terça-feira, 18 de agosto de 2009

O MONSTRO


Já comparei aqui antes as atrocidades cometidas pelos dois maiores assassinos que a história registrou, Hitler e Stálin. Como o holocausto de Hitler talvez seja o fato criminoso que mais rendeu estudos, debates, registros, investigações e literatura a respeito, os crimes cometidos por Stálin permanecem meio que obnubilados e pouco comentados, até porque o hermético regime comunista nunca foi afeito a divulgar suas mazelas, reveses, insucessos e pecados. A propaganda soviética fez maravilhas na ocultação dos verdadeiros horrores de sua história e das condições em que viviam os cidadãos durante o stalinismo. Depois da queda da cortina de ferro, alguns documentos da época estalinista vieram a luz e expuseram, ainda que parcialmente, aquele período nebuloso de terror inominável que se abateu sobre o povo da União Soviética. Para se entender como foi possível um só homem, Stálin, exercer com mão de ferro o poder de vida e morte sobre milhões de pessoas, é necessário que se entenda como funcionava a hierarquia do poder naquele País. Todas as instituições do Estado, inclusive o Exército, estavam subordinadas ao controle dos órgãos do Partido Comunista; que deviam obediência cega aos escalões superiores; que eram chefiados pelo Comitê Central; que estava sob ordens do Politburo. Por sua vez, o Politburo, o Comitê, todos os órgãos do Partido e instituições do Estado estavam à mercê do Serviço de Segurança (NKVD, depois KGB); e o Serviço de Segurança era uma criatura de Stálin e a ele estava atrelado. Se Stálin não fosse escravo de seus demônios, seria o único homem livre do sistema. Todos temiam o ditador e este, como o macho dominante da matilha, tinha que mostrar a própria força – manter o terror no mais alto nível - sob o risco de ser triturado sem piedade pela máquina partidária infernal. O terror stalinista permeava todas as esferas da vida soviética, de modo que agora que os fatos são conhecidos, não se pode negar que estavam na mesma categoria de infâmia que as práticas do Nazismo de Hitler. Ele durou mais tempo, certamente matou mais seres humanos e, na destrutiva irracionalidade que podemos chamar de MAL ABSOLUTO, atingiu um nível mais profundo e mais inexplicável, se isso é possível. Porque, tendo eliminado todos os rivais do círculo bolchevique original, Stalin passou da matança seletiva dos “inimigos sociais” e opositores políticos para a eliminação de seus próprios seguidores. Em 1929-1930 dedica-se à coletivização da agricultura, liquidando camponeses - pequenos, médios ou grandes proprietários de terras. São todos executados ou deportados em massa com suas famílias. Durante o período de 1936-39, chamado de Grande Terror, ele praticou assassinatos em massa sem nenhum propósito aparente, sua sede de sangue parecia necessidade patológica. Às vésperas da guerra, ele vinha dando ordens ao Serviço de Segurança para matar cotas aleatórias: trinta mil habitantes de certa região, cinquenta mil de outra, sem qualquer justificativa, terror puro. Milhares de cidadãos completamente inocentes foram fuzilados após serem forçados a denunciar outros igualmente inocentes, que depois seriam também fuzilados. E o ciclo de falsas denúncias e assassinatos aumentou geometricamente até o ponto de ameaçar paralisar o país inteiro. Num surto paranóico insano, Stálin então condenou a morte seu principal assassino, Nicolai Iejov, chefe do Serviço de Segurança, que havia matado seu antecessor, Genrikh Iagoda. Iejov foi imediatamente morto por Lavrentii Béria, um depravado ensandecido, que comandou o NKVD durante a guerra e liderou a próxima leva de assassinatos de Stálin, aliás, o próprio Béria foi jogado numa infecta prisão e fuzilado mais tarde como traidor. Generais comandantes de exércitos eram executados sem julgamento por covardia, sempre que as batalhas trouxessem um revés para o Exército Vermelho, ninguém estava excluído da sanha assassina do Líder inconteste. O massacre de Katyn, na Polônia, onde 25 mil oficiais poloneses foram mortos e enterrados na floresta, se insere nessa política de terror stalinista, em 1992 foi divulgado pelo presidente Ieltsin documento assinado pelo próprio Stalin, em 05 de março de 1940 dando ordem para o massacre. O medo paralisante e coerção selvagem guiaram todas as políticas pelas quais o Estado stalinista foi mobilizado para desenvolver a guerra contra os alemães. Na verdade, para todos os cidadãos soviéticos que não estavam nas linhas de frente, a diferença entre paz e guerra nem se notou. O número de mortos durante o Grande Terror não foi muito menor que os mortos durante a guerra. Desde 1929, economia centralizada dependia de uma força de trabalho prisioneira das doutrinas do Partido e da disciplina de ferro do planejamento estatal. O suprimento de alimentos dependia da improdutiva agricultura coletivizada, o que equivale à morte por inanição de muitos, porquanto o pouco que se produzia era entregue ao Estado, e aos camponeses, servos das fazendas, o mais das vezes nada sobrava. Para os camponeses era um grande alívio ser convocado a lutar, pelo menos comia-se um pouco, combatia-se um inimigo conhecido ao invés de ficar em casa dominado pelo medo paralisante da hidra maldita que matava sem motivo e da qual não se tinha qualquer defesa. Terminada a guerra, os retornados, - tanto prisioneiros capturados pelas tropas alemãs, como civis levados como escravos para manter a máquina bélica em funcionamento enquanto os alemães lutavam – foram enviados para os Gulags, ou simplesmente fuzilados, 2,4 milhões de pessoas morreram. Em 1953, depois da morte do sanguinário ditador, no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, o sucessor de Stalin, Kruschev, denuncia o "culto da personalidade" stalinista e os crimes e atrocidades atribuídos ao monstro. Político duro, paranóico e sem escrúpulos, Stalin usou seu poder para destruir todos os que surgiram em seu caminho, foram mais de 17 milhões de assassinatos. Temido e admirado, é, muitas vezes, retratado como um homem de inteligência medíocre, que conseguiu seu poder graças, exclusivamente, à esperteza e ao impiedoso massacre dos que cruzaram à sua frente. Essa avaliação, contudo, é uma subestimação, pois a ideologia concebida por Stalin - que passou à história com o nome de stalinismo - teve grande importância na consolidação do regime soviético e de suas terríveis injustiças. O regime que seguiu até a derrocada final da aberração chamada comunismo, é fruto do stalinismo e de sua doutrina do Estado onipotente tendo como alicerce cidadãos sem qualquer valor humano, meros peões descartáveis. O MONSTRO venceu, sua ideologia de terror continuou invicta até o fim do IMPÉRIO DO MAL. JAIR, Floripa, 19/08/09.

7 comentários:

KOTTA disse...

Que os Deuses os deixem estar no lugar que merecem sossegadinhos porque agora com a colonagem ainda aparecem por aí alguns iguaizinhos a esses e para miséria já chega. Abraço amigo

Joapa disse...

olá! Fico feliz que tenha gostado do blog! obrigado mesmo! quanto a sua pergunta, a cidade das fotos ( Pampulha ) é aqui, Belo Horizonte.

um abraço e sucesso

Jorge disse...

Acho um texto como este muito útil, esclarece que não foram só os nazistas, liderados pelo infame Hitler, que cometeram atrocidades.

Anônimo disse...

Ei Jair!!

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GUILHERME PIÃO disse...

Quando li o título do post pensei que ia falar do Lula, Sarney, Zé Dirceu, Collor e toda a cúpula dos governantes.
Muito se fala do holocausto, mas esquecem das atrocidades da antiga União Soviética, dos turcos contra os armenios, de Cuba
,Rodésia...etc...etc
Abraços

Maringa disse...

Perfeito! Esclareceu em detalhes como foi a barbárie promovida pelo Stalin. Mas é assustador que ainda existam ditadores assim em alguns países ainda;

Leonel disse...

Só o desconhecimento da história pode explicar o fato de algumas pessoas ainda acreditarem que esta ideologia pode levar a alguma coisa positiva. Talvez por este motivo, a massa de apoio a este regime vem da miséria e do analfabetismo. Além, é claro, de jovens estudantes que acreditam em utopias.