quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Projeto Genográfico
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Genética

Analogamente, a partenogênese, denominação de outro processo de reprodução consiste na substituição do gameta masculino (espermatozóide) por um gameta feminino chamado oosfera. Portanto, sem nenhuma participação do exterior a reprodução se completa. O suíço, Chales Bonnet, em 1940, descobriu partenogênese dos pulgões. Depois verificou-se o mesmo fenômeno em algumas espécies de abelhas, em alguns vegetais, nos ouriços do mar, nas estrelas do mar, nas rãs e em alguns peixes. Vários experimentos em laboratórios demonstraram que é possível provocar a partenogênese artificial em gatos, coelhos e outros mamíferos. Outros cientistas verificaram que óvulos de mamíferos cultivados sob certas condições de temperatura e meio de cultura fora do útero, iniciavam o processo de divisão dando o início à criação de um novo ser como se estive fecundado dentro útero. A respeito dessa descoberta, o Dr Goldman escreveu em 1966: “O nascimento sem pai é possível nos seres humanos...”.
Decorrente dessa especulação genética, apareceu na revista “Lancet” um artigo assinado pela especialista em eugenia Dra Helen Spurway, no qual dizia que “talvez” fosse possível uma mulher engravidar sem intervenção de espermatozóide. Daí, a coisa evoluiu para o sensacionalismo, a imprensa se apoderou da idéia e instituiu um concurso para que toda cidadã britânica que tivesse engravidado “virginalmente” se apresentasse, sua identidade seria preservada se assim as participantes desejassem. O escopo do “concurso” era encontrar fêmeas humanas para comprovar a tese que era possível a reprodução sem participação masculina.
Como a Europa estivera em guerra, milhares de mulheres – adúlteras e abandonadas por namorados - viam no concurso a possibilidade de “apagar” traições a seus maridos e companheiros enquanto estes estiveram no front. Dezenas de milhares de mulheres com filhos se apresentaram. Começaram então os testes que consistiam primeiramente uma entrevista rigorosa e em prova de compatibilidade sanguínea. Somente dezenove mulheres restaram depois disso. Em seguida veio o teste de saliva que reduziu o grupo a apenas quatro candidatas. O último teste tratava-se enxertos de peles cruzados. A mãe recebia um pedaço da pele do rebento e este um da mãe, se houvesse rejeição se comprovaria a incompatibilidade, em caso contrário o filho era considerado fruto da partenogênese natural. Três das concorrentes foram eliminadas e restaram a senhora Emminaire Jones e sua filha Monica, gerada em circunstâncias anômalas.
Em 1944, Emminaire estava com enjôos constantes e se sentia muito mal, seu noivo estava em combate e ela era virgem, procurou um médico e este constatou que ela estava grávida de três meses. Ela havia passado o tempo todo servindo com enfermeira onde só existiam mulheres no corpo médico, e ela nunca havia feito qualquer coisa que justificasse a gravidez. Emminaire casou com seu noivo, a criança nasceu e ela teve uma depressão nervosa, não entendia o que poderia ter acontecido. Os exames formais verificaram que Monica não tinha nenhum “elemento” estranho ao de sua mãe. O Dr Stanley Balfour-Lynn, juntamente com o famoso professor J. B. S. Haldane divulgou esse caso insólito para o mundo. Ele julgava um caso autêntico de partenogênese natural. Por outro lado, os cristãos que creem no dogma da virgindade de Maria e se sentem desconfortáveis com uma fecundação celestial, acharam um meio de justificar sua gestação.
Pois bem, e como ficou o resto dos cientistas do mundo? A resposta é que ninguém achou que o caso merecia qualquer investigação mais profunda, os testes foram imprecisos e não comprovavam nada, segundo os cientistas “sérios”. Assim, o caso caiu no esquecimento e não mais se falou na possibilidade dessa tal partenogênese natural humana. Só que, em 2005, lá mesmo na Inglaterra, o Dr Eugene Lightorn, geneticista do laboratório “London Medical Genetic Center”, leu o artigo em uma revista da década de sessenta e resolveu procurar as amostras de sangue dos testes, se estas existissem. Para sua surpresa, um congelador do próprio LMGC continha os sangues das mulheres datados e identificados. Ele procedeu ao exame de DNA das amostras e verificou aquilo que ninguém acreditava: Os DNAs da mãe e filha eram perfeitamente compatíveis, como costumam ser DNAs de gêmeos idênticos e de clones de animais e plantas. Agora, diante dessa descoberta, está na hora de os geneticistas darem uma boa “olhada” na possibilidade de existir esse fenômeno, até porque a ciência é pródiga em surpreender a partir de eventos inesperados e fora da “normalidade”. Será este o caso? JAIR, Floripa, 22/08/11.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Identificação forense

Então, em 1883 o médico holandês Arthur Kollman observou que os desenhos datiloscópicos em cada ser humano já estão definitivamente formados ainda dentro da barriga da mãe, a partir do sexto mês de gestação, e são individuais de cada pessoa. O princípio da imutabilidade, por sua vez, diz que este desenho formado não se altera ao longo dos anos, salvo algumas alterações quase sempre temporárias que podem ocorrer devido a agentes externos, como queimaduras, cortes ou doenças de pele, como a lepra. Já o princípio da variabilidade garante que os desenhos das digitais são únicos tanto entre pessoas como entre os dedos do mesmo indivíduo, sendo que jamais serão encontrados dois dedos com desenhos idênticos. Essa característica permitiu o nascimento da datiloscopia, ciência forense que se aplica à identificação de indivíduos pelas marcas que a oleosidade de seus dedos imprime numa superfície qualquer. Há que se notar que em grande parte do Planeta, onde existem populações expressivas de analfabetos, essa técnica é extensamente usada na vida diária como única forma de “assinatura” por parte dos que não sabem ler.
Técnica amplamente usada em muitos países, a datiloscopia depende de um banco de impressões digitais armazenadas de modo a ser consultado quando se necessita fazer comparações. Na falta de arquivo ou ausência de marcas no local do crime, essa técnica é totalmente inútil. No Brasil, embora a datiloscopia faça parte do currículo dos peritos policiais, não existem arquivos nacionais nem estaduais dos quais a polícia possa se valer para comparações. Os peritos estão limitados a retirar as impressões digitais de um suspeito e comparar com as encontradas no local do crime. Se não houver suspeito não haverá como proceder. Nunca na história deste país houve qualquer condenação em tribunal baseada em impressões digitais. Talvez isso explique o pouco cuidado que polícia brasileira exibe ao manusear armas encontradas em cenas de crimes. Só que a ciência forense felizmente pode se valer de outra técnica, mais apurada e melhor.
A partir do início da década de noventa a ciência forense passou a utilizar cada vez mais uma técnica conhecida como “Impressões digitais genéticas”, a qual não é digital na acepção do termo, ela se baseia em vestígios orgânicos que as pessoas deixam: fluidos corporais como suor, sangue, saliva, urina, sêmen e até restos de pele ou cabelos. Nada muito estranho, já que todo ser humano possui um conjunto de genes único, ou, no mínimo, ligeiramente diferente do conjunto de qualquer outra pessoa do Planeta.
Assim, dá para se imaginar que seria muito simples usar métodos que proporcionassem uma rápida comparação entre DNAs, mas a coisa não era tão fácil. Contudo, em 1980, a ciência tomou conhecimento que nem todo DNA contém informações genéticas, parece que existe uma quantidade enorme de DNA que não possui códigos genéticos que comandem alguma função ou órgão corporal, a esse material os cientistas passaram a chamar de “lixo genético”, supondo que ele estava ali por que nosso corpo não sabia como eliminá-lo, embora essa tese seja apenas provisória. Só que o cientista da Universidade de Leicester, Alec Jeffreys e sua equipe, descobriram que esse material continha uma vasta quantidade de sequências repetitivas que podiam ser facilmente identificadas em cada indivíduo. Jeffreys chamou esses blocos de “minissatélites” e criou um método de retirá-los de qualquer amostra corporal e analisá-los de modo isolado, método chamado “eletroforese”. As porções de matéria orgânica necessárias para efetuar a eletroforese são insignificantes, então, não havendo contaminação das amostras, qualquer respirar sobre uma superfície de vidro, por exemplo, constitui uma boa fonte de material a ser interpretado. Depois, Jeffreys descobriu que os “minissatélites” contém sequências que sempre são compostas de 50% dos genes de cada genitor, daí, identificar paternidade, tornou-se corriqueiro e aceito pela justiça de quase todos os países.
Como é quase impossível que, involuntariamente, não deixemos “rastros” genéticos por onde passamos na forma de suor, saliva e restos de peles e cabelos, a ciência forense passou a ter um instrumento particularmente eficiente na identificação de pessoas. Os EUA, que já possuem o maior banco de impressões digitais do Planeta, agora estão compondo um banco de DNA que ficará disponível para todas as polícias e órgãos públicos envolvidos com identificação de indivíduos. Enquanto isso, num país abençoado por Deus abaixo do equador, nem impressões digitais constituem instrumento útil para qualquer finalidade forense. Aliás, alguém já viu, por exemplo, identificação de analfabetos por suas impressões obrigatórias em seus documentos? Eu nunca vi, nem ouvi falar. JAIR, Floripa, 20/07/11.
sábado, 25 de junho de 2011
O gato

Durante os invernos rigorosos como soem ser naquele planalto sulino, costumavam dormir ao pé do fogão a lenha, onde, uma vez, um bichano amarelo de nome gato foi atingido por uma brasa que lhe queimou a pelagem e a pele e ficou com uma cicatriz vitalícia. Esse mesmo bichano gostava de caçar roedores e outros animais de pequeno porte nos campos lindeiros donde morávamos. Não raro ele aparecia em nossa sala com um camundongo ou lagartixa viva na boca e, parecia, vinha mostrar como era exímio caçador. Brincava com a presa até cansar e depois a comia sem pejo, era um gato muito esperto. Certa vez apareceu com uma cobra viva na boca, um pequeno ofídio de cor esverdeada que foi objeto de brincadeiras e depois deglutido com aparente prazer.
Como os gatos apareciam lá em casa? Não sei, mas desconfio que minha mãe tinha algum jeito especial de atraí-los, talvez ela os visse perdidos pelas proximidades e os chamasse para nosso quintal, onde uns encontravam outros, faziam amizade e iam ficando. Só sei que os gatos não incomodavam os vizinhos, não miavam à noite, não ficavam doentes, nunca tomavam banho, mas aparentavam sempre estar limpos, e, não sei por que, eram todos machos, jamais alguma fêmea transpôs a soleira de nossa porta.
Como escrevi no início, eles eram representantes legítimos de animais SRD (Sem Raça Definida) e, como tal, apresentavam variadas cores. Lembro especialmente de um amarelo, um branco, um mourisco, ou seja, variegado com listras pretas e cinzas, e, o mais estranho de todos: um gato azul, isso mesmo azul! Imaginem, se hoje parece esquisito pensar num gato azul, naquele tempo, 1957, então, nem se fala! Um dia de verão, cheguei da escola ao meio dia e lá estava aquele gato bem novo, bem saudável e bem normal, a não ser pela cor. Perguntei a minha mãe a que devia aquela cor e como ele veio parar lá em casa. Como os gatos iam morar lá em casa era um segredo que minha mãe jamais contara, então não seria agora que ela ia abrir o jogo. Mas, azul? Peguei o bichinho no colo e pude verificar que o pêlo não fora tingido ou pintado, era azulão mesmo! Como era possível? Minha mãe não se abalou, disse que pelo fato de jamais termos visto gatos azuis não significava que eles não existissem. Era um bichano azul e pronto! Realmente, diante desse argumento não houve como discordar, o gato azul se incorporou a gataria doméstica e, depois de algum tempo, não dava nem para reparar que ele era diferente dos demais. O bichano gostava de comer mariposas, essas borboletas noturnas que são atraídas por lâmpadas à noite. Para alcançá-las o bicho costumava subir num armário, ficava em pé e as pegava com as patas dianteiras quando pousavam no teto da cozinha. Ele viveu muitos anos na nossa companhia e tornou-se um dos meus prediletos, era um felino dócil e inteligente. O curioso dessa história é que ninguém, absolutamente ninguém, sejam meus irmãos, vizinhos, parentes ou visitas, jamais se referiu a cor estranha do animal, parecia que só minha mãe e eu conseguíamos enxergar aquela pelagem de coloração anil. Também nós, na presença de outras pessoas, deixávamos de falar na cor do bicho, estávamos cientes que os outros não a notavam.
Como os demais, ao ficar velho e alquebrado, o gato azul passou a ser caseiro e dependente alimentar durante um período, depois, um belo dia, partiu em direção aos campos gerais onde se perdeu e nunca mais foi visto. Todos procediam assim, eram por demais orgulhosos para definhar a vista de nós humanos.
Claro que, considerando o que minha mãe havia dito e o conhecimento parco sobre animais e o total desconhecimento sobre genética que eu tinha, nunca contestei a cor do felino e, tampouco me passou pela cabeça procurar saber o porquê daquela excentricidade. Agora, muitos anos depois, ao ler o livro “O urso azul”, veio-me à lembrança aquele gato e uma certeza de como explicar sua exótica coloração. O livro conta a aventura e a trajetória de vida do americano Lynn Schooler que mora no Alasca onde é guia de expedições científicas e fotográficas da fauna daquele estado. Conta ele que havia avistado de longe um urso azul, animal meio lendário que povoa há muitos anos o imaginário de povos nativos e visitantes daquela inóspita região. Pois bem, em todas as oportunidades, Lynn procede a busca do animal exótico até que o encontra e fotografa de perto (as fotos estão no livro). A explicação para a cor azulada se deve a uma mutação do urso cinzento o qual deu origem a esse raro animal.
Então, minha gente, hoje estou feliz porque finalmente posso entender a origem da cor do meu gato. Provavelmente ele era uma mutação desses gatos cinzas, chamados egípcios se não me engano, e saiu com aquela belíssima pelagem que o tornou o bichano mais bonito da gataria de minha casa. Um gato azul com origem agora plenamente desvendada! JAIR, Floripa, 22/06/11.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Homo sapiens

É um desejo meu antigo produzir um texto com esse título, Homos sapiens, embora muitas das minhas crônicas que enfocam evolução, cultura e civilização tenham trazido no bojo o termo, ou tenham dele se utilizado com certa frequência, em nenhuma delas o objeto central foi essa raça de primatas que somos nós. Então, vou enquadrar minha atenção somente nesse primata bípede, inteligente, egoísta e pretensioso.
Primeiro, deve-se ter em conta que as variações físicas que vemos hoje entre as pessoas de diferentes partes do mundo são variações dentro da mesma raça de primatas, não há diferentes raças de Homo sapiens. Inclusive já comparei nossa variação de feições, tamanhos, cores e jeitos, com um terreiro de galinhas caipiras onde vemos as mais diferentes aves, mas são todas galinhas, e todas da mesma raça, sendo as diferenças computadas como variedades normais dentro da mesma raça. Todo ser humano é sapiens, as diferenças que vemos aconteceram em virtude da separação geográfica e da adaptação a condições locais particulares. Por exemplo, os povos Inuit, antes conhecidos como esquimós, são atarracados, tipo físico mais adaptado à conservação do calor, Comparemos com os altos e esguios Maasai, os quais vivem no deserto do Calahari, cujos corpos, como os indivíduos de muitas tribos de países tropicais, são bem adaptados à perda de calor. A pigmentação da pele é outro exemplo: o grau de pigmentação aumenta à medida que nos aproximamos do equador; como a função do pigmento – a melanina – é de proteger a pele contra radiação ultravioleta, essa mudança é biologicamente correta e necessária.
A necessidade de proteger a pele por meio de pigmentação surgiu, é claro, quando os primeiros hominídeos perderam sua espessa camada de pelos. Nós ainda temos tantos pelos quantos nossos primos antropóides, mas nossos pelos são finos e curtos e, portanto, deixam a pele exposta. Desmond Morris nos chamava de “Macacos nus” com certa razão. Deve ter existido alguma vantagem evolutiva no nosso “despir”, e uma forte possibilidade é que isso nos permitiu elaborar um sistema muito eficiente de arrefecimento, graças aos mais de 5 milhões de diminutos poros – aberturas das glândulas sudoríparas – espalhadas por toda extensão de nossa pele. Pela evaporação da umidade através desses poros, podemos perder calor num grau nunca igualado por qualquer outro animal – grande vantagem para realização de intensa atividade sob o sol tropical. É só lembrarmos que os cães realizam sua transpiração pela língua, cuja área é mínima em relação ao corpo, daí não serem “trabalhadores” eficientes no calor. Esse benefício traz consigo uma ligeira desvantagem causada pelo aumento da dependência da água: a umidade perdida pela transpiração tem que sem compensada pela ingestão frequente de líquidos. É quase compulsório admitirmos que essa necessidade forçou os humanos a viverem desde o início nas proximidades de rios e lagos.
A perda da pelagem espessa aconteceu, provavelmente, num estágio precoce da evolução do Homo erectus, enquanto nossos ancestrais ainda viviam na África. Neste caso, então, deve ter surgido um aumento da pigmentação. Mas quando os indivíduos mudaram-se para climas mais frios, a pigmentação teria se tornado uma desvantagem, porque impediria que o pouco de sol que lá existe, catalisasse uma reação química essencial da pele, a qual produz a vitamina “D”. Como alguns de nossos ancestrais migraram para o hemisfério norte, mais frio, suas peles se tornaram cada vez mais claras, graças a seleção genética. As populações que permaneceram na África, e algumas outras que migraram para regiões tropicais, como os aborígenes australianos, permaneceram com as peles escuras.
Portanto, não deveria ser incompreensível para ninguém de inteligência mediana neste Planeta, a existência de variedades humanas nos diversos rincões que o Homo ocupou e ocupa. Decorrente dessa imposição natural que gerou as diferenças que vemos, é inadmissível que muitos humanos classifiquem outros de “raças inferiores”. Não existem raças e não existem inferiores, somos tão diferentes ou tão iguais uns aos outros como o são as galinhas caipiras de um terreiro doméstico. Quis a natureza que não fôssemos todos iguais porque do contrário não haveria diversificação que atrai, que excita, que cria curiosidade, que acaba unindo desiguais e aumentando a diversidade genética, que nos torna vencedores. Depois da descoberta do DNA, verificou-se que, com exceção dos gêmeos idênticos, somos todos seres diferentes, apesar de sermos mais de seis bilhões de pessoas nesse planetinha azul. Ainda mais, uma comparação genética feita por cientistas americanos, provou que somos tão iguais ou tão diversos de nosso vizinho ao lado – qualquer que seja ele – como somos tão iguais ou diversos de um indivíduo qualquer da Mongólia, por exemplo.
Então, racistas de toda ordem, não há razão científica alguma para os senhores classificarem pessoas diferentes como “inferiores”, elas são apenas diferentes, como seus pais são diferentes dos senhores. A quantidade de diferença de um filho para um pai é a mesma entre um sueco e um aborígene ou um pigmeu e um eslavo, então inexiste base para racismo neste Planeta. JAIR, Floripa, 23/04/11.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Sobre homofobia

Em outros dois textos já tratei do assunto homofobia sob o ponto de vista social e humano, já abordei a discriminação e o absurdo de se condenar pessoas tão normais como quaisquer outras só porque se comportam sexualmente de modo “diferente”. Mas agora quero opinar sobre a descoberta do que a imprensa desinformada ou de má fé convencionou chamar de “gene gay” masculino, e que alguns mal informados ou mal intencionados quiseram ver nisso um determinismo genético. Explicando, já que existe um gene comum entre a maioria dos gays, pode-se deduzir que está escrito nas estrelas, ou melhor, nos genes, que o portador desse gene será gay. Essa é uma estultice sem tamanho.
Cientistas do National Institute of Health, de Bethesda, Maryland, relataram ter descoberto que grande número de homossexuais masculinos pode ter irmãos, tios e primos maternos baitolas. Esse fato levanta a lebre que um gene localizado no cromossomo “X” pode ser o causador da boiolice masculina. Isso porque os homens têm apenas um cromossomo “X”, o qual herdaram da mãe, pois o “Y” vem do pai.
Diante da descoberta, os pesquisadores passaram a procurar no cromossomo “X” algum gene comum entre os gays masculinos. Quase na extremidade desse cromossomo, numa região chamada Xq28, eles encontraram cinco marcadores idênticos partilhados pela maioria dos gays e quase inexistente entre os heteros. Com a descoberta dos parentes maternos homossexuais, indica claramente que a viadagem masculina pode ter um componente genético.
E agora José? Será que esse achado compulsa que consideremos a boiolagem uma “doença”, e, como tal, passível de “cura”? Será que determina outras noções de “orgulho”, “culpa”, “vergonha”, “raiva”, “ódio” ou “desprezo”? A resposta a essas perguntas é não. Nada mudou, se o gay sente orgulho, culpa ou vergonha, pode continuar sentindo. Se o homofóbico sente ódio, raiva ou desprezo, continua errado como sempre. Não existe determinismo genético.
Para explicar podemos recorrer a exemplos de um projeto e de uma receita de bolo, como fez Richard Dawkins no livro “O capelão do Diabo”. Um projeto de um carro, por exemplo, é reversível. A partir do carro um engenheiro pode reconstruir o desenho original. A partir de um bolo, por melhor que seja o cozinheiro, é impossível reconstruir a receita. Há um mapeamento possível entre um carro e o projeto que lhe deu origem, a cada uma das peças corresponde um lugar na planta. No caso da receita esse mapeamento não existe. É impossível pegar um pedaço da torta e dizer este pedaço corresponde a tal parte da receita. Todas as partes da receita estão diluídas no bolo inteiro.
O conjunto de genes, em aspectos distintos, as vezes se comporta como um projeto, as vezes como uma receita. Um gene em si, como uma unidade de informação, pode ser considerado uma peça de um projeto. Há uma correspondência de qualquer gene de qualquer ser vivo com uma ou mais funções naquele organismo. Assim, o projeto Genoma Humano, o que fez foi mapear os genes e suas correspondentes funções no conjunto maior, nada mais. Agora, a disposição dos genes e a complexidade das relações internas do organismo considerado geram interações que se assemelham mais a uma receita de bolo. Não é apenas a relação do gene e um “pedaço” do corpo ou um comportamento do indivíduo que conta. O que há é uma relação entre os genes, os fatores ambientais e o ritmo em que os processos ocorreram durante o desenvolvimento intra-uterino do feto. Os efeitos finais no corpo e no comportamento são muito variados e difíceis de definir.
“A metáfora da receita é boa, mas uma metáfora melhor seria a do corpo com um cobertor pendurado no teto por cem mil tiras de borracha, todas entrelaçadas e enroladas umas nas outras. O formado do cobertor – o corpo – é determinado pelas tensões e comprimentos de todas as tiras de borracha ao mesmo tempo” (Dawkins). Se houver qualquer alteração em uma das tiras – cortada ou tensionada de maneira diferente – haverá uma alteração no formato do cobertor. Alteração difícil de prever.
Assim, o fato de um indivíduo possuir tal ou qual gene não determina seu comportamento final, existe apenas possibilidade estatística dele desenvolver certo comportamento, certa doença. Possuir um gene associado ao diabetes não obriga o portador a desenvolvê-lo, apenas o coloca no grupo de risco. Seus outros elásticos (interações e comportamentos) é que farão com que ele desenvolva ou não a doença. O efeito dos genes no corpo é como o efeito da fumaça nos pulmões. Se você fuma muito, aumenta a probabilidade de contrair câncer no pulmão. Não determina coisa alguma. Muitos fumantes terão câncer no pulmão, mas muitos não fumantes também o terão. Portanto, o que muda é apenas a estatística, tantos por cento dos fumantes etc, tantos por cento dos não fumantes etc.
Então, dizer que o homossexualismo é genético é apenas afirmar que existe um componente genético na tendência viadal. Muitos portadores do tal gene certamente nunca desenvolveram e nunca desenvolverão o comportamento, não há determinismo genético, mais uma vez. Ainda não foi feito, mas seria bem interessante demonstrar estatisticamente qual a probabilidade de um homem que apresenta o gene particular na região Xq28 tornar-se homossexual. Resumindo, se você é homossexual ou homófobo, saiba que seus motivos – sejam quais forem - nada têm a ver com genes. Outra coisa, até agora não se encontrou nem uma relação entre genes e sapatismo, as mulheres não têm comportamento homossexual relacionado com genes, pelo que se sabe. JAIR, Floripa, 27/03/11.
