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| Acrópole |
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| Vulcão em Santorini 1950. |
Aqui você encontra as discutíveis opiniões do autor sobre os mais diversos assuntos, os quais ele nem sempre conhece mas mesmo assim dá pitacos.
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| Vulcão em Santorini 1950. |

Com franqueza, não se enquadra no meu perfil; não é o tipo de roteiro cultural que eu faria espontaneamente; nunca imaginei, nunca mesmo, ir a Los Angeles e, muito menos, visitar o caminho das famosidades, a tão decantada Calçada da Fama. Situada ao longo das ruas Hollywood Boulevard e Vine Street no bairro de Hollywood, Califórnia, EUA, onde o chão é constituído por mais de duas mil lajes com estrelas, onde estão gravados nomes de celebridades honradas pela Câmara do Comércio de Hollywood pelas suas contribuições para a indústria do entretenimento.
Bem de acordo com o espírito comercial de tudo que se faz em Hollywood, os homenageados na calçada são atores, atrizes, diretores e produtores, músicos, dramaturgos, cantores, escritores, roteiristas, coreógrafos e que tais, os quais trazem ou trouxeram alguma arrecadação para a cidade em função de suas atividades artísticas.
Como a atração é muito conhecida no Planeta todo, milhares de pessoas chegam a LA literalmente TODOS os dias para conhecer a calçada, tirar fotos do marco HOLLYWOOD pespegado no morro e conhecer Beverly Hills, bairro elegantérrimo onde moram os astros.
Pois é, como nem sempre mandamos no nosso destino, ainda mais quando se trata de turismo, acabei indo parar em Irajá, ou melhor, em LA em um curto passeio de menos de um dia.
Na mesma Hollywood Boulevard encontra-se o não menos conhecido Teatro Chinês que é onde a cerimônia de entrega do Oscar se realiza. Na frente desse teatro de arquitetura original, suntuosa e exagerada, encontra-se o pedaço de calçada onde as celebridades imprimem baixos relevos de seus pés e mãos no cimento fresco. Ao lado, o não menos conhecido e apreciado Museu de Madame Tussaud, onde os famosos estão reproduzidos em cera, com uma espetacular técnica de modo a representá-los, não só com aparência natural, mas numa atitude como se estivessem congelados um momento trivial de suas vidas cotidianas ou profissionais, nada de poses estudadas. As estátuas de cera são tão convincentes que é justo classificá-las como clones perfeitos das pessoas. Assim, John Wayne, Marilyn Monroe, Humphrey Bogart e James Dean, dividem espaço com Barack Obama, JFK e Bin Laden, numa mistureba eclética e interessante, vale a pena visitar o museu.
Como corolário, toda a frente do teatro e do museu é tomada por atores amadores – aqueles que vão a LA em busca de um lugar à sombra – fantasiados dos mais variados personagens de filmes, desde Cinderela, Shrek e Mikey Mouse até Edward Mãos de tesoura e Avatar. O perverso dessa “operação cinema” é que os atores fantasiados cobram – em geral cinco dólares – para serem fotografados. Os desavisados turistas, ao apontarem suas câmeras com o fito de registrarem o passeio, são forçados a posarem ao lado dos personagens e obrigados a pagar pela foto. Milhares de dólares por hora fluem dos bolsos dos visitantes para as mãos dos fantasiados. Calcula-se que cada um daqueles achacadores morde algo em torno de cem mil dólares, não declarados, ou mais por ano. É uma soma considerável, mesmo para os padrões de uma cidade cara como LA.
Então, lá estamos nós os brasileiros embasbacados, não pela calçada, mas sim pelo fluxo ininterrupto de turistas embasbacados pisando o solo sagrado onde os U$ são o Deu$ $upremo; onde mitos como Michael Jackson levantam do túmulo tantas vezes por dia quantas necessárias para fazer o “plim” na máquina registradora; onde um simples nome gravado no cimento é mais valorizado que um quilo de ouro; onde fama e dinheiro são sócios e fundem-se numa amálgama indiscernível que obnubila as mentes mais lúcidas dos passantes, os quais, literalmente, obnubilam o chão que, afinal, é apenas um piso sem maiores atrativos, contém apenas nomes gravados. Lá estávamos, quando recebi o insight: Na verdade, o que atrai os visitantes para cá não é a Calçada da Fama, e sim a fama da calçada, nada mais. JAIR, Floripa, 02/06/10.
Nos USA, em geral, as leis estaduais se sobrepõem às federais se a matéria não for constitucional, o que, aliás, é muito frequente, visto que a Constituição se compõe de apenas sete artigos e vinte e quatro emendas.
Essa “liberalidade” legislativa se deve, evidentemente, à forma confederada de Estado adotada, nada anormal. Comparando, aqui no Patropi, nossa formação federativa de Estado determina a submissão legislativa absoluta dos estados à Constituição e às leis menores, não se podem contrariar matérias federais quaisquer que sejam.
Então, lá no irmão do norte, como a Constituição é omissa com relação a jogos de azar e, segundo o princípio que tudo que não é proibido é permitido, os estados legislam ao sabor das vontades dos eleitores matérias referentes a cassinos e apostas de modo geral. Há estados que proíbem jogos e há estados que os permitem, na Califórnia os cassinos são legais, mas só em “Reservas Indígenas”.
Opa! Reservas Indígenas? Sim, caros leitores, Reservas Indígenas, mais do que espaços físicos áridos onde se confinam os americanos naturais, são “pessoas jurídicas” de direito público onde constam índios como integrantes de uma comissão, uma espécie de clube cuja diretoria é constituída de Navajos, Seminoles, Sioux, Moicanos, Dakotas etc. As Reservas gozam de certa autonomia administrativa e funcionam como se fossem “Zonas Francas”. Essa flexibilidade conceitual do que é uma Reserva Indígena permite que se construa um cassino
Dentro do princípio legal e consoante à liberdade individual dos que querem jogar, e de acordo com o apetite de arrecadação do estado, existem pencas de cassinos na Califórnia. A economia de San Diego, não está submetida à exploração de cassinos como Las Vegas, mas lá existe uma meia dúzia deles.
Assim, o turista que vos escreve não poderia deixar de conhecer uma casa onde se explora a jogatina sob o falso pretexto de diversão. Fomos a um. Mas como funciona realmente um cassino? Lá no Sycuan Cassino, como na maioria das casas de jogos, você, o potencial jogador, o cara que vai deixar o dinheiro nas máquinas e nas mesas, tem que ser seduzido, conquistado, tem que sentir-se confortável e até paparicado se for o caso. Você será alvo de todas as atenções, se assim o desejar.
Para seu conforto, ao adentrar o ambiente, você tem duas opções. A primeira é ser um jogador anônimo que perde ou ganha e não precisa ter contato com nenhum funcionário da casa, joga a dinheiro e, se ganhar, as máquinas e as mesas fornecem um “vale” automático que lhe dá direito de trocar por dólares em caixas eletrônicas próprias para isso ali mesmo nas salas de jogos. Se perder, ninguém fica sabendo, o anonimato é respeitado. A outra opção é identificar-se e receber um crachá de “sócio” que lhe dá direito a certas regalias. Agora como “sócio” você tem direito a uma refeição, independente da hora. Não um lanchinho qualquer ou um tira-gosto, mas uma lauta refeição tipo self service, com dezenas de pratos quentes e frios, sobremesas, refrigerantes e sucos ao gosto do freguês e sem hora para terminar, significa que você pode passar o tempo quiser comendo sem ser incomodado.
Vejamos o jogo propriamente, por ser “sócio” você não é obrigado a jogar, mas se o fizer, poderá colocar o crachá no lugar apropriado da máquina e esta registrará quanto você jogou, quanto ganhou ou perdeu e vai somando pontos à sua conta, de modo que ao atingir certa cota você terá direito a nova refeição, a qualquer dia de sua existência. Essa “liberalidade” visa estimular seu retorno.
Quanto ao ambiente físico da casa, cabem algumas observações. Os imensos salões estão sempre abarrotados de máquinas e mesas, em qualquer direção que se vá, seja ao banheiro, ao bar ou à sala de estar as tentações estão presentes, não há como “desligar-se” da atmosfera de luzes e sons convidativos ao jogo e que estimulam o estado de vigília, não há como sentir sono. Nas máquinas se pode jogar a partir de um cent, é uma atrativa maneira de induzir os pobres ao jogo. O ar condicionado é perfeito, não há qualquer variação seja inverno ou verão, dia ou noite. Por falar em dia e noite, não há janelas, não há como se ter referências externas, fica-se confinado num agradável ambiente acarpetado onde inexistem relógios ou meios que permitam “sentir” o exterior.
Contam-se histórias de jogadores compulsórios que passam dias jogando, apenas comendo e bebendo, sem dormir. Pelos exageros que custaram saúde, fortunas e, às vezes vidas, o povo da Califórnia exigiu, e o poder público acolheu, agora não são permitidas caixas eletrônicas de bancos dentro dos cassinos, se você quer jogar leve seu dinheiro em cash, nada de cartões de crédito.
Pois é, antes de entrar no Sycuan, estabeleci que ia jogar no máximo vinte dólares, perdi dezesseis, me diverti muito e saboreei uma deliciosa refeição, minha mulher jogou três dólares e ganhou sessenta e dois. Custo-benefício positivo, mas voltar, talvez daqui a três anos, não é a minha praia. JAIR, Floripa, 09/06/10.
Dia primeiro de maio de 2010, passou a vigir resolução diplomática que deixa de exigir visto de brasileiros que queiram entrar no território mexicano, e tenham visto americano. Aliás, decisão inteligente, já que a exigência que se fazia de visto para aquele país era, justamente, para evitar que brasileiros atravessassem a fronteira mexicana com destino aos EUA. Se o indivíduo tem permissão para entrar nos EUA ou já está em seu território seria necedade proibi-lo de entrar no quintal do vizinho, não é mesmo?
Então, em seis de maio fomos, eu e minha mulher, a San Diego, Califórnia, ali pertinho do México, tão perto que parte da Califórnia e do Novo México, estados americanos, já foram territórios mexicanos.
Em 1853, depois de uma guerra cruenta, de
Essa frase reflete o sentimento à época em que o México tinha perdido grandes porções do seu território para os EUA, por isso a alusão à proximidade com aquela nação, e a referência a Deus deve-se a fase de rebeliões com muitos crimes, muita insegurança que ocorria no México àquela época.
A frase tornou-se famosa e é evocada pelos mexicanos sempre que querem fazer alusão ao abismo econômico e social que separa os dois países de extensa fronteira comum. Fronteira que menos impede e mais estimula a migração de mexicanos em busca de uma vida supostamente melhor.
Então, estávamos ali
Bem, chegando ao fim da linha do trolley, adentramos o México por uma passarela toda fechada como se um túnel fosse. E daí a surpresa, ou falta dela se quisermos. Tijuana lembra exatamente aquele retrato feio que os americanos pintam, nada tem a ver com Guadalajara. Ruas ruins e gente esquisita querendo “assaltar” no bom sentido (às vezes no outro sentido também), os turistas. Dezenas de farmácias, umas coladas nas outras, com atendentes implorando para que você adquira remédios que necessitam de receitas nos EUA e aqui não.
Curiosidade, na rua principal de Tijuana, calle Ignacio Zaragoza, nos dois lados, em todas as esquinas, existe “zebras” vivas nas calçadas, sobre as quais o passante pode montar e tirar fotos a preço de dois dólares cada. Zebras? É possível isso? Na verdade, uma bizarria, burros brancos pintados com listras pretas à moda de zebras. Por incrível que pareça, vi turistas japoneses portando sombreros, montados nos bichos, tirando fotos. Não consigo imaginar como os japas vão justificar lá em casa tal excentricidade. Passei ao largo, eu hein!
Tijuana, guardadas as diferenças culturais, lembra Cidade de Leste no Paraguai junto à divisa com Brasil. Pergunto-me, não serão todas as cidades de fronteiras parecidas? Considerando que, segundo a ONU, os indicativos econômicos e sociais do México são muito melhores que os do Brasil, é de se supor que exista uma “síndrome de fronteira” (border effect, chique né!) que remete as cidades ali situadas a uma vala comum de dependência econômica do turismo e certa atmosfera de coisa não muito honesta, um ar meio conspiratório.
Explico, estávamos numa loja comprando lembran-cinhas, atendidos pelo dono muito simpático e falante. Fiz um teste: Perguntei-lhe como adentrar os EUA, e ele me indicou a direção da migração, a umas duas quadras adiante. Fiz cara de quem flatulou (existe verbo flatular?) na igreja e, baixando a voz, menti que não tinha visa, como fazer então? No mesmo instante o cidadão respondeu com voz normal, “esto no es posible!” e, baixando a voz e olhando para os lados assim como se procurasse algo ou alguém, acrescentou “acá no, pero...”. Em outra loja indaguei pela Marijuana, com jeito inocente de quem não sabe o que está falando. Imediatamente o clima conspiratório se estabeleceu. Interessante, não?
Bem, não quero rotular um país por apenas umas poucas impressões que tive, isso não é justo. Tento apenas entender porque as coisas são assim. O México é um ótimo país, me diverti muito e lá paguei um alentado mico que poderia ser monumental se tivesse montado nas tais “zebras”. Vale a pena conhecê-lo. JAIR, Floripa, 06/06/10.
