sexta-feira, 23 de abril de 2010

O MUNDO PÓS GUERRA NUCLEAR

O texto abaixo foi retirado do livro "Inverno Nuclear" e traduz a abalizada opinião do Dr. Paul R. Ehrlich, professor de ciências biológicas e membro da Associação Americana para o Progresso da Ciência, no caso de uma guerra nuclear entre as duas maiores potências atômicas do Planeta. Minha intenção em publicá-lo é dar apoio ao texto "Armagedon" de meu amigo e guru, R. R. Barcellos:
"Podemos elaborar cenários plausíveis em que os efeitos atmosféricos predominantes, frio e escuridão, se estenderiam virtualmente à totalidade do Planeta. Nessas circunstâncias, a sobrevivência humana se restringiria quase que exclusivamente a ilhas e faixas costeiras do Hemisfério Sul, e a população humana poderia reduzir-se aos níveis da pré-história.
Temos que considerar a possibilidade que o frio e a escuridão se espalhem sobre a Terra inteira e sobre todo o Hemisfério Sul. Ainda que pareça improvável que isso resultasse de pronto na morte de todas as pessoas daquele hemisfério. Imagina-se que em ilhas, por exemplo, longe das fontes de radio atividade e onde as temperaturas sejam moderadas pelos oceanos, alguns habitantes haveriam de sobreviver. De fato, é provável que restassem sobreviventes esparsos em vários pontos do Hemisfério Sul, e mesmo umas poucas pessoas no hemisfério norte.
Mas cabe inquirir sobre a persistência a longo prazo desses pequenos grupos de população, ou de indivíduos isolados. O ser humano é um ser social por excelência. Terá de enfrentar um meio enormemente alterado, que não apenas lhe será estranho senão muito mais adverso do que jamais enfrentou. Os sobreviventes retornarão a uma espécie de estágio de caçador-coletor. Mas caçadores-coletores do passado possuíam sempre um íntimo conhecimento cultural do ambiente em que viviam; sabiam como tirar o sustento da terra. Depois de um holocausto nuclear, populações sem esse espécie de bagagem cultural estarão de repente se esforçando para viver num ambiente que jamais foi experimentado por ninguém em parte alguma. Com toda probabilidade, enfrentarão um meio totalmente novo, condições meteorológicas sem precedentes e altos níveis de radiação. Se forem grupos muito reduzidos, haverá a possibilidade de cruzamentos consanguíneos. E, é claro, os sistemas sociais, econômicos e de valores serão completamente esfacelados. O estado psicológicos dos sobreviventes é impossível de avaliar.

É consenso que, nessas condições, não há como excluir a possibilidade de os sobreviventes dispersos simplesmente não serem capazes de reconstruir suas populações, e, num lapso de dezenas ou mesmo de centenas de anos, acabarem por extinguir-se. Em outras palavras, não há como excluir a possibilidade de uma guerra nuclear causar a extinção do
Homo sapiens".
Qualquer observação torna-se redundante diante da clareza com que o Dr. Ehrlich expõe as mazelas a que estarão sujeitos os sobreviventes humanos de uma guerra nuclear. JAIR, Floripa, 23/04/10.

4 comentários:

R. R. Barcellos disse...

Caro Jair,
Obrigado por trazer em respaldo ao meu texto um testemunho com o peso de um estudioso consagrado, como o Dr. Ehrlich. Minha visão é um pouco mais otimista que a dele, mas se a propalada independência das atmosferas nos hemisférios norte e sul inexistir - ou for rompida - o pessimismo dele se justifica.

Leonel disse...

Jair, de tudo isto, eu só posso dizer que não gostaria de estar entre os sobreviventes.
Estas tais ilhas dos mares do sul, habitada por pessoas que não estão habituadas a extrair alimentação e outros benefícios diretamente na natureza, só me faz pensar numa coisa: aquele que dominar melhor do que os outros alguma técnica que possibilite ou facilite a sobrevivência, logo começará a exercer o seu poder sobre os outros, e, sem ter que se submeter a nenhuma regra ou preceito, ficará a critério do seu caráter abusar ou não deste poder.
Você assistiu a um filme recente chamado "Cegueira"?
O meu receio não é tanto das catástrofes, mas do modo como as pessoas agem nestas situações!
Realmente, se houver pessoas com determinados impulsos de tirar o máximo de vantagem para si próprios, é possível que a extinção venha de uma forma indireta e mais lenta, porém inevitável.

Ângela Coelho disse...

Jair! Creio que não precisamos de mais uma guerra nuclear para destruirmos o Planeta, estamos contaminando nossas águas, nosso ar, nosso solo. Devemos ser o País que menos cuidado tem com o solo e com a nossa saúde.
Saí do texto mas ao ler lembrei do nosso meio ambiente.
Abraços.

Anônimo disse...

Putz...
Assunto tão sério e logo vem uma seguidora do politicamente correto fazer comentário sobre "destruirmos o Planeta, estamos contaminando nossas águas..." e blá, blá, blá.
Vai se catar Angela Coelho.