se chegar até lá e como utilizar as sementes conservadas naquele abrigo. Numa analogia natural diríamos: um livro que mostraria onde está o peixe ao invés de fornecer o pescado.

Um livro escrito em todas as línguas mais usuais, que ajudaria a trazer a ciência para dentro dos lares e escolas, bem como a todo lugar que o Homo sapiens viesse a ocupar depois de um cataclismo.

A apresentação de tal compêndio seria no velho e tradicional papel, é ocioso imaginá-lo em meios eletrônicos supondo que o fim da civilização acarretaria o fim desses meios também. Nele, os sobreviventes não encontrariam informações para construir uma catedral ou uma nave espacial, mas, certamente, como domesticar uma planta ou fabricar artefatos de cerâmica, sim. O que se imagina é um livro escrito em papel de boa qualidade e durável; claro, conciso, imparcial, atualizado e exato. E, acima de tudo, devemos acreditar que, numa nova sociedade que surgisse, um guia dessa natureza seria necessário, e, até mais que isso, essencial. JAIR, Floripa, 01/06/10.


6 comentários:

R. R. Barcellos disse...

- Já imaginou? Humildes professores das classes de alfabetização seriam os verdadeiros heróis desse mundo.
- Mas talvez não... afinal de contas, eles também são os heróis do nosso dia-a-dia... só que não recebem o reconhecimento que merecem. Abraços.

Leonel disse...

Meu amigo, a idéia de perenizar os arquivos básicos da humanidade em uma única obra seria bastante útil para o caso de precisarmos uma restauração (Êpa! Tem alguma semelhança com o Windows!). Porém, temos que pensar em alguns óbices: eu creio que, mesmo se atendo apenas ao básico, as dimensões do arquivo seriam "enciclopédicas"!
E em qual idioma seria escrita? No caso de uma tragédia planetária, não podemos esperar que entre os sobreviventes existam necessariamente poliglotas. Para não nos arriscarmos a ficar com uma obra indecifrável, seria conveniente que houvesse versões pelo menos nas línguas mais populares do planeta. E o papel, mesmo de boa qualidade, não é uma mídia muito durável assim, para resistir a um possível cataclismo. As únicas impressões registradas de civilizações realmente antigas foram as gravadas em pedra, que sobreviveram até nossos dias.
Parece que não estou torcendo muito pela preservação da humanidade, né?
Quem sabe se o planeta não ficaria melhor sem ela?
Afinal, a atuação do ser humano sobre o organismo Terra parece ser bastante semelhante à de uma doença...
Ou um vírus, como já dizia o "agente" do filme MATRIX.

JAIRCLOPES disse...

Leonel, atente para este trecho do post: "Um livro escrito em todas as línguas mais usuais,...".
Quanto ao volume "enciclopédico" lembremos que a Bíblia contém milhares de paginas. O material poderia, perfeitamente, ser papel de boa qualidade, os originais dos escritos de Leonardo da Vinci, escritos a quinhentos anos, ainda existem e estão em bom estado, que o diga Bill Gates. Abraços, JAIR.

Leonel disse...

Jair, eu realmente viajei quando estava escrevendo, pois o que eu queria dizer (e não disse) é que o fato de haver versões em várias línguas aumentaria ainda mais o volume da obra. Acabei repetindo o que você já dissera.
Agora, quanto a estas obres antigas preservadas, elas não foram afetadas por nenhuma catástrofe global. Eu gosto muito de assistir àquela série "O Mundo Sem Ninguém", do History Channel, e teve um episódio em que eles mostraram que alguns documentos históricos, preservados em Washington, começariam a deteriorar-se quando cessassem as condições de controle ambiental que os conservam. Eu creio que, para que as informações chegassem às pessoas certas, ainda teriamos que contar com bastante sorte.
Mas, a idéia de colocar os dados naquela tal cápsula do tempo com as sementes e amostras deve ser levada em consideração.

serpai disse...

Olá amigo Jair...!

Sabes...? O meu blog conta já com um ano...! E para a ocasião escrevi algo que também é para ti... e, de passagem, podes ver que há um selo que podes levar, se assim o quiseres... Pois, como o seu nome indica, serve para "selar" este vínculo que nos uniu neste tempo transcorrido..., isso me encantaria..., e faria completo este festejo e a minha alegria...!
Ou se não..., ofereço-te uma flor de Ceibo que é a flor do meu país: Argentina.

Obrigado pela tua presença...!

Cumprimentos,

SERGIO.

Adri disse...

Uma boa descricao da Encyclopedia!