quarta-feira, 17 de junho de 2009

DINOSSAUROS



Os dinossauros eram répteis que habitavam ambientes terrestres e aquáticos e que prevaleceram na Terra de forma hegemônica entre os períodos mesozóico, jurássico e início do cretáceo. Há sessenta e cinco milhões anos desapareciam aqueles que foram os animais mais formidáveis a pisarem no planeta Terra. Depois de dominarem sem contestação todos os continentes e recantos da terra firme, lagos, rios e ares por mais de cento e cinquenta milhões anos, desapareceram para sempre. A teoria mais aceita, e que tem provas abundantes favorecendo sua concordância por parte da comunidade científica, é que um corpo celeste – que pode ter sido um meteorito ou um cometa – de proporções médias, atingiu a Terra nas proximidades de onde hoje se situa o golfo do México, causando uma devastação tal que exterminou oitenta por cento da vida do planeta, inclusive os dinossauros. Ao contrário do que se imagina, os dinos não eram exatamente apenas répteis enormes ou estupidamente grandes, muitos eram do tamanho de um cão pequeno, outros tão grandes quanto um cavalo e alguns como o gigantossauro, por exemplo, eram alguma coisa inimaginável assim como um edifico de quatro andares de altura, compridos como dois vagões de trem alinhados e chegavam a pesar cem toneladas. Há, ainda, indícios que eram animais inteligentes, gregários e que cuidavam da prole. Com o impacto do corpo celeste criou-se uma nuvem de poeira que alterou radicalmente as condições climáticas do planeta, os animais que não foram atingidos diretamente pelo choque e explosão subseqüente, morreram lentamente de inanição porque a vegetação foi desaparecendo por falta de luz solar. Os herbívoros morrendo primeiro proporcionaram uma sobrevida aos carnívoros, que faleceram em seguida. Acontece que, por terem vivido muitos milhões de anos e terem habitado todo o planeta, tiveram tempo e espaço para deixar marcas de sua passagem, muitas e indeléveis marcas. Em todo mundo existem fósseis deles e de seus ovos e muitas pegadas impressas no que teria sido lama, que com o tempo solidificou e tornou-se rocha, perpetuando seus rastros para gáudio da ciência dos nossos dias. No Brasil, onde muitas espécies desses lagartos viveram por milhões de anos, existem pegadas atestando essa passagem. Os fósseis são encontrados nos mais diversos lugares, sendo que, em abundância, na cidade de Sousa, Paraíba. Nesse local, foram encontrados os primeiros registros fósseis do Brasil, em 1897: tratava-se de pegadas fossilizadas descobertas na localidade de Passagem das Pedras, pelo agricultor Anísio Fausto da Silva, que acreditava tratar-se de rastros de boi e ema. O Vale dos Dinossauros, como passou a ser chamado, abriga pegadas que estão no leito do Rio do Peixe há mais de 130 milhões de anos e que chegam a medir meio metro cada uma, formando uma fileira de 60 pegadas. Ao longo dos anos, foram encontradas diversas pegadas de espécies diferentes, podendo ser observadas as marcas deixadas por iguanodontes, carnossauros e pterossauros (répteis voadores também extintos, parentes dos dinossauros), fazendo crer que ali existia uma espécie de "Jurassic Park" tupiniquim. Este fato faz com que o Nordeste brasileiro seja reconhecido pela paleontologia do continente americano, contribuindo como um grande centro de estudos. O Vale dos Dinossauros compreende uma área de mais 700 km², são aproximadamente 30 localidades, as mais importantes em, em que se registra pegadas fossilizadas de mais de 80 espécies em cerca de 20 níveis estratigráficos. São pegadas fossilizadas que variam de 5 cm como as de um dinossauro não maior de que um galináceo, até 40 cm de comprimento a exemplo das pegadas de iguanodonte de 4 toneladas, 5 metros de envergadura e 3 metros de altura. A maior parte das trilhas é pertencente a dinossauros carnívoros. As primeiras pegadas encontradas estão na chamada Passagem das Pedras e são de iguanodonte, há vestígios também do temido tiranossauro rex e de um pterodáctilo. O Vale possui uma riqueza de materiais relacionados com a paleontologia, como as próprias pegadas, chuva fossilizada, registros únicos sobre os estudos do próprio local, que nos proporciona uma experiência única, onde nos deparamos com um ambiente úmido, vegetação constantemente verde, extremamente diverso do resto da região. As marcas dos animais fazem parte do dia-a-dia de Sousa, a quarta maior cidade da Paraíba, com 79 mil habitantes. Lugares como Praça dos Dinossauros, boate Rocksauro e dinos desenhados nas fachadas das lojas são coisas comuns pelas ruas. Ainda que acolhedora, a cidade de Sousa não conta com uma infra-estrutura local preparada para o turismo, você não encontra passeios formados, transporte especial ou agências de viagens e passeios. Os guias locais só existem dentro do Parque. Para quem gosta de aventura e de explorar a região de terras desconhecidas, o melhor é procurar um pacote que inclua o vale no roteiro. A prefeitura, no entanto, ainda não melhorou a estrada que leva ao vale e só agora vai cercar as pegadas, e desviar o Rio do Peixe, que na época das chuvas inunda as pegadas. O Parque dos Dinossauros foi criado no município de Souza e é de propriedade da prefeitura. Ocupa uma área de 40ha e conta com um pequeno museu onde se vêem réplicas de pegadas, mapas e maquetes que mostram a formação do solo. É lá que encontra o leito do rio dos Peixes, onde podem ser vistas as trilhas deixadas por tiranossauros, carnossauros e iguanodontes. A preservação de acervo único como este é de suma importância para o desenvolvimento da paleontologia brasileira. A falta de estrutura e meios de pesquisa e estudos dificultam a difusão do conhecimento que é essencial para a inclusão do Brasil entre os países que valorizam o conhecimento da história natural. Esperemos que as próximas administrações da cidade de Souza se preocupem mais em preservar e divulgar este que é o mais importante portal natural brasileiro que permite adentrar o fascinante mundo pré-histórico. JAIR, Canoas, 17/06/09.

8 comentários:

Jorge disse...

Interessante essa informação sobre os bichões brasileiros que deixaram marcas em Sousa.

BANDEIRAS disse...

Olá,

Vim agradecer a tua visita e me deparo com tamanha riqueza de informação.

Um grande abraço e volte sempre.

Lari disse...

Muiito interessante os seus textos, ainda mais quando fala de animais, mesmo que extintos...
Estaria interessado numa parceria?

Chicão disse...

Eu, como paraibano de Sousa-PB, não poderia deixar de expressar a minha profunda admiração por essa postagem. Por Sousa passaram alguns dos maiores seres que já viveram nas Américas, muito antes de surgirem o homem e a esturricada caatinga, que predominam no nordeste do Brasil.

Sheila disse...

Que honra ler este artigo..

Agradeço não apenas o conteúdo, mas a homenagem a cidade de meu pais.

Abs

Alda do Crítica... disse...

Fiquei sócia do blog e deixo aqui um grito: ajude a salvar a floresta Amazônicaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa....
Obrigada
Alda

Silvia Masc disse...

De fato, é um mundo fascinante, os bichões eram mesmo interessantes...rs
abraços

Augusto Ouriques Lopes disse...

Não sei o que é pior. A destruição do patrimônio histórico e natural da humanidade como consequência de legislações burras (como nos EUA) ou como consequência de problemas sócio-econômicos (como no Brasil).