segunda-feira, 2 de julho de 2012
Os diamantes
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Diamantes

Talvez por essas discutíveis qualidades, pelo fato de não serem encontráveis em qualquer esquina ou por qualquer outro motivo os diamantes são objeto de desejo de grande parte dos seres humanos. E aqui fica um registro histórico: não só ricos e famosos como Elizabeth Taylor são atraídos por esses minerais, na Índia grande parte das pessoas pobres possuem diamantes usados como adorno corporal, que passa de geração a geração por centenas de anos às vezes. Nada mais estranho para um país onde mais da metade da população passa fome.
Contudo, ainda que a parte vistosa dessas gemas seja seu uso na confecção de jóias e adereços, mais de noventa por cento da produção mundial vai para uso industrial. Brocas, esmeris, lixas, serras e outras ferramentas de corte de materiais muito duros, são feitas ou revestidas de diamantes. A ínfima parte utilizada pelas pessoas dá ao diamante sua fama de fútil, caro e raro.
Para uso industrial em larga escala ou para pessoas que não podem arcar com o custo dos diamantes naturais ou desejam garantia absoluta de que seus diamantes não provêm de regiões de conflito, os chamados “diamantes de sangue”, a ciência desenvolveu gemas sintéticas as quais são substitutas mais baratas e até mais vistosas que a pedras reais. Até pouco tempo, a única opção sintética disponível era o zircônio cúbico, mas agora os consumidores podem optar por um material conhecido por moissanite, e também por diamantes artificiais.
O zircônio cúbico é uma gema de laboratório que está no mercado desde 1976. Trata-se de uma pedra de alta dureza (8,5 na escala de Mohs), ainda que menos dura que o diamante. Por um lado, o zircônio é superior ao diamante em termos de composição; oferece brilho e cintilação superiores, é inteiramente incolor e não sofre inclusões. No entanto, a maioria dos consumidores concorda em que o zircônio é simplesmente perfeito demais, não tem inclusões e sua transparência é maior que a do diamante natural –parece artificial até mesmo a olho nu. Por isso, alguns dos fabricantes de zircônio começaram a produzir a gema com tinturas coloridas e inclusões que a tornam mais parecida com o diamante.
Desde 1998 está no mercado a moissanite, maior rival sintético do zircônio. Sua semelhança com o diamante é ainda maior em termos de composição e aparência. A moissanite é mais dura que o zircônio, com 9,5 pontos na escala Mohs. A cor da moissanite tem leves traços de verde ou amarelo, e essa coloração se torna mais evidente nas pedras maiores. A gema também revela pequenas inclusões, com jeito de estrias, formadas durante seu processo de produção. Como o zircônio, a moissanite é mais brilhante que o diamante, mas essa qualidade é considerada desvantagem, e não vantagem. Sua aceitação é melhor que o zircônio e seu preço é bem menor que o do diamante natural.
Bem, considerando que zircônio e moissanite são apenas pedras que simulam diamantes, o gênio da ciência resolveu criar em laboratórios especiais o diamante artificial, ou seja, criar sob condições artificiais uma gema de carbono puro. Composição, dureza e aparência de diamante real, só que produzido aqui na superfície da Terra e não a duzentos quilômetros de profundidade.
As gemas sintéticas mais próximas ao diamante são os diamantes artificiais. Diferentemente do zircônio e da moissanite, os diamantes artificiais são carbono puro. O Instituto de Gemologia Norte-Americano (GIA) reconhece essas pedras como diamantes reais, sob a perspectiva da composição. Apenas os diamantes artificiais não têm a rica história geológica dos diamantes naturais, falta-lhes pedigree, por assim dizer. Enquanto os naturais levaram milhões de anos para surgirem, os artificiais podem ser produzidos em semanas apenas. Laboratórios simulam o calor e pressão do manto terrestre que criam os diamantes naturais. Para os produtores e consumidores de diamantes sintéticos, a questão pode ser resumida a uma combinação de tempo e dinheiro: dias, em lugar de milhões de anos; milhares de dólares, em lugar de dezenas de milhares de dólares ou mais (os diamantes artificiais são vendidos por preços cerca de 30% inferiores aos naturais). Como não existe almoço grátis, encontrar um diamante artificial de grande porte pode ser um desafio muito difícil – a maioria dos diamantes artificiais pesa menos de um quilate. Se o consumidor deseja o que de melhor existe no mercado de diamantes sintéticos, diamantes artificiais são a escolha óbvia. Mesmo joalheiros enfrentam dificuldades para distingui-los dos naturais, e sua dureza é dez, igual aos naturais. Esses diamantes são muito usados pela indústria.
Para finalizar, diamantes nem sempre foram tão populares entre os americanos, nem tão caros. Um diamante em um anel tem seu preço elevado de 100 a 200%. A única razão pela qual se paga tanto mais por eles do que por outras pedras preciosas hoje é porque seu mercado é quase todo controlado por um único cartel, chamado De Beers Consolidated Mines Ltd., estabelecido na África do Sul. Essa mesma empresa lançou o diamante artificial no comércio. JAIR, Floripa, 26/01/12.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Kimberlito

A rocha se formou a aproximadamente duzentos quilômetros de profundidade e foi transportada à superfície pelos chamados chaminés de kimberlito, que nada mais são que erupções vulcânicas ocorridas há milhões de anos. Onde e quando se formaram os kimberlitos, também se formaram diamantes e outros fragmentos de rocha (xenólitos) que foram arrancadas das profundezas da crosta terrestre. Por isso, kimberlitos ocorrem na superfície quase completamente em brechas vulcânicas. Eles, assim como a maioria dos diamantes, se formaram a 150 milhões de anos atrás, no entanto, os mais velhos kimberlitos que se conhecem datam de cerca de 1,2 bilhões. Eles ocorrem na África, Austrália, América do Norte, Índia, Brasil e na Sibéria. Mineradores e garimpeiros se valem da presença desses minerais para processarem a busca de diamantes, já que ambos sempre estão associados.
As chaminés de kimberlito foram criadas conforme o magma passava por profundas fraturas na Terra. O magma de dentro da chaminé de kimberlito funciona como um elevador, empurrando os diamantes e outras rochas e minerais pelo manto e crosta em poucas horas. Estas erupções eram breves, mas muitas vezes mais poderosas do que erupções vulcânicas que acontecem atualmente. O magma destas erupções foi originado em profundidades três vezes maiores do que a fonte de magma nos vulcões atuais.
Diamantes também podem ser encontrados em leitos de rios, chamados de reserva aluvial de diamantes. São originados em chaminés de kimberlito, mas se movimentam por atividade geológica. Geleiras e águas podem movimentar os diamantes para milhas de distância de seu local de origem. Hoje, a maioria dos diamantes é encontrada na Austrália, Brasil, Rússia e vários países africanos, incluindo Zaire. Em geral essas gemas são encontradas em rios e aluviões que deslocaram as pedras de seus locais de surgimento na superfície da Terra.
Por que essas informações sobre o mineral kimberlito? Porque passei a semana do Natal no norte de Minas Gerais, na cidade de Buritis, onde me foi apresentado num riacho no qual os moradores costumam nadar. Naquele curso d’água encontrei várias “pedras” de kimberlito. Na região, eu soube, nunca se garimpou diamantes, mas pelo aspecto do riacho cujo leito é rico em kimberlitos, há forte indicação que existe a preciosa gema.
Assim, no meu sonho mais louco, não me custa imaginar que quando me aposentar pretendo me munir de bateia e chapéu de abas largas e me aventurar pelas águas do Timbó garimpando o que tenho esperança de lá existir: diamantes brutos de boa qualidade. Me vejo no direito de sonhar aventuras diamantíferas naquele riacho que, afinal, fica em Minas Gerais, local que recebeu esse nome justamente pelo potencial mineralógico que possui. JAIR, Floripa, 03/01/2012.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Pescarias e diamantes

Tenho escrito sobre as pescarias que fazia quando garoto, contudo, sempre me refiro àquelas as quais eram empreendidas pela gurizada nos riachos que cortavam o centro urbano de Palmeira, ou o circundavam a pouca distância, onde costumávamos pescar lambaris. Agora quero falar sobre pescarias de adultos, feitas pelo meu pai e seus companheiros de trabalho com petrechos próprios para abordar rios de porte como Iguaçu e Tibagi.
Primeiro devemos reportar que o município de Palmeira é separado do de Ponta Grossa a noroeste pelo Rio Tibagi o qual é o segundo em extensão no estado. Suas nascentes localizam-se entre os municípios de Campo Largo, Palmeira e Ponta Grossa, no centro-sul do estado; Depois o rio Iguaçu, afluente do rio Paraná e o maior rio do estado, formado pelo encontro dos rios Iraí e Atuba na parte leste de Curitiba junto à divisa deste com os municípios de Pinhais e São José dos Pinhais, e passa ao sul de Palmeira no município de Porto Amazonas.
Pois é, as pescarias dos adultos eram programadas para esses rios de forma que demandavam aparatos, víveres e meios de locomoção necessários para grande distância, vários dias e peixes maiores e mais variados. Meu pai e seus companheiros haviam construído um bote de madeira leve (cedro) que, inicialmente era impelido por remos e que depois lhe foi adicionado um motor de popa; Muniam-se de lona dimensionada para servir como barraca; Um caminhão cedido pelos Malucelli para transporte das comidas, linhas, anzóis, caniços, redes, lanternas, panelas e tudo o mais necessário ao acampamento de pesca. Os homens iam ao Porto Amazonas, atravessavam o rio numa balsa, porquanto não havia ponte naquele trecho, e se dirigiam ao Furadinho, local à jusante onde meandros abandonados do rio eram muito piscosos. Traíras, bagres, cascudos e carás eram abundantes e colhidos com rede de arrasto. Eu acompanhava meu pai em algumas dessas incursões. Vale dizer que na década de cinquenta quando aconteciam essas aventuras, o Iguaçu era navegável e tinha uma linha de barcos que ligava Porto União mais a oeste, com Porto amazonas onde pescávamos. Tive oportunidade de assistir várias vezes o “Vapor Iguassu” da empresa Conrado Burher, azul e branco, impelido à roda de madeira na popa, subindo resfolegando com suas caldeiras a pleno, enquanto vencia a custo as turbulentas águas do rio que descia. Era um espetáculo inesquecível que hoje faz parte de um passado romântico irrepetível, o rio deixou de ser navegável por assoreamento depois do abate criminoso de suas matas ciliares.
Há que se acrescentar que o acesso ao Iguaçu também podia ser feito por trem, pois o comboio passava por Palmeira, Porto Amazonas e a localidade seguinte, à montante, chamada Caiacanga, (corruptela de Kaingangue, tribo da qual meu avô materno era originário) na margem esquerda do rio. De forma que o acesso de trem a esse local permitia outra “modalidade” de pesca de adulto. Consistia esta em tomar o trem em Palmeira muito cedo, às seis horas da manhã, desembarcar na estação de Caiacanga e retornar ao Porto pescando de caniço ao longo da caminhada pela margem. No Porto tomávamos o trem de volta à Palmeira, às 17 horas. Espetacular! Ao tempo que era uma caminhada ecológica, saudável, pescávamos e curtíamos aquela paisagem bucólica. Levávamos um almoço preparado na véspera pela minha mãe, o qual consistia de galinha ensopada com farofa de farinha de milho. As galinhas eram de nossa criação caseira. Nessas pescarias sempre acompanhava meu pai um amigão seu chamado João Maidl, descendente de alemães, gente muito fina, o qual eu gostava de ouvir contar “causos”. Pois entre Caiacanga e Porto Amazonas, havia alguns trechos de corredeiras onde, quando o rio estava baixo, o leito de arenito ficava exposto. Nesses trechos o arenito apresentava “panelas”, ou cavidades que a água havia produzido através dos milhões de anos de passagem rápida em voluteios carregada de seixos e areia. Seu Maidl, mais do que pescar, gostava de garimpar nessas panelas. Debruçava-se e retirava a areia depositada no fundo com as mãos. Ciscava a areia e os seixos miúdos com cuidado à procura de diamantes. Me fascinava a concentração e o desvelo que ele dedicava a esse mister, exótico a meus olhos. Intrigado, perguntei como saberia se encontrasse um diamante? Seu Maidl me respondeu que nunca havia visto um diamante bruto, não sabia como era, mas tinha certeza que a pedra se destacaria no meio da areia e dos seixos, e ele saberia de imediato do que se tratava. João Maidl, pelo que sei, nunca encontrou a tão sonhada gema preciosa, faleceu algum tempo depois. Era o mais velho da turma, enquanto meu pai tinha menos de quarenta, seu Maidl estava entrado nos sessenta.
Passado muito tempo, já nos anos oitenta, visitando meus parentes em Palmeira durantes as férias, meu tio convidou-me a ir pescar justamente no Caiacanga. Movido por saudosismo e certa curiosidade aceitei o convite. Fomos de jipe rebocando um bote a motor e levamos os petrechos necessários no bagageiro. No local que acampamos, logo abaixo das corredeiras onde seu Maidl se entregara a seus devaneios diamantíferos, havia agora uma casa onde antes ninguém morava. Meu tio disse que ali funcionava um garimpo, o dono da lavra vivia naquela casa e era seu conhecido. À tarde fomos à casa do garimpeiro que por sinal era um sujeito simpático e bom de papo. Chimarrão, conversa vai e conversa vem, ficamos sabendo que o garimpo era de diamantes e que estava temporariamente parado por quebra de maquinário e falta de dinheiro. Curioso, perguntei se realmente havia as tais pedras no local e se ele possuía alguma que pudesse me mostrar. Jesuino, era o nome do carinha, trouxe umas quatro ou cinco num guardanapo branco. Pela primeira vez vi as pedrinhas brutas. Realmente, como, não sei, mas seu Maidl tinha razão nas duas assertivas: Existiam diamantes nas corredeiras do Caiacanga e as pedras brutas se destacavam, não poderiam ser confundidas com seixos ou areia. Causou-me tristeza pensar que ele nunca as tenha encontrado. JAIR, Floripa, 27/01/11.
