quinta-feira, 12 de março de 2009

A CIVILIZAÇÃO VALE A PENA?


Depois do descobrimento das Américas, quando os espanhóis desembarcaram nas proximidades de onde hoje é o México, encontraram uma civilização mais adiantada e sofisticada culturalmente que os europeus, eram os Astecas. Os Astecas foram uma grande civilização americana pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos quinze e dezesseis no território correspondente ao atual México, onde fundaram numa ilha, no centro de um lago formado na cratera de vulcão extinto, a cidade de Tenochtitlán, que hoje é a cidade do México. O império asteca era constituído por uma organização estatal que se sobrepôs militarmente a diversos povos como os toltecas e chichimecas; possuíam uma superioridade cultural e isso justificaria sua hegemonia política sobre as inúmeras comunidades nestas regiões, segundo eles mesmos – equivalente ao Bush justificando invadir o Iraque e o Afeganistão. No período anterior a sua expansão os astecas se encontravam no mesmo estágio cultural de seus vizinhos de outras etnias. Por um processo muito específico, comparável, nos tempos modernos e na civilização ocidental, ao processo que coloca, por exemplo, os Estados Unidos como potência militar e econômica acima das demais nações, tiveram uma expansão rápida e passaram a subjugar, dominar e tributar os povos das redondezas, outrora seus iguais. Eram imperialistas, nada diferente do colonialismo cultural, econômico e exploratório dos tempos atuais. A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército. A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares. A sucessão dos imperadores astecas não era hereditária de pai para filho, sendo estes eleitos por um consenso entre os membros da nobreza. A economia asteca estava baseada primordialmente no milho, e as pessoas acreditavam que as colheitas dependiam de provisão regular de sangue por meio dos sacrifícios, costume estranho, mas totalmente de acordo com cultura da época. Contudo, desenvolveram uma medicina adiantada que incluía até operações cirúrgicas cerebrais, eram ótimos astrônomos, ourives, arquitetos, metalúrgicos e seus trabalhos em cantaria de excente qualidade perduram até hoje. Sua civilização teve um fim abrupto com a chegada dos espanhóis no começo do século XVI, em 1519. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda os escravizaram, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região. Aconteceu que o imperador Montezuma II considerou o conquistador espanhol a personificação do deus Quetzalcóatl, e não soube avaliar o perigo que seu reino corria. Ele recebeu Fernando Cortez amigavelmente, mas este, de modo covarde, tomou-o como refém. Em 1520 houve uma revolta asteca e Montezuma II foi assassinado. Seu sucessor, Cuauhtémoc, o último governante asteca, resistiu aos invasores, mas em 1521 Cortez sitiou Tenochtitlán e subjugou o império. Povos não-astecas, submetidos à Confederação, se uniram aos espanhóis contra os astecas. Os astecas foram completamente dizimados e sua civilização destruída pelos conquistadores espanhóis, comandados por Fernando Cortez. A pergunta que se impõe é: Como uma civilização muito mais avançada culturalmente, pode ser exterminada por verdadeiros “bárbaros” vindos do além mar? Quais os fatores que possibilitaram essa vitória por parte dos europeus? Nenhum mistério. Simplesmente, a civilização européia por esse tempo já dominava a manufatura do ferro e usava pólvora para fins bélicos, os astecas não. É importante lembrar este aspecto pelo fato dos astecas se terem tornado dominantes por uma expansão militar dentro de uma realidade que não contemplava uso de armas de ferro e pólvora. Por incapazes que fossem os europeus de erigir grandes obras de arquitetura mais complexa; de ostentarem avanços significativos na medicina, em especial nas intervenções cirúrgicas; ou de confeccionar calendários precisos e confiáveis, eles detinham a tecnologia que lhes permitia dominar pela força quaisquer outros povos que fossem menos afeitos às artes bélicas. Como hoje, a força se sobrepôs à civilização. Mal comparando, seria como se o Paquistão (que tem a bomba atômica) invadisse e dominasse o Japão (que não a tem). Um abraço pro gaiteiro! JAIR, Floripa, 12/03/09.

4 comentários:

Adri disse...

Muito interessante e cultural...

Leonel disse...

Infelizmente, uma história bem parecida com a dominação dos incas, no Peru, por Pizarro. Lá também o chefe Ataualpa foi feito refém, e seus súditos tiveram de pagar três vezes a quantidade de ouro pedida inicialmente para seu resgate. Na realidade, os espanhóis pediram ouro até eles não terem mais de onde tirar. Então, assassinaram infeliz chefe inca! Esta foi uma das primeiras narrativas históricas que, ainda criança, li em uma revista, e até rasguei a gravura com o rosto de Pizarro, a quem eu passei a odiar.
Mas, sobre os aztecas, eu vi há algum tempo um interessante filme, "Apocalypto". A película mostra as aventuras de um membro das tais tribos menores, acossado pelos poderosos aztecas, até um final que eu achei chocante, por que se sabe o que veio depois...

JAIR disse...

Leonel,
Sim, o filme "Apocalypto" retrata a desumanidade de um povo dominante sobre outros subordinados. Assisti e gostei. A diferença entre essas guerras intestinas de povos americanos pré-colombianos é que usavam armas iguais, de mesmo "poderio de fogo", se assim podemos dizer, enquanto o invasor europeu detinha o uso do FERRO e da PÓLVORA, o que fez a diferença. É claro que isso aconteceu em todas as conquistas efetuadas pelos europeus e até asiáticos contra os nativos africanos, americanos e da Oceania, mas isso apenas explica os resultados, não justifica. Abraços, JAIR.

Anônimo disse...

Gostei da comparação Afeganistão X Japão...que remete ao Rio de Janeiro...Bandidos X População.
Saulo