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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Diamantes



Diamantes sempre exerceram um fascínio inexplicável sobre os seres humanos. Não fica bem claro porque povos de civilizações e culturas completamente distintas, e em lugares distantes uns dos outros, em um ou outro estágio de suas existências, parecem ter sucumbido à magia que essas pedras possuem. Diamantes, diferente de outras pedras preciosas quaisquer, são as únicas gemas constituídas de um elemento apenas: carbono. Enquanto outras pedras possuem composição complexa composta de vários elementos, de cinco, seis e até oito elementos em combinações complicadas, o diamante é feito de carbono numa formação octogonal que lhe confere um grau de dureza excepcional. Na escala de dureza, (escala de Mohs) que é a capacidade de riscar o elemento ou mineral menos duro, o diamante recebe a qualificação dez, lembrando que a escala vai de um (dureza da pedra de talco) até dez. Além dessas duas qualidades, dureza e composição de apenas um elemento, o diamante possui, ainda, transparência e brilho excepcionais depois de polido.
Talvez por essas discutíveis qualidades, pelo fato de não serem encontráveis em qualquer esquina ou por qualquer outro motivo os diamantes são objeto de desejo de grande parte dos seres humanos. E aqui fica um registro histórico: não só ricos e famosos como Elizabeth Taylor são atraídos por esses minerais, na Índia grande parte das pessoas pobres possuem diamantes usados como adorno corporal, que passa de geração a geração por centenas de anos às vezes. Nada mais estranho para um país onde mais da metade da população passa fome.
Contudo, ainda que a parte vistosa dessas gemas seja seu uso na confecção de jóias e adereços, mais de noventa por cento da produção mundial vai para uso industrial. Brocas, esmeris, lixas, serras e outras ferramentas de corte de materiais muito duros, são feitas ou revestidas de diamantes. A ínfima parte utilizada pelas pessoas dá ao diamante sua fama de fútil, caro e raro.
Para uso industrial em larga escala ou para pessoas que não podem arcar com o custo dos diamantes naturais ou desejam garantia absoluta de que seus diamantes não provêm de regiões de conflito, os chamados “diamantes de sangue”, a ciência desenvolveu gemas sintéticas as quais são substitutas mais baratas e até mais vistosas que a pedras reais. Até pouco tempo, a única opção sintética disponível era o zircônio cúbico, mas agora os consumidores podem optar por um material conhecido por moissanite, e também por diamantes artificiais.
O zircônio cúbico é uma gema de laboratório que está no mercado desde 1976. Trata-se de uma pedra de alta dureza (8,5 na escala de Mohs), ainda que menos dura que o diamante. Por um lado, o zircônio é superior ao diamante em termos de composição; oferece brilho e cintilação superiores, é inteiramente incolor e não sofre inclusões. No entanto, a maioria dos consumidores concorda em que o zircônio é simplesmente perfeito demais, não tem inclusões e sua transparência é maior que a do diamante natural –parece artificial até mesmo a olho nu. Por isso, alguns dos fabricantes de zircônio começaram a produzir a gema com tinturas coloridas e inclusões que a tornam mais parecida com o diamante.
Desde 1998 está no mercado a moissanite, maior rival sintético do zircônio. Sua semelhança com o diamante é ainda maior em termos de composição e aparência. A moissanite é mais dura que o zircônio, com 9,5 pontos na escala Mohs. A cor da moissanite tem leves traços de verde ou amarelo, e essa coloração se torna mais evidente nas pedras maiores. A gema também revela pequenas inclusões, com jeito de estrias, formadas durante seu processo de produção. Como o zircônio, a moissanite é mais brilhante que o diamante, mas essa qualidade é considerada desvantagem, e não vantagem. Sua aceitação é melhor que o zircônio e seu preço é bem menor que o do diamante natural.
Bem, considerando que zircônio e moissanite são apenas pedras que simulam diamantes, o gênio da ciência resolveu criar em laboratórios especiais o diamante artificial, ou seja, criar sob condições artificiais uma gema de carbono puro. Composição, dureza e aparência de diamante real, só que produzido aqui na superfície da Terra e não a duzentos quilômetros de profundidade.
As gemas sintéticas mais próximas ao diamante são os diamantes artificiais. Diferentemente do zircônio e da moissanite, os diamantes artificiais são carbono puro. O Instituto de Gemologia Norte-Americano (GIA) reconhece essas pedras como diamantes reais, sob a perspectiva da composição. Apenas os diamantes artificiais não têm a rica história geológica dos diamantes naturais, falta-lhes pedigree, por assim dizer. Enquanto os naturais levaram milhões de anos para surgirem, os artificiais podem ser produzidos em semanas apenas. Laboratórios simulam o calor e pressão do manto terrestre que criam os diamantes naturais. Para os produtores e consumidores de diamantes sintéticos, a questão pode ser resumida a uma combinação de tempo e dinheiro: dias, em lugar de milhões de anos; milhares de dólares, em lugar de dezenas de milhares de dólares ou mais (os diamantes artificiais são vendidos por preços cerca de 30% inferiores aos naturais). Como não existe almoço grátis, encontrar um diamante artificial de grande porte pode ser um desafio muito difícil – a maioria dos diamantes artificiais pesa menos de um quilate. Se o consumidor deseja o que de melhor existe no mercado de diamantes sintéticos, diamantes artificiais são a escolha óbvia. Mesmo joalheiros enfrentam dificuldades para distingui-los dos naturais, e sua dureza é dez, igual aos naturais. Esses diamantes são muito usados pela indústria.
Para finalizar, diamantes nem sempre foram tão populares entre os americanos, nem tão caros. Um diamante em um anel tem seu preço elevado de 100 a 200%. A única razão pela qual se paga tanto mais por eles do que por outras pedras preciosas hoje é porque seu mercado é quase todo controlado por um único cartel, chamado De Beers Consolidated Mines Ltd., estabelecido na África do Sul. Essa mesma empresa lançou o diamante artificial no comércio. JAIR, Floripa, 26/01/12.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Kimberlito



O kimberlito é uma rocha ígnea (formada pelo calor do magma) da família das olivinas, cuja cor varia do azul-verde ao preto, passando pelo marrom avermelhado. A composição e a cor do kimberlito correspondem à região em que se formou e aos elementos que o formaram. Seu nome deriva de Kimberley, região da África do Sul onde foram encontrados esses minerais associados a pedras de diamantes.
A rocha se formou a aproximadamente duzentos quilômetros de profundidade e foi transportada à superfície pelos chamados chaminés de kimberlito, que nada mais são que erupções vulcânicas ocorridas há milhões de anos. Onde e quando se formaram os kimberlitos, também se formaram diamantes e outros fragmentos de rocha (xenólitos) que foram arrancadas das profundezas da crosta terrestre. Por isso, kimberlitos ocorrem na superfície quase completamente em brechas vulcânicas. Eles, assim como a maioria dos diamantes, se formaram a 150 milhões de anos atrás, no entanto, os mais velhos kimberlitos que se conhecem datam de cerca de 1,2 bilhões. Eles ocorrem na África, Austrália, América do Norte, Índia, Brasil e na Sibéria. Mineradores e garimpeiros se valem da presença desses minerais para processarem a busca de diamantes, já que ambos sempre estão associados.
As chaminés de kimberlito foram criadas conforme o magma passava por profundas fraturas na Terra. O magma de dentro da chaminé de kimberlito funciona como um elevador, empurrando os diamantes e outras rochas e minerais pelo manto e crosta em poucas horas. Estas erupções eram breves, mas muitas vezes mais poderosas do que erupções vulcânicas que acontecem atualmente. O magma destas erupções foi originado em profundidades três vezes maiores do que a fonte de magma nos vulcões atuais.
Diamantes também podem ser encontrados em leitos de rios, chamados de reserva aluvial de diamantes. São originados em chaminés de kimberlito, mas se movimentam por atividade geológica. Geleiras e águas podem movimentar os diamantes para milhas de distância de seu local de origem. Hoje, a maioria dos diamantes é encontrada na Austrália, Brasil, Rússia e vários países africanos, incluindo Zaire. Em geral essas gemas são encontradas em rios e aluviões que deslocaram as pedras de seus locais de surgimento na superfície da Terra.
Por que essas informações sobre o mineral kimberlito? Porque passei a semana do Natal no norte de Minas Gerais, na cidade de Buritis, onde me foi apresentado num riacho no qual os moradores costumam nadar. Naquele curso d’água encontrei várias “pedras” de kimberlito. Na região, eu soube, nunca se garimpou diamantes, mas pelo aspecto do riacho cujo leito é rico em kimberlitos, há forte indicação que existe a preciosa gema.
Assim, no meu sonho mais louco, não me custa imaginar que quando me aposentar pretendo me munir de bateia e chapéu de abas largas e me aventurar pelas águas do Timbó garimpando o que tenho esperança de lá existir: diamantes brutos de boa qualidade. Me vejo no direito de sonhar aventuras diamantíferas naquele riacho que, afinal, fica em Minas Gerais, local que recebeu esse nome justamente pelo potencial mineralógico que possui. JAIR, Floripa, 03/01/2012.