terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

CARNAVAL


Cerca de dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as festas egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao touro Apis. Os gregos festejavam com grandiosidade nas festas Lupercais (referente a Luperco, sacerdote do culto a Pã, deus dos pastores entre os romanos) e Saturnais (referente a Saturno, deus do paganismo) a celebração da volta da primavera, que simbolizava o renascer da natureza. Também em Roma, em glória ao deus Saturno, comemoravam-se as Saturnais. Esses festejos eram de tamanha importância que tribunais e escolas fechavam as portas durante o evento, escravos eram alforriados, as pessoas saíam às ruas para dançar. A euforia era geral. Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus – prática retomada com muita ênfase pelos carnavalescos brasileiros. Estes eram chamados os carrum navalis. Obviamente que daí saiu a expressão carnevale que deu origem a carnaval. Mas, num ponto todos concordavam, as grandes festas, como o carnaval, estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais. O carnaval atual se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas. Na Europa, os mais famosos carnavais foram ou são: os de Paris, Veneza, Munique e Roma, seguidos de Nápoles, Florença e Nice. Não há qualquer dúvida que o carnaval é a mais famosa e, talvez, a maior festa popular do planeta, ressaltando que popular não quer dizer, necessariamente, espontânea, já que os grandes carnavais como o do Rio de Janeiro, são institucionalizados e dependem, em grande parte, do poder público. O carnaval brasileiro é considerado uma das festas populares mais animadas e representativas do mundo. Tem sua origem no entrudo português, onde, no passado, as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos e farinha. O entrudo acontecia num período anterior a quaresma e, apropriado pelo cristianismo desde o século quatro, passou a ter um significado ligado à religião mas, ao longo do tempo, voltou a tornar-se uma manifestação de conotação tipicamente pagã. Este sentido permanece até os dias de hoje no carnaval. O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia. No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais. No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado. A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual delas era mais bonita e animada. O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu que é uma mistura das culturas indígena, africana e européia. Surgiu em meados do século XVIII e foi criado para formar uma crítica as cortes portuguesas. Para quem pensa que nos Estados Unidos não existe carnaval, lá ele se resume basicamente na celebração do Mardi Grass (terça-feira gorda), vários estados celebram o carnaval. O Estado mais tradicional na comemoração é Luisiana onde, em New Orleans durante o Mardi Grass, desfilam pelas ruas da cidade mais de 50 agremiações. A agremiação mais conhecida é a do Bacchus (que possui gigantescos e originais carros). Na Alemanha a celebração do carnaval acontece tanto nos grandes centros urbanos, quanto na Floresta negra e nos Alpes. A festa mais tradicional é a da cidade de Bonn, que organiza desfiles com pessoas fantasiadas, o diabo fica solto, por esse motivo as pessoas usam máscaras a fim de esconder seus rostos. De qualquer forma, em qualquer lugar ou em qualquer tempo, seja durante o período romano ou no século vinte e um no Brasil, o carnaval é a válvula de escape da panela de pressão da sociedade, é onde as frustrações e ansiedades sublimam-se em suor, música e movimento tornando a vida do pobre e espoliado cidadão comum, - pelo menos nos três dias de festas – mais tolerável, menos agônica e mais esperançosa. Portanto, mesmo passados séculos, pão e circo continuam a ser um santo remédio para as agruras do viver. JAIR, Floripa, 24/02/09.

3 comentários:

Leonel disse...

Amigo Jair: Uma verdadeira aula sobre carnaval, a grande festa pagã. O que eu acho engraçado é a informalidade que se sobrepõe à oficialidade: na folhinha, só tem um dia feriado,que é a terça feira. Mas, aqui no Rio, desde sexta até a quarta-feira (para algumas coisas até a outra segunda), nada pode ser feito, a não ser beber, dançar, cantar e ...etc..! Não tente achar um profissional para consertar um encanamento, uma instalação elétrica, nem tente comprar qualquer coisa que não seja cervveja ! Sair de carro, nem pensar, pois diversas ruas ficam interditadas para dar lugar aos foliões! Sem falar das consequências dos deslocamentos dos gigantescos carros alegóricos, que sempre engancham nos fios da rede elétrica e quebram em lugares estratégicos, interrompendo o trânsito em ruas vitais para o escoamento. Não sou contra o carnaval, mas felizmente, moro num bairro onde nem se ouve o som da festa. Fica até mais silêncio que de costume, pois grande número de cariocas sai da cidade nesta época. O espaço é preenchido pelos turistas...

Anônimo disse...

Outra síntese equilibrada do viver e descobrir humano.

Anáise de Leonel...pontua muito bem a síntese.

Mesmo deixando à sorte os pacientes que traumaticamente o aguardavam, o médico que gazeou o serviço de plantão em Contagem-MG, como filho de Deus que é, também concorda com toda essa descrição carnavalesca.

Com olhos turvos e mente entorpecida muito se altera...inclusive na terra alterosa...

Ok para o extravassamento de emoções ...porém não esquecendo e sobrepondo a lei...sobretudo a da vida do próximo.

saulo

Adri disse...

Deu vontade de celebrar!!!