quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

VIRTUAL



Ninguém pode negar que uma nova era se instalou definitivamente na sociedade e veio para, senão causar uma revolução, pelo menos reverter nossos usos, remexer nossos hábitos, transmutar nossos arraigados costumes, cutucar com vara curta nossa pacata vidinha pré informática. Que a informática e a internet, literalmente todos os dias, nos trazem novidades é sabido. Virtualmente, ninguém está à parte, ninguém está livre das garras da eletrônica, dos baites e bits, dos modems e teclados, dos monitores e mouses, sem falar nos ipods, iphones e outros gadgets que inundam nosso dia-a-dia. Até quem não tem um PC em casa e não se liga num lepitópi não está livre do mundo virtual. Tudo, absolutamente tudo, hoje está ligado à informática. Diga isso quem faz um cadastro numa loja ou tira dinheiro numa dessas caixas eletrônicas, por exemplo. Pois é, parece que existe um mundo AI e um mundo DI, antes da informática e depois da informática. Portanto, vivemos no mundo DI sem retorno. A juventude, então, está comprometida com a web de tal maneira que lhe é impossível viver fora dela. Existe até um saite, babypredictor, no qual é possível “gerar” um bebê virtual a partir de duas fotos e a descrição das características físicas dos “pais”. O casal, que pode ser formado por duas pessoas quaisquer, sejam elas conhecidas entre si ou não, - ou até por ídolo de cinema e uma pretendente “normal” que queira um filho do Brad Pitt, por exemplo, - cola as fotos nos locais indicados, descreve os pretendentes e, imediatamente, o programa traz à luz o filho do casal. Previsivelmente, o rebento será uma mistura das características físicas dos pais, será um bebê com herança genética virtual half/half, isto é, terá cinqüenta por cento de predicados de cada um. Será, sem dúvida, um filho com várias vantagens sobre uma criança de carne e osso, dessas que nós da geração mais provecta estamos acostumados a fazer. Convenhamos, a mãe não precisará passar pelo calvário de nove meses carregando um peso adicional na barriga; não terá pés inchados e vontade de comer aliche com leite condensado às três da manhã; não há necessidade dos pais se preocuparem com roupinhas, bercinhos, mamadeiras e outros petrechos ligados à infância do bebê que virá; depois nascido não haverá doenças infantis, choros, noites mal dormidas, preocupação com a segurança doméstica e tudo mais, o bebê estará pronto. Bom, não é mesmo? A diferença mais crucial entre as duas concepções é, também, a que mais aflige a geração pré informática: Nós, sexualmente conservadores, costumávamos unirmos fêmea com macho e, após intercurso carnal, ato sexual ou conúbio, esperávamos ou não gravidez da fêmea, dependendo de nossa intenção ao unirmo-nos um com o outro. Era tão bom! Já, a juventude atual não precisa de sexo para conceber o bebê, e isso tira o prazer da coisa, tira o romantismo de unir sexo gostoso com possível perpetuação da espécie. Esse mundo virtual aplicado ao sexo pode ser asséptico, rápido, seguro, eficiente, criativo e altamente profícuo, mas é terrivelmente impessoal e desumano, não tem cheiro nem sabor. Substituiu o toque de pele com pele pelo toque dos dedos no teclado ou o arrastar do mouse na mesa. Sinceramente, eu fico com a maneira tradicional de fazer criança e não abro. JAIR, Floripa, 24/12/08.

Um comentário:

Laura Lopes disse...

Concordo contigo Jair. O metodo de antigamente e bem melhor, mas programas sao interesantes. Laura & Adri