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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre tradições





Tradições são características culturais que surgem entre etnias, povos, comunidades, nações ou países e que estão, geralmente, associadas a fatos que se perdem na história, de modo que muitas vezes é relativamente fácil distinguir de onde vieram certos ritos tradicionais, mas extremamente difícil estabelecer com segurança a data que se criou tal e qual costume ou comemoração. Vejamos o que diz o Huaiss a respeito. Tradição: comunicação oral de fatos, lendas, ritos, usos, costumes etc. de geração para geração; herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra, conjunto dos valores morais, espirituais etc., transmitidos de geração em geração; transmissão de uma notícia ou de um fato; em certas religiões, conjunto de doutrinas essenciais ou dogmas não explicitamente consignados nos escritos sagrados, mas que, reconhecidos e aceitos por sua ortodoxia e autoridade, são, por vezes, usados na interpretação dos mesmos; aquilo que ocorre ao espírito como resultado de experiências já vividas; recordação, memória, eco; tudo o que se pratica por hábito ou costume adquirido.
Pois é, países multiculturais como o Brasil têm miríades de tradições, tanto oriundas dos povos nativos quando dos imigrantes que para aqui vieram com seus costumes e modus vivendi. É fácil verificar na grande extensão territorial, a variedade de ritos folclóricos que se tornaram tradição que estão associados à colonização. Desde danças, música, contos, superstições, mitos e vestuários, tudo mostra o caminho tomado pelos costumes trazidos pelos imigrantes e colonizadores, e quase tudo passa a pertencer ao que se convencionou chamar de costumes regionais.
Assim podemos enumerar várias tradições que aparecem na nossa cultura como: Bumba meu boi (nordeste), Cosme e Damião (Rio de Janeiro), Boi de mamão (Florianópolis), Pilcha (Rio Grande do Sul), Feijoada (quase todo território nacional), Vaquejada (nordeste), Natal (tradição católica), Festa do Chope (Santa Catarina), Churrasco (sul do país) e comidas típicas em cada região, por exemplo.
O que podemos afirmar com segurança é que todas nossas tradições podem ser rastreadas até suas origens em algum canto da Europa medieval, nos costumes tribais de nossos nativos ou em recantos da África negra e até os confins da Ásia. Sem dúvida temos vínculos com todos os povos que nos legaram seus costumes.
Óbvio que outros países têm suas tradições que se referem às suas culturas, nada tendo a ver com as nossas. Assim como o carnaval em Veneza ou as cavalgadas dos Cossacos na Mongólia, os EUA têm um Dia das Bruxas que eles chamam de Halloween, no qual as crianças se vestem com fantasias “assustadoras” e abordam os adultos em suas casas com a expressão trick or treat? Que, numa tradução aproximada seria: “gostosuras ou travessuras?”, e recebem guloseimas em resposta. No Rio de Janeiro existe um costume similar que se refere ao dia de Cosme e Damião que se comemora no dia 27 de setembro, no qual as crianças saem nas vizinhanças pedindo doces também.
O Dia das Bruxas (Halloween) é um evento tradicional e cultural, que ocorre basicamente em países anglo-saxônicos, mas com especial relevância nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, tendo como base e origem as celebrações dos antigos povos escandinavos que trouxeram o costume para aqueles países. Portanto, essa bobagem de querer importar o Halloween, um folclore de povos nórdicos que se comemora nos EUA, é o exemplo de macaqueação mais estranho que conheço. Nossos costumes nada têm a ver com a cultura escandinava, não fomos colonizados por eles, então querer "forçar" um hábito que não nos diz respeito é estultice da mais alta conta.
Em 2005, foi criado do Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representada pela festa do Halloween - Dia das Bruxas. Se quisermos andar por aí fantasiados pedindo doces, por que não comemoramos o dia do Saci-Pererê, como alguns estão sugerindo? Ou adotamos a tradição de Cosme Damião em todos os estados do país? Enquanto o Brasil estiver sentindo inveja de tradições alienígenas e tentando imitar o país mais influente, não vai achar o seu caminho. JAIR, Floripa, 16/11/11.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Chá da meia noite


No século dezenove, chá administrado aos doentes que chegavam à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro depois que os serviços alimentícios regulares haviam terminado, em geral depois da 23 horas. O registro histórico que dá origem à expressão “chá-da-meia-noite”, diz o seguinte: Diante da inexistência de hospitais na maioria das cidades vizinhas e colocada a exigência de se livrar de certos indivíduos, as autoridades municipais, prefeitos e delegados de polícia, colocavam em um vagão de trem da Estrada de Ferro Central do Brasil, todos os indigentes e doentes incuráveis e crônicos, a maioria moribundos, e os enviava à Capital.

A chegada dos doentes se fazia por volta das 23 horas em virtude da chegada do trem na Estação Central, nunca antes das 22:30. Os doentes que vinham se socorrer dos serviços da Santa Casa tinham os corpos descarnados, malcheirosos, cheios de escaras, enrolados em trapos, minados pelas doenças e pelas intermináveis horas de viagem, sem conforto, sem ter o que comer ou beber, criaturas semimortas, algumas já nem podendo engolir, eram levadas para o saguão interno da Casa onde eram depositados.

O médico de plantão começava então uma revisão sumária desses moribundos, e a irmã de caridade do serviço noturno, não tendo comida a oferecer porque o serviço já estava encerrado, providenciava um pouco de chá, o único alimento possível àquela hora. Estavam dados os primeiros cuidados, agora era só aguardar o amanhecer para ver os que ainda continuavam vivendo. Conta-se que, dada a situação precária daqueles infelizes, quase todos amanheciam mortos. Nascia assim a lenda do “chá-da-meia-noite”, bebida altamente mortífera que seria distribuída à meia-noite entre os doentes incuráveis, para que mais depressa conseguissem o descanso pela morte. Até hoje se têm como certo que essa eutanásia espúria era o meio empregado pelas autoridades médico sanitárias de se livrar dos elementos que constituíam “peso morto” à sociedade do Brasil imperial e até do Brasil republicano, já que tal procedimento adentrou o século vinte. JAIR, Floripa, 15/11/10.