A nova guerra do Paraguai.
Ao contrário do que se diz por aí, futebol não é uma caixinha de surpresas, ganha quem faz mais gols. Entretanto, longe de ser uma ciência exata, tem regras não escritas que, uma vez desrespeitadas, trazem o dissabor da derrota para quem ousar violá-las. O resultado do jogo Brasil e Holanda ilustra perfeitamente o quero dizer a respeito das regras não explícitas, mas invioláveis: Futebol se joga de chuteiras, olhaí vou repetir, DE CHUTEIRAS, filhotes de Dunga. Outra regra não escrita: resultado parcial de um a zero não significa vitória nem em Bangladesh ou Faxinal dos esquecidos.
Pois é, os filhotes de Dunga ignoraram essas regrinhas, obtiveram um gol no primeiro tempo, e quando voltaram do vestiário, inexplicavelmente, calçavam salto quatorze. Levaram um banho das laranjas nem um pouco mecânicas. Bem de acordo com a época, as laranjas agora são cibernéticas, informatizadas, ou qualquer coisa nesse sentido, contudo, não esqueceram como se joga futebol e observaram as regras, deu no que deu.
Já
Voltam prematuramente para casa dois times que se alimentavam de mitos criados por um futebol bem jogado num passado que rendeu glórias e títulos a ambos. Confiar na arrogância, calçar sapatos altos e esquecer como se joga, não é, definitivamente, opção para quem quer ganhar o caneco numa disputa de caráter mundial.
O Paraguai, futebolisticamente falando, deveria estar alegre com as derrotas desses possíveis adversários nas semifinais. Pelo lado histórico, esses países, juntamente com o Uruguai, dizimaram o povo paraguaio numa guerra cujas origens até hoje não foram claramente explicadas. Uma guerra cujos documentos permanecem secretos até hoje, suscitando especulações as mais estranhas possíveis. Uma guerra na qual os combatentes paraguaios não foram derrotados e nem se renderam, foram extintos e, por falta de soldados e até de população ativa, pararam de lutar. Os paraguaios não são melhores nem piores do que argentinos e brasileiros, deixaram a Copa na mesma condição, mas lutaram a boa luta e voltaram para casa com a cabeça erguida conscientes que fizeram uma ótima campanha. Se tudo der certo, guaranis, uruguaios, brazucas e platinos, se verão em 2014 para uma guerra onde não haverá sangue nem lágrimas, e o melhor vencerá. Até lá! JAIR, Floripa, 03/0710.
