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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Jeans


Milhares de anos depois que o asteróide tiver atingido o Planeta, extinguido toda a humanidade e destruído suas conquistas e realizações, é razoável supor que se astronautas de civilização alienígena por aqui chegarem vão se deparar com muitos indícios dos animais bípedes que dominaram a Terra por milhões de anos. Claro que seres que se propõem viajar por distâncias astronômicas por longo tempo pelo espaço ignoto, deverão ter aguçada curiosidade científica que os compulse a práticas arqueológicas quando aqui chegarem. Um Planeta habitável destituído de vida inteligente deverá ser um prato cheio para suas pesquisas.
Fazendo levantamentos com equipamentos de avançadíssima tecnologia poderão inferir milhões de informações sobre a nossa civilização extinta. Poderão verificar que se tratava de uma raça única de primatas que desenvolveram a capacidade de se comunicar oralmente, que inventaram a escrita e criaram tecnologias eletrônicas de certo destaque, que possuíam também habilidades manuais desenvolvidas que os distanciaram culturalmente de seus primos chimpanzés e gorilas. Deduziriam que se tratava de bípedes dotados de inteligência apreciável, inquietos, nômades que haviam se distribuído por todas as massas térreas do Planeta, até as mais inóspitas como o Ártico e os desertos.  Por outro lado, ficaria evidente que esses primatas apresentariam milhares de variações em suas conquistas, escolhas, invenções e modus vivendi, embora se tratasse de animais da mesma raça que cruzavam entre si sem impedimentos genéticos. Verificariam que haveria níveis de consumo (sinais de riqueza) muito variáveis demonstrando que, embora fossem da mesma raça de certa espécie, alguns prosperavam outros não, e isso seria muito estranho para os alienígenas que não incluíam classes sociais em sua cultura.
Os visitantes alimentariam seus supercomputadores com os dados coletados e ficariam surpresos com a quantidade fantástica de artefatos, objetos e elementos criados para dar suporte a essa civilização que havia sumido para sempre. Contudo, a maior surpresa estaria reservada não à multiplicidade de coisas encontradas, mas sim aquilo que era comum a quase todos os humanos, quer vivessem no Himalaia, nas Ilhas Faroe, na Antártida, no Saara, na Amazônia ou em Tóquio; fossem homens, mulheres ou jovens, todos usavam ou teriam usado um objeto simples durável em forma de calças: jeans. Restos de tecidos de brim com costuras duplas reforçadas, de certa espessura e cor, fechos éclair e ilhoses de metal indicariam que, independente de classe social, região na qual viviam, clima, altitude e grau de sofisticação de suas existências, o uso de jeans era algo que poderia ser interpretado como praticamente obrigatório.
Visto isso, os antropólogos ao serem obrigados a classificar essas descobertas, teriam que colocar a civilização Homo sapiens em alguma ordem, família, tipagem ou espécie, com já faziam com suas descobertas em outros planetas. Então, assim como os cientistas humanos fazem ao se deparar com objetos ou costumes recidivos a uma etnia, um povo ou uma cultura desconhecida, depois de analisar os dados, concluiriam que: haviam descoberto a civilização dos jeans.
Nenhum item de vestuário, talvez de qualquer outro uso, coletivo ou individual, é mais universal, mais versátil ou mais aceito e disseminado do que os jeans, roupa inventada em 1873 por Jacob Davis e Levi Strauss para uso de trabalhadores braçais das minas de carvão. JAIR, Floripa, 20/06/12. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sobre o Paleolítico







No período compreendido entre 2,5 milhões a.C. Até cerca de 10 mil a.C., que os paleontólogos convencionaram chamar de Paleolítico, os homens eram essencialmente nômades caçadores-coletores, tendo que se deslocar constantemente em busca de alimentos. Também desenvolveram os primeiros instrumentos de caça e artefatos de uso doméstico como agulhas feitos em madeira, osso ou pedra lascada, e dominaram o uso do fogo.
Existe muita literatura a respeito e o assunto é fascinante para quem, como eu, gosta de fazer ilações sobre aquela vida primitiva em contato direto com os perigos e os benefícios que a natureza poderia oferecer. Na escola aprendemos que os índios do Novo Mundo estavam, em sua maioria, vivendo sobre a égide do Paleolítico superior em transição para o Neolítico, isto é, grande parte de suas armas e artefatos eram confeccionados de pedra lascada ainda. Restos de suas culturas podem ser encontrados nos museus e atestam com veemência as assertivas sobre suas habilidades na feitura dos instrumentos que usavam. Pontas de flechas, pontas de lança, machados, facas, bordunas, vasos, pratos e urnas mortuárias são exemplos dessas culturas da idade da pedra lascada.
Contudo, para mim, sempre ficou a interrogação de quão eficiente poderiam ser os artefatos de corte, principalmente. Peças de cerâmica são fáceis de serem avaliadas porque, mesmo na atualidade, suas feituras e formas mudaram muito pouco ou quase nada com relação àquelas antigas que repousam nos museus. Qualquer vaso encontrado nas feiras de artesanato por aí não difere muito da cerâmica marajoara antiga e sua qualidade e eficiência quanto á impermeabilidade é facilmente provada. Mas, as facas e machados de pedra lascada eram realmente eficazes no corte de couro e carne dos animas abatidos, e na confecção de artefatos de madeira? Pois é, essa dúvida que me perseguia teve uma resposta bastante convincente na semana precedente ao Natal a qual passei no interior de Minas.
Primeiro, pedra lascada significa que deve existir rocha ou rochas duras que lasquem de forma que as beiradas das lascas sejam afiadas, finas e resistentes o bastante para prover corte em troncos e galhos. Existe pedra com essas propriedades? Sim, existe. O basalto, rocha ígnea encontrável em derrames que formaram grandes platôs continentais, como, por exemplo, na Bacia do Paraná, no sul do Brasil, é um excelente candidato. Lembrando que, a formação das rochas ígneas vem do resultado da solidificação por resfriamento do magma derretido ou parcialmente derretido que aflorou em eras passadas. Normalmente as rochas ígneas são extremamente duras, caso do basalto, que ainda possui a faculdade de lascar formando bordas muito finas. Essa característica das rochas chama-se clivagem, isto é, clivagem em mineralogia é a forma como muitos minerais se quebram seguindo planos relacionados com a estrutura interna, paralelos às possíveis faces do cristal que formariam. A clivagem do basalto dispõe que ele se quebre em lascas afiadas naturalmente.
Assim, estando em Buritis para passar o Natal, conheci um riacho, tributário do Urucuia que margeia o município, usado para lazer pelos buritienses, cujo leito é formado totalmente de basalto. Minha curiosidade “científica” foi despertada pela presença da rocha que atende aos requisitos para confecção de instrumento de corte paleolítico. Então, me propus a fazer um experimento: usar lasca de basalto como “faca” para cortar um galho de árvore. Não foi muito difícil encontrar uma lasca, havia sinais que algum pedreiro andou quebrando várias rochas para uso em cantaria. Colhida uma lasca afiada intentei cortar um galho de árvore, o que fiz com bastante facilidade, mesmo considerando meu primarismo e falta de habilidade. O corte ficou “limpo” e o trabalho em si não levou mais que cinco minutos, imagino que homens da idade da pedra lascada pudessem fazer o mesmo trabalho, com menos esforço e num piscar de olhos. O resultado do desafio foi um pedaço especial de galho resistente e não muito grosso, em forma de parafuso. Essa rosca se deve a cipó que enlaça o galho como uma cobra constritora e o deforma na medida em que cresce, nada muito incomum numa floresta de transição do cerrado mineiro. O galho cortado e a lasca afiada eu os trouxe para casa e suas fotos ilustram esta matéria.
Pelo que resultou do experimento: um galho com corte limpo e uma lasca de basalto ainda afiada depois do uso, dá para concluir que fazer corte em carne e pele de animais não seria tarefa muito árdua ou fora de propósito para o homem do paleolítico que dispusesse de basalto na região na qual vivia. Se houver oportunidade, pretendo demonstrar que minha lasca de pedra poderá ainda ser usada em outros cortes mais desafiadores, pois confesso que me senti quase um troglodita quando da prova a que me submeti. JAIR, Floripa, 04/01/12
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mamutes congelados


Mamutes são animais extintos parentes próximos dos elefantes atuais e que pertencem ao gênero Mammuthus, à família Elephantidae, chamados proboscídeos porque têm trombas (probóscides). Tal como os elefantes, estes animais possuíam presas de marfim encurvadas, que podiam atingir até cinco metros de comprimento, mas, compreensivelmente, tinham o corpo coberto de pêlos compridos. Estes animais extinguiram-se há apenas doze mil anos e eram muito comuns no Paleolítico, onde foram uma fonte importante de alimentação do homem da Pré-história. Aliás, alguns paleontólogos atribuem a extinção desses magníficos animais à caça predatória empreendida pelos homens paleolíticos, tese não aceita pela maioria. Descobertas fósseis demonstram que o ser humano caçou mamutes para comida, vestimentas, uso de ossos e couro para fabricação de abrigos, utensílios domésticos e armas.Os mamutes viviam na Europa, norte da Ásia, América do Norte em climas temperados a frios e já foram encontrados vestígios destes animais na América do Sul. Esses paquidermes extinguiram-se provavelmente devido às alterações climáticas do fim da última Idade do Gelo.
As condições climáticas ideais para conservação de organismos animais são as das regiões circumpolares do hemisfério norte, desde a parte mais nórdica da Sibéria até o Alasca, do norte do Canadá até o arquipélago da Groenlândia. No solo permanentemente congelado conhecido como permafrost, em algumas zonas desta vasta extensão encontram-se vestígios de ocupação humana primitiva, bem como restos de animais que o homem caçava, tão bem conservados como se estivessem num frigorífico moderno.
No nordeste da Sibéria já foram encontrados dezenas de mamutes congelados os quais são ilustrações tridimensionais do papel que um clima extremo pode ter no processo de conservação. A maioria das descobertas foi feita nas Ilhas Novas da Sibéria, portanto, próximo ao Círculo Polar Ártico. As circunstâncias em que os animais foram encontrados sugerem que eles caíram em fissuras no gelo através de camadas superficiais de neve devido a seu peso. Em virtude ao esforço para sair dos precipícios fizeram mais neve e gelo caírem sobre eles criando condições para que se congelassem rapidamente. Acrescente-se que foram encontrados nessas mesmas condições alguns rinocerontes lanudos que viviam na região naqueles tempos gelados. Paleontólogos nutriam a esperança de se deparar homens paleolíticos congelados, até que nos Alpes entre a Suíça e Itália foi encontrado, em 1991, um homem perfeitamente conservado de cinco mil anos que acabaram apelidando de “Otzi” por ter sido achado numa região chamada Alpes Otztal. Bem, o assunto do texto não é este.
O mamute mais bem conservado – ou pelo menos aquele que foi mais bem estudado – foi descoberto em Beresovka, no ano de 1900, por um indivíduo da tribo Lamut que lhe cortou uma presa e levou para casa. A história que contou quando resolveu vender o marfim em Sredne-Kolymsk, foi que encontrou um diabo peludo, história que estimulou o interesse das autoridades da Academia Imperial de Ciências que, no ano seguinte, enviou uma expedição dirigida pelo doutor Otto Herz acompanhado pelo zoólogo Pfizenmeyer. O animal foi encontrado numa fenda cheia de lama congelada em pleno verão, numa elevação sobranceira ao rio Beresovka. A pelve e a pata dianteira estavam fraturadas em consequência da queda, queda esta que deve ter sido súbita e inesperada a julgar pela presença de comida meio mastigada entre suas mandíbulas. A posição das patas dianteiras mostrava que, quando morreu, ainda tentava se libertar da prisão de lama e neve e gelo. Parte da tromba estava ausente sugerindo, pelos indícios, que havia sido devorada por lobos, os quais haviam comido também a parte carnuda do topo da cabeça. O resto do corpo estava muito bem conservado.
Não havia meios de transportar o animal intacto como encontrado, então resolveu-se desmembrá-lo. Ao se levantar a pele para o desmembramento, Herz verificou que: “A carne debaixo do ombro, fibrosa e estriada pela gordura, era vermelha escura e parecia tão fresca como carne de gado bem congelada. Tinha um aspecto tão apetitoso que durante algum tempo pensávamos em prová-la. Só que ninguém teve coragem de arriscar metê-la na boca e preferiu carne de cavalo”. Os cães dos trenós devoravam com evidente satisfação as partes que lhes atirávamos, completou ele.
Foi mesmo possível identificar restos da última refeição do animal, pois tinha alguns vestígios ainda na boca e muitos quilos no estômago. Parece que também se alimentava de pinhas e ramos de abeto, pinheiro e musgos, tomilho selvagem e papoula dos Alpes e várias outras ervas. Havia muitas sementes ligadas às plantas ingeridas, o que dá indícios que o animal morreu no outono, possivelmente depois da primeira queda de neve ter tapado a abertura da fenda na qual ele veio a cair.
Depois da descoberta desse paquiderme, cientistas europeus e russos empreenderam várias outras expedições, as quais, após informações de nativos siberianos, encontraram até agora perto de duas dezenas de mamutes congelados, alguns bem conservados, outros nem tanto. Agora com o avanço da genética e clonagem de mamíferos já se pensa em encontrar DNA intacto num desses animais e fazer uma clonagem cuja candidata a mãe de aluguel seria uma aliá, elefoa ou elefanta africana, parenta viva mais próxima do paquiderme extinto. O futuro dirá se isso é apenas um sonho extravagante ou um evento praticável. JAIR, Floripa, 11/08/11.


terça-feira, 16 de março de 2010

MEDINDO A IDADE DAS COISAS


Muitas vezes as pessoas não confiam nas afirmações de arqueólogos, geólogos e paleontólogos sobre datas e idades de rochas, objetos e achados pré históricos, ou seja, antes da adoção da escrita pelos povos. Perguntam-se, se não há registros escritos como determinar a idade das coisas?
O fato é que a ciência desenvolveu uma série de métodos confiáveis para encontrar a idade daquilo que, pela sua antiguidade, não pode ser datada de outra maneira. A dendrocronologia (que vou abordar em outro texto) é um dos métodos, contudo, depende da existência de madeira onde se quer datar, porque usa os anéis de crescimento das árvores como “relógio”. Além disso, se presta apenas para períodos bem curtos de tempo, o máximo que se consegue é um recuo de cerca de 11500 anos. Já, para a contagem de idades mais antigas, a ciência costuma usar o que ela chama de “relógios radioativos”, os quais contam o tempo por decaimento atômico.
Vejamos o que é isso. Mas, para tal, vamos recapitular os conhecimentos elementares sobre átomos que aprendemos no colegial. O modelo simples de átomo que Niels Bhor desenvolveu serve para nosso propósito. Esse modelo, já ultrapassado, tem a forma de um sistema solar em miniatura. Toda matéria é composta de átomos, que são as menores partículas dos elementos e são constituídos de elétrons, prótons e nêutrons. Os elétrons giram em torno de um núcleo composto de nêutrons e prótons. Por convenção os elétrons têm carga negativa, prótons positiva e nêutrons não tem carga, como o nome diz são neutros, sem carga. Na verdade, nêutrons são parecidos com prótons, têm o mesmo tamanho e mesma massa, só não têm carga.
Cada elemento da tabela periódica tem um número fixo de prótons e sua quantidade é o número atômico do elemento e não varia. Assim, o número atômico do carbono, por exemplo, é seis porque ele tem seis prótons no núcleo. Já o número de massa é a soma dos prótons e nêutrons que formam o núcleo, e esse número varia por que a quantidade de nêutrons pode variar. Portanto, se o carbono tiver apenas 6 nêutrons no núcleo terá o peso atômico 12 e será estável, permanecerá assim virtualmente para sempre. Contudo um átomo de carbono que tenha 8 nêutrons terá peso atômico 14, será chamado isótopo e será instável, ou seja, tenderá a emitir uma partícula beta e se tornar nitrogênio 14 estável, portanto. À emissão dessa partícula se dá o nome de “decaimento atômico”, o qual é usado para contagem de tempo.
Como usar o decaimento atômico para contar o tempo? A ciência parte de três conhecimentos: 1º) O número de isótopos 14 do carbono é fixo na atmosfera, ou seja, para cada trilhão de carbonos 12, temos um átomo de carbono 14. Essa constância se deve ao bombardeio de raios cósmicos que, na atmosfera superior, transforma o nitrogênio lá existente em carbono 14, de forma que, mesmo ele decaindo naturalmente, há um suprimento constante na atmosfera e o isótopo se mantém na mesma proporção; 2º) Cada elemento radioativo tem um tempo de decaimento chamado meia vida, que é o tempo no qual metade dos isótopos daquele elemento decai para sua forma estável. A meia vida do carbono 14 é de 5730 anos, assim, depois desse tempo, uma amostra qualquer de carbono terá a metade dos isótopos de carbono 14 originais. Depois de mais 5730 anos essa mesma amostra terá um quarto e assim por diante; 3º) Todos os seres vivos do Planeta, enquanto vivem, terão a mesma proporção de carbono 14 em seus corpos. Funciona assim, as plantas absorvem o gás carbônico da atmosfera, expelem o oxigênio e armazenam no seu sistema o carbono, que estará com a mesma composição que a do ar, ou seja, um carbono 14 por um trilhão de carbono 12. Os animais ao se alimentarem de plantas absorvem o carbono e retém essa mesma proporção. Os carnívoros ao se alimentarem desses animais também reterão carbono do mesmo jeito.

Ao morrerem, animais ou plantas, deixam de ingerir carbono e aquele que se encontrava no corpo falecido vai decaindo na velocidade de metade a cada 5730 anos. Ao encontrarem restos orgânicos como fogueiras, madeiras que constituíram moradias, ossos, restos de comida, fósseis com alguma matéria orgânica ainda, os cientistas medem a quantidade de carbono 14 e deduzem a idade do achado pelo decaimento.
Como fazem essa contagem? A técnica de contagem de isótopos é denominada, espectrometria de massa e usa quantidades minúsculas de material das amostras para determinar a porcentagem dos isótopos, e o erro na medição é de 1%.
Graças a essa técnica foi possível determinar a idade do famoso Sudário de Turim. Na década de 90 o Vaticano autorizou a retirada de pequenas porções do Sudário que foram submetidos à datação por carbonos 14 em três laboratórios independentes e altamente conceituados. Resultado, o Sudário foi confeccionado em linho colhido por volta do ano 1260 de nossa era.
Para se datar rochas e fósseis muito antigos usa-se o decaimento atômico de outros elementos que não o carbono. Com elementos como o Rubídio que tem meia vida 49 bilhões e do Urânio com 4 bilhões e 500 milhões de meia vida é possível datar até a idade da Terra. O que foi feito e se chegou ao número aproximado de 4,6 bilhões de anos. JAIR, Floripa, 16/03/10.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DINOSSAUROS



Os dinossauros eram répteis que habitavam ambientes terrestres e aquáticos e que prevaleceram na Terra de forma hegemônica entre os períodos mesozóico, jurássico e início do cretáceo. Há sessenta e cinco milhões anos desapareciam aqueles que foram os animais mais formidáveis a pisarem no planeta Terra. Depois de dominarem sem contestação todos os continentes e recantos da terra firme, lagos, rios e ares por mais de cento e cinquenta milhões anos, desapareceram para sempre. A teoria mais aceita, e que tem provas abundantes favorecendo sua concordância por parte da comunidade científica, é que um corpo celeste – que pode ter sido um meteorito ou um cometa – de proporções médias, atingiu a Terra nas proximidades de onde hoje se situa o golfo do México, causando uma devastação tal que exterminou oitenta por cento da vida do planeta, inclusive os dinossauros. Ao contrário do que se imagina, os dinos não eram exatamente apenas répteis enormes ou estupidamente grandes, muitos eram do tamanho de um cão pequeno, outros tão grandes quanto um cavalo e alguns como o gigantossauro, por exemplo, eram alguma coisa inimaginável assim como um edifico de quatro andares de altura, compridos como dois vagões de trem alinhados e chegavam a pesar cem toneladas. Há, ainda, indícios que eram animais inteligentes, gregários e que cuidavam da prole. Com o impacto do corpo celeste criou-se uma nuvem de poeira que alterou radicalmente as condições climáticas do planeta, os animais que não foram atingidos diretamente pelo choque e explosão subseqüente, morreram lentamente de inanição porque a vegetação foi desaparecendo por falta de luz solar. Os herbívoros morrendo primeiro proporcionaram uma sobrevida aos carnívoros, que faleceram em seguida. Acontece que, por terem vivido muitos milhões de anos e terem habitado todo o planeta, tiveram tempo e espaço para deixar marcas de sua passagem, muitas e indeléveis marcas. Em todo mundo existem fósseis deles e de seus ovos e muitas pegadas impressas no que teria sido lama, que com o tempo solidificou e tornou-se rocha, perpetuando seus rastros para gáudio da ciência dos nossos dias. No Brasil, onde muitas espécies desses lagartos viveram por milhões de anos, existem pegadas atestando essa passagem. Os fósseis são encontrados nos mais diversos lugares, sendo que, em abundância, na cidade de Sousa, Paraíba. Nesse local, foram encontrados os primeiros registros fósseis do Brasil, em 1897: tratava-se de pegadas fossilizadas descobertas na localidade de Passagem das Pedras, pelo agricultor Anísio Fausto da Silva, que acreditava tratar-se de rastros de boi e ema. O Vale dos Dinossauros, como passou a ser chamado, abriga pegadas que estão no leito do Rio do Peixe há mais de 130 milhões de anos e que chegam a medir meio metro cada uma, formando uma fileira de 60 pegadas. Ao longo dos anos, foram encontradas diversas pegadas de espécies diferentes, podendo ser observadas as marcas deixadas por iguanodontes, carnossauros e pterossauros (répteis voadores também extintos, parentes dos dinossauros), fazendo crer que ali existia uma espécie de "Jurassic Park" tupiniquim. Este fato faz com que o Nordeste brasileiro seja reconhecido pela paleontologia do continente americano, contribuindo como um grande centro de estudos. O Vale dos Dinossauros compreende uma área de mais 700 km², são aproximadamente 30 localidades, as mais importantes em, em que se registra pegadas fossilizadas de mais de 80 espécies em cerca de 20 níveis estratigráficos. São pegadas fossilizadas que variam de 5 cm como as de um dinossauro não maior de que um galináceo, até 40 cm de comprimento a exemplo das pegadas de iguanodonte de 4 toneladas, 5 metros de envergadura e 3 metros de altura. A maior parte das trilhas é pertencente a dinossauros carnívoros. As primeiras pegadas encontradas estão na chamada Passagem das Pedras e são de iguanodonte, há vestígios também do temido tiranossauro rex e de um pterodáctilo. O Vale possui uma riqueza de materiais relacionados com a paleontologia, como as próprias pegadas, chuva fossilizada, registros únicos sobre os estudos do próprio local, que nos proporciona uma experiência única, onde nos deparamos com um ambiente úmido, vegetação constantemente verde, extremamente diverso do resto da região. As marcas dos animais fazem parte do dia-a-dia de Sousa, a quarta maior cidade da Paraíba, com 79 mil habitantes. Lugares como Praça dos Dinossauros, boate Rocksauro e dinos desenhados nas fachadas das lojas são coisas comuns pelas ruas. Ainda que acolhedora, a cidade de Sousa não conta com uma infra-estrutura local preparada para o turismo, você não encontra passeios formados, transporte especial ou agências de viagens e passeios. Os guias locais só existem dentro do Parque. Para quem gosta de aventura e de explorar a região de terras desconhecidas, o melhor é procurar um pacote que inclua o vale no roteiro. A prefeitura, no entanto, ainda não melhorou a estrada que leva ao vale e só agora vai cercar as pegadas, e desviar o Rio do Peixe, que na época das chuvas inunda as pegadas. O Parque dos Dinossauros foi criado no município de Souza e é de propriedade da prefeitura. Ocupa uma área de 40ha e conta com um pequeno museu onde se vêem réplicas de pegadas, mapas e maquetes que mostram a formação do solo. É lá que encontra o leito do rio dos Peixes, onde podem ser vistas as trilhas deixadas por tiranossauros, carnossauros e iguanodontes. A preservação de acervo único como este é de suma importância para o desenvolvimento da paleontologia brasileira. A falta de estrutura e meios de pesquisa e estudos dificultam a difusão do conhecimento que é essencial para a inclusão do Brasil entre os países que valorizam o conhecimento da história natural. Esperemos que as próximas administrações da cidade de Souza se preocupem mais em preservar e divulgar este que é o mais importante portal natural brasileiro que permite adentrar o fascinante mundo pré-histórico. JAIR, Canoas, 17/06/09.