domingo, 25 de setembro de 2011

O Vulcão

Silva Jardim

Os vulcões são fenômenos sismológicos naturais, geralmente de ações violentas e dramáticas, que estão relacionados com o movimento das placas tectônicas do Planeta. Atualmente existem cerca de 800 vulcões ativos conhecidos, mas milhares outros estão extintos definitivamente, ou não entram em atividade a muitos anos de modo que não se conhece sua periodicidade ou se podem ser considerados inativos para sempre. O Yellowstone National Park, localizado no Wyoming, Montana e Idaho, nos EUA, é um caso típico: sabe-se que o parque está situado numa hiper, super, mega cratera de vulcão que já entrou em erupção 9 vezes nos últimos 600 milhões de anos, mas não se tem certeza se está extinto ou não. De qualquer forma, a história da Terra e da vida sobre ela está intimamente relacionada com as atividades telúricas que incluem os vulcões, além de terremotos, tsunamis, ciclones, furacões e outros cataclismos.
Estando ligados à evolução do Planeta não significa que os vulcões estejam ligados à história do homem propriamente, ou seja, na maioria dos casos, nunca se tornaram “sujeitos da história”, no entanto, alguns por se situarem em locais onde as pessoas acabaram se estabelecendo para morar, influíram marcadamente no progresso da civilização humana.
Os casos mais conhecidos da relação dos vulcões com cidades e homens, entre outros, são: A erupção do Monte Pelée de 1902, na Martinica, uma das mais devastadoras de que se tem conhecimento, tendo causado a morte de quase 30.000 pessoas e a destruição total da cidade de Saint-Pierre, situada no sopé da montanha; O Krakatoa, no dia 27 de Agosto de 1883, a ilha de mesmo nome, localizada no estreito de Sunda, entre as ilhas de Sumatra e Java, na Indonésia, desapareceu quando o vulcão de mesmo nome - supostamente extinto - entrou em erupção. É considerada a erupção vulcânica mais violenta que o homem moderno já testemunhou. As erupções e explosões duraram 22 horas e o saldo foi de mais de 37 mil mortos. Sua explosão atirou pedras a aproximadamente 27 km de altitude e o som da grande última explosão foi ouvida a cinco mil quilômetros; O Kilauea vulcão localizado no Parque Nacional de Vulcões do Havaí, nos Estados Unidos, é considerado o vulcão mais ativo do mundo e tanto destrói edificações, florestas e estradas, como constrói novos “terrenos” de lava úbere as quais serão ocupados em seguida; Por último, o Vesúvio, que no dia 24 de agosto de ano 79 de nossa era, entrou em erupção de forma catastrófica lançando pedras e cinzas, sepultando as cidades de Pompéia e Herculano situadas nas suas faldas.
Plínio, o velho, historiador romano, morreu na erupção, mas seu sobrinho também chamado Plínio, descreveu a ação destrutiva do Vesúvio a qual soterrou as duas cidades com o que os geólogos e vulcanólogos atuais chamam de fluxo piroclástico. A avalanche de cinzas e detritos em alta temperatura alcançou as cidades de modo formidável, cobrindo tudo com uma camada de 15 metros de espessura, matando todas as pessoas que não fugiram e conservando os móveis, utensílios, casas e locais de trabalho e lazer tal como se encontravam naquele momento. Pompéia e Herculano permaneciam como que dentro de uma cápsula do tempo quando foram “descobertas” por arqueólogos e se tornaram inestimáveis objetos de estudos dos usos e costumes romanos, bem como atrações turísticas importantes para a Itália e o mundo. Até os cadáveres das pessoas deixaram impressões ocas no interior da cinza solidificada como cimento, de modo que os espaços preenchidos com gesso reproduziram o corpo dos indivíduos no momento da morte. As figuras tridimensionais assim produzidas são algo meio bizarro, mas de grande apelo turístico.
Pois esse mesmo Vesúvio de tão marcada fama e tão destacado fautor de catástrofes foi causador de uma morte que, de certa forma, influenciou indiretamente na história da República brasileira.
Antônio da Silva Jardim, nascido em agosto de 1860 na Vila de Capivari, no estado do Rio de Janeiro foi um advogado, jornalista e ativista político brasileiro, que teve atuação importante nos movimentos abolicionistas e republicanos no país. Em 1891 candidatou-se a deputado federal e foi derrotado. Embora republicano convicto, idealista e determinado resolveu, então, retirar-se temporariamente da política e viajar para o exterior para descansar, clarear as ideias e repensar o seu futuro e o do Brasil.
Aos 31 anos de idade, visitou Pompéia e, curioso por conhecer o vulcão Vesúvio, mesmo tendo sido avisado de que ele poderia entrar em erupção a qualquer momento, escorregou, caiu e foi tragado por uma fenda que se abriu na cratera da montanha – deixando o motivo dessa morte envolvido em mistério, pois a imprensa da época insinuou que ele poderia ter suicidado por desilusão política.
Contudo, a morte de Silva Jardim teria sido um acidente, segundo seu amigo e guia na malfadada excursão, Joaquim Carneiro de Mendonça, testemunha do fato. Em homenagem ao jornalista morto, foi determinado que o município fluminense de Capivari passaria a ter o atual nome de Silva Jardim. Sem contar que em inúmeras cidades do país existem praças, ruas e avenidas com o nome do desditado político.
Assim, um vulcão lá na Europa distante, teria influenciado os rumos da República brasileira ao ceifar a vida de um ativista político que era uma esperança importante por seus pronunciamentos e atitudes diante dos novos desafios que a nação enfrentava. Embora no Patropi estejamos a salvo desses formidáveis fenômenos, o Vesúvio adentrou - e talvez alterou - nossa história para sempre. JAIR, Floripa, 21/09/11.

12 comentários:

R. R. Barcellos disse...

E os nativos de Java e Sumatra hoje são testemunhas do nascimento de um novo vulcão onde explodiu e afundou o velho Krakatoa... e eles o chamam, "Anak Krakatau" - o filho do Krakatoa.
Tal pai, tal filho...

Amapola disse...

Bom dia, querido amigo Jair.

Adorei esse documentário.
Na primeira vez que vi na TV, um vulcão em erupção, eu demorar a acreditar naquilo tudo.

É terrível...
Eu tenho medo de chuva barulhenta, e as nuvens quando começam se misturando num só lugar, já tiram o meu entusiasmo.

É... Parece que somos figurantes, nesse palco movido por tantas energias incontroláveis.

Muito obrigada pela honra da sua visita, e pelo comentário gentil.

Tenha uma linda semana de paz.

Um grande abraço.

(Estou lhe seguindo)

Maria Auxiliadora (Amapola)

Leonel disse...

E eu estudei num colégio em Porto Alegre que ficava na rua Silva Jardim, mas só agora fico sabendo quem foi ele!
Sobre o Monte Pelée, na Martinica, eu li um ótimo livro: O DIA DO FIM DO MUNDO, de Gordon Thomas e Max Morgan-Witts.
Ótimo post, para variar...
Abraços, Jair!

Tais Luso disse...

A natureza sabe ser bela como assustadora! E sua fúria impressiona.
Aí sentimos o tanto que somos pequenos diante de suas manifestações e o 'nada' que podemos fazer.
Ótimo e muito esclarecedor seu texto; porém... respeitando e não tendo nenhuma vontade em ver um vulcão de perto, não gostaria de estar naquela hora no corpinho de 'Silva Jardim' – nome dado a uma rua bem conhecida daqui!

Grande abraço
Tais

J. Muraro disse...

Postagem interessante, eu naão sabia que o Silva Jardim havia tido um fim tão "romântico" e tão precoce. É de se acreditar que se ele não tivesse morrido tão jovem pudesse ter sido alguém que influenciaria na história deste país. Abraços.

Attico CHASSOT disse...

Meu caro Jair,
quando recebo tua chamada anunciando que o Vesúvio teria influído a República brasileira, fiquei dando tratos a bola: Como?
Quando pude acessar tua postagem: surpresa.
Quero poder ver numa rua do bairro Mont’Serrat, em Porto Alegre. onde o Leonel estudou e ler o que diz acerca do homenageado. Sou usual leitor da razão da homenagem em placas de rua, tinha como dado que ‘Gomes Jardim teria sido herói farroupilha. Obrigado pela ‘curiosa’ informação.
Uma boa primeira segunda-feira de primavera 2011,
attico chassot

Chico Simões disse...

Caro amigo Jair,

Realmente muito bom e elucidativo o seu texto sobre vulcões. Eu não conhecia a história da morte de Silva Jardim. Por sinal a cidade que leva seu nome fica aqui por perto. SobrePompéia, quando vivi por 4 longos períodos na Europa, nos anos de 1989/92/95 r 98 passei por lá. É impressionante mesmo. Parabéns pelo seu texto, caro Jair Lopes.

J. Muraro disse...

Realmente, aquelas formas de gesso feitas a partir de moldes de corpos em Heculano são bizarras. Estive lá e vi.
Quanto ao Silva Jardim, já tinha ouvido falar que ele, apesar de avisado, aproximou-se demais de uma fenda e escorregou. E lá se foi uma grande promessa da República. Abraços,

Professor Alexandre disse...

Ótimo texto meu Nobre colega!
Aprendi muito com ele...
Parabéns!

Voluzia disse...

Muito trágica e interessante a morte do Silva Jardim, mas os vulcões são tão espetaculares que vale a pena ler tudo sobre eles. Parabéns pelas informações que nos trouxe a respeito dessas forças da natureza.

Joel disse...

Jair.
Falando um pouco mais sobre o assunto do seu texto, repasso aqui algumas informações: Segundo o engenheiro de minas Resk Frayha, ex prefeito de Poços de Caldas, localizada ao sul do estado de MG, esta cidade encontra-se numa região de origem vulcânica. Ha cerca de 80 milhões de anos a região sofreu uma intrusão de rochas alcalinas causando um movimento intenso de rocha e magma no subsolo, fazendo a região se elevar a 500 metros de altitude. Com o tempo as rochas foram esfriando e o solo da região sofreu um afundamento originando o chamado Planalto de Poços de Caldas.
Depois que a região se estabilizou, ha cerca de 60 milhões de anos, houve diversas manifestações vulcânicas sob a forma de pequenos vulcões. Segundo estudos geológicos foram encontradas 13 estruturas circulares que denunciam a presença de vulcões. Tal atividade deu origem às águas sulfurosas e às riquezas minerais que fazem parte do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, um dos mais notáveis do mundo. Existe no centro da cidade um chafaris conhecido como Fonte do Macaco de onde jorra 24 horas por dia uma água quente com forte cheiro de enxofre e um gosto horrivel. Essa água é usada para fins teratêuticos.
(informações colhidas do site oficial da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas)
Joel.

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom alvorecer!
Estou te convidando para prestar uma homenagem ao seu amigo Rodolfo com um comentário no meu blog,se gostares pode me add para trocarmos informações...
bjssssssssss