quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Solucionática

Existe uma lenda tribal africana, a qual conta que pai, avô e filho estavam num pequeno barco prestes a afundar no caudaloso Okavango. Apenas o pai sabia nadar e podia salvar um dos restantes: seu próprio pai, ou seu filho. A sua consciência lhe dizia que ambos eram igualmente importantes, mas ele salvou seu pai. O velhos, naquela tribo, eram depositários de toda a sabedoria e, sem eles,  a tribo perderia sua identidade e estaria fadada a desaparecer.

Hoje as coisas são diferentes na tribo internética, então fiz um soneto que esclarece como aconteceu recentemente na África quando um homem branco, seu filho e seu pai foram encurralados por um leão feroz e faminto:


Perigo de morte a todos naquele grotão
Encurralados os três no interior do mato
Pois, faminto a espreita estava um leão
Pai, o menino, o avô com medo de fato.

Como fazer? Alguém seria sacrificado
Para que se salvassem os outros dois
Seria o avô querido ou o filho amado?
Qualquer solução, dor causaria depois.

O pai, aos céus, fazia pungente oração
Pedindo resposta para tal problemática
Porque parecia inviável qualquer opção.

Não via como podia empregar uma tática
Mas, de repente, ouviu-se a voz do ancião:
Salve o menino, ele conhece informática!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Réquiem para um polímata

Rodolfo Rodrigues Barcellos


A humanidade segue seu rumo normal, produzindo homens também normais como eu e grande parte dos que vivem neste planeta. Mas, as vezes, por um capricho que foge a nossa compreensão, surgem vultos acima de todos, que fazem sombra aos comuns mortais.
Foi assim no passado, como é assim no presente, dentre os bilhões de seres que por aqui trafegam, uns poucos, bem poucos, se enquadram na categoria de gênios.
Tive a ventura de conhecer, trabalhar e conviver com um prócer do quilate de gênio: o polímata RODOLFO RODRIGUES BARCELLOS, que ontem nos deixou. Barcellos, como sempre o chamamos, oficial da Força Aérea, era um exímio profissional de aviação que deixou marca por onde passou; violonista talentoso; conhecedor profundo da teoria musical: autodidata, fluente em inglês, falava e escrevia como fora sua primeira língua; excelente jogador de xadrez; poeta inspiradíssimo; escritor de ficção científica; espírito generoso; blogueiro prolífero; sujeito amigável, super inteligente; arguto; franco; cético; filósofo; bem humorado; fantástico contador de casos; tranquilo e muito mais. Era meu guia, se é que se pode dizer assim. Escreveu o prefácio de meu primeiro livro.
Foi-se o Rodolfo Barcellos, porque a morte é a única e indelegável certeza desta vida. Hoje nosso planetinha azul ficou mais pobre e bem mais triste, e Érato tem menos um vate a sua disposição para os vagares idílicos de seus versos.
O espaço que esse amigo ocupava estará para sempre vazio. Vai, meu amigo! com a calma a reflexão e o espírito inquisitivo que sempre te acompanhou! Nós ficamos aqui nesta dimensão aguardando o dia que também seguiremos esse caminho que ora se inicia para você. Aos seus familiares, nossos sentimentos.
Jair.

domingo, 3 de abril de 2016

Diálogo na porta do inferno


M – Pois é Lula, agora estamos lado a lado,
porque não há o que eu não tenha roubado.
L – Engana-se Maluf, você foi só governador,
então roubou nesse nível, coisa de amador.

M – Mas rapinei por muitos anos bem a sério,
e só roubei às claras, sem nenhum mistério.
L – Mas eu formei quadrilha de bandoleiros,
que da Petrobras, encheu o cu de dinheiro.

M – Entendo que você foi mais profissional,
só roubando na encolha, sem sair no jornal.
L – É, foi uma tramoia que envolveu doleiros,
bancos, empresas fantasmas e até puteiros.

M -  Fui eu quem disse primeiro "sou honesto"
então é plágio quando tu o diz: "só eu presto".
L - Sei, porém, ladrão que rouba ladrão assim,
deve ser perdoado por um afano tão chinfrim.

M – Roubei e coloquei meu dinheiro na Suíça,
mas, católico praticante, mandei rezar missa.
L – Coisa de amador mais ingênuo que há,
pus grana no sítio e apartamento no Guarujá.

M – Mas, como você na declaração justifica?
escondendo os imóveis, sem dar uma dica!
L – Inocente! pois tudo no Patropi se arranja,
e você já esqueceu prá que existe laranja?

M – Pilantra! E o dinheiro, aqueles milhões?
A gorda conta bancária, como dos figurões?
L – Eu finjo dar palestras muito bem pagas,
faturo uma gorda bolada enquanto tu cagas!

M – Pois é, e tem aquele acervo do Alvorada
que era poderoso e se transformou em nada!
L – Veja, cada presidente anterior um idiota,
peguei até o crucifixo, que vai dar uma nota!

M - Dizem, até que faqueiro de ouro lá tinha,
que General Costa e Silva ganhou da rainha.
L - Claro, o faqueiro foi o mais valioso butim,
estava lá, quietinho, só esperando por mim!

M – Com tudo isso, acabo ficando na minha,
comparado a você sou simples trombadinha!
L – É que tu nunca conseguiu ser presidente,
eu fui, e só para botar na bunda dessa gente.

M – Mas como fica esse povo, a sociedade?
Que, no fundo, votou na busca da felicidade?
L – Dessa pobreza, só do voto a gente gosta.
Tinha esperança é? agora continua na bosta.

M – E você agora não tem medo da justiça,
que gravou suas conversas em plena liça?
L – Ora Maluf, sou esperto assim como tu.
Aquele inquérito? Eles que o enfiem no cu!

M – Meus parabéns, grande mestre e guru,
você mandou bem, de Ipanema até o Xingu.
L – Mas ainda não terminei, portanto insisto,
daqui a pouco vou ser nomeado ministro.

M – Puxa, irmão, não tem uma boca prá mim,
que roubei, roubo e que vou continuar assim?
L – Claro Maluf, o ministério já está saindo,
onde por certo, todo ladrão será bem vindo.

M – Mas Lula, e aqueles pegos de mão cheia,
mensaleiros que hoje amargam a vil cadeia?
L – A Dilma está providenciando, a essa altura
vai promulgar milagroso decreto de soltura.

M – Portanto, neste país só se dá bem ladrão,
e melhor ainda quando entra em comunhão.
L – Sim, Maluf, neste país política é pretexto
para nós, escrotos bandidos, encher o cesto.

M – Como esta vida é boa, eu nunca fui preso,
por isso, mantenho pelo roubo, o gosto  aceso.
L – Que fui detido pela redentora, eu alardeio
apenas doze horas, mas estou de bolso cheio.

M – E como será o futuro deste Patropi então,
já que nunca pensamos no desejo do povão?
L – Maluf, nós ladrões, só pensamos na obra,
o operariado ignorante é massa de manobra.

M – Fico tranquilo, pois roubar ciência não é,
e eleitor, em nós políticos, continua tendo fé.
L -  Por isso, só valorizo quem rouba e pilha,
pois foi assim que enriqueci a minha família.

M – Uma pergunta só para consumo interno:
Você, vil pilantra, não tem medo do inferno?
L – Maluf, a perguntinha é bem pouco nobre.
Não sabe que inferno é punição pra pobre?

M – Mas estamos, eu e você, aqui na porta,
onde devemos encontrar tanta gente morta!
L – Sou Lula! Livrar-nos dessa, deixa comigo!
vou lá dentro, e do satanás faço um amigo!

M – E os demônios vão separar joio do trigo,
deixando-nos, eu e você, sem algum castigo?
J – Alto lá Maluf ! Você é ladrãozinho a toa,
se molhar a quatro dedos aqui, fica na boa!

M – Pois, diante disso, te passo meu dinheiro,
você faz lobby e do inferno nem sinto cheiro.
J – Apenas me dê aí essa bufunfa roubada,
vou falar com o diabo e resolvo essa parada.

M – Lula, você aí dentro, e eu ainda esperando.
Eu vou ficar nesta expectativa até quando?
L – Maluf, acho que por ser tolo você se fodeu,
o satã pegou a grana, é mais esperto que eu!

M – Assim, você permanece e eu não entro,
quem está fora continua, o outro fica dentro.
L – Engana-se, você é mais burro que cavalo,
porque convenci o satanás a ir aí busca-lo.

M – Malditos, as chamas me queimam tanto!,
Se eu sair, prometo me transformar em santo!
L – Ó Santa Letícia! Isso é coisa que se faça?
Se eu sair, prometo não mais tomar cachaça!

S* - Informo: daqui ambos sairão jamais.
Pior que vermes, são coliformes fecais!
O dia anterior será melhor que amanhã
E se assim não for, não me chamo satã!
* SATÃ

quinta-feira, 12 de março de 2015

Sobre Palestinos



Segundo uma visão histórica, os árabes são um povo único, assim como o são os judeus, os kosovares ou os índios do Novo Mundo. O que há é que árabes habitam vários países do Oriente Médio em virtude de divisões territoriais artificiais impostas pelos colonizadores ingleses, franceses e outros, com fito maquiavélico de “dividir para governar”. Nesta ótica é estranho excluir do povo árabe, os palestinos, assim como não faz qualquer sentido “criar” judeus russos, judeus alemães ou qualquer outra denominação. Afinal, antes da criação do estado de Israel, os povos (árabes, judeus e cristãos) que viviam na região a consideravam parte da Síria. Aliás, até o próprio Arafat concordava com uma visão panarábica, palavras dele: “A Palestina é apenas gota no oceano árabe, nossa nação é a nação árabe”.
Por outro lado, têm-se que levar em conta que ao ser criado o “Mandato Britânico” após a primeira guerra mundial, os britânicos arrancaram um grande naco da Síria e criaram a Jordânia a qual deram de presente a rei Abedullah que havia lutado ao lado deles contra os turcos que dominavam a região há seiscentos anos. Quando a ONU dividiu o que restou da Palestina entre judeus e árabes, estes se recusaram a criar uma nação árabe porque entendiam (entendem ainda) que essa nação inclui o estado de Israel e que judeus não têm direito a um estado, são estrangeiros que invadiram aquele espaço e devem retornar seus países de origem. Aqueles mesmos países que os expulsaram e exterminaram porque eles não faziam parte de seus povos. Seria risível se não fosse extremamente dramático, historicamente incorreto e genocídio anunciado.
Desde a criação de Israel até 1967, os árabes que deixaram a região viveram na margem oeste do Mar morto e eram administrados pela Jordânia, e os que viviam na Faixa de Gaza eram administrados pelos egípcios, mas, até aquela data, não se falava em palestinos, só quando, após a guerra dos seis dias quando Israel passou a administrar essas duas regiões o termo palestino foi então usado. A Síria, o Egito e a Jordânia haviam se recusado a criar um estado palestino para acolher esses deslocados e passaram então a reivindicar que só seria viável a criação de um estado se Israel desaparecesse.
Ora, o estado de Israel é uma realidade, como então seus vizinhos impõem a condição de seu desaparecimento puro e simples para a viabilidade de uma pátria para os palestinos, que são árabes? Sem querer reductio ad absurdum devo dizer que este imbróglio só será minimamente equacionado visando uma possível solução, pelo diálogo, o resto é fogo fátuo. JAIR, Floripa, 12/03/15.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Prá não dizer que não falei de futebol


Mais de dois mil e novecentos servidores do Congresso Nacional ganham salários acima do teto estabelecido pela Constituição de 1988. Pela Magna Carta, nenhum servidor federal, estadual ou municipal poderá ganhar mais que o salário do presidente da República – que  no caso da Dilma é: R$ 26.723,13,  Salário líquido R$ 19.818.
Ora, a imprensa noticiou que há servidores – 2976 para ser preciso - na Câmara e no Senado com salários bem acima de R$ 50.000,00, alguns alcançam a astronômica cifra de R$ 88.000,00 líquidos. Diante da denúncia, Renan Calheiros se “apressou” em baixar os mega salários ao teto estipulado pela Constituição. Tudo bem, então? Não. Advogados dos marajás às custas dos impostos que saem dos nossos bolsos, entraram com mandato junto TSJ pedindo que os tais sem vergonha não tivessem seus escandalosos salários rebaixados. O TSJ acatou a liminar e devolveu o processo ao Congresso alegando que os pobres servidores não foram ouvidos a respeito. Ouvidos? Deviam é ser demitidos esses salafrários! Desde quando o que estabelece a Constituição pode ser questionado por um magistrado do TSJ?
Então nada mais se falou no assunto e tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Os super salários continuam, este é um ano eleitoral e, mais importante, ano que se realiza a copa do mundo de futebol no país da impunidade e da desigualdade social centenária. Nosso Congresso, o mais caro do Planeta, se servisse o público contribuinte de acordo com o que ganham seus servidores, teria uma eficiência melhor que os congressos escandinavos, não, como é o caso, menor que o congresso boliviano onde os senadores são vitalícios e nomeados pelo executivo. Os marajás vão se aposentar com seus salários intocados e nós continuaremos pagando a conta, como soe acontecer onde o povo é apenas gado a ser conduzido para o matadouro.
Assim, na ilha da fantasia lá no planalto central continua a festança com nosso dinheiro; os hospitais públicos continuam a matança de pobres nos seus corredores; os políticos continuam aperfeiçoando a arte de roubar e o povo continua na mesma, ou seja, na merda.
Enquanto isso, à parte os bilhões que foram investidos pelo poder público em construções malfeitas de estádios, acessos canhestros aos estádios, reformas meia boca de aeroportos e infra estruturas que ninguém vê, as mídias investem pesado na lavagem cerebral de nós todos tentando convencer-nos que tudo isso é bom para o país, para o povo. Me poupem, isso tudo é panem et circenses que já não deu certo no império romano e, espero, que não dará certo aqui no Pindorama.
Gosto de futebol, assisto partidas das copas mundiais com prazer, mas, desta vez, perdoem-me os aficionados  não existe clima para torcer pelo time canarinho, espero que o futebol brasileiro seja eliminado já na primeira fase, os contestadores desse vergonhoso gasto público merecem ver essa derrota em prol de suas reivindicações. Como será impossivel não ser envolvido pela “atmosfera” futebolística vou torcer pelas seleções da Costa do Marfim, Nigéria e Camarões. Vou torcer de fato, não da boca prá fora. Para selar minha adesão a essas seleções cometi até um soneto meio espúrio:

À frente África!

Costa do Marfim, Nigéria e Camarões
Dos africanos sou um torcedor antigo
Torço desde criancinha por azarões
E vê-los disputando as finais consigo.

Prá frente África de gazelas e leões!
Que foi o mais explorado continente
Europeus com caravelas e galeões
Levaram riqueza, escravizaram gente.

Eu quero vê-los impor-se no tapete
Mostrar aos branquelos seu traquejo
Na grama a bola, no pé um foguete,
No fundo da rede a Brazuca eu vejo.

Está na hora de descerem o porrete
Nos europeus gols façam de sobejo.

Jair, Floripa, 28/05/14.


PS - Pela segunda vez, fomos - minha  mulher e eu - convidados a morar na Austrália, com visto de residência permanente. De tanto ver as iniquidades tupiniquins, estamos considerando o convite finalmente.

sábado, 12 de abril de 2014

O Stradivarius


Stradivarius é o nome que se dá a instrumentos de cordas, particularmente violinos, fabricados entre os anos finais do século quinze e o princípio do século dezesseis por membros da família italiana Stradivari. O membro Stradivari mais reconhecido é Luthier Antonio Stradivari, cujos violinos, de excepcional qualidade de som, hoje costumam valer até centenas de milhares de dólares em leilões. Estima-se que ainda existam em torno de 600 exemplares dos mais de 1100 que foram fabricados entre 1664 e 1737, e é uma prova não só da qualidade dos instrumentos, mas de sua longevidade também.
A qualidade do som produzido por um legítimo Stradivarius é, segundo músicos e fabricantes de instrumentos de corda, decisivamente irreprodutível em nossa época, embora a tecnologia e os materiais mais variados estejam à disposição dos que se dedicam a esse mister, qual seja, reproduzir um “clone” ou um “cover” do tal instrumento.
Sabe-se que as madeiras mais usadas na confecção de instrumentos como violas, violões e violinos são abeto, bordo, ébano e salgueiro, todas ainda disponíveis em nosso tempo. O tampo superior desses instrumentos, quando de qualidade, é feito de abeto. O bordo, usa-se para o tampo inferior, as laterais e o braço. E a estrutura toda é reforçada por dentro com salgueiro. Por último, nas cravelhas e no ponto utiliza-se ébano cuja densidade é maior que um, isto é, afunda na água. Nada misterioso, portanto.
Então, neste mundão velho de guerra muitos, mas muitos mesmo, fabricantes de instrumentos se dedicam, há décadas, em refazer ou reproduzir um Stradivarius com seu som inimitável, sem sucesso. As mesmas dimensões, o mesmo desenho, o mesmo verniz, as mesmas madeiras, até aproximadamente as mesmas colas e mesmas técnicas de fabricação têm sido usadas, mas os resultados não estão a altura do dispêndio de energia e talento imitativo empregados. Talvez desde a colheita da madeira; do local em que eram selecionadas as árvores; a idade das árvores,; a maneira com que a madeira era posta a secar; o tratamento à sombra que essa matéria prima era submetida. Muito há a ser descoberto sobre os métodos de envergar as tábuas; manejar as prensas, outras ferramentas etc. Há certo mistério, há algo que se perdeu nos desvãos do tempo, há algo irreprodutível num legítimo Stradivarius. De certa forma está explicado porque tais instrumentos são tão cobiçados e tão caros.
O fato é que se alguém for detentor de um Stradivarius, mesmo danificado pelo tempo, está com burro na sombra, isto é, está de posse de uma possível pequena fortuna.
Pois então, nos meus verdes vinte e dois anos de idade, morei numa casa de “pensão para rapazes solteiros” em Canoas no Rio Grande do Sul. Era o que costumavam chamar de república de estudantes, embora poucos fossem os moradores estudantes, a maioria era de empregados na indústria e comércio, e militares de baixa graduação solteiros, vivendo longe de seus núcleos familiares. No Casarão em que vivíamos – que era um decrépito casarão assobradado bem antigo – existia um porão meio sombrio e quase inabitável, onde a dona do pensionato guardava tralhas. Desde colchões e camas a serem utilizados nos quartos, até alguns móveis e baús velhos cheios de coisas imprestáveis.
Num ensolarado sábado de manhã, dona Custódia – que esse era o nome da senhoria – pediu que eu e mais dois membros da comunidade a ajudassem a limpar um pouco o porão e a jogar alguma coisa fora. Na azáfama de revolver aquele quase entulho íamos perguntado à dona Custódia o que se poderia jogar fora e o que não. Ao abrir um dos baús que continha algumas roupas roídas por traças, um candelabro de sete braços (menorah?) e outros bagulhos, encontrei um violino bem velho, meio danificado, sem cordas e sem arco, mas com certos ares de nobreza decadente.
 - Dona Custódia de quem é esse violino?
Ela me informou que o instrumento havia chegado da Europa quase cem anos antes e que pertencera a uma ancestral (avó, talvez?) sua que o tinha herdado do pai dela que era um músico judeu de certo talento. E mais não disse.
- A senhora tem algum interesse em guardá-lo ou também será descartado?
- Não vê que é apenas um traste inútil sem valor algum? Jogue-o no lixo.
-Posso ficar com ele?
-Pode, mas não sei o que de bom lhe trará guardar esse instrumento que nem se você soubesse tocá-lo serviria para alguma coisa, leve-o! Isso é lixo!
Em 1968 saí de Canoas porque passei para uma escola militar em Guaratinguetá no estado de São Paulo. Daí que meu maltratado violino, sem arco e sem cordas, acabou sendo levado para Palmeira onde moravam meus irmãos. Ficou num sótão por uns tantos anos até que um dia lembrei dele e o trouxe para minha casa em Florianópolis. Encontrava-me casado e morando em Floripa. O violino fez parte da decoração da casa até alguns dias atrás. E, devo dizer, sempre gostei muito daquela peça antiga, não sei porquê.
Agora em 2014, vendo um documentário no History Channel, descobri que um Stradivarius autêntico possui algumas características internas – marcas sutis, na verdade, - que o distinguem de quaisquer imitações ou cópias posteriores. Seguindo as dicas do programa, peguei meu violino da prateleira e, minuciosamente, até com uma lupa e um espelhinho, observei todos os pontos que deveriam ser descobertos para constatar se é uma das maravilhas da genialidade humana, ou uma fraude.
Estou mesmerizado e incrédulo até agora com o que vi... Não tenho mais nada a dizer...
De um lugar qualquer do Planeta, 30 de Março de 2014.

JAIR.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Projeto Genográfico


Este é o infográfico resumido da análise do DNA de meu filho Adriano. 
Projeto Genográfico é um estudo de rastreamento de DNA não com o propósito de chegar à localização atual do analisado. Pelo contrário, os resultados vão revelar a história antropológica de seus antepassados​​, onde eles viviam e como eles migraram para todo o mundo ao longo de dezenas de milhares de anos. Os resultados autossômicos irão revelar insights sobre a mistura recente na instância das últimas seis gerações. Por exemplo, se você tem pais um de descendência asiática e outro do Novo Mundo, essa mistura será refletida nos resultados.
O Projeto Genográfico foi bolado para considerar as limitações de outros estudos, como HGDP (Estudo do Genoma Humano), especialmente em termos de objetivos, abordagem e metodologia. O Projeto Genográfico está estudando a viagem do ser humano através do tempo e dos continentes, como os seres humanos são todos relacionados e como chegaram aonde vivem nos dias atuais. Não há nenhuma pesquisa médica de qualquer tipo no Projeto Genográfico. É um Projeto sem fins lucrativos, não-governamental, apolítico e sem fins comerciais. Toda a informação pertence à comunidade global e é liberada para o domínio público. Os autores desse consórcio científico publicam artigos em revistas especializadas com base em suas análises, e os dados associados com a pesquisa são tornados públicos. O Projeto Genográfico é um esforço sem fins lucrativos, e seu foco não comercial é totalmente patrocinado por todos os seus parceiros – seus analisados, em outras palavras.
O Projeto Genográfico tem procurado estimular a procurar o conselho de líderes e membros de comunidades indígenas tradicionais sobre sua participação voluntária no projeto. Essa participacão é parte integrante de toda a divulgação e do modus operandi do projeto. A comunidade global Projeto Genográfico é uma verdadeira colaboração entre populações e indivíduos indígenas tradicionais com os cientistas, comunicadores, educadores e conectores. Ajudando comunicar histórias lideradas pelas comunidades autótecnes, promovendo a preservação das suas línguas e culturas integrais. Além de responder a perguntas de interesse científico para as populações indígenas tradicionais e do público em geral. Para que isso possa acontecer, o Projeto estabeleceu o Fundo de Legado Genográfico que fornece alguma ajuda tangível para os indígenas participantes e não participantes a fim de promover e proteger suas culturas. Além disso, o Projeto Genográfico envolve ativamente o público – público que paga em torno de 200 dólares para obter seu mapa genético - neste esforço em tempo real, o que reforça o apelo mais amplo para história universal do Homo sapiens que está sendo escrita.
O nome atual da análise é Geno 2.0, e executa uma análise detalhada para identificar mais de três mil marcadores genéticos no DNA mitocondrial, que é transmitido a cada geração de mãe para filho, - cromossomo X - e revela a ascendência direta materna profunda. No caso dos homens, também examina mais de dez mil marcadores no cromossomo Y, que é passado de pai para filho, e revela a ascendência direta paternal profunda. Além disso, para todos os participantes, analisa uma coleção de mais de 130.000 outros marcadores de todo o genoma para revelar as afiliações regionais da ascendência, oferecendo insights sobre os antepassados que não estão em uma linha direta materna ou paterna tanto para homens como para mulheres .
Incluídos nestes marcadores existe um subconjunto que os cientistas determinaram recentemente e que informam que nossos primos hominídeos, os Neanderthais e os Denisovans (recém-descobertos), que se separaram de nossa linhagem em torno de 500 mil anos atrás. Quando os seres humanos modernos estavam migrando para fora da África há mais de 60.000 anos atrás, os Neanderthais e Denisovans ainda estavam vivos e bem de saúde na Eurásia. Parece que nossos ancestrais os encontraram, cruzaram sexualmente com eles que deixaram um pequeno traço genético em nosso DNA.
Pois é, convenci meu filho Adriano a participar do Projeto e o resultado saiu agora. Acima, um gráfico bem resumido do que encontraram nas amostras dele. Veja bem, o programa não estabelece raças, pois estas não existem entre humanos, nós somos RAÇA HUMANA pertencente ao gênero dos primatas. Somos primos distantes de gorilas, orangotangos e outros monos. O que existe são grupos humanos que têm vestígios de origens muito remotas até o Neanderthais, os quais eram uma raça diferente de humanóides, foram extintos mas deixaram rastros genealógicos que provam que eles cruzaram sexualmente com o Homo sapiens. Pelo infográfigo, o Adriano (e todos nós, infere-se) tem uma pequena porcentagem que o liga aos Neanderthais. Também se pode ver:
Mediterrâneos - 38% - O que não é surpresa alguma porque os ancestrais nossos (da maioria dos brasileiros) ou são portugueses ou espanhóis;
Europeus do norte - 28% - Os ancestrais da Brandina são alemães e italianos que, embora não sejam exatamente "do norte", foram miscigenados com aquelas invasões bárbaras que vieram da Mongólia e das estepes donde hoje é a Rússia;
Nativos americanos - 14% - Aí está o meu avô Kaingang David e mais alguém, porque se fosse apenas pelo meu avô o Adriano teria 12,5% e não 14% de sangue nativo;
Oriente Médio - 13% - Aqui fica evidente que os chamados "mouros" também estão no nosso sangue. Os árabes invadiram a Península Ibérica e por lá se acomodaram por mais de 600 anos, não há quase nenhum português ou espanhol que possa dizer-se sem qualquer sangue de gente do norte da África, os chamados Mouros, que, na verdade, são apenas isso: Árabes.
Leia no meu blogue: http://jairclopes.blogspot.com.br/2010/06/o-tuaregue.html e você entenderá perfeitamente esse particular.
Africanos Subsaarianos - 3% - Contam as más línguas que minha avó Brasiliana era filha bastarda de um homem branco e uma negra. Então a prova genealógica é incontestável;
Oceânicos - 2% - Esse é o grande mistério! Não há como saber em que hora ou lugar da história esse povo da Oceania se imiscuiu no amálgama genetico de minha família
JAIR, Floripa, 01/01/14.