segunda-feira, 23 de abril de 2012
Livros
terça-feira, 1 de junho de 2010
O GUIA DA VIDA
O GUIA DA VIDA
A ideia não é minha, o texto eu o desenvolvi a partir da sugestão de James Lovelock, autor da Teoria de Gaia. Suspeito que o título também não seja original; que já exista livro assim denominado, contudo, é a proposta para consecução de obra que nos ensine a viver; a olhar o mundo o qual nos rodeia e compreendê-lo nos seus fundamentos; a ter noção exata sobre o ambiente que nos cerca. O projeto terá a função de restaurar os múltiplos aspectos e condições de uma civilização que poderá ser extinta nos próximos séculos, por incúria nossa ou por algum fenômeno natural inescapável e mortal.
Partindo do pressuposto que a civilização poderá estar a caminho de sua derrocada em função da exaustão dos meios que Gaia nos oferece para a sobrevivência, e os quais não usamos judiciosamente, é estultice ignorar a possibilidade de desastre.
Considerando que a civilização venha a sucumbir, mas que haja sobreviventes, um manual de como reconstruir a sociedade sem repetir os erros que já cometemos, torna-se quase compulsório. Seria um guia prático para nossos descendentes com os registros precisos, escritos em linguagem descomplicada, de todo o caminho que percorremos até aqui com relação ao meio ambiente, com instruções de como viver em harmonia com ele. É claro que, um guia desses não iluminaria para frente; não descortinaria o futuro, mas, voltado para nosso passado, resumiria o que fizemos para chegar ao presente. Qualquer pessoa inteligente entenderia como chegamos aqui e deduziria o que fazer para não cometer os mesmos erros.
Um manual desses não existe. Procuremos em qualquer biblioteca do mundo um guia que explique com clareza a condição atual da civilização e como ela chegou até ao presente, e nada encontraremos. Todos os livros que existem não tratam da maneira como a sociedade pode encarar uma possível ruína.
A ciência nos proporcionou uma vida tão confortável e segura que ignoramos os caminhos que ela percorreu e as pequenas (e grandes também) conquistas que criaram a civilização.
Imaginemos os sobreviventes de uma civilização fracassada tentando enfrentar um simples surto de infecção bacteriana qualquer. Sem o conhecimento que temos desses organismos essas pessoas poderiam sucumbir.
Seria um livro de divulgação do conhecimento, bem escrito, agradável de ler, cuja qualidade do texto permitiria uma leitura como passatempo. Abrangeria desde coisas simples como instruções para acender uma fogueira, construção de um abrigo na selva, planejamento de uma horta básica até a descrição do sistema solar e a intimidade da matéria. Seria um tratado filosófico, antropológico e de ciência o qual forneceria uma visão ampla e genérica do Planeta e da vida que nele existe. Explicaria os mecanismos da evolução, da seleção natural, noções básicas de medicina incluindo o funcionamento dos sistemas, das células e dos órgãos. Falaria sobre os microorganismos nocivos e os meios de combatê-los. Seria muito mais que um manual de sobrevivência, seria um guia de conduta e esclarecimento. Explicaria as leis básicas da física, da química, da meteorologia e dos fenômenos naturais como terremotos e vulcões. Publicaria a tabela periódica dos elementos onde incluiria as principais qualidades e utilidades dos metais, substâncias e ligas conseguidas através deles. Explicaria as propriedades do ar, das rochas, das águas; esclareceria a importância das florestas, dos rios e dos mares. Por último, informaria o conteúdo da “Arca de Noé Genética” da Noruega, mostraria maneiras de se chegar até lá e como utilizar as sementes conservadas naquele abrigo. Numa analogia natural diríamos: um livro que mostraria onde está o peixe ao invés de fornecer o pescado.
Um livro escrito em todas as línguas mais usuais, que ajudaria a trazer a ciência para dentro dos lares e escolas, bem como a todo lugar que o Homo sapiens viesse a ocupar depois de um cataclismo.
A apresentação de tal compêndio seria no velho e tradicional papel, é ocioso imaginá-lo em meios eletrônicos supondo que o fim da civilização acarretaria o fim desses meios também. Nele, os sobreviventes não encontrariam informações para construir uma catedral ou uma nave espacial, mas, certamente, como domesticar uma planta ou fabricar artefatos de cerâmica, sim. O que se imagina é um livro escrito em papel de boa qualidade e durável; claro, conciso, imparcial, atualizado e exato. E, acima de tudo, devemos acreditar que, numa nova sociedade que surgisse, um guia dessa natureza seria necessário, e, até mais que isso, essencial. JAIR, Floripa, 01/06/10.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
DIA DO LIVRO
O livro é facilmente armazenado. Podemos lê-lo em nosso próprio ritmo sem perturbar os outros. Podemos retornar às partes difíceis ou degustarmos novamente partes que nos trouxeram um deleite especial. Ele é produzido em massa, a custo relativamente baixo. Além disso, a leitura por si mesma constitui uma atividade deslumbrante, imaginemos: olhamos para uma folha de papel feita a partir de uma árvore, e a voz do autor começa a falar dentro de nossa cabeça (Alô, você sabia que...). É assombroso! Não dá para descrever o maravilhoso mundo que se descortina depois que abrimos um livro especialmente agradável. Não conheço nada mais prazeroso. (vão dizer que sexo é melhor, e eu concordo, mas, sexo e leitura não são excludentes, pelo contrário, quem mais lê, mais prazer encontra no sexo. Afinal, o cérebro é o centro do prazer, não é mesmo?).
Não devemos esquecer, ainda, que a melhora no conhecimento humano e no potencial de sobrevivência da civilização, só aconteceu após a invenção da escrita e popularização dos livros. O mundo sem escrita era um mundo imerso no obscurantismo que degrada e oprime. Houve também o progresso na autoconfiança: passou a ser possível apreender pelo menos os rudimentos de uma arte ou uma ciência através de livros, e não mais depender do acidente feliz que consistia encontrar um mestre diletante disposto a passar seu conhecimento adiante.
Em última análise, a invenção da escrita deve ser exaltada não apenas como uma inovação brilhante, mas como um notável benefício para a humanidade. A civilização ao livro deve ABSOLUTAMENTE TUDO! E, supondo que venhamos sobreviver o bastante para usar todas as invenções possíveis e imagináveis conseguidas graças ao livro, ainda assim, desfrutando todo o conforto e o prazer que meios eletrônicos nos tragam, o LIVRO continuará sendo nosso companheiro inseparável.
Quero pedir desculpas a todos bibliófilos, bibliotecários, biblióforos, bibliognostas, bibliólatras, bibliólogos, bibliômanos, bibliopegistos, bibliátricos e até aos bibliopiratas do Planeta, por ter me esquecido de homenagear o livro no seu dia, ainda assim, a todos eles e a todos os livros, meus parabéns extemporâneos. JAIR, Floripa, 28/04/10.
