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terça-feira, 13 de julho de 2010

A distância


Crônica da vida como ela é.

Um amigo meu, o qual em nome da longa amizade preservo a identidade, conservador como um mineiro d’antanho, mais tosco que escultura feita a machado, pai de duas exuberantes beldades, se viu na posição de conhecer o namorado da filha mais velha. Sabendo que o dito rapaz era campeão de jiu-jitsu de uma categoria respeitável, e, por isso, não via como encará-lo de forma a deixar claro quem era dono do terreiro; que sentia ciúmes e não permitiria qualquer avanço mais ousado em direção as virginais carnes de sua amada filha, lembrou-se que fora campeão de tiro num passado recente; e que jiu-jitsu é uma luta de contato.

Paramentou-se com as dezenas de condecorações e medalhas que detinha e, amedalhado, postou-se no sofá a espera do tal pretendente fortão. A filha, ao chegar, notou a parafernália e, meio constrangida com o mico, apresentou o namorado ao pai e vice-versa. Meu amigo, peito coalhado de comendas, postou-se a dois metros do lutador campeão e sentenciou: “Entre esta distância e qualquer outra maior eu acerto você, pense nisso”. JAIR, Floripa, 11/07/10.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

SOBRE MEDALHAS


Sinceramente, nunca consegui entender bem os critérios e as justificativas que enchem os peitos dos militares de medalhas. Nada contra que se reconheça o mérito ou bravura do soldado e se lhe conceda condecorações como prova desse merecimento, já que compensações pecuniárias não são permitidas por lei, e é impraticável quantificar quanto vale uma ação heróica, por exemplo. Então, não é o conceder-se medalhas que me intriga, é a veneração que a maioria dos militares sente por essas insígnias; é esse fascínio pela maior quantidade possível delas, um uniforme com dúzias de medalhas é melhor que um com apenas uma ou duas. Mesmo aqueles que nunca participaram de uma batalha, de uma ação de combate ou praticaram um ato heróico ostentam, às vezes, pencas de condecorações. Vaidade pode ser uma explicação, mesmo porque, civis, o clero e os políticos também se pavoneiam com comendas, brasões e faixas sempre que podem, o que parece indicar que é condição humana gostar de adornos, enfeites, adereços. Antes que alguém, preconceituosamente, diga que isso é coisa de “cucarachas”, de militares do terceiro mundo, ou de generais africanos deslumbrados, vou transcrever abaixo notícias de duas ações de guerras. Das notícias dá para inferir que a maior nação guerreira do planeta também tem apego algo exagerado por medalhazinhas e não é seguida pela, talvez, terceira maior nação guerreira do mundo, a Inglaterra, que parece ser parcimoniosa na hora de distribuí-las. ¹ Em 1983 os Estados Unidos com cerca de 6000 homens invadiram a ilha de Granada para depor um governo de esquerda que contrariava os seus interesses, implantando um governo pró-EUA. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha depois de um golpe contra o presidente marxista Maurice Bishop. Alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país. Bishop é destituído e fuzilado num golpe de radicais de esquerda, liderados pelo general Hudson Austin e pelo vice-primeiro-ministro, Bernard Coard. Tropas dos EUA invadem a ilha, depõem o regime e retiram-se gradativamente deixando um governo pró-Estados Unidos, até 1985. Coard e outros 14 envolvidos na morte de Bishop são condenados à morte em 1986, mas a pena é comutada em prisão perpétua. O governo americano distribuiu oito mil medalhas aos seus guerreiros que haviam combatido em granada, sofrido dezoito baixas tendo causado setenta e nove no inimigo. ² Para tentar manter-se no poder e assegurar um mínimo de popularidade, a junta militar que governava a Argentina decidiu executar o Plano Goa, a invasão das ilhas Malvinas ou Falklands para os ingleses, que a habitavam desde 1833, com o objetivo de retomá-las. Assim às 4:30 do dia 2 de abril de 1982, 150 homens do Tático Buzo, uma unidade de elite dos fuzileiros argentinos, desembarcou na capital Port Stanley para prender o governador, mas encontraram forte resistência do destacamento de 68 fuzileiros britânicos que defendia a área em torno da sede do governo. Londres reage de imediato à invasão argentina. A primeira-ministra Margareth Tatcher corta relações diplomáticas com a Argentina. Os Estados Unidos e as Nações Unidas tentam mediar a disputa. Mas Tatcher, sentido-se obrigada a defender uma possessão imperial (afinal o Reino Unido era a terceira potência militar e nuclear do mundo), enviou uma task force, uma força tarefa, para recuperar as ilhas, mobilizando a Marinha Britânica, que parte para as ilhas a 10 mil quilômetros de distância de sua pátria. Os britânicos afundam o destróier argentino Belgrano com trezentos e cinqüenta marinheiros a bordo, mas seu navio de guerra Sheffield é atingido pelos mísseis franceses Exocet, lançados pelos aviões argentinos. A resistência argentina é surpreendente e os dois lados sofrem muitas perdas. A reconquista das ilhas prova-se mais difícil do que os britânicos previam. A Inglaterra gastou 2 bilhões de dólares no conflito. O destaque ficou para os caças-bombardeiros Harrier, aviões que decolam e aterrissam verticalmente, como se fossem helicópteros. Em 14 de junho, os argentinos capitulam. Estima-se que mais de sessenta mil homens das forças armadas britânicas foram mobilizados. O saldo de mortos é de setecentos e doze soldados argentinos e duzentos e cinqüenta e cinco soldados britânicos. Resultou daí que os Britânicos condecoraram seus militares pelos feitos bélicos, fora os 255 mortos que receberam suas medalhas póstumas, 8 outras medalhas foram distribuídas aos que lutaram. Da Argentina, que empregou 10 mil militares na guerra, não se tem notícias de quantas medalhas foram atribuídas a seus heróis e mártires. JAIR, Floripa, 25/07/09.