sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E O IMPÉRIO AMERICANO VAI BEM, OBRIGADO.



Os grandes impérios tinham por característica constituírem colônias em países e nações ocupados, geralmente depois de guerras de conquistas bem sucedidas, ou de "descobrimentos" seguidos de desembarques nem sempre pacíficos. Foi assim com os impérios: português, espanhol, britânico, francês, otomano e todos os demais, a exceção do americano. Este, de modo sintomático e compreensível, sempre preferiu estados-satélite ou protetorados a colônias formais, exemplos: Filipinas, Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas e Cuba, (esta apenas até 1959, ano em que Fidel derrubou Batista e tornou-se ditador vitalício) incorporados ao império após guerra com a Espanha em 1898, sem contar que o Panamá foi “criado” a partir da Colômbia em 1903, só para satisfazer o desejo americano de construir um canal que ligasse o Atlântico ao Pacífico. Ao contrário das colônias tradicionais que compulsam o uso de manu militari para manter a ferro-e-fogo governos títeres sem representação, e completa submissão a seus patrões, estados-satélite e protetorados são versões mais "light" de colônias, porquanto permitem governos autônomos, constituições próprias, alguma autodeterminação e certa autonomia administrativa e econômica. Entre os problemas que se encontram neste tipo de território controlado estão o alinhamento automático político-militar e, muito mais importante, o atrelamento cultural e consumista à matriz: "O que é bom para os EUA, é bom para...". A primeira guerra mundial converteu os EUA numa potência. O fato de o país estar geograficamente distanciado do conflito e, ao mesmo tempo, engajado econômica, militar e politicamente ao lado dos vencedores, deu aos americanos oportunidade de desenvolvimento e influência econômica desmedida e potencialmente vantajosa. Depois da segunda guerra, - ocasião em os Estados Unidos, mais uma vez, havia desenvolvido suas indústrias a serviço dos aliados vencedores – o país se viu envolvido na chamada Guerra Fria, em que o “outro lado” impunha limitações ao expansionismo tácito que era seu “destino manifesto”, segundo o pensamento de William H. Seward, secretário de Estado de Lincoln, que pressionou o Congresso Americano para comprar o Alasca da Rússia. O destino manifesto e a força econômica americana, contudo, impuseram um expansionismo do império na Europa, no Japão e ilhas do Pacífico, onde bases militares floresceram e o American way of life virou referência para as nações ocupadas. Além disso, o Plano Marschall, um oportuno aprofundamento da Doutrina Truman, conhecido oficialmente como Programa de Recuperação Européia, foi o principal plano dos EUA para a reconstrução dos países aliados da Europa nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial. Claro que, ao lado da ocupação militar e da recuperação estrutural das indústrias, toda uma ideologia capitalista e um modus vivendi americano eram impostos implícita e compulsoriamente aos cidadãos. Mac Donald, Coca-cola e Wall Mart são só alguns exemplos. Com o fim da Guerra Fria, os óbices que limitavam a influência americana no mundo ruíram como havia ruído o muro de Berlim. Numa tese bem ao do gosto dos anunciadores da pós modernidade, Francis Fukuyama, filósofo nipo-americano, proclamou o “fim da história”, ou seja, o triunfo universal e definitivo do modus operandi político e econômico da sociedade capitalista. Não mais haveria dois pólos ideológicos puxando brasas para suas respectivas sardinhas, as chamadas “zonas de influência” deixavam de existir e, onde a cortina de ferro havia caído, uma terra ninguém ávida por provar o gostinho do capitalismo temperado com democracia, havia surgido para o júbilo dos neo expansionistas americanos. Ao mesmo tempo, a formidável e insuperável superioridade militar dos EUA e sua liberdade de ação após a desintegração da União Soviética encorajaram uma ambição desmedida num estado grande de poderoso o bastante para acreditar-se capaz de dominar o Planeta incontestável e cabalmente, coisa impensável para o Império Britânico, mesmo em seus tempos áureos. E, de fato, no início deste século, os Estados Unidos ocupavam uma posição histórica única e sem precedentes de poder e influência globais. No momento, levando em conta critérios tradicionais de política internacional, são a única grande potência; são hegemônicos. Todas as grandes potências e impérios da história sabiam que não estavam sozinhos, e nenhum deles almejava genuinamente dominar o mundo. Conheciam suficientemente de história para estarem cientes da impossibilidade do sonho. Mesmo o império chinês em seu auge estava ciente da possibilidade de ser conquistado e desintegrado, de assistir a queda de suas dinastias. No quadro atual, talvez não surpreenda que os políticos americanos sejam tentados pela ilusão de onipotência. A “nova ordem mundial” no período pós Guerra Fria parece ser uma hegemonia americana ampliada, ainda que seus detalhes não estejam claros. Mesmo a custa de sapatadas, as guerras de Bush indicam claramente que o momento é propício para o Império Americano colocar o pé definitivamente em locais onde antes não seria possível pela “ordem mundial” então vigente. E o Império Americano vai bem, obrigado. JAIR, Floripa, 06/11/09.

3 comentários:

J. Muraro disse...

Excelente análise da política externa americana neste século, especialmente depois de 11 de setembro de 2001. Os americanos da era Bush se sentiam plenamente justificados em invadir países e impor sua "democracia" que, em última análise, se iguala à "pax romana" daquele império. Parabéns.

Maringa disse...

O Bush foi um animal. Obama parece ser mais cauteloso, parece saber comer pelas beradas. Enfim, eu admiro toda essa capacidade estratégica que os EUA tem. A ambição dos líderes desse país unida a capacidade em colocar os planos em prática tornou os Estados Unidos o que ele é atualmente. Isso merece aplausos.

Onisciente Erudito disse...

Os americanos são mesmo sádicos, seus banqueiros patrocinaram, e continuam patrocinando guerras, só para as indústrias ganharem mais dinehiro com as desgraças dos outros. Como disse J. Mauro, a "democracia" norte-americana é uma espécie de "pax romana", ou seja, as opiniões que os caras lá do norte querem que a gente tenha, e que não seja muito diferente da deles. Muito bem postado! Parabéns!