Mostrando postagens com marcador Notícia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Notícia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O MÉDICO-MONSTRO


ROBERT LOUIS STEVENSON nasceu a 13 de novembro de 1850 em Edimburgo capital da Escócia, filho único de um próspero engenheiro civil. Desde muito jovem Stevenson quis ser escritor, e preparou-se para isso. Escreveu inúmeros livros, sendo os dois mais conhecidos, “A ilha do tesouro” (1881), e “O médico e o monstro” (1886), ambos tornaram-se clássicos de aventuras e terror. A ação de “O médico e o monstro” transcorre em Londres do século XIX. A ambientação propícia ao mistério: o fog londrino perpassa a história do princípio ao fim, as luzes mergulham nas sombras, os fatos marcantes ocorrem nas ruas estreitas e de pouco movimento. O que teria levado Dr.Jekyll, homem recatado, elegante, de finas maneiras, a proteger Edward Hyde, um criminoso de feições grosseiras e hábitos estranhos e assustadores? Por mais que Stevenson, com impressionante acuidade, tenha caprichado na descrição ambiental e na construção de personagem maligno e de intenções assustadoras e mortais, parece que nossa sociedade conseguiu produzir algo muito mais intimidante e terrível. Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada, tal como um médico reputado que atende pessoas proeminentes da sociedade e cobra muito caro por seu trabalho, por exemplo; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos, algo assim como um profissional que, aproveitando-se da incapacidade de reação de seus pacientes, comete atos lesivos a sua integridade física e moral, um criminoso dissimulado, enfim. As duas naturezas quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar, um monstro abandona a mente do homem normal e comanda suas atitudes através daquele corpo que, até então, se comportava de modo dito civilizado. Um dos mais famosos especialistas em reprodução assistida do país, doutor Roger Abdelmassih, é acusado de crimes sexuais contra pacientes e está preso desde a última segunda-feira (17). O médico foi denunciado (acusado formalmente) pela Promotoria na última quinta-feira (13) sob acusação de 56 estupros. Em geral, as mulheres o acusam de beijá-las ou acariciá-las quando estavam sozinhas sob efeito de anestesia sem o marido ou a enfermeira presente. Algumas disseram terem sido molestadas sexualmente após a sedação. Há indícios que o médico venha apresentando esse comportamento de Mr Hyde por, pelo menos, quarenta anos e tenha molestado centenas de mulheres indefesas, algumas tendo ficado grávidas dele, inclusive. Pois é, a vida imitando a arte na maior crueza e de forma mais sinistra. A nossa versão de “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” ganha de lavada dos personagens de Stevenson, com o agravante que é real e seus atos prejudicam pessoas reais, e não servem apenas para deleitar leitores de histórias de terror. JAIR, Floripa, 24/08/09.

terça-feira, 7 de julho de 2009

METAMORFEIOSE


É inegável, fora as inúmeras polêmicas que a agitada vida de Michael Jackson nos brindou, sua maior contribuição para o folclore mundial foi a transformação de um negro bonito num branquelo horroroso.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A CAUSA PRINCIPAL

Notícia sobre relatório do acidente da Gol e, logo abaixo, excelente comentário irado do meu amigo Leonel Rodrigues:


Piloto do Legacy desligou transponder, aponta relatório.

Brasília - A Aeronáutica concluiu um relatório apontando o que causou a segunda maior tragédia da história da aviação civil brasileira, que deixou 154 mortos, em 29 de setembro de 2006. A análise que será divulgada na próxima semana mostra que o transponder do jato Legacy, equipamento que poderia ter evitado o acidente com o Boeing da Gol, porque alerta para a colisão, foi colocado inadvertidamente desligado pela mão de um dos pilotos - 7 minutos depois de o jato passar por Brasília. O equipamento só voltou a ser acionado 3 minutos após a colisão, quando os americanos perceberam que estava em stand by. No total, o transponder permaneceu inoperante, sem emitir sinais para o radar de Brasília, por 58 minutos.

Trata-se do ponto central na cadeia de erros dos pilotos do Legacy e dos controladores de vôo mostrada numa detalhada e precisa animação - com mais de duas horas -, feita por computador, a partir dos dados recolhidos pelas caixas-pretas das aeronaves. O acaso ainda ajudou a tragédia: um terceiro avião atrapalhou a comunicação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentário: Eu já disse e repito: tentaram se aproveitar dos erros reais do sistema de tráfego aéreo para desviar a atenção da causa principal do acidente! Como se sabe pela doutrina de SIPAer, o acidente é conseqüência de uma série de falhas que acabam criando as condições para sua ocorrência. Se o software do radar fosse mais eficiente, a ausência de indicação do transponder teria sido percebida com mais facilidade. Se os controladores estivessem mais atentos às indicações na tela, poderiam ter percebido a ausência de confirmação da altitude do Legacy. Se as comunicações fossem mais efetivas e sem falhas, a aeronave poderia ter sido advertida sem dúvidas sobre falhas nas chamadas. Se os controladores tivessem um domínio melhor sobre a língua inglesa, os pilotos não poderiam alegar má compreensão dos dados transmitidos! Muita coisa poderia ter sido feita para evitar a colisão. Porém, eu repito o que já disse a várias pessoas: se os dois aviões estivessem voando sobre a superfície de Marte, onde não há nenhum controle de tráfego, nem comunicações do solo, mas apenas o sistema de transponder estivesse funcionando em ambas as aeronaves, a colisão não teria ocorrido! Isto foi demonstrado por pilotos profissionais em simuladores de vôo, inclusive em mais de uma emissora de TV! Os gringos fizeram merda, sim, e as falhas (por incompetência ou má-fé) deles na operação da aeronave foram as principais causas da colisão! A alegação de falha no equipamento já foi descartada pelo fabricante, com dados obtidos no Flight Recorder, que não acusou nenhuma falha (aliás, se tal falha tivesse ocorrido, o equipamento reserva entraria no circuito automaticamente!).

O fato de o mesmo ter sido ligado logo após a colisão, quando eles precisavam ser identificados, para receber orientação para o pouso de emergência, é um indicativo de uma possível má fé: o transponder poderia ter sido desligado intencionalmente, para ocultar a identidade do avião, que estava desobedecendo ao seu plano de vôo original! E, se o transponder estivesse em pane, como poderia ter sido ligado justamente quando interessava a eles? Claro que eles nunca serão punidos na justiça por isto! Até porque as informações obtidas na investigação do acidente não podem ser usadas em juízo, já que o objetivo de tal investigação é introduzir providências que impeçam a repetição das condições que causaram o acidente. Por isto, para que ninguém fique preocupado em esconder algo, as declarações dos tripulantes e os fatos apurados não podem ser usados para outros fins. Sabemos, porém, que, mesmo sem risco de processos na justiça, os pilotos temem o julgamento profissional que será feito pelos seus pares, e muitas vezes omitem fatos que apontariam para suas falhas. Num caso que chocou uma nação, com tantas mortes e com tamanha repercussão, acredito que eles nunca assumirão o que fizeram! Um pacto de silêncio deve ter sido feito pelos ocupantes do Legacy, logo após a tragédia. O consolo é que, para os profissionais, tanto daqui como do país deles, as causas verdadeiras do acidente serão percebidas, embora o corporativismo vá manter os fatos ao nível de rodinhas de conversas reservadas e em voz baixa!