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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sobre o Tempo

Para o tempo o universo não é apenas a sua maior criação, é também a última, a derradeira forma material que atesta a própria existência dele, o tempo. Para o tempo, sua existência independe do universo, mas este só existe porque o tempo assim o construiu. Não há contradição, o tempo existe, e, quando criou o universo, estava apenas dando materialidade àquilo que é eterno, àquilo que permanece, que é imanente e não terá fim. Um universo que em todos os aspectos represente a perfeição está em perfeito acordo com o tempo, e se, ainda assim, não tão perfeito for, não faltará tempo para o tempo torná-lo perfeito, à sua feição, à sua perfeição até. Tudo se arranja com tempo, pois tempo não faltará para tal. Ainda que o tempo não tenha idade, a matéria nasce, vive e desaparece, depois dela só haverá o tempo, imutável e soberano fluindo para a eternidade. Quando o tempo do universo houver acabado, o tempo aqui estará, presença viva, para atestar que um dia houve um universo, cujo tempo de existência lhe foi atribuído pelo tempo, não há alternativa intemporal, ou o tempo cria e destrói, ou nada existirá, nunca existirá. Ao homem, diminuta vírgula no meio do imensurável texto do imensurável universo, foi atribuída uma única capacidade que o diferencia dos demais animais: pensar sobre o tempo. Se há angústia que bloqueia a percepção do homem em relação ao universo, é apenas não compreender o tempo, daí tenta defini-lo, tenta contá-lo ou tenta aprisioná-lo nos ponteiros de um relógio. Ó infeliz criatura do tempo, ainda não se deu conta que o onipresente tempo é muito mais poderoso que seus míseros neurônios, dádivas do tempo! JAIR, Floripa, 08/10/10.