quarta-feira, 22 de julho de 2009

VIVER FAZ MAL À SAÚDE


Vivemos a era dos paradoxos. Ao tempo que somos, simultaneamente, protagonistas, alvos, objetos, vítimas e agentes das mais extensas, intensas, constantes, abundantes, concentradas e regulares campanhas do “Seja saudável”, “Viva mais feliz”, “Libere suas energias” etc, estamos imersos no mais insalubre dos mundos. Todos, absolutamente todos os meios de comunicação, todos os dias, nos empurram olhos e ouvidos adentro mensagens subliminares, e a maioria nem isso, para que adotemos uma vida mais “natural” como meio de vivermos melhor e mais felizes. Será isso possível? Grande maioria dos ensinamentos de como viver melhor, parte do princípio que as doenças e os males de quaisquer espécies que nos acometem têm por causa o desequilíbrio energético a que estamos sujeitos por conta da maneira “errada” de como vivemos. E que, ao eliminarmos as causas desse desequilíbrio ingressamos, automaticamente, na era da saúde. Nada de errado com esse raciocínio, se não fosse um sofisma! (lembrando que sofisma é um raciocínio que parte de premissas verdadeiras e chega a conclusões inaplicáveis, porque falsas). Sim, porquanto os mesmos gurus que nos dão a receita do bem viver relacionam quais são os “agentes” causadores dos males que nos espreitam a cada esquina, e como a eles nos expomos. A relação dos agentes é por demais conhecida, mas não custa nada lembrá-la: O ar que respiramos está totalmente saturado de substâncias cancerígenas, causadoras de males respiratórios e chuva ácida que polui o solo e as plantas, além de corroer as edificações; A água que usamos para beber, lavar nossas vestes e objetos de uso pessoal, nos banhar e elaborar nossa comida contém cloro em excesso que afeta a defesa natural da pele contra agentes externos nos deixando expostos, como uma porta aberta, às mais variadas espécies de microorganismos causadores de doenças, além de, lentamente, intoxicar nosso organismo; A exposição demasiada ao sol causa câncer de pele; Protetores solares são altamente tóxicos; Sexo todo dia e/ou com parceiros(as) diferentes, além de levar ao declínio irreversível da libido, traz o risco de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS; Falta de exercícios e indolência, afetam diretamente nosso metabolismo e, indiretamente, levam a obesidade que, por si só já é uma doença, mas que conduz a males outros, especialmente do coração; Excesso de exercícios sobrecarrega o pobre músculo cardíaco levando-o ao colapso; Os vegetais de nossa dieta alimentar estão saturados de agrotóxicos altamente danosos à saúde; Alimentos industrializados contém corantes, estabilizantes, aromatizantes, solubilizantes e outros “antes” perniciosos; Carne vermelha é proibida por ser de natureza contrária ao que nosso aparelho digestivo está apto a assimilar; Quaisquer espécies de gordura entopem as artérias que irrigam órgãos importantes, levando à arteriosclerose, e causam hipertrigliceridemia também; Açúcares, sejam em forma de sobremesas, balas, bombons ou adoçando refrigerantes, e até em simples cafezinhos, aumentam o risco de diabetes, são um veneno para o corpo; Carnes brancas, sejam de peixe ou de galinha, também não são recomendáveis, reduzem a expectativa de vida, estão saturadas de toxinas oriundas de alimentação industrial maléfica; Trabalho em excesso produz estresse que diminui nossas chances de resistir a ataques nefastos de vírus e bactérias; Trabalhar sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito causa LER, Lesão por Esforço Repetitivo; Usar telefone celular expõe o usuário a ondas hertzianas malignas; Exposição aos raios catódicos da televisão ou do computador encerra enorme risco de produzir câncer; Comer muito faz mal, desnecessário dizer que não comer também; Alimentos fritos, cozidos ou defumados são peçonhentos para o sangue; Lembre-se que tanto lipídios, quanto glicídios e protídeos em exagero, matam; Vitaminas, sais minerais e água, consumir com moderação, sob o risco de intoxicar-se; Café e ovo, proibidíssimos; A preocupação com o futuro e o presente, a ansiedade diante das incertezas materiais e imediatas, a angústia frente às grandes questões filosóficas de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, desgastam a psique; Além disso tudo, o consumo de drogas, proibidas ou não, destroem o homem tanto física e emocional como moral e psiquicamente. Consumir anfetaminas, barbitúricos, estupefacientes, narcóticos, álcool, remédios e medicamentos, complementos alimentares e similares tudo é péssimo para o equilíbrio dos humores corporais. Fumar, mesmo passivamente, causa câncer de cólon, pulmão e bexiga; Daí os gurus concluem que, se extinguirmos todos os elementos, alimentos, posturas, atitudes, bebidas, "modus operandi", áreas de atrito, pressões externas e internas, “venenos”, pressas, obsessões e maus pensamentos que causam estragos em nossas vidas estaremos “de bem com o mundo”, viveremos melhor e com saúde. Basta optarmos por uma vida mais simples, mais "light", algo assim como a de um desiludido aborígine australiano que já estivesse completamente só no "out back" daquele país, e que resolvesse, por razões lá dele, tornar-se vegetariano radical e isolar-se numa caverna, protegido da luz solar para sempre. Basta vivermos sem alimentos industriais, sem água clorada, sem carne de espécie alguma, sem fogo, sem remédios, sem exposição ao sol, sem roupas, sem outro objetivo de vida que não o de apenas sobreviver a cada dia, sem competição e sem sexo, que estaremos salvos! Basta apenas isso, cara pálida! O quê você está esperando? Elimine para sempre “apenas” estes pequenos detalhes, e você estará melhorando em cem por cento sua qualidade de vida! Pois é, se justamente o conjunto de coisas que compõe a vida moderna a está destruindo, conclui-se que esse conjunto de coisas faz mal à saúde, VIVER FAZ MAL À SAÚDE! JAIR, Floripa, 15/07/09.

9 comentários:

Leonel disse...

É, amigo, tem tanta neura com cada coisa ! Alguns tem um medo convulsivo de bactérias, como se não tivessemos passado toda a história da humanidade coberto delas, respirando, comendo e bebendo bactérias. Essa do sexo não cola mesmo: é exatamente o contrário, o que pode inibir a libido é a falta de sexo ! Mas, outra coisa que nos estressa são os tais índices que todo o ano os órgãos reguladores médicos (dos gringos, que mandam em tudo) jogam para baixo, em níveis quase inalcançáveis! O colesterol, a glicose e os triglicerídios colocam quase todo mundo como pré-infartante, diabético ou seja o que for ! E, para chegar a estes índices considerados "ideais", tome remédios ! Remédios que vão causar problemas que você nunca teve: fígado, estômago, rins, nervos, etc...etc...Quem tem doença crônica como eu, que tenho hipertensão, sofre muito, se levar mesmo a sério as coisas que os ditadores da saúde decretam! O engraçado é que eu li na VEJA que a diferença de risco entre alcançar ou não tais índices "ideais" é em percentuais que se escrevem depois da vírgula ! Ou seja, não há uma diminuição significativa de risco. E você ainda tem que lidar com os efeitos colaterais dos remédios! Em resumo, sua expectativa de vida é a mesma, só que você vai viver pior, cheio de restrições e complicações ! Como é que viviam nossos avôs, no meu caso gente do interior, que cozinhava com banha de porco, fumava seu cigarro de palha fortíssimo, e tomava sua cachacinha pura? Aposto que nem se preocupavam com isto. Que eu me lembre, todos passaram dos oitenta !
Don't worry ! Be...happy!
Leonel

Jorge disse...

Fico até com medo de viver depois dessa.

angela disse...

Não da pra morrer saudavel...rs
Abraços

Pedro Luso de Carvalho disse...

Caro Jair,

Nossa situação é de fato caótica, sem meios de alterar-se. Conformar-se é o que nos resta. Acho que a sabedoria está em sabermos aproveitar o lado bom da vida, os momentos de saúde, mesmo que precária, as conversas com os amigos (com os parentes nem sempre é tarefa fácil - para mim quase sempre é estressante), o contato com as artes e o esporte (para mim o futebol), e para quem gosta de vinho, tomá-lo sem aquelas invencionices tão próprias dos afetados. E também contar com a sorte.

Parabéns pelo seu artigo, que está muito bom.

Um abraço.

Lucimar Sant`Ana disse...

Eu particularmente sou adepta da natureba.
Na verdade você tem razão até certo ponto. Se ficarmos com neura sobre tudo que nos é colocado, enlouquecemos
Acho que deve existir o bom senso. O que não devemos ficar é presos pelo os ditadores da saúde.

Tais Luso disse...

Jair, adorei seu texto, mas acho que estou contaminada: fiquei com medo de 'pensar', porque conforme o que eu venha a dizer poderá desencaminhar um processo de estresse, e isso poderá gerar certas disfunções químicas e afetar algum órgão que não esteja no seu script.

Então, deixo meu abraço e votos de muita saúde!
Tais luso

Tais Luso disse...

Nossa... li esse seu texto em 2009 e mais atual do que nunca! Temos escapatória? Será? Não acredito; se não morrermos pela boca morreremos de outra coisa qualquer, pelo ar que respiramos, pelo esporte demasiado, pelo estresse... são tantas as emoções que você cita que estou torcendo para chegar no final do ano e constatar que estou viva!! rsr

Ótimo texto!!Adorei.

Suzy Rhoden disse...

Olá Jair,

Segui seu link, postado no blog da Tais Luso, e vim encontrar seu texto atualizadíssimo - de 2009!!! Ou seja, quase 4 anos se passaram, e o assunto ainda é o mesmo: alimentos que ora fazem muito bem, ora são definitivamente proibidos para o organismo! Realmente, se formos seguir a risca tudo que você elencou, e que condiz com as "descobertas" frequentes dos "gurus", terminaremos o dia com a conclusão de que viver faz mal à saúde!!!

Muito interessantes suas observações, tornei-me sua seguidora - mesmo porque já vinha acompanhando seus limeriques lá na Tais Luso há algum tempo.

Um abraço.

Anônimo disse...

De fato a única coisa que nos salva da vida é a morte. Um abraço.