sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MINI CONTO



PRÁ AMÉLIA NENHUMA BOTAR DEFEITO

Desde que levantou tratou de arrumar a cama, varrer a casa, esfregar, tirar pó, lavar banheiros, polir, limpar vidros, jogar lixo, lavar, secar e passar roupas, bater tapetes, aguar as plantas, dar comida ao peixinho dourado, limpar cocô do cachorro, ir ao supermercado, arrumar a geladeira, fazer comida (sem esquecer da sobremesa), não parou um minuto sequer. Para não desleixar a aparência, malhou na academia por duas horas, tomou banho, escovou e penteou os cabelos, cuidou das unhas e da pele, maquiou-se, perfumou-se, calçou meias e sapatos finos e colocou vestido adequado. Feito isso, checou se todos os detalhes estavam perfeitos, de acordo com a vontade dele. Cinco minutos antes dele chegar, acomodou-se silenciosa e imóvel num canto da sala, e, confundindo-se com a decoração, mimetizou-se em indistinta peça da mobília. Orgulha-se de ser a perfeita mulher-objeto. JAIR, Floripa, 22/11/09.

4 comentários:

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Ah é assim a mulher objeto? Sempre pensei que tinha algo a ver com sexo.....

SONHADORA disse...

QUANTAS MULHERES OBJECTO EXISTIRÃO NESTE MUNDO????
PENA QUE ASSIM SEJA....
BEIJO

Maringa disse...

Não gosto muito de Amélias, prefiro mulheres de atitude e independentes, mas sem dúvida alguma as Amélias estão em vantagem com relação as safadas de balada que se proliferam cada vez mais. Mais vale uma mulher moralista, ainda que não seja valorizada pelos outros, do que uma mulher imoral que não se dá valor.

Fábia Araújo disse...

Ela é objeto só porque cuida da casa e se cuida? Qual o problema nisso???