sábado, 7 de agosto de 2010

Ainda a saga do Albatroz





No texto anterior, como a intenção era mostrar a nova “carreira” da aeronave, não contei outras particularidades do possível aproveitamento do Albatroz pela FAB. Na década de setenta apareceu uma empresa canadense propondo a substituição dos motores convencionais do SA-16 por turbo hélices. É bom lembrar que os mal afamados motores Wrigth R1820 eram o ponto fraco da aeronave que tinha uma estrutura super robusta. Como escrevi, depois de um pouso “curtíssimo” sem trens de pouso baixados, o avião sofreu danos leves e foi recuperado em apenas uma semana. Com célula parecendo um tanque guerra e motores bastante complicados, era natural que uma substituição do grupo moto propulsor desse sobrevida ao avião. Contudo, além da política de nacionalização da frota vigente naquele momento, existia na FAB uma elitização babaca dentre as autoridades que viam em aeronaves “velhas” um fator negativo que dava má aparência à Força. Assim, sem muito pensar, sem pesar a possibilidade de rejuvenescer os Albatroz, remotorizando-os, deram baixa neles.

O fato é que, ainda na década de setenta, já haviam retrofitado a célula das aeronaves e modernizado a área eletrônica, de modo que gastou-se uma grana preta em máquinas “velhas” que passaram a ser atualizadas com exceção dos motores. Mesmo considerando que parte substancial do país, a região amazônica, ficou a descoberto pela desativação dos Catalinas e, logo em seguida dos SA-16, a FAB, inteligentemente, adquiriu Bandeirantes para fazer busca e salvamento. Gostaria de saber em que planeta se faz busca com aviões de asa baixa, e como se resgata sobreviventes na água com Bandeirantes. Será que esse “substituto” do Grumman teria dezoito horas de autonomia? Ou ainda, capacidade para seis macas, médico, enfermeiro e um pequeno centro cirúrgico? Pousaria e decolaria de pistas não preparadas com peso máximo? Parece que a insanidade agora passou, a FAB está substituíndo o Bandeirante pelo Casa 212 no SAR. O Casa não é um hidro, mas, como já existe pista em toda a grande amazônia, seu aproveitamento poderá ser excelente. Fora isso, existem ainda dezenas de Albatroz voando e pousando na água em vários países, inclusive nos EUA.

Se a FAB optasse por turbo hélices para impulsionar aquela célula rinocerôntica é possível que o Albatroz ainda estivesse salvando vidas até hoje no esquadrão de buscas, é uma pena. JAIR, Floripa, 07/07/10.

5 comentários:

Leonel disse...

Boa bronca, Jair!
Eu não sei porque desapareceram os hidros! Houve uma época em que os voos internacionais eram feitos nos "Clippers" da Pan Am. Eram diversos modelos de hidroaviões da Martin e Boeing se não me engano. O apoio necessário para recebe-lo era o mínimo, comparado com aviões "terráqueos".
Um país como Brasil, com a imensa Amazônia cheia de rios,é feito para os hidroaviões. Mas, como é uma coisa que serve para nós e não para os outros, só se a EMBRAER achasse que tem mercado. A Canadair fabricava um hidro que era uma cópia do Albatroz, depois fizeram a versão turbo-hélice que até hoje é usada como "bombeiro".

JAIRCLOPES disse...

De fato o "bombeiro" canadense aqui esteve em 1976 em São josé dos Campos, na exposição internacional de aviação. Eu tive a aportunidade de voar com eles: pousaram na represa de Guarapiranga, encheram o depósito de água e alijaram ao lado da pista de São José. Naquele tempo a aeronave deles ainda era motorizada com motores convencionais. Se aquele avião foi remotorizado, por que não o Albatroz?

Anônimo disse...

Alguns anos após a primeira Guerra Mundial, ainda morava na Europa e tive oportunidade de conhecê-lo logo após sua utilização em batalha. Bela e nostálgica aeronave, que encheu de sonhos não só minha mente como a de muitos amigos de infância e juventude.

Abraços,

Manoel

serpai disse...

Hola Jair,

aunque esa area me sea absolutamente desconocida, me encanta la forma como explicas los temas.

Te dejo saludos argentinos,

Sergio.

Anônimo disse...

Na década de 70, vi uma decolagem do ALBATROZ DA FAB, aqui em BAURU-sp, foi a coisa mais linda. Aquilo está ainda ma minha lembrança, após a decolagem ele cruzou a pista afundando e de repente aparecendo, num cruzamento razante e em seguida arremetendo sentido Norte, aqueles dois motores 'RUGINDO', foi espetacular.