terça-feira, 20 de março de 2012

Anéis de Saturno

Embora as sondas espaciais Voyager 1 e 2, que sobrevoaram os planetas em novembro de 1980 e em agosto de 1981 tenham constatado a existência de anéis que circundam Júpiter e Urano, desde sempre, são os anéis de Saturno que chamam mais atenção dos astrônomos e fazem a imaginação das pessoas comuns criar asas. Aliás, os anéis de Júpiter e Urano são tão transparentes, tão espectrais que só com instrumentos especiais podem ser detectados, já os de Saturno, com um pequeno telescópio de espelho de oito polegadas é possível bisbilhotá-los.
Na verdade, os anéis desse planeta são mais conhecidos que a atmosfera e outras características suas. Durante os primórdios da astronomia telescópica conjeturou-se muito se os anéis eram contínuos ou constituídos de vários corpos separados e as ilustrações da época registram como se fossem apenas três. A dúvida foi sanada quando, através de radios telescópios, mediram-se as velocidades das bordas interna e externa dos anéis. Se os anéis fossem contínuos, girariam em torno do planeta como rodas, e suas bordas externas teriam maior velocidade que as internas, como acontece com uma roda de carro, por exemplo. Mas observou-se que ocorre ao contrário, a borda interna, mais próxima de Saturno, gira mais depressa que a externa. Como se deve esperar de corpos separados, os corpos mais próximos do astro o qual circundam devem mover-se mais rápido para vencer uma gravidade maior. Lei da gravitação universal de Newton: “Os corpos se atraem com uma força que varia diretamente com produto de suas massas e inversamente com o quadrado da distância entre eles”. Portanto, cada “faixa” de anel gira com a velocidade que um satélite giraria naquela distância.
Essa descoberta provou que os anéis são constituídos por corpos independentes e órbitas e velocidades próprias; mas não permitiu concluir qual seu tamanho nem de que material são feitos. Mas a medida que Saturno gira em torno do Sol na sua órbita de vinte e nove anos, os anéis parecem mudar lentamente de posição.Quando olhados de perfil, os anéis somem totalmente, indicando que são extremamente finos. Fora esses famosos corpos, Saturno ainda possui cinquenta e três satélites conhecidos e batizados, mas, suspeita-se que existem pelo menos nove outros ainda não batizados.
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens alcança Saturno. Transformando-se no primeiro veículo espacial a orbitar aquele planeta distante e em aproximar-se de seus anéis. A missão foi programada para concluir no final do ano 2009 quando a Cassini ficou sem energia e perdeu-se no espaço. A sonda clicou e transmitiu para a Terra, as primeiras fotos em “close” do planeta e seus anéis. Na verdade, close é apenas uma expressão, porque no momento em que as imagens foram feitas, a câmera da sonda estava a uma distância de quase mil quilômetros, na verdade precisamente 998,045 quilômetros do planeta. Ao contrário do que se supunha, os anéis são milhares, uns próximos dos outros, mas longe o suficiente para não colidirem. Numa comparação grosseira, pode-se dizer que os anéis semelham-se a um disco LP, daqueles bolachões de 33 rotações em desuso atualmente.
O cuidadoso estudo da luz do Sol refletida nos anéis leva à conclusão que são feitos de partículas desde não maiores do que grãos de areia até o tamanho de um ovo da gansa, mas de superfície áspera, como se esta fosse recoberta de cristais microscópios de gelo. Pelas fotos e pela reflexão de ondas de rádio, concluiu-se que os anéis não têm mais que alguns centímetros de espessura, e que as partículas que o formam não representam mais que cinco por cento do volume dos mesmos. Ou seja, os anéis são noventa e cinco por cento espaço vazio, coisa impressionante.
Já, a origem desses diáfanos, mas impressionantes, anéis ainda está no campo das conjeturas, ou dos chutes se preferirem. Entre os astrônomos há uma linha que cogita ver neles restos de matéria que jamais chegou a aglomerar-se e formar um corpo sólido, um satélite. Outros acham que são restos de algum corpo – cometa, satélite ou asteróide – que se desintegrou ao passar de “raspão” por Saturno, sendo que os detritos resultantes entraram em órbita em torno do equador do planeta. Em qualquer os casos os anéis são alguma coisa resultante de outra diferente.
Contudo, qualquer que seja a formação e qualquer que seja a origem desses anéis, uma coisa é certa: são espetaculares e conferem uma identidade própria a Saturno. E, sobretudo, dado que podem ser “restos” que marcam uma tragédia anterior, quase compulsoriamente, nos remetem à lembrança o inverso do adágio famoso: Os dedos se foram, mas os anéis permanecem. JAIR, Floripa, 10/03/12.

8 comentários:

R. R. Barcellos disse...

Excelente matéria, Jair. Outra hipótese plausível para a origem dos anéis é a de que um pequeno satélite tenha se desintegrado pelas forças de maré ao invadir o "Limite de Roche" - cerca de 2,5 vezes o raio do planeta.
Abraços.

Professor Alexandre disse...

Adorei! Sempre fui facinado pelos anéis de saturno... E como foi muito bem citado nesse texto, pelos anéis, mais do que pela atmosfera ou outras caracteristicas...
Gostei muito também da relação que foi estabelecida entre os anéis e o dito popular...
Parabéns...

Abraços!

Leonel disse...

Eu acolho mais a segunda hipótese para a formação dos anéis.
Porque a primeira se baseia em conjeturas, onde teríamos primeiro que chegar a um acordo quanto à maneira como foram formados os planetas, coisa ainda hipotética sobre a qual pouco de conclusivo existe.
Vale também a hipótese citada pelo Barcellos, uma variante da segunda.
Excelentes essas suas "Sandices Saturnianas"!
Abraços, Jair!

Cristiano Marcell disse...

Belíissima postagem, enciclopédico amigo! Lembrei do seriado de Carl Sagan que assistia quando era menino!

Muita paz!

Andre Martin disse...

Como sempre, JAIR, artigo completo, deixa pouquíssimo ou nenhum espaço a preencher, mesmo com tantos entre as partículas dos anéis!

Sobra-me apenas reforçar que quando vejo fotos atuais dos anéis de Saturno, a impressão que me fica são mesmo daqueles discos LP, de vinil.

A minha questão é: por que este texto não foi intitulado dentro da série adorável de "sandices"?
Como sugestão, sem querer anular o valor do conteúdo, poderia ser Sandice Anular (de dedo anular, onde vão os anéis)? Ou Sandice Anelídea (relativo a anéis, se bem que isto mais parece idéia de minhoca! rsrs).

Abraço!

JAIRCLOPES disse...

Caro André,
Esse artigo não entrou na série "Sandices" por um motivo muito simples, mas oculto: minhas sandices, além de terem textos menos "rígidos", mais soltos, foram escritos em mil palavras, exatas mil palavras. Os textos que não cumprirem essa "exigência" minha não podem ser enquadrados como sandices. Abraços e obrigado pelo comentário.

Anônimo disse...

Gostei das 1000 palavras,para serem as sandices...Acho que vou contá-las...será?
Quanto aos anéis de Saturno, me ocorreu, num repente, que Saturno não quer nenhum elemento extranho pousando sobre ele; com hélices girando, que afasta um elemento intruso, a força gravitacional,de repente fuciona como auras protecionais....Rssss.Luci.

Luci Joelma disse...

Gostei das 1000 palavras,para serem as sandices...Acho que vou contá-las...será?
Quanto aos anéis de Saturno, me ocorreu, num repente, que Saturno não quer nenhum elemento extranho pousando sobre ele; com hélices girando, que afasta um elemento intruso, a força gravitacional,de repente fuciona como auras protecionais....Rssss.Luci.