quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O JACARÉ DA MINHA RUA


Morei durante um ano numa rua aqui de Floripa que tinha um jacaré. Talvez a única da Capital com um bicho destes. O rio Braz, pequeno arroio que drena área pantanosa próxima, foi cortado pela construção da rua de forma a ficar com uma parte isolada entre a rua e o mar formando uma espécie de lago. Foi ali que o jacaré da espécie papo amarelo, separado de seus semelhantes que vivem na parte aberta do rio, tornou-se um ermitão gordo e preguiçoso usufruindo da abundância de tilápias, lambaris, traíras e aves aquáticas do local. O Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris), encontrado no litoral brasileiro desde o extremo norte do país até o Rio Grande do Sul, faz parte da exuberante fauna das florestas tropicais, preferindo áreas de baixada, com suas lagoas, lagos e rios. Sua presença representa, ao contrário do que muitos pensam, uma contribuição eficaz para o aumento da população de peixes nos corpos d'água, já que suas fezes servem de adubo para o desenvolvimento de fitoplancton, que é utilizado como alimento por diversas espécies de peixes. Além de, é claro, atuar como predador de peixes, alimentando-se dos fracos e doentes, deixando os mais aptos sobreviverem. Os jacarés, são uma sub-classe dos répteis, da família alligatoridae, família esta que engloba todos os crocodilos, aligatores, caimans e gaviais num total de 23 espécies catalogadas em todo o mundo, desde os deltas australianos onde encontram-se os magníficos “salt water crocs” (crocodilos de água salgada), até a região pantaneira brasileira, com os enormes e prolíferos “jacarés-paguás”; passando pelos pantanais asiáticos onde habitam os gaviais; e os Everglades da Flórida, berço de caimans e aligatores. Pois é, por qualquer nome que se conheça esse bicho, ele é um vencedor. Escavações arqueológicas mostram que quando dinossauros dominavam o planeta a duzentos milhões de anos, crocodilianos já viviam tranquilos e faceiros nos rios, lagos e pântanos de quase todos os continentes, e, pelo jeito, vão continuar por outros milhões de anos se o homo sapiens não impedir. Quanto ao jacaré da rua que eu morava, não posso culpar ninguém pelo seu desaparecimento. No carnaval de 2008 houve uma grande tempestade que fez o trecho do rio Braz, no qual o jacaré morava, transbordar para o mar. A enchente levou para o oceano milhares de peixes e plantas e, possivelmente, o querido e inofensivo jacaré que só queria viver em paz comendo e tomando banho de sol no acostamento da rua onde nunca mais foi visto. O triste da história é que minha nora, australiana que veio ao Brasil pela primeira vez e não falava palavra em português, conheceu o simpático réptil e, talvez pelo fato de em sua terra os crocodilos serem enormes e terem fama de ferozes, ela adorou um bicho tão mansinho que se deixava observar e ser fotografado. Coincidiu que Laura ainda estava aqui em Floripa por ocasião da enchente e o consequente sumiço do “nosso” jacaré. Assim com nós, ela ficou pesarosa por não mais ver o animal modorrando no seu laguinho particular e, estimulada pelo meu filho (seu marido), pronunciou, com forte sotaque característico do sul australiano, suas primeiras palavras da flor do Lácio: “O jacaré se foi”. JAIR. Floripa, 25/02/09.

11 comentários:

kin'xp disse...

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Leonel disse...

Lamento pela perda do simpático jacaré da sua rua ! Sua nora tem bastante motivo para preferir o nosso jacaré aos crocodilos australianos. Segundo eu li há tempos, eles são dos mais agressivos que existem! Ao contrário dos nossos tímidos jacarés, os crocodilos "partem para dentro" quando veem uma possível presa, que pode ser qualquer coisa viva, até maior que ele!

WINS disse...

Grande Jotinha.
Só para variar vc detonando nos teus textos.
Coitado do jacaré....se foi.....
Um baraço a vc e à D. Brandina.
Winz

Ruy disse...

Jair, teu texto sobre o jacaré da tua rua — algo saudosista —, despertou-me também uma lembrança semelhante, digo, no quesito de coisas esquecidas que retornam de repente. Foi um fato em que fui protagonista e que nada tem a ver com jacaré, mas com um cachorro praieiro, puro vira-latas pelo de arame, habitante da Praia de Itaipu, no litoral do Estado do Rio, mais precisamente em Niterói. Eu frequentava essa praia todo fim de semana, para praticar caça submarina. Os pescadores da Colônia criavam muitos cachorros, que viviam soltos naquela praia, e um deles, o Faísca, que tinha por dono um botiquineiro chamado Zuca, afeiçou-se a mim e não me largava desde que eu chegava na praia. Me acompanhava no final da tarde, às vezes, já noite, até dentro do ônibus que me levaria à Niterói e de lá só saia depois que o motorista ligava o motor e eu o convidava a desembarcar, acompanhado-o até a porta. Eu nunca fui assoviador, não consigo até hoje emitir um assovio digno de ser designado por assovio, mas quando eu chegava na praia, bem cedinho, fazia um esforço e lançava aos ventos um arremedo de assovio. De repente, surgindo de qualquer lugar — muitas vezes lá do outro extremo da praia, do costão —, e parecendo ser apenas uma manchinha marrom deslocando-se rapidamente pela areia, vinha o Faísca em desabalada carreira ao meu encontro. E, a partir daí me acompanhava o dia inteiro, muitas vezes até dentro d’ água. Um dia, cheguei na praia e assoviei, assoviei o mais que pude e nada do Faísca aparecer. Fui até o Último Furo, boteco do Zuca, e perguntei pelo Faísca. Fiquei sabendo que a mãe do Zuca, que morava numa casa no caminho de Piratininga, havia levado o Faísca pra lá e que na praia ele não voltaria mais. Passados uns tempos soube que o Faísca havia morrido, pois mantido num terreno cercado, ele que nasceu e criou-se livre correndo pelas areias de Itaipu a paquerar as cachorrinhas, sem nenhum tipo de cerceamento à sua liberdade, não resistiu por muito tempo perder o contato da areia sob as patas, e assim findou-se miseravelmente o “meu” Faísca.

Adri disse...

Quem sabe uma nova especie jacare de papo amarelo de agua salgada apareca nos litorais de santa catarina daqui a alguns anos...

Laura Lopes disse...

I enjoyed reading this very much because you mentioned me in it and also, because it brought back wonderful memories of last year when we were in Floripa.

Recently when we were in North Queensland where my dad's family are from, i found out that the river i used to swim in with my cousins as a child at my aunt's property is now currently inhabited by a very large and potentially mean salt water crocodile! It's such a shame they can't all be as sweet at the Jacare i made friends with in Brazil. XO Laura

Augusto Ouriques Lopes disse...

Estava estes dias pensando em como o contato com animais é mais comum no Brasil comparado a aqui nos EUA. Tive a felicidade de no quintal duma casa no Rio de Janeiro onde passei anos de minha infância ter criado galinhas e galos, jabutis, aranhas, lagartas (daquelas que viram borboletas), cachorros, hamsters. Os pássaros e gatos estavam sempre soltos por lá.
E tudo isto não foi em uma casa de campo ou uma chácara afastada não. Tínhamos esta pequena seleção de animais no meio da cidade, no coração da Zona Norte do Rio.

Joel disse...

Jair. Alguns anos atras apareceu em São Paulo um jacaré que ficava tomando sol às margens do rio Tietê,(coitado) mais ou menos à altura da Editora Abril, causando transtorno ao tráfego pois todos que passavam pela Marginal queriam dar uma olhada no bicho. Sei que os bombeiros por várias vezes tentaram captura-lo mas não lembro se conseguiram. O que lembro é que os moradores das proximidades, num lampejo de criatividade deram ao bicho o nome de Paguá. Assim, se o Rio tem o bairro de Jacarepaguá, onde mora o Ruy, São Paulo passou a ter o jacaré Paguá. É mole?
Abraços, Joel.

Anônimo disse...

coitado do jacaré, como todo bom Franciscano não mato nem cobras que passam no meu caminho, lastimável se torna portanto a perda de uma figura tão símpatica que n~çao faz mal a ninguem!
assim
coitado do jacaré mesmo!

Anônimo disse...

Posso escrever?

foi criado por mim se gostar coemente.

Quem vê cara não vê coração
a gente se envolve as vezes em cada aventura
E não sabe como se livrar
Fica enjaulado como uma fera cativa
Procurando um lugar pra escapar

Quem vê cara não vê coração
melhor ficar sozinho
do que sofrer desilusão

um rosto bonito esconde uma fatal aramadilha
Que pode levar um coração a sofrer
cuidado amigo amiga não vá de cabeça
Só dê seu amor a quem merecer
Quem vê cara naão vê coração
Melhor ficar sozinho do que sofre desilusão

Anônimo disse...

Faço 61 anos hoje, estou comemorando porque estou com saude, não estou sentindo dor que é um dos piores infortúnios do homem, sou feliz por que penso, sou feliz porque sou livre para expressar meus pensamentos, sou feliz porque nas minhas expressões procuro não feriam ninguem pois me expresso fundamentado em fatos sinceros e reais.
bobsmmith