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sábado, 24 de abril de 2010

UMA AVENTURA NA SELVA


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im das Selvas, personagem dos quadrinhos criado por Don Moore em 1934, era um “Tarzan” que, tal como o original do Edgar Rice Burroughs, vivia nas selvas enfrentando caçadores malvados, exploradores ilegais de pedras preciosas, piratas e contrabandistas ardilosos e astutos. Diferente do outro personagem, Jim não se deslocava pendurado em inverossímeis cipós, tampouco proferia gritos estridentes que provocassem pânico na fauna e assustassem seus inimigos. Também não andava meio pelado, suas roupas eram normais de um explorador de selvas. O nome do personagem era Jim Bradley, “das Selvas” como era conhecido, devia-se as suas andanças pelas matas de Bornéu, Sumatra, Malásia e Bengala. Portanto, ao invés de um herói africano como Tarzan, tínhamos um “mocinho” da Oceania. Estreou na tela grande tendo Johnny Weissmuller no papel de Jim. Tornou-se um sucesso no cinema e cativou a atenção das crianças e jovens nos anos cinquenta. Talvez o fato de Jim ser menos fantasioso que Tarzan tenha contribuído para sua aceitação e popularidade. Ele era palatável por ser “normal”, por não parecer uma anomalia gritante (sem trocadilho) como Tarzan.

Meu primo Joel e eu, que já curtíamos suas peripécias nas revistas, ficamos encantados quando o Cine Teatro Municipal de Palmeira passou a apresentar seus filmes. As tardes de domingo eram aguardadas com alguma ansiedade quando se anunciava que Jim seria exibido naquela semana. O dinheiro para o matinê, quase sempre inexistente, tinha que ser conseguido à custa de alguma atividade durante a semana para que no domingo pudéssemos nos deleitar com perigosas aventuras nas matas quase impenetráveis, cheias de felinos e crocodilos potencialmente letais.

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Vista aérea geral do bairro onde morávamos

(clique na foto para ampliá-la)


Como podíamos ser considerados piás imaginosos e criativos antevíamos como seria viável reproduzir nosso herói naquelas jornadas. Impressionava-nos em particular ver Jim remando um pequeno barco, num rio de águas mansas ladeado de selva densa e misteriosa. Tínhamos um forte sentimento que era no mínimo nossa obrigação imitar o ídolo lendário e destemido.

Bem, para isso era preciso um rio cercado de selva e um barco, não é mesmo? Pois é, rio, com alguma imaginação, poderia ser encontrado no fim da rua que morávamos. Lá embaixo existia um riacho – que depois vim a saber, chamava-se “Do Monjolo” – o qual era represado formando um laguinho no início e uma porção estreita e sinuosa a montante, ladeado por um matinho bem denso e bonito, na verdade uma nesga de mata atlântica da melhor qualidade adornada com alguns exemplares de araucária e ipês amarelos além de pau-de-bugre e cedro. O lago era nossa área de lazer onde nadávamos no verão e alguns até pescavam lambaris e traíras. Por estar situado na propriedade de uma indústria de madeiras o chamávamos de Tanque dos Querubins, sendo que Cherubim era o sobrenome dos donos da madeireira.



Vista aérea aproximada do fim da Rua Barão
e a mata ciliar onde existiu o "Tanque dos Querubins".
(clique na foto para ampliá-la)


Bem, o “rio” cercado de selva (mata ciliar) já estava disponível, agora faltava o barco. Por sorte morávamos em casas, propriedades de outra madeireira, situadas exatamente na frente das pilhas de tábuas que aquela indústria estocava para, quando exigido, usar na confecção de móveis e outros artefatos.

Uma incursão nas reservas madeirais da “fábrica”, como era conhecida pela gurizada, foi o suficiente para constatar que a matéria prima essencial para confecção do barco estava ali, disponível e dando bobeira. Uma segunda incursão, e trouxemos as tábuas necessárias e as escondemos em baixo do assoalho da casa do Joel.

Com martelos, alguns pregos, serrote, entusiasmo e betume, nós, em pouco tempo, construímos a obra que daria vazão aos sonhos adolescentóides de dois guris cuja fantasia ia além das revistas em quadrinhos e telas de cinema. Fizemos um barco que flutuava e era manobrável, obra prima de armadores mirins detentores de imaginação fértil e alguma habilidade manual.

Finalmente, numa tarde de verão, lá fomos nós ao “Tanque” estrear nossa criação. Primeiro Joel, depois eu, fizemos aventuras rio acima e abaixo no meio da “selva” que, na nossa fantasia assemelhava-se às matas de Bornéu, atrás de cada moita mais densa podia esconder-se um animal perigoso ou um pirata malvado. Sensacional! Não poderia ser melhor, nos sentíamos como incorporando Jim das Selvas. Depois de navegar camuflávamos o barco (na verdade era um bote tão pequeno que comportava apenas um banco) na mata para repetir a façanha outro dia.

Essa “empresa arriscada” durou boa parte do melhor verão de nossas vidas adolescentes, até que, com receio que outros garotos viessem a usar nossa criação escondidos, resolvemos destruí-la a machadadas. Afinal, sonhos e fantasias são intransferíveis. Estava concluída a melhor aventura na selva que jamais imaginamos e não mais havia motivos para manter o barco que havia cumprido sua finalidade com louvor. JAIR, Floripa, 24/04/10.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A LEGIÃO E O GAROTO

Anos sessenta, para ser exato, 1961. Palmeira, cidade do interior do Paraná. Protagonista, um garoto que gostava de ler gibis e tinha muita imaginação, eu. Pois é, os gibis, nome das revistas em quadrinhos naquela época, que depois passaram a ser HQs, quase sempre publicavam na segunda contracapa as propagandas mais variadas, entre elas, uma que tocava no imaginário do garoto que lia e gostava de estórias de aventuras como “Beau Geste”: Conto que tratava de um jovem que assumia roubo feito pela mãe adotiva e alistava-se na Legião Estrangeira para não denunciá-la. Lá estava a propaganda da Legião, mais ou menos nestes termos: “Quer romper com o seu passado, começar uma vida nova? A Legião Estrangeira oferece a você uma oportunidade única. Sejam quais forem as suas origens, religião, cor, nacionalidade, os seus diplomas e nível escolar, sua situação familiar ou profissional, a Legião estrangeira lhe oferece nova oportunidade para uma vida nova”. Insinuando de certa maneira que mesmo que você tivesse algum débito para com justiça a Legião não se preocupava com isso. Aliás, filmes e histórias dos gibis enfatizavam a idéia de que a Legião Estrangeira sempre acolhia marginais e bandidos que estivessem prontos a servi-la bem em quaisquer circusntâncias. “Aliste-se, para tanto basta escrever para o Consulado da França, na cidade tal, rua tal, etc”. É bem verdade que eu não queria romper com meu passado, pois este nem sequer existia, mas, com certeza, a oportunidade de AVENTURA era irresistível tentação para uma mente imaginativa de adolescente interiorano. Tomei a decisão de minha vida, escrevi para o endereço indicado e aguardei ansioso a resposta que veio logo. Num folder bem impresso em quatro idiomas – Francês, Inglês, Espanhol e Português de Portugal – a Legião, para meu desgosto, informava já nas primeiras linhas as condições necessárias para ser aceite nas suas tropas: “Ter idade entre 17 e 40 anos, autorização dos pais se for menor”. Eu tinha quinze anos e nenhuma esperança de conseguir autorização paterna quando completasse dezessete. Claro, existiam outras exigências as quais naquele momento não faziam diferença alguma, que eram: “Seja qual for sua situação civil será contratado como solteiro; Ter aptidão física para servir em qualquer parte do planeta”. É bom lembrar que França tinha interesses coloniais em várias partes do mundo como, Argélia, Guiana, Nova Caledônia, Ilhas Reunião, Antilhas, Indochina etc. Uma curiosa observação: “Documentos pessoais não são obrigatórios, mas serão bem vindos”. Em seguida, para deixar claro o espirit de corps que motivava aqueles legionários a manterem-se no topo das forças combatentes como a elite do mundo, a Legião publicava seu regulamento de sete artigos que ainda guardo alguma lembrança: " 1 - Legionário, és um soldado voluntário que servirá a França com honra e lealdade; 2 - Cada legionário é teu irmão seja qual for sua nacionalidade, sua raça, sua religião. Serás sempre solidário com os membros da Legião como se fossem uma família unida; 3 - Respeitarás as tradições, serás obediente às ordens superiores, disciplina e camaradagem serão tua força, a lealdade e a coragem nortearão tua conduta; 4 - Fiel ao seu estado de legionário, vestirás a farda com apuro, teu comportamento sempre correto, teu alojamento sempre limpo; 5 - Serás um soldado de elite, tua arma vale tua vida, cuida sempre da tua forma física; 6 - A missão é sagrada, cumprirás até o fim, acatando as leis da guerra, as convenções internacionais, se for preciso com risco da própria vida; 7 - No combate, agirás sem paixão e sem ódio, respeitarás os inimigos vencidos, nunca abandonarás os mortos nem feridos, nem tua arma.” O folder fazia questão de lembrar que a Legião era a melhor constituida e mais bem treinada tropa do mundo, e mostrava fotos das tropas e equipamentos, entre estes, helicópteros de última geração usados pela cavalaria aerotransportada. A despeito da vontade, e sonho ingênuo de aventuras em desertos de areias escaldantes, batalhas ferozes em selvas úmidas e escuras e desembarque em praias fortemente defendidas num continente longínquo, a vida na cidade pequena impôs uma mudança de planos antes de completar dezoito anos, e o garoto que gostava de ler gibis e tinha imaginação alistou-se na Força Aérea Brasileira. JAIR, Floripa, 20/03/09.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO!


Bem, para quem não sabe, ontem completei sessenta e três anos e fui cumprimentado por alguns amigos, entre eles, um velho amigo de longa data que enviou a mensagem que segue. Agradeci os cumprimentos dele com outra, o que ensejou a terceira mensagem da série que me motivou publicá-las como uma espécie de reflexão sobre à inexorável marcha do tempo que nos afeta:

Aceite o sincero abraço virtual de outro veterano! Felicitações pelo seu natalício, sinceramente, Leonel T. Rodrigues.

Leonel, Obrigado meu amigo. Só que, a nós com mais de sessenta, apresenta-se uma espécie de paradoxo: Ao tempo que ficamos felizes por estarmos vivos com essa idade, nos entristece saber que nossos sentidos, nossos órgãos e nossos sistemas já não respondem com a mesma presteza aos nossos desejos, ficamos um pouco saudosos de dias mais jovens. Que fazer, a vida é assim mesmo, quem não quiser que assim seja, desista dela! Abraços, JAIR.

Amigo Jair, Tudo tem sua compensação. Se alguns órgãos já não respondem com a mesma presteza de outrora, temos hoje mais conhecimento e uma visão mais clara do todo como nunca tivemos antes. Isto porque, ao contrário de alguns, teimamos em nos manter atualizados com o nosso tempo e acompanhamos de cima a evolução da nossa civilização! Deixamos de perder tempo com coisas superficiais e aprendemos a apreciar as coisas essenciais, e também temos discernimento para saber separar umas das outras. E, afinal, nem somos tão velhos assim. Quando éramos mais novos, pensávamos que pessoas com a nossa idade atual estavam acabadas, mas agora sabemos que não é isto! Somos, hoje, muito mais capazes intelectualmente do que antes, só não temos, talvez, a mesma disposição de se aventurar que tínhamos tempos atrás! Saibamos apreciar os bons vinhos, as boas iguarias e as boas coroas, já que superamos a idade do lobo, onde os homens perseguem chapeuzinho vermelho e acabam na cama com a vovó! Agora, partimos mesmo é à caça das vovós! Outro abração do, Leonel.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

sábado, 8 de novembro de 2008

BLOGANDO

Blogar é o que interessa, colocar opiniões, pensamentos, comentários, reflexões, meras abobrinhas ou outros legumes é estar “in” como se dizia, ou plugado como se diz. Ter este espaço e aproveitá-lo tantas e quantas vezes quiser é ter um veículo próprio para registrar idéias e divulgá-las, mesmo que seja para público de um só leitor. Viva a liberdade que o blog nos dá!