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domingo, 1 de fevereiro de 2009

INVENTANDO SOLUÇÕES




A história da sociedade humana é marcada por acontecimentos, fatos notáveis, eventos e inventos que, uma vez surgidos, modificam ou influem no todo ou em parte dessa sociedade de modo a torná-la dinâmica no sentido de evoluir e deixar de ser o que era até então. Temos como exemplos marcantes revoluções, guerras, desastres naturais de grandes proporções e inventos. A revolução francesa, as grandes guerras mundiais, a descoberta da América, a invenção da máquina a vapor, a invenção roda, a descoberta da penicilina e a internet são marcos na evolução humana que tornaram nossa sociedade tal como ela é, sem que se possa conceber como seria sem essas coisas. Quando um evento de alto impacto como a segunda guerra mundial ou de alta tecnologia como a invenção da máquina a vapor surge, é natural que esperemos grandes e permanentes modificações ou uma espécie de ponto de inflexão evolutivo na sociedade. Contudo, o que mais chama atenção são as descobertas ou inventos de baixa tecnologia, como a adoção da roda num tempo muito remoto que, provavelmente, nada mais foi do que o aproveitamento de uma “fatia” de um tronco redondo furado no meio no qual se introduziu um eixo, e o mundo passou a rodar e nunca mais parou; ou a invenção do clipe de papel em 1898 por Johan Vaaler, norueguês que aproveitou a maleabilidade do arame, dobrou-o de certa maneira e revolucionou para sempre o modo com que se junta papéis nos escritórios e repartições de todo o mundo. Esses dois inventos de baixíssima tecnologia tiveram mais impacto em nossas vidas, influíram mais no que hoje somos, deixaram uma marca mais profunda e significativa na sociedade do homo sapiens, agregaram mais valor à humanidade do que a chegada do homem na Lua, por exemplo. De certa forma, ao nos depararmos com uma coisa nova, por mais simples que seja, não temos condições imediatas de julgá-la de acordo com sua utilidade futura ou quais melhorias operacionais ou na condução de uma atividade que poderá advir de sua adoção. Vale dizer, não é de hoje que pequenas modificações em procedimentos, ferramentas, aparelhos e modos de fazer ou trabalhar, melhoram a produtividade, o desempenho, a qualidade e os lucros das empresas. Colocando na prática e nos dias hoje, empresas de aviação comercial de todo o planeta deparam-se com problema que parece banal, mas que lhes trazem grandes dores de cabeça: Como e quando lavar as aeronaves de modo que estejam sempre apresentáveis aos olhos dos passageiros? Avião sujo denota desleixo e isso, para os clientes, pode parecer falta de segurança, o que sempre redundará em baixa ocupação de assentos e queda de lucros. Por outro lado, quando lavar o avião, se este ou está voando ou no solo recebendo passageiros e abastecendo? Apenas quando entra em manutenção de grande porte, de tantos em tantos meses? Impossível! Isso equivale a dizer que a maior parte do tempo a aeronave voaria suja! Pois bem, a Qantas, empresa australiana de aviação, também encarava esse problema como todas as grandes do planeta. Só que a Qantas agrega em seu quadro de funcionários, Leonel T.R., eficientíssimo chefe de manutenção com espírito inventivo. A partir de uma idéia bem simples: Lavação se faz com água sob pressão e sabão, que pode ser chamado de xampu ou detergente sem desmerecer suas qualidades. Pois bem, durante os vôos em altas altitudes a aeronave, comumente, voa entre nuvens que nada mais são que gotículas de água sob pressão, esta advinda da velocidade aerodinâmica do avião. Temos aí água e pressão, falta o quê? Sabão, xampu, detergente líquido. Foi onde entrou a criatividade e o conhecimento técnico de Leonel, que, apesar do nome latino, é australiano da melhor estirpe, trata-se de descendente direto de aborígines das terras orientais do hoje estado de Queensland, considerados os nativos mais inteligentes da Austrália e do mundo. Posto o problema, Leonel veio com a solução: Adaptar, em pontos escolhidos tecnicamente das asas, fuselagem e empenagem, borrifadores de solução líquida de sabão não corrosivo, que se dispersa em forma de spray através de orifícios calibrados. O disparo do produto fica a cargo do piloto com um simples acionamento de botão na cabine quando houver necessidade e as condições forem favoráveis, ou seja, avião sujo e voando dentro de nuvem. Feitas adaptações e testes que demandaram muitas horas de trabalho, chegou-se a um estado ótimo em que as aeronaves da Qantas sempre pousam limpas como se tivessem saído de lava rápido. A Boeing, consultada sobre o invento, já deu seu aval, isto é, aprovou a modificação em suas aeronaves a título não mandatório, equivale dizer que os operadores de aeronaves Boeing poderão adaptar seus equipamentos se quiserem, e eles querem. Ao chefe de manutenção Leonel coube a dupla glória de ter seu nome incluído no rol de inventores de coisas simples que solucionam grandes problemas, e ter sua conta bancária inflada porque registrou a invenção em seu nome. As grandes empresas agradecem a Leonel que, com alguma criatividade, ousadia para levar uma idéia à frente e perseverança para convencer outros da conveniência do dispositivo, marcou um importante tento para o quadro da manutenção de aeronaves. JAIR, Floripa, 01/02/09.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A CAUSA PRINCIPAL

Notícia sobre relatório do acidente da Gol e, logo abaixo, excelente comentário irado do meu amigo Leonel Rodrigues:


Piloto do Legacy desligou transponder, aponta relatório.

Brasília - A Aeronáutica concluiu um relatório apontando o que causou a segunda maior tragédia da história da aviação civil brasileira, que deixou 154 mortos, em 29 de setembro de 2006. A análise que será divulgada na próxima semana mostra que o transponder do jato Legacy, equipamento que poderia ter evitado o acidente com o Boeing da Gol, porque alerta para a colisão, foi colocado inadvertidamente desligado pela mão de um dos pilotos - 7 minutos depois de o jato passar por Brasília. O equipamento só voltou a ser acionado 3 minutos após a colisão, quando os americanos perceberam que estava em stand by. No total, o transponder permaneceu inoperante, sem emitir sinais para o radar de Brasília, por 58 minutos.

Trata-se do ponto central na cadeia de erros dos pilotos do Legacy e dos controladores de vôo mostrada numa detalhada e precisa animação - com mais de duas horas -, feita por computador, a partir dos dados recolhidos pelas caixas-pretas das aeronaves. O acaso ainda ajudou a tragédia: um terceiro avião atrapalhou a comunicação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentário: Eu já disse e repito: tentaram se aproveitar dos erros reais do sistema de tráfego aéreo para desviar a atenção da causa principal do acidente! Como se sabe pela doutrina de SIPAer, o acidente é conseqüência de uma série de falhas que acabam criando as condições para sua ocorrência. Se o software do radar fosse mais eficiente, a ausência de indicação do transponder teria sido percebida com mais facilidade. Se os controladores estivessem mais atentos às indicações na tela, poderiam ter percebido a ausência de confirmação da altitude do Legacy. Se as comunicações fossem mais efetivas e sem falhas, a aeronave poderia ter sido advertida sem dúvidas sobre falhas nas chamadas. Se os controladores tivessem um domínio melhor sobre a língua inglesa, os pilotos não poderiam alegar má compreensão dos dados transmitidos! Muita coisa poderia ter sido feita para evitar a colisão. Porém, eu repito o que já disse a várias pessoas: se os dois aviões estivessem voando sobre a superfície de Marte, onde não há nenhum controle de tráfego, nem comunicações do solo, mas apenas o sistema de transponder estivesse funcionando em ambas as aeronaves, a colisão não teria ocorrido! Isto foi demonstrado por pilotos profissionais em simuladores de vôo, inclusive em mais de uma emissora de TV! Os gringos fizeram merda, sim, e as falhas (por incompetência ou má-fé) deles na operação da aeronave foram as principais causas da colisão! A alegação de falha no equipamento já foi descartada pelo fabricante, com dados obtidos no Flight Recorder, que não acusou nenhuma falha (aliás, se tal falha tivesse ocorrido, o equipamento reserva entraria no circuito automaticamente!).

O fato de o mesmo ter sido ligado logo após a colisão, quando eles precisavam ser identificados, para receber orientação para o pouso de emergência, é um indicativo de uma possível má fé: o transponder poderia ter sido desligado intencionalmente, para ocultar a identidade do avião, que estava desobedecendo ao seu plano de vôo original! E, se o transponder estivesse em pane, como poderia ter sido ligado justamente quando interessava a eles? Claro que eles nunca serão punidos na justiça por isto! Até porque as informações obtidas na investigação do acidente não podem ser usadas em juízo, já que o objetivo de tal investigação é introduzir providências que impeçam a repetição das condições que causaram o acidente. Por isto, para que ninguém fique preocupado em esconder algo, as declarações dos tripulantes e os fatos apurados não podem ser usados para outros fins. Sabemos, porém, que, mesmo sem risco de processos na justiça, os pilotos temem o julgamento profissional que será feito pelos seus pares, e muitas vezes omitem fatos que apontariam para suas falhas. Num caso que chocou uma nação, com tantas mortes e com tamanha repercussão, acredito que eles nunca assumirão o que fizeram! Um pacto de silêncio deve ter sido feito pelos ocupantes do Legacy, logo após a tragédia. O consolo é que, para os profissionais, tanto daqui como do país deles, as causas verdadeiras do acidente serão percebidas, embora o corporativismo vá manter os fatos ao nível de rodinhas de conversas reservadas e em voz baixa!