terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

SOBRE O TEMPO


O genial escritor inglês H. G. Wells (1866-1906), autor de “Guerra dos Mundos”, livro de ficção científica que relata com crudelíssima realidade uma invasão da Terra por marcianos mal intencionados, estória transformada em programa radiofônico por Orson Welles em 1936, e que chegou a causar pânico a cidadãos americanos que acreditaram que os EUA estavam sendo invadidos; livro que também deu azo ao nascimento de filmes em várias épocas, a última refilmagem tendo Tom Cruise como astro principal, é autor de outro livro, senão mais lido e comentado, pelo menos mais importante no sentido de ter instigado muita literatura posterior baseada na ideia de viajar no tempo. O livro “A Máquina do Tempo” (1895), um clássico que pode ser considerado o primeiro a abordar o assunto, foi lido por toda uma geração de escritores e cientistas como Carl Sagan e Isaac Azimov que, estimulados pela nova fronteira literária científica que se apresentava, exploraram com criatividade e competência a possibilidade de deslocamentos no tempo. Vários outros autores, cineastas e estudiosos também se fizeram ao mar da imaginação e produziram obras boas e más que enriqueceram o imaginário dos leitores, cinéfilos, curiosos e até dos adoradores de OVNIs. Talvez a produção cinematográfica mais conhecida seja a trilogia de Spielberg “De volta para o futuro”, na qual se chama a atenção para a existência de um “Paradoxo do tempo”, segundo o qual, a interferência no passado pode comprometer o status do presente, por exemplo, um homem que vá para o passado e mate seu próprio avô não teria como nascer, não nascendo não poderia ir para o passado matar o próprio avô. Pois é, esse paradoxo é apenas um dos óbices que aparecem com freqüência quando se aborda viagens temporais, existem muitos outros que animam debates e polêmicas e não desatam o nó górdio da possibilidade ou não de se poder navegar no tempo. Vejamos, portanto: se existe possibilidade dessa viagem, é razoável supor que num futuro distante, digamos daqui a mil anos, o homem já tenha alcançado um grau tecnológico tal que viagens temporais sejam rotineiras, não é mesmo? Se assim é, por que não temos recebido visitas regulares deles no presente? Será que ao homem do futuro não interessa conhecer o próprio passado? Parece que só os nefelibatas adoradores de OVNIs enxergam esses viajantes todos os dias por aí, não existe prova real alguma que sejamos visitados por eles. O que se depreende da discussão entre os convictos X céticos quanto à realidade das viagens é que o deslocamento temporal é possibilidade em aberto, não há consenso e, portanto, ninguém ganhou o jogo ainda. Mas, para consolo dos que querem acreditar que há alguma coisa a mais entre o presente, o passado e o futuro, podemos afirmar: As Máquinas do Tempo existem! Não essas inverossímeis traquitanas wellsianas na qual o sujeito embarca, aperta um botão, e se transporta para um tempo pretérito ou porvir, fictício e aventuresco. Mas, sim, máquinas reais, confeccionadas com tecnologias disponíveis e acessíveis aos técnicos e cientistas atuais. Vamos fazer um pequeno intróito: Nós podemos observar o passado! Aliás, nós o observamos todos os dias, a todo momento! A imagem é transmitida pela luz, que se desloca a trezentos mil quilômetros por segundo, isso faz com que observemos objetos distantes com certo atraso. Atraso correspondente ao tempo que a luz leva para ir do objeto observado até nossos olhos. Por exemplo, o sol encontra-se a, mais ou menos, trezentos e cinqüenta milhões de quilômetros, e a luz leva perto de oito minutos para percorrer essa distância, isso equivale a dizer que o que vemos REALMENTE é o passado do sol, vemos o sol de oito minutos atrás. Se o sol se apagar agora, neste momento, só vamos ficar sabendo daqui a oito minutos! Assim, o dia-a-dia, o presente, a atualidade do homem e de todas as coisas está impregnada de passado, de fatos já acontecidos que estão influenciando o nosso presente, ou seja, o passado não só deixa uma história que influi no presente, como ATUA diretamente no presente! Se você, deitado na praia disser: “estou aqui me bronzeando com o sol do passado”, não está dizendo nenhuma impropriedade, nenhuma estultice, é a pura verdade. Com a construção das Máquinas do Tempo chamadas telescópios, as quais permitem observação de astros muito distantes, a milhares ou milhões de anos-luz, um passado mais longínquo ainda está à disposição dos astrônomos. O telescópio Hubble ampliou de modo considerável esse horizonte, de tal forma que hoje se pode ver uma galáxia ou um conglomerado de galáxias a bilhões de anos-luz. Isso quer dizer que esses objetos observados podem ter desaparecido a milhões de anos e ainda estão ali, a disposição para serem estudados. As Máquinas Telescópicas do Tempo não são comparáveis com as ficcionais por dois motivos: 1 – Não transportam pessoas ou objetos para qualquer lugar no tempo, apenas permitem observar os acontecimentos; 2 – Não são reversíveis, isto é, não permitem observar nos dois sentidos, só olham para o passado, talvez porque, o futuro não existe, o futuro é feito de presente que ainda está acontecendo. Isso as define como máquinas observadoras do passado, mas, teoricamente, abrem uma possibilidade real de olharmos o passado de nossa civilização, e até de nosso planeta nos primórdios. Se nos colocarmos, por exemplo, a mais ou menos quinhentos anos-luz da terra e assestarmos um potente telescópio em direção à América poderemos ver Cristóvão Colombo descobrindo o Novo Mundo. Assim, dependendo da distância, maior ou menor, veremos a Guerra de Tróia, o nascimento de Jesus, nossa própria vinda ao mundo etc. Não é nenhuma quimera, é até confortável, imaginar que os homens do futuro, digamos daqui a mil anos, estejam observando o planeta de um ponto distante e vendo os acontecimentos do passado que levaram ao presente lá deles. Assim, estarão assistindo um passado deles que pode ser o nosso futuro, nada mais normal. JAIR, Floripa, 10/02/09.

4 comentários:

Leonel disse...

Caro Jair, apaixonado por ficção científica como sempre fui, não pude resistir ao impulso de dar o meu pitaco (expressão nordestina: palpite, aparte).
Inicialmente, eu parto do princípio de que todos os sonhos são possíveis, e entre eles as viagens pelo tempo.
Quanto ao fato de não termos constatado alguma visita vinda do futuro, podemos aventar duas hipóteses:
A primeira seria a de que a nossa civilização jamais alcançará no futuro o estágio das viagens temporais, pois será extinta antes, por algum asteróide em colisão com a terra (ou por alguma besteira criada por nós mesmos).
A segunda é que, sabendo as implicações de interações com o passado, os tais visitantes teriam desenvolvido uma forma de nos observar sem serem vistos, evitando assim influenciar no presente deles.
Já vi uma referência aos UFOS como máquinas do tempo, o que explicaria a timidez dos seus tripulantes em nos contatar. Mas, nesse caso, estão sendo pouco cuidadosos, pois UFOs são visto com relativa frequência, e muitos pilotos e tripulantes de aeronaves, tidos por seus pares como honestos e confiáveis, relatam contatos com tais fenômenos. É claro que nem todo o UFO pode ser considerado uma nave espacial ou temporal, mas tem alguma coisa no ar, fora os aviões! Da mesma forma que os pesquisadores da Força Aérea Americana, estou descartando as histórias fantásticas que envolvem contatos com tripulantes de naves, pois estas sempre parecem apresentar falhas, quando analisadas por pessoas céticas.
Mesmo assim, alguns ufólogos aceitam a hipótese de que existam máquinas temporais voando por aí.
De qualquer forma, a segunda hipótese nos dá alguma esperança, já que a primeira nos parece mais inquietante e difícil de aceitar...

JAIRCLOPES disse...

Caro Leonel,
Veja bem, eu deixei claro que a hipótese de deslocamento no tempo é uma proposição "em aberto" de forma que não descartei a possibilidade, apenas não temos provas que elas estão acontecendo. Enquanto isso, confortavelmente, podemos usufruir da observação do passado com nossa tecnologia disponível sem precisar de grandes voos da imaginação e sem adentrarmos os esconsos do ignoto.

Ruy disse...

Jair, muito interessante o teu texto sobre o tempo, aliás, vez ou outra, eu sempre me “pego” pensando nisso. É um tema que me deixa grilado, digo, esse lance de “ser possível” olhar para um evento que “já era”.
Abraço.

Davidson disse...

Muito interessante...é só vencer a barreira do tempo que se gastará na viajem até o ponto de observação...