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domingo, 21 de fevereiro de 2010

ZÉ DIABO, VÍTIMA DA INDIFERENÇA E DO TEMPO

Zé Diabo esculpindo o Paredão
José Fernandes, o Zé Diabo, é um destacado escultor da cidade de Orleans, Santa Catarina. Hoje com 80 anos, já aposentado, afastou-se da escultura, mas curte escrever como atividade lúdica. Zé Diabo ainda vive na pequena cidade e é simpático e acolhedor com turistas que, quase diariamente, o procuram para estabelecer contato com o artista afamado. Os visitantes se extasiam com a obra que Zé confeccionou: mais de 160 metros quadrados de área esculpida em pedra viva, em painéis os quais mostram desde a criação do homem até os últimos profetas do Antigo Testamento. Tive a honra ver a obra e conhecê-lo, bater papo e até ganhei um livro com sua biografia, autografado.
A arte de Zé Diabo também está registrada nas igrejas. Na capela de São Bom Jesus de Iguape, na localidade de Rio Belo, está a mais recente obra: o painel central com a crucificação, morte e ressurreição de Cristo e o altar da igreja. Detalhista, o artista mostra com orgulho as expressões do rosto de cada um de seus personagens.


Interior da igreja de Santo Antonio decorada por Zé Diabo.
Interessante é que o escultor que se dedica à arte sacra seja conhecido por um tão pouco santo apelido, Zé Diabo. Segundo ele mesmo, seu apelido nasceu depois de um de seus trabalhos no qual aparece São Miguel Arcanjo lutando contra Lúcifer, numa antiga capela onde ele criou um diabo hiper realista assustador com chifres, tridente e tudo mais. Para os paroquianos, Zé só podia ter algum acordo com o Demônio para criar obras tão belas e, ainda, colocar o próprio dentro da casa de Deus. O apelido pegou, e Zé sente certo orgulho dele, embora seja um homem temente a Deus e caridoso.


Nascimento de Jesus
A história artística de Zé Diabo começou quando ele, filho de cortador de pedra, auxiliava seu pai numa pedreira próxima ao rio Tubarão. Desenhista intuitivo exímio e religioso praticante, Zé olhava para o paredão de arenito à margem esquerda do rio e imaginava esculturas colossais, como as do Egito antigo, que contassem a história bíblica. Depois de terminar o ginasial, Zé foi contratado para pintar paredes e cenas sacras nas igrejas e capelas da região, coisa que fazia com prazer, mas sempre pensando nas esculturas que queria criar.
Na década de oitenta, Zé recebeu subsídios de industriais da região e pode começar sua obra máxima. Primeiramente, pensava-se que o trabalho do Zé pudesse levar um ano e, para isso, os custos foram calculados. Demorou oito anos.


Os Profetas
Zé, hoje, está meio desiludido pelo pouco caso que a comunidade Orleanense dá a sua obra prima, as esculturas estão sendo tomadas pela natureza e não recebem a menor manutenção, lamentavelmente.
Bromélias, samambaias, líquens e trepadeiras se imiscuem e brotam sobre as figuras bíblicas dando-lhes uma aparência antiga como as ruínas maias do México e da América Central.


A Arca da Aliança
Essa retomada da natureza sobre aquilo que já foi selvagem, embora seja normal, em nada contribui para melhorar a criação humana, pelo contrário, o que o homem criou um dia reverterá para o meio de onde se originou. É uma lei que não pode ser revogada, apenas retardada sua aplicação. Zé, conformado, reconhece que sua obra maior um dia será apenas lembrança, um dia a natureza recuperará o espaço que dela foi roubado.


Passagem do Mar Vermelho
Autodidata, Zé desenvolveu suas técnicas de desenho, pintura e escultura em duas dimensões, como ele mesmo diz, mas agora se dedica apenas a escrever algum conto, alguma crônica e “causos” ouvidos, mas, dentro do que ele escreve, às vezes, vislumbra-se a definição de sua busca pelo meio de expressão que mais usou e que o consagrou como artista: “Tentei escrever na areia, não deu certo, a onda apagou tudo. Tentei na água ela não aceitou, engoliu todas as vírgulas e pontos de interrogação. Experimentei no papel, mas ele se recusou dizendo que nele só escreviam pessoas letradas, e eu não era. Pensei então em escrever no ar, mas este é invisível, logo não se veriam as letras. Então recorri ao fogo, mas ele foi cruel e queimou tudo. Comecei a ficar desesperado, eu tinha que escrever algum recado para o povo, eu sentia que era preciso.
Foi então, que me lembrei da pedra. Deu certo, ela aceitou”.


Zé Diabo e eu na sua casa em fevereiro de 2010.

O que mais entristece quem vê as obras de Zé, não é somente o fato que elas um dia desaparecerão no meio do mato, mas, sobretudo, a realidade que ele não deixou seguidores, discípulos ou imitadores, seu legado morrerá com ele. Nascido numa pequena cidade onde manifestações artísticas de qualquer natureza são como excentricidades ou aberrações, nenhum movimento de esculturismo surgiu a partir de suas obras, ele é único e ninguém o seguirá. O tempo cobrará a indiferença daquela comunidade. JAIR, Floripa, 21/02/10.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

AUGUSTO (26/09/63 aC a 19/08/14 dC)


Primeiro imperador romano. O seu nome completo é Caio Júlio César Otávio Augusto. É sobrinho e herdeiro de Júlio César. Após o assassinato deste apresenta-se em Roma disposto a cumprir o testamento de César. Ao longo da sua vida política, recebeu e adotou vários títulos que diferençavam sua condição da do restante dos políticos, mas nenhum que claramente o denominasse como imperador, evitando prudentemente os títulos de rei e ditador, fatais para César. Foi proclamado Augusto, mas este era considerado um apelido, mais que um título. Recebeu também o título de Pontifex maximus. Além disso, Otávio se fez nomear pelo Senado com os títulos de Imperator Augustus e Princeps senatus (o primeiro a falar no Senado). Deste último título deriva a denominação de Principado para forma de poder que Augusto desenvolvera. Recebeu do senado a encomenda da tribunicia potestas (o poder do tribunado), sem ser necessariamente um dos tribunos. Designado cônsul, forma o segundo triunvirato com Marco António e Lépido. Luta contra Bruto e Cássio, responsáveis da conjura contra César, e vence-os em Filipos. Guerreia também com Sexto Pompeu, quando este se revolta na Hispânia. Vencida já a última resistência republicana, Otávio Augusto e Antonio dividem o Império: Oriente para António e Ocidente para Augusto. Mas o antagonismo que existe entre ambos faz com que se declare novamente a guerra. A vitória naval de Otávio significa o regresso do Império Romano à unidade. Após a anexação do Egito e da Hispânia, a aniquilação das três legiões romanas de Quinto Varo na Germânia traça as fronteiras do Império no Reno. Otávio, já dono do poder, introduz importantes reformas na constituição política de Roma e recebe o título de Augusto. Organiza a vida política de modo que o Senado compartilhe com o imperador o peso do poder. Restaura a religião e torna-se sumo sacerdote romano. Sob o seu império florescem a paz e a prosperidade. As obras públicas, a reforma moral, a pacificação das fronteiras e os melhoramentos administrativos são algumas das suas iniciativas de êxito. No que se refere à política exterior, com Augusto inicia-se uma nova era de paz e prosperidade. No plano cultural dá-se um florescimento de todas as artes. Em linhas gerais, o seu reinado é um dos mais benéficos para o Império. Conservador e austero, Augusto fez um governo de ordem e hierarquia. Lutou contra a decadência dos costumes, reorganizou a administração e as forcas armadas, tornando-as permanentes e fixando-as nas fronteiras. Saneou igualmente as finanças do estado. Em Roma e na Itália esforçou-se para fazer reviver as virtudes esquecidas das antigas tradições e religião. Deu privilégios aos pais de família e combateu o celibato. Construiu o foro que leva seu nome e, no campo de Marte, ergueu as primeiras termas, o Pantheon e outros templos. Vangloriou-se por ter transformado Roma na Cidade de Mármore. Ajudado por Mecenas, favoreceu os escritores: o historiador Tito Lívio, os poetas Horacio, Ovídio e Virgilio são de sua época. Elevaram-se templos a deusa Roma e a Augusto em todo o império. Em matéria de política externa, foi menos feliz. Pacificou a Espanha e os Alpes, conseguiu a anexação da Galícia e da Judéia e conquistou, graças a Tibério, as terras austríacas do Danúbio, que formaram as províncias de Récia e Vindelícia, mas sua campanha na Germânia fracassou. Tiberio debelou uma insurreição na Ilíria e Varo foi aniquilado com três legiões na floresta de Teutoburgo. Sua tentativa de conseguir um grande sucessor também fracassou, pois seu sobrinho Marcelo morreu jovem. Marco Agripa, cujo casamento com sua filha Julia tinha forçado, morreu em 12 a.C. Os filhos menores de Agripa morreram em 2 e 4 da era cristã. Restava Tibério, filho de Lívia, sua terceira mulher. Adotando-o, Augusto deu-lhe participação cada dia mais ativa nos negócios do estado. A partir de 13 da era cristã, Tibério tinha poderes quase iguais aos do imperador. Quando Augusto morreu, já era o enteado quem de fato governava Roma. A obra de Augusto foi imensa, na paz como na guerra. Protetor das artes e das letras, administrador de gênio, adorado como deus por seu povo e pelos povos submetidos, deu a Roma sua idade de ouro. Marcou de tal maneira sua época que esta ficou conhecida como século de Augusto. Faleceu em Nola, na Campânia, em 19 de agosto do ano 14 d.C. JAIR, Floripa, 24/12/09.

ADRIANO (24/01/76 a 10/07/138)


Públio Élio Trajano Adriano mais conhecido apenas como Adriano, foi imperador romano de 117 a 138. Pertenceu à dinastia dos Antoninos, sendo considerado um dos chamados "cinco bons imperadores". Nascido em Itálica na atual Espanha, Adriano era descendente de colonos romanos domiciliados no Sul da Espanha e primo de Trajano, tendo sido nomeado por este para uma série de dignidades públicas que o fizeram tornar-se herdeiro presuntivo deste imperador. À época das guerras contra os partas, durante o reinado de Trajano, era governador da Síria.O imperador Adriano era um dos mais poderosos do antigo império romano. Conquistou várias nações, uma após a outra, sem derrotas. Não admira que seu orgulho tenha se inflado com tanto poder. Todos se ajoelhavam caindo a seus pés; dos humildes aos mais poderosos. Seu menor capricho era imediatamente atendido por aqueles que se encontravam ao seu redor. Hábil administrador, durante o seu reinado, foi um viajante incansável. Percorreu todo o império para examinar de perto as províncias e as reformas que necessitavam. Amante das letras e das artes, implementou uma profunda reforma na administração e em 131 editou um código de leis para ser aplicado em todo o império, uma compilação judicial que regeu o império até ao tempo de Justiniano. Abandonou as campanhas de Trajano na Mesopotâmia e adotou uma política defensiva, fortificando as fronteiras do Império Romano. Na Inglaterra mandou construir em 122 o Muro de Adriano, que marcou durante séculos a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia para a defender dos povos do norte. Inspirado na cultura grega, embelezou Roma e o império com monumentos, mandou construir a Vila de Adriano, a ponte de Sant’Ângelo, o castelo do mesmo nome (que é o seu mausoléu). Ocupada a Bretanha (no século I d.C.), logo sentiram os Romanos a parada dura que representavam os habitantes do norte da ilha. Na sua política de consolidação e defesa das fronteiras, o Imperador Adriano visitou a ilha em 122 e mandou construir o tal muro fortificado - na verdade uma formidável muralha - desde Solway Firth até ao estuário do rio Tyne, para defender a Bretanha Romanizada. Com 120 km de comprimento, esta enorme obra foi concluída em 126 pelos próprios soldados, que construíam e combatiam simultaneamente. Originalmente era de madeira e terra, só se tornando de pedra mais tarde. Cada "centúria" era obrigada a construir a sua parte do muro. Este tem uma fundação de terra ladeada por um fosso de 4 m de profundidade. Sobre a terra, levantaram, assim, um muro em pedra, maciço, com cerca de 5 m de altura e 2,5 m de largura. Sobre ele seguia uma estrada militar, no sentido de facilitar as comunicações e os transportes, e 80 castelos com pequenas torres e fortins, onde se encontravam sentinelas. Ao longo do muro erguiam-se 17 fortalezas o que completava o sistema de fortificação fronteiriça do norte da Britannia. Imponente como era, a muralha ainda deixou para a posteridade uma curiosidade prática: A distância entre as rodas deixados pelos sulcos dos carros romanos na entrada do forte em Housesteads no muro de Adriano, serviram dois mil anos depois, de bitola-padrão, para as estradas-de-ferro britânicas. Adriano morreu em 138, em Roma. Seu corpo foi depositado num mausoléu, que veio a ser o castelo de Santo Ângelo, em Roma. Tão extraordinária foi a obra desse imperador que deu azo a criação do romance, MEMÓRIAS DE ADRIANO, de Marguerite Yourcenar, o qual recria a vida e a obra desse administrador e lhe dá uma alma, um lado humano que transcende o tempo e a história. O livro foca Adriano que, pouco antes de morrer, decide escrever uma longa carta-testamento ao jovem Marco Aurélio, o futuro imperador-filósofo. Nela Adriano passa em revista os principais episódios de sua marcante existência: a relação de afeto com a mulher de Trajano, Plotina; as campanhas militares em diversas regiões da Europa; as viagens à Ásia Menor; a paixão pela caça; as discussões filosóficas com os principais pensadores do seu tempo; as relações com Trajano, seu antecessor; e o casamento com Sabina. JAIR, Floripa 25/12/09.