segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chá da meia noite


No século dezenove, chá administrado aos doentes que chegavam à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro depois que os serviços alimentícios regulares haviam terminado, em geral depois da 23 horas. O registro histórico que dá origem à expressão “chá-da-meia-noite”, diz o seguinte: Diante da inexistência de hospitais na maioria das cidades vizinhas e colocada a exigência de se livrar de certos indivíduos, as autoridades municipais, prefeitos e delegados de polícia, colocavam em um vagão de trem da Estrada de Ferro Central do Brasil, todos os indigentes e doentes incuráveis e crônicos, a maioria moribundos, e os enviava à Capital.

A chegada dos doentes se fazia por volta das 23 horas em virtude da chegada do trem na Estação Central, nunca antes das 22:30. Os doentes que vinham se socorrer dos serviços da Santa Casa tinham os corpos descarnados, malcheirosos, cheios de escaras, enrolados em trapos, minados pelas doenças e pelas intermináveis horas de viagem, sem conforto, sem ter o que comer ou beber, criaturas semimortas, algumas já nem podendo engolir, eram levadas para o saguão interno da Casa onde eram depositados.

O médico de plantão começava então uma revisão sumária desses moribundos, e a irmã de caridade do serviço noturno, não tendo comida a oferecer porque o serviço já estava encerrado, providenciava um pouco de chá, o único alimento possível àquela hora. Estavam dados os primeiros cuidados, agora era só aguardar o amanhecer para ver os que ainda continuavam vivendo. Conta-se que, dada a situação precária daqueles infelizes, quase todos amanheciam mortos. Nascia assim a lenda do “chá-da-meia-noite”, bebida altamente mortífera que seria distribuída à meia-noite entre os doentes incuráveis, para que mais depressa conseguissem o descanso pela morte. Até hoje se têm como certo que essa eutanásia espúria era o meio empregado pelas autoridades médico sanitárias de se livrar dos elementos que constituíam “peso morto” à sociedade do Brasil imperial e até do Brasil republicano, já que tal procedimento adentrou o século vinte. JAIR, Floripa, 15/11/10.

11 comentários:

Leonel disse...

Jair, há muitos anos eu ouvi um programa de rádio sobre a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, e também falava deste "chá da meia-noite", que seria uma forma de aliviar definitivamente as dores dos ditos desenganados. Não sei se foi um fato real ou não, mas é possível que tenha sido.

J. Muraro disse...

Eu conhecia esse ditado, só não sabia a origem. Minha formação de cidadão não me permite acreditar que exista qualquer verdade em afirmar que existiu essa tal eutanásia. Ainda bem que pelo texto dá para entender que é uma lenda mesmo.

Vieira Rocha disse...

Falou JJ!!

A explanação sobre o ouro foi pratica e bem objetiva, quanto ao chá, se a "lenda" for verdadeira, aborda uma monstruosidade que, ate hoje, se manifesta em outras versões, que võo desde a omissão, o descaso e ate o assassinato de menos favorecidos.
Abraco.
VRO.

R. R. Barcellos disse...

- É sempre importante esclarecer as origens de expressões que podem conduzir a interpretações equivocadas, e você o fez magistralmente. Aguardo com grande expectativa o segundo capítulo, cujo título posso adivinhar: "O Brochante"... lembra dele?

Guedes disse...

Jair, sinceramente, acho que você presta um serviço de utilidade pública ao expor a origem dessa expressão. As pessoas que a conheciam não imaginavam que sua origem fosse um ato de bondade de freiras que queriam o bem de pessoas moribundas. Parabéns pelo belo texto explicativo e inusitado.

Camila Paulinelli - Centaurus Medical LLC disse...

Olá,

Pelo estado de calamidade que as pessoas lá chegavam, com apenas um chá fica meio difícil sustentar tanta fraqueza. Coitado do chá! :-)

Anônimo disse...

Não sabemos se o chá era realmente mortal ou não (não me surpreenderia se fosse, afinal, sabemos muito bem o que significava ser pobre no Brasil imperial). Só não podemos nos esquecer que essa prática, com toda a certeza, é feita no Brasil de hoje. basta lembrarmos daquele caso do enfermeiro há, se não me engano, 10 anos atrás, que dava o "chazinho da meia-noite" para assassinar os pacientes em melhor estado, para assim, ganhar a comissão das funerárias.

Lukas Rodrigues disse...

Isso e uma coisa ridicula porque ninguem tem o direito de tira a vida de ninguem tinha de ser o BRASIL um pais FUDIDO para praticar uma coisa dessas..

Anônimo disse...

O CHÁ DA MEIA NOITE RETORNOU - após pequena cirurgia e dias de quarto meu pai foi levado a CTI por estar com dores no peito, nas 1a.24h se restabeleceu, no 2o e 3o dia recebeu alta e a o hospital São Bernardo ABC, disse q o transferiria pra outra cidade pq não havia mais quartos lá pra ele. Ligamos pro convenio que negou a informação do hospital mas dissemos q ele ficaria a pgto no mesmo. No terceiro dia apos receber alta do medico na CTI fizeram ele assinar um termo q nao queria ser transferido pra outra cidade. Ele estava muito bem temos até foto dele na CTI,batidas as 21:30h as 00:15 minutos ligaram que ele tinha morrido. Não tenho a menor duvida que ele morreu pq daria despesa pra intermédica.

Sinval Carvalho disse...

NOS DIAS DE HOJE ESTE CHA DA MEIA NOITE É MAIS COMUM DO SE PENSA, MULHERES QUERENDO RECEBER A PENSSÃO DO MARIDO,USA UM VENENO CHAMADO ARSÉNIO, O TROUXA MORRE E FICA POR ISTO MESMO. PORQUE TUDO QUE UMA MULHER FAZER É LICTO, PORQUE ELAS TEM DELEGACIA DA MULHER A MIDIA, POLICOS, ETC... QUE AS DEFENDEM EM TUDO, DE FORMA INCODICIONAL. PARA O HOMEM SÓ RESTA REZAR, QUE TUDO QUE UMA MULHER FAZER A CULPA É SEMPRE DO HOMEM O HOMEM SERA SEMPRE O VILÃO E AS MULHERES O QUEREM TRATAR COMO SE FOSSE UM CACHORRO DE RUA, PIOR QUE ISTO UM INIMIGO DE MORTE, INFELIZ DO TROUXA DE DEIXA SUA MULHER MANDAR É MESMA COISA QUE ASSSINAR O NOME NO LIVRO DO DIABO, RECOMENDO AOS HOMENS QUE VEJA BLOG BÚFALO E MACHIMO ESCLARECIDO, PARA APREDEREM UM POUCO A SE DEFENDER DO FEMINISMO, OBRIGADO

claudia DeAngelo disse...

Meu avô teve esse triste fim. Morreu em 1932 em um hospital psiquiátrico, minha família perdeu tudo já que era pago mas mesmo assim lhe deram o chá.