quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A árvore da vida


O filme “A árvore da vida” é dirigido por Terrence Malick, o mesmo diretor de “Além da linha vermelha” e, por coincidência ou não, Sean Penn que fazia o papel do sargento Edward neste filme sobre a segunda guerra, também trabalha na árvore da vida. Além de Penn, Brad Pitt é protagonista ao lado de Jessica Chastain.
O filme é instigante, eu diria que não é para amadores, vale a pena ser assistido mais de uma vez por aqueles que não captarem a essência da historia que é meio fragmentada e não obedece uma linha rígida de tempo.
A história começa nos anos cinquenta na cidade Waco no Texas e foca uma família comum conservadora americana. Deve-se lembrar que o Texas é um estado conservador tanto político como religioso, do chamado “Bible belt south”, de onde saíram os Bushs que governaram os EUA e fizeram guerra durante seus mandatos e onde o eleitorado é republicano de raiz. Vale lembrar também que o conservacionismo texano prega o criacionismo como se ciência fosse nas suas escolas primárias, então não é nenhuma surpresa que o filme tenha justamente uma família conservadora típica como protagonista da história.
Bem, a família conservadora de Brad e Jessica (Sr. e Sra. O’Brien) é composta pelos pais e três filhos meninos. O senhor O’Brien, embora amoroso, cria os filhos com extrema rigidez, cobra deles comportamento e postura quase de seminaristas religiosos. Seus gestos e maneiras de se dirigir a ele e outras pessoas têm que ser observados com rigor absoluto, qualquer deslize é passível de punição. Os filhos se submetem, mas o mais velho, Jack, costuma se rebelar em horas que não está sendo observado. Em alguns momentos dá a impressão que filho odeia o pai. A mãe é passiva, abnegada, amorosa e suporta com estoicismo e sofrimento a tensão em servir de amortecedor das exigências do marido em relação aos filhos.
O drama que vive a família gira em torno da morte do filho mais novo em condições que não aparecem no filme, mas que afetam profundamente o pai, os irmãos e principalmente a mãe que jamais se recupera da perda. Jack, protagonizado por Sean Penn quando mais velho, fala muito pouco, aliás, há pouquíssimos diálogos no filme, o diretor embasa a estória em imagens quase fantásticas com ênfase na água, seja em cachoeiras, em forma de gelo, cenas submarinas, rios e chuva, muita chuva. Para contar a estória o diretor mostra a formação do universo desde o big bang até o aparecimento da civilização moderna, passando por cenas com dinossauros. Há quase vinte minutos só de cenas da criação do mundo sem nenhum diálogo, mas com música de fundo magistral. Vale a pena curtir essa parte fundamental do filme sem pensar em nada só ver, só observar. Como eu disse no início, é instigante. JAIR, Floripa, 14/08/12.

10 comentários:

Leonel disse...

Sem dúvida, parece ser uma boa dica, que eu vou procurar assistir.
Eu lembro vagamente de um filme mais antigo com este título em português, mas não sei se seria o mesmo tema...
De qualquer forma, dicas suas são sempre valiosas!
Abraços, Jair!

Cristiano Marcell disse...

Enciclopédico amigo,

o longa de Terrence é lindíssimo. O diretor é mau visto pelos críticos holywoodianos babacas, muito injustamente!!!

Quem espera assistir o filme como um modelo convencional se decepciona profundamente, tal como Melancolia de Lars Von Trier, tão discutido por nós dois em outrora!

Muita paz!

Zilani Célia disse...

OI JAIR!
DEVO TER VISTO, MAS, NÃO LEMBREI BEM, MAS, HÁ POUCOS FILMES COM PENN, QUE EU E MEU MARIDO NÃO TENHAMOS VISTO.
BOA DICA.
ABRÇS
zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI

J. Muraro disse...

Não assisti, mas como é com Sean Penn não -osso perder. Obrigado pela dica.

Tais Luso disse...

Tenho horror a filmes de guerra e de violência, mas adoro filmes que nos entregam os dramas familiares e de cunho psicológico. Esse que você indica, vou ver, sem dúvida.

Entre tantos que assisti, 'A Família de Antonia' - gostei muito, também gostei de 'Parente Serpente' - é ótimo! Uma típica família italiana se reúne na casa da nona para a ceia de natal. Tudo começa bem, recordando os bons momentos da infância. Com o passar das horas a personalidade de cada um dos irmãos vai emergindo e minando, aos poucos, o clima festivo até o dia que tudo termina da pior maneira possível.
Vou ver essa sua dica, sim! Me parece muito interessante.
Abraços
Tais

Cristiano Marcell disse...

Em tempo:uma boa dica é o longa mexicano "Somos lo que hay".Espera-se que seja um filme de terror canibal, contudo é uma crítica social.Um drama bem interessante!

R. R. Barcellos disse...

Vou ver. Explorações de sentimentos profundos, quando não há a abordagem pseudo-didática, são sempre interessantes.
Valeu a dica. Abraços.

Nadine Granad disse...

Já assisti: instigante define bem ;)

Professor Alexandre disse...

Ótimo filme... Ja vi e recomendo!

Parabéns pela qualidade das postagens...

Joel Ferreira disse...

Assisti e concordo contigo.
Abraços,
Joel.