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sábado, 10 de setembro de 2011

Stálin



Depois da morte de Lênin o qual havia “liderado” a revolução bolchevique que derrubou a monarquia dos Romanov na Rússia, subiu ao “trono” do PC russo e do executivo do país, um dos mais sanguinários líderes comunistas da história da humanidade: Stálin.
Ióssif Vissariónovitch Stálin, nome adotado por Ioseb Besarionis Dze Djughashvili, - porque Stálin soava como algo metálico em georgiano, idioma falado na Geórgia, onde nasceu - era um homem determinado e impiedoso que se fez notar em 1918 quando ingressou no Partido Comunista. Quando Lênin morreu em 1924, depois de alguma luta de bastidores, Stálin foi entronado como presidente do Partido e, potencialmente, como condutor supremo da União Soviética até sua morte em1953.
Seu reinado caracterizou-se pela demanda de “planos” de desenvolvimento que visavam à transformação de uma Rússia de agricultura feudal em potência industrial. Essa transição seria imposta ao campesinato a custa de milhões de mortes, a maioria por inanição. Lênin havia, de certa forma, apontado para o futuro truculento da revolução ao implantar campos de trabalhos forçados para os “inimigos” do partido, que na linguagem bolchevique queria dizer quem não lesse pela mesma cartilha dos líderes. Stálin foi muito mais longe, instituiu o terror absoluto para dobrar o campesinato aos seus ditames. O ditador transformou a Sibéria no que passou a ser conhecido como “Gulags”, região saturada de campos de trabalho, onde os chamados “dissidentes” eram internados teoricamente por tempo limitado, mas que na prática permaneciam até morrer de fome, exaustão ou doenças, sob condições indescritíveis. Neste quesito Stálin foi precursor de Hitler e serviu de orientador para conduzir seres humanos até a mais abjeta degradação depois à morte.
Nos fins dos anos vinte e início dos anos trinta, o plano qüinqüenal de Stálin passou a confiscar a produção dos agricultores de modo a deixá-los sem o que comer. Segundo sua ótica bolchevique, camponeses “ricos”, chamado Kulaks, eram todos os que possuíssem alguns cavalos, algumas vacas, alguns empregados. Porém esses critérios não eram rígidos, ficando ao sabor da vontade de seus comissários julgarem quem deveria ser castigado por ser “rico”. O mais das vezes esse julgamento se fazia em razão de empatias pessoais não tendo nada a ver com as posses dos acusados, e assim muita gente foi morta ou deportada para os “Gulags” sem nem saber por quê. A loteria stalinista da vida ou morte não se regia por quaisquer regras racionais ou conhecidas por suas vítimas.
Um episódio que ilustra bem o comportamento sanguinário desse celerado que durante seu reinado queria implantar a “ditadura do proletariado” em nome do comunismo, deu-se antes mesmo dele ter assumido o comando da nação. Em 1918, quando ainda era apenas um “comissário” de Lênin, Stálin foi despachado para a cidade de Tsarítsin, a qual era uma espécie de celeiro do Cáucaso. Num trem blindado com quatrocentos guardas vermelhos, Stálin entrou na cidade e mostrou a que viera fuzilando os suspeitos de serem contra revolucionários. Foi ali que Stálin compreendeu a conveniência da morte como instrumento político mais simples e eficaz. Essa conduta durante a guerra civil era a marca registrada dos bolcheviques, com suas botas de couro, capotes e coldres, que abraçaram o culto do glamour da violência, uma brutalidade que Stálin assumiu integralmente.
Não obstante toda uma carreira calcada na violência e morte de adversários para obtenção de poder absoluto pelo medo, Stálin só estabeleceu o Terror ao partido do final de 1936, o qual durou até sua morte. O Monstro transformou os medos delirantes da guerra com a Alemanha, os perigos reais da guerra que se travava na Espanha e os inexplicáveis fracassos industriais causados pela incompetência de seus prepostos, numa teia de conspirações de seus inimigos dentro do Partido. E isso era justificativa suficiente para determinar expurgo de milhares de partidários que até o dia anterior “bebiam no mesmo copo” que ele. Em completa consonância com a distorcida lógica dos ditadores que só o medo reduz todos à obediência cega, Stalin baixou uma Lei em 1º de dezembro que os “inimigos” do partido deveriam ser julgados e fuzilados dentro de uma hora, sendo que seus familiares também seriam executados em seguida. Neste mesmo mês 6501 pessoas foram fuziladas. Stálin não tinha um plano preciso para aumento do Terror, apenas a crença que o próprio Partido deveria ser aterrorizado para se submeter a seu jugo e que velhos dirigentes deveriam desaparecer.
A paranóia era onipresente em todas as ações do Ditador, ele precisava de vítimas para o seu “moedor de carne” cada vez mais ávido por vidas. No início e 1937 propôs que seus comissários estabelecessem números de pessoas a serem moídas pela máquina do Partido. Assim, seu adjunto Iejov propôs uma ordem de Nº 00447 que entre 5 e 15 do próximo mês, os números fossem: 72850 pessoas fossem fuziladas e 259450 deportadas para os Gulags. As famílias dessas pessoas deveriam ser mortas ou deportadas também. Stálin e o Politburo aplaudiram a proposição em pé.
Não demorou para que o “moedor de carne” adquirisse tal impulso que, conforme a caça às bruxas se aproximava de seu auge e os ciúmes e as ambições entre os áulicos se atiçavam, cada vez mais gente era jogada na máquina. As cotas das regiões foram logo cumpridas, e pediram então números maiores, o Politburo concordou com fuzilamento de outras 22500 pessoas e, depois, mais 48 mil. Neste aspecto, o Terror stalinista foi diferente dos crimes de Hitler, que destruir sistematicamente judeus e outras minorias determinadas. Na Rússia, ao contrário, a morte era, o mais das vezes, aleatória: um comentário distraído, um flerte com idéias diferentes das do Partido, a inveja da posição de um vizinho, vingança ou pura coincidência causavam a morte a tortura de famílias inteiras. Mas para o Partido isso não importava: “Melhor ir longe demais do que não ir longe o suficiente” era o lema de Stálin. Ao fim, a ordem Nº 00447 havia ceifado 386798 vidas e encarcerado 767397 inocentes.
O Terror não foi apenas consequência da monstruosidade de Stálin, mas se formou, expandiu e acelerou graças a seu caráter perverso e dominador, o qual refletia seu rancor e seu espírito vingativo. “A maior delícia”, disse ele a um de seus comissários, “é marcar o inimigo, preparar tudo, vingar-se por completo e depois ir dormir”. Stálin e a cúpula comunista mataram com entusiasmo, inconseqüência, quase com alegria e, em geral, assassinaram mais do que lhes foi proposto. Ninguém jamais foi processado por esses crimes. JAIR, Floripa, 04/09/11.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mao



Acabo de ler o calhamaço (954 páginas) que é a biografia de Mao Tse-tung, líder tirânico e assassino da China comunista desde 1949 quando, a custa de uma guerra fratricida que deixou mais de um milhão de mortos, conseguiu expulsar o general nacionalista Chiang Kai-shek da área continental chinesa para a província de Taiwan. Por quase trinta anos, até sua morte em 1976, Mao aboliu qualquer resquício de liberdade que pudesse haver no país e toda a estrutura social milenar existente, em nome do “maoísmo” que era sua maneira pessoal de interpretar a doutrina comunista.
Desde o primeiro momento, o que ressalta da vida dessa figura insólita é seu completo desprezo pelos seres humanos, sua completa indiferença a qualquer sentimento para com próximo e sua dedicação exclusiva e em tempo integral para a conquista e o exercício do poder a qualquer preço. E qualquer preço neste caso não era uma mera expressão linguística, significava morte por fome, execuções sumárias por fuzilamento e afogamento em rios e lagos com uma pedra amarrada no pescoço, tanto de seus acólitos que lhe impusessem obstáculos a seus objetivos, quanto de camponeses anônimos dos quais ele confiscava as produções de modo a deixá-los sem um mínimo de alimento para sobreviverem. Mao, como Stálin e Hitler, foi um monstro que alcançou o topo do poder subindo por uma longa rampa de cadáveres de cidadãos de seu próprio país.
O “Grande Timoneiro” era extremamente mordômico, egocêntrico, covarde e preguiçoso, durante a chamada “Longa Marcha”, na qual os comunistas percorreram centenas de quilômetros a pé pelo sudoeste do país, Mao era carregado de liteira apoiada sobre os ombros de soldados muitas vezes descalços e quase sempre famintos. Quando um dos soldados não tinha mais condições de carregar o infame ogro pelas sendas escorregadias e íngremes das montanhas, era deixado no caminho para morrer e substituído por outro que, mais tarde, teria o mesmo fim. Mao só pernoitava em residências luxuosas arrestadas de proprietários ricos, seus acompanhantes dormiam ao relento e muitos morriam de frio. Ele não andava armado e nunca participava de combates, mas se comprazia em assistir a torturas de seus adversários e inimigos, além de estimular mortes dolorosas e degradantes daqueles que considerava ameaças a seu poder.
Logo após a subida ao poder do PC chinês, Mao ligou-se politicamente a Stálin por que via nele seu potencial fornecedor de tecnologia militar, estava determinado a transformar a China numa potência bélica. Ele sabia que o status quase medieval da economia chinesa era um impedimento sólido para transformá-la numa nação industrializada, então, para surpresa até do próprio Stálin, propôs criar um incidente na Coréia que levaria os americanos à guerra. Entendia ele, sem dar conhecimento a Stálin naturalmente, que se os americanos ameaçassem o equilíbrio da Ásia, a Rússia seria obrigada a armar a China para se defender. Os cálculos dele estavam corretos, ele comprometeu suas tropas (três milhões de soldados) na guerra e obteve de Stálin a transferência de tecnologia de armamentos leves e pesados, aviões militares, tanques e mísseis.
Foi dito ao povo chinês, de forma vaga, que o equipamento soviético usado na industrialização do país era “doação”, ou seja, que se tratava de um presente. Nada mais longe da verdade. Tudo tinha que ser pago – e isso significava sobretudo pagar com alimentos, fato que foi rigorosamente escondido do povo chinês, como até hoje ainda se faz. Naquela época, ao contrário do que acontece hoje, a China tinha pouca coisa para vender.
As mercadorias que a China exportava para a Rússia e seus satélites eram, em sua esmagadora maioria, artigos essenciais a seu próprio povo; entre elas estavam todos os principais produtos que a população chinesa dependia para ingerir proteínas; centenas de milhares de camponeses morreram de fome apesar de suas colheitas terem sido boas naquele período; Mao, num cálculo frio, havia trocado a vida de cidadãos por tecnologia armamentista. Até alguns de seus seguidores se sentiam enojados, mas fazer declarações contra essa política de fome não era opção, o ditador era extremamente vingativo e não foram poucos comunistas fuzilados acusados de “direitistas” durante seus expurgos.
Além de ter de produzir alimentos para pagar pelas importações militares da Rússia e da Europa oriental, os camponeses tinham que entregar produtos preciosos para compor as doações imensas que Mao fazia a fim de promover suas aspirações territoriais. A China não somente fornecia alimentos para países pobres como a Coréia do Norte e Vietnã, como os dava de graça para regimes comunistas europeus muito mais ricos, especialmente depois da morte de Stálin, a qual deu a Mao a sensação que poderia liderar o mundo comunista.
Não satisfeito com as fábricas de armamentos que havia arrancado da Rússia em troca de proteínas tiradas da boca de seus concidadãos, a partir de 1956, Mao passou a desejar, com fúria alucinada, fazer da China uma potência nuclear com posse de bombas e submarinos atômicos. Mais uma vez ele usou a guerra fria para conseguir seus intentos. Passou a bombardear a ilha de Quemoy, pertencente a Taiwan, sabendo que os EUA tinham um pacto de defesa com Chiang Kai-shek e não deixariam barato tal agressão a seu aliado. Foi só o Pentágono ameaçar o lançamento de umas bombas atômicas na China e Mao conseguiu de Kruschev - que a essa altura tinha substituído Stálin no comando da Rússia - a construção de reatores nucleares em território chinês e transferência de submarinos atômicos para a marinha chinesa. Resultado: mais comida exportada e mais barrigas de camponeses roncando.
Como a cega obediência a seus ditames e os rumos implantados à economia e à política do país dependiam não de um entendimento ou de uma aceitação passiva das normas mutáveis a toda hora, mas simplesmente do terror, em 1966 Mao instituiu o movimento que passou a ser conhecido com Revolução Cultural. Esse movimento foi um período de terror político e social que agitou a China por dez anos. Quem o desencadeou foi Mao. Insatisfeito com os rumos do sistema que ele mesmo havia implantado, Mao queria a China de joelhos pronta para aceitar qualquer ordem sua, por estapafúrdia que fosse. Assim, numa reunião do Comitê Central do PC Chinês, em agosto de 1966, ele lançou formalmente a Revolução Cultural. Mao tinha como objetivo desmantelar qualquer traço de “burguesia” existente, bem como quebrar a espinha de possíveis setores de oposição. Para isso a ordem era estimular a juventude, chamada então “Guarda Vermelha” a atacar, e se preciso eliminar fisicamente, todos os indivíduos cultos ou que tivessem ideias próprias. O que se viu foi um banho de sangue que durante dez anos conduziu o país a uma regressão cultural, econômica e social rumo ao medievalismo. Até hoje, passados 35 anos, o país ainda se ressente dessa violência.
Para finalizar, engana-se quem pensa que a China, agora terceira potência econômica mundial, mudou muito depois da era Mao, até hoje seus camponeses são mantidos segregados, explorados, escravizados e impedidos de qualquer chance de ascensão social. Filhos, netos e todos os descendentes de camponeses serão camponeses, seus futuros estão traçados, da mesma maneira que os únicos que terão acesso às benesses das riquezas provenientes da industrialização do país serão os burocratas do partido e seus filhos. A China mudou para continuar a mesma, graças ao maoísmo. JAIR, Floripa, 26/08/11.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

COMUNISMO E NAZISMO


Os dois movimentos ideológicos que mais marcaram o século vinte, o Comunismo e o Fascismo na sua versão mais radical e violenta, o Nazismo, foram duas faces da mesma moeda. Em que pese diferenças teóricas de propósitos dessas ideologias, seus métodos e finalidades se equiparam, se mesclaram e as tornaram siamesas quanto à violência inaudita que usaram contra seus próprios cidadãos e ao mal que causaram à humanidade. Farinhas do mesmo saco, emanavam seu poder absoluto de um Estado forte, acima do cidadão, e de um partido único que ditava as diretivas de governo, cujo chefe se confundia com o chefe do Partido. O Nazismo, que cresceu rapidamente nos anos trinta do século passado, é o nome do movimento liderado pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), de Hitler. Como o próprio nome do partido deixa implícito, era um movimento SOCIALISTA e NACIONALISTA, o que permite classificá-lo como de esquerda e de direita ao mesmo tempo, numa aparente contradição. A parte socialista de sua composição era revolucionária, populista e militante e conduziu seus membros a confrontos brutais de suas milícias fardadas com outras organizações socialistas e democráticas na Alemanha de entre guerras. Já, a parte nacionalista era uma espécie de aberração nunca antes vista em partidos fascistas ou quaisquer outros, nem mesmo na Itália onde o movimento havia nascido com Mussolini em 1922. Os nazistas apregoavam, contra todas as evidências científicas e antropológicas, que os alemães pertenciam a uma “raça superior”, predestinada a sobrepor-se a todas outras e dominar o mundo. Faziam apologia de que necessitavam de lebensraum (espaço vital) que seria conseguido através da eliminação e escravização de povos subumanos, eslavos, poloneses, ucranianos e ocupação de suas terras a leste. Pior do que tudo, segundo o livro Mein Kampf (Minha Luta) de Hitler, precisavam eliminar todos os judeus do planeta, a quem chamavam de lixo, percevejos e outros adjetivos impublicáveis, e a quem atribuíam todos os males da humanidade. Após assumir o poder em 1933, logo no ano seguinte realizaram um expurgo em seu próprio partido, “a noite dos longos punhais” onde assassinaram centenas de militantes das SA, órgão paramilitar que dava apoio a Hitler durante suas campanhas políticas, e costumava espancar, torturar e até matar militantes de outros partidos. Em seguida puseram em execução seus anunciados planos de exterminar todos que lhes fossem adversários políticos ou, meramente, seres que não tinham direito a vida como: judeus, ciganos, eslavos, negros, testemunhas de Jeová, homossexuais, comunistas, doentes mentais e deficientes físicos. Criaram um plano de eutanásia que alcançava os “pesos mortos” da sociedade alemã, e campos de concentração (Dachau, Buchenwald, Ravensbrück) onde matavam de fome, doenças e exaustão seus oponentes e as “raças inferiores”. Em 1935 os nazistas criaram as tais leis de Nuremberg, direcionadas aos cidadãos judeus e suas famílias, de modo a torná-los párias na sociedade que viviam a centenas de anos. Com a guerra iniciada em 1939, os nazistas deram vazão a seus instintos através da matança de milhões de civis inocentes, especialmente judeus, da Alemanha e de países ocupados. O chamado Holocausto levou aos campos de extermínio (Auschwitz, Belzek, Birkenau, Bergen-Belsen, Chelmno, Majdanek, Sobibór, Treblinka) e câmaras de gases, seis milhões de judeus e perto de três milhões de outras etnias, inclusive alemães. No leste, quando da invasão da Rússia, grupos de extermínio das tropas SS, acompanhavam a Wehrmacht (exército alemão), e matavam com um tiro na nuca, civis judeus e suas famílias bem como comissários políticos soviéticos. Só na ravina de Babi Yar, na Ucrânia, dezenas de milhares de judeus foram fuzilados covardemente, aliás, covardia era a marca registrada das ações praticadas pelas SS. O Comunismo, interpretação soviética radical do socialismo definido e defendido por Marx em seu livro “O Capital”, era uma autodefinição criada pela vanguarda de esquerda que se dizia “a única forma verdadeira de socialismo”. Em contraposição ao Nazismo que era considerado de “extrema direita”, o comunismo dizia-se de “extrema esquerda”. Na verdade, assim como o fascismo, o movimento comunista tinha sua própria mistura de elementos esquerdistas e direitistas. Enquanto fosse revolucionário tendo derrubado a elite que depôs a monarquia czarista dos Romanov, era ao mesmo tempo elitista, na medida em que um pequeno grupo de “camaradas” se aboletou na cúpula dirigente e detinha todo o poder que, em teoria, deveria emanar do povo. Com a morte de Lenin em 1924, fundador do comunismo soviético, subiu ao poder o sanguinário Stálin que além da ênfase na criação de uma nação forte e moderna e, para isso, criou planos quinquenais de desenvolvimento; passou à perseguição implacável daqueles que considerava adversários políticos, dissidentes do partido, etnias diferentes da sua – era georgiano – e antigos pequenos proprietários rurais, os quais agora deviam se tornar escravos em fazendas coletivas improdutivas que, na década de trinta, geraram crises catastróficas de fome que mataram milhões de pessoas. Contabiliza-se que 17 milhões de pessoas tenham sido eliminadas através de fuzilamento sumário, deportação para campos de trabalho na Sibéria, chamados Gulags, onde morriam de fome e frio, ou vítimas de torturas nas prisões de Moscou. Durante a guerra, Stálin estabeleceu ordens draconianas para que todo desertor e prisioneiro fossem sumariamente fuzilados, mais de dois milhões de soldados russos e inimigos tiveram esse fim. Depois da guerra internou em campos da morte todos os soldados que haviam sido prisioneiros dos alemães, todos morreram. Seja pela escala colossal de assassinatos; pela metodização tipo “linhas de montagens” empregados; pela degradação moral e física impingidas às vítimas; pela hediondez dos meios usados, ou motivos indefensáveis e fúteis alegados, não há parâmetros na História mundial para comparar os genocídios que essas duas ideologias perpetraram. Mesmo levando-se em conta os massacres dos armenios pelos turcos; dos índios americanos pelos colonizadores europeus; dos adversários de Idi Amin em Uganda; dos tutsis pelos hutus em Ruanda e dos Chechenos mais recentemente, os dois aparentes divergentes ideológicos, Hitler e Stálin, foram campeões incontestes de maldade e extermínio, foram sinistros agentes do MAL ABSOLUTO. Em nome de ideologias espúrias que foram conflitantes a ponto guerrearem entre si, convergiram e se mesclaram dentro da fome de poder e praticaram os maiores crimes que a humanidade já assistiu. JAIR, Floripa, 17/08/09.