sábado, 12 de dezembro de 2009

MINI CONTO (Último do ano)


UMA CEIA DE NATAL EM FAMÍLIA
Talvez nunca tenha se sentido tão equilibrada, tão calma e tão satisfeita desde que fora desenganada. O médico foi explícito e até impiedoso: carcinoma avançado, no máximo três meses de vida. Ninguém mais ficou sabendo. Agora, noite de Natal, todos os filhos e marido reunidos para ceia que ela fez questão de preparar. A família reunida para sempre é seu sonho de mãe e esposa dedicada. Por precaução, tudo, desde a salada até a sobremesa, passando pelo indefectível peru assado, contém doses cavalares de estricnina. JAIR, Floripa, 01/12/09.

5 comentários:

Se o "se" não tivesse ficado só no "se" disse...

Nossa, que horror....Feliz Natal.

Adri disse...

Macabro!

Leonel disse...

Pô, cara, não alivia nem no Natal?

Tá parecendo diretor de cinema americano!

Augusto Ouriques Lopes disse...

Gostei! Fatídico, direto, impiedoso. Um mini conto que aponta para a jugular e dá o bote de sopetão. Mais uma vez, gostei.

André disse...

Se eu fosse escrever um conto teria que ser como esse: um pau na moleira sem dó nem piedade.