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sábado, 31 de março de 2012

Sandices meteorológicas



Meteorologia, taí um assunto que ocupa a mente do homem desde sempre e que, em tempos atuais, ocupa a memória dos mais potentes super computadores já construídos por esse mesmo homem. É razoável supor que os fenômenos climáticos foram os primeiros eventos a impressionar os primitivos bípedes falantes. Chuva, vento, neve, granizo, raios, nuvens, estações do ano e todas as manifestações associadas ao tempo não só marcavam presença nas tribos primevas, como determinavam o ritmo de suas vidas. Também há entre os paleontólogos, antropólogos e outros estudiosos da pré história consenso que o fogo, descoberto por volta de duzentos mil anos atrás, segundo algumas evidências de restos de fogueiras encontradas, foi observado primeiro em algum tronco que ardia devido incidência de raio, daí a história da civilização começou.
No dia-a-dia das comunidades primitivas tudo que devia ser feito rolava em função do tempo, não o cronológico, mas o tempo meteorológico. Se chovia limitava os deslocamentos, geralmente esfriava e forçava o homem a procurar abrigo. Aliás, deve ter sido decorrência das chuvas e das nevadas a construção da primeira oca, ou a procura da primeira caverna. O frio, sem qualquer dúvida, conduziu nossos ancestrais à confecção das primeiras vestimentas, fossem de pele de animais ou de fibras vegetais. O vento, com o ainda hoje fazem caçadores do Calahari na África, tinha que ser considerado durante as caçadas, sua direção era importante tanto para sentir o cheiro da caça como para impedir que o animal visado sentisse o odor do caçador. Povos que viviam às margens de rios e lagos se serviam desse discípulo de Éolo para impulsionar seus barcos.
Mas, parece que mais importante que os fenômenos menos previsíveis e mais “imediatos” como sol e chuva e dia e noite, seriam as estações do ano. Mesmo que os Homo não tivessem a noção exata de quando uma estação começava e outra havia terminado, eles – principalmente na fase de caçadores-coletores – tinham que sintonizar suas andanças em busca de alimento com as mudanças de clima ao longo ano, ainda que não existisse o ano formal calendárico a que estamos acostumados. Se era tempo de certa fruta em tal lugar, ou se animais passíveis de serem caçados se deslocavam em tal estação para tal área, era fundamental que eles soubessem dessas mudanças sob o risco de passarem fome e, quem sabe, até esta ou aquela comunidade que não fez o deslocamento certo e a tempo, se extinguir. A meteorologia era o maestro que regia os movimentos humanos.
Bem, estou me referindo ao passado pré histórico, mas nos dias de hoje qual é a importância do clima para a civilização? Essa é fácil: importância fundamental. Mesmo porque, ao longo do desenvolvimento de nossas culturas, o clima no sentido mais amplo, e o tempo localizado no sentido mais restrito, deram as cartas para que formulássemos praticamente todas as atividades que desenvolvemos. Podemos citar como exemplo as atividades ao ar livre que deixam de ser realizadas quando chove. Quem não ouviu algo mais ou menos nesses termos: “O desfile de sete de setembro será realizado na avenida tal se não chover”. Ou algo mais drástico, do tipo: “A aeronave Discovery teve seu lançamento adiado por causa da ameaça de furacão na costa da Flórida nos próximos três dias”. Ou alguma coisa bem mais permanente como: “Os edifícios altos construídos na costa leste americana são projetados para suportar ventos de até duzentos quilômetros horários sob risco de serem destruídos por furacões que abundam na região”. Até o Japão, depois do tsunami acontecido em 2011, está planejando reconstruir suas áreas sujeitas a esse fenômeno com conceitos inovadores que evitem a maioria dos danos causados pelas paredes de água que adentram a terra. Como se trata de japoneses dá para acreditar em quase tudo que se diga com respeito a tecnologias, até em casas que se elevem sobre pilastras super potentes à aproximação das ondas gigantes invadindo a terra firme. Coisa de louco!
Fora essas considerações naturais e extremamente importantes, existem ainda outras que determinaram a ocupação territorial do Planeta, e que deram feição à civilização como a conhecemos. Por exemplo, os primeiros primitivos que atravessaram o estreito de Bering da Ásia para as Américas e resolveram, talvez por cansaço ou preguiça, guinar para o norte mesmo, não puderam desenvolver tecnologias sofisticadas porque na região só existe gelo e neve, o que não permite nem o desenvolvimento de árvores, daí os inuit – que algumas pessoas chamam de esquimós – só poderem construir abrigos de gelo cortado (iglus) ou de peles de animais estendidas sobre ossos de baleia a título de caibros e vigas, coisa frágil e de pouca duração devido aos ventos. Enquanto povos que se fixaram em locais com muitos recursos naturais decorrentes da bonança do clima, construíram civilizações sólidas não só em edificações perenes, como também em saberes que deixaram como legado para a posteridade. O tão polêmico calendário maia está aí para corroborar o que digo.
Pois então, fica patente que o bicho homem está à mercê do tempo, mas isso não significa que ele não se opõe às condições impostas pelo clima, sempre que estas lhe sejam muito desfavoráveis ou dificultem sua lidas. Além disso, “involuntariamente” a humanidade está influindo de maneira decisiva no comportamento meteorológico em consequência de suas atividades. Consumo de combustíveis fósseis libera gases que tem efeitos desconhecidos, mas preocupantes, sobre a camada de ozônio e formação de nuvens, cujo albedo é de suma importância para controlar o aquecimento atmosférico como resultado da radiação solar.
Em alguns momentos, os cientistas tomam a si a incumbência de controlar o clima sem muito sucesso, diga-se a bem da verdade, borrifando nuvens com solução alcalinas ou nitrato de prata. Ou com sucesso relativo construindo represas que formam lagos em zonas áridas com a finalidade de aumentar a umidade e provocar chuvas. Um exemplo doméstico é a formação do lago Paranoá em Brasília, o qual tem, entre outras, a finalidade de umedecer o micro clima do planalto em que cidade se situa. Nos EUA, o lago Mead, formado pela represa Hoover sobre o rio Colorado tem tripla finalidade: melhorar o clima do deserto de Nevada, canalizar água para plantações e ser usado como fonte de água potável para cidades situadas no deserto como Las Vegas.
O clima, por fim, é tão complexo e tão importante que, como eu disse no primeiro parágrafo, foram construídos super computadores só para entendê-lo e, se possível, domesticá-lo. Mas, parece, querer transformar a meteorologia em ciência exata, é mais um sonho de uma noite de verão que uma realidade viável por enquanto. JAIR, Floripa, 18/02/12
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sábado, 31 de dezembro de 2011

Tempo



Nota: No início do ano me propus publicar cento e cinquenta textos, hoje estou publicando o centésimo quinquagésimo, portanto, dentro da proposta e com alguns altos e baixos, consegui cumprir a meta. Os artigos, todos de minha lavra, foram distribuídos equitativamente 13 nos meses de 31 dias e 12 nos demais, de modo que no todo representaram um esforço relativamente equânime ao longo do ano. O texto abaixo, “Tempo” nada mais é que um retorno ao tema que já abordei inúmeras vezes e me parece bem adequado a uma reflexão sobre o ano que se encerra. Aproveito para desejar aos meus leitores um ano de 2012 (se o mundo não acabar) bem melhor do que esse que fecha as portas hoje. Boa leitura!

Tempo

É um ente simplesmente imaterial, transcendental até. E sempre foi essa sua característica constante, universal. Ao pensá-lo, perguntamos, muitas vezes, se essa carência de corporalidade, de materialidade, essa intangibilidade, não foi sempre seu traço fundamental que o distingue das coisas palpáveis; desde seu surgimento num suposto big bang, até a eternidade indefinível e inalcançável. Precisamente por essa fugidia característica, poder-se-ia atribuir-lhe quaisquer virtudes ou vícios que a outros entes parecessem aberrantes. A ele, quaisquer rótulos, por mais insólitos e depreciativos que pareçam, se lançam impunemente sem temor de cometer desatinos. O tempo absorve nossos caprichos, impassível e obtuso na sua marcha amoque rumo ao vir a ser. O tempo não existe em virtude de seres pensantes que o definem ou tentam enquadrá-lo em parâmetros humanos, ele simplesmente É. JAIR, Floripa, 16/06/11
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sobre o Tempo

Para o tempo o universo não é apenas a sua maior criação, é também a última, a derradeira forma material que atesta a própria existência dele, o tempo. Para o tempo, sua existência independe do universo, mas este só existe porque o tempo assim o construiu. Não há contradição, o tempo existe, e, quando criou o universo, estava apenas dando materialidade àquilo que é eterno, àquilo que permanece, que é imanente e não terá fim. Um universo que em todos os aspectos represente a perfeição está em perfeito acordo com o tempo, e se, ainda assim, não tão perfeito for, não faltará tempo para o tempo torná-lo perfeito, à sua feição, à sua perfeição até. Tudo se arranja com tempo, pois tempo não faltará para tal. Ainda que o tempo não tenha idade, a matéria nasce, vive e desaparece, depois dela só haverá o tempo, imutável e soberano fluindo para a eternidade. Quando o tempo do universo houver acabado, o tempo aqui estará, presença viva, para atestar que um dia houve um universo, cujo tempo de existência lhe foi atribuído pelo tempo, não há alternativa intemporal, ou o tempo cria e destrói, ou nada existirá, nunca existirá. Ao homem, diminuta vírgula no meio do imensurável texto do imensurável universo, foi atribuída uma única capacidade que o diferencia dos demais animais: pensar sobre o tempo. Se há angústia que bloqueia a percepção do homem em relação ao universo, é apenas não compreender o tempo, daí tenta defini-lo, tenta contá-lo ou tenta aprisioná-lo nos ponteiros de um relógio. Ó infeliz criatura do tempo, ainda não se deu conta que o onipresente tempo é muito mais poderoso que seus míseros neurônios, dádivas do tempo! JAIR, Floripa, 08/10/10.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O Tempo constrói


Digamos que antes de tudo só existia o vácuo absoluto e o tempo, depois, por algum processo ainda desconhecido, surgiu um universo em expansão. Centenas de milhões de anos foram gastos no processo de produção dos elementos necessários para a confecção das estrelas; após a morte e a explosão de uma estrela, foi preciso mais tempo ainda para a incorporação desses elementos até formarem um planeta como a Terra, por exemplo. Só depois do Planeta formado, com as condições ideais, surgiu a vida de alguma forma ainda não conhecida. Portanto, devemos admitir que para que haja tempo para construção dos seres vivos, o universo terá que ter bilhões de anos, ou seja, terá que ter muito tempo.
Olhar para o firmamento e contemplar a abóbada com milhares de estrelas visíveis e milhões de outras imagináveis, deveria nos dar a dimensão exata de nossa pequenez; deveria nos fazer sentir o grão de poeira insignificante que somos; deveria lembrar que não somos os senhores ou controladores daquilo que vemos ou podemos imaginar; deveria nos ensinar que existe uma entidade, e somente uma, que define a existência ou não de tudo, o inescrutável tempo.
Tudo que vemos deveria inspirar não somente o exercício da humildade, mas nos obrigar a reverenciar a entidade dona absoluta do destino, o tempo. De fato, o tempo é a única entidade que permanecerá depois de nós, depois das coisas, depois do Universo, depois de tudo. Podemos deduzir que o tempo tudo construiu e a tudo suplantará, ele próprio é imune ao tempo.
A natureza é prova viva de quanto o tempo pode criar, de que ele tem um objetivo, no qual nos incluímos, somos uma criatura do tempo. Criador fecundo, o tempo assegura a existência de tudo até quando não houver mais tempo na existência dos seres e das coisas quando, então, a vida, as coisas e próprio Universo deixarão de existir, então restará apenas o vácuo absoluto e o tempo, depois, por algum processo ainda desconhecido... JAIR, Floripa, 23/06/10.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

IMAGINANDO O TEMPO


Imaginemos o inescrutável, o inelutável e o resoluto, estaremos imaginando o TEMPO.

Concebamos o imperturbável e o insensível, estaremos concebendo o TEMPO.
Olhemos o infinito, o imensurável e estaremos olhando o TEMPO.
Invoquemos o absoluto, estaremos invocando o TEMPO.
Admitamos a eternidade, estaremos admitindo o TEMPO.
Conjeturemos a imensidão do Universo, estaremos conjeturando o TEMPO.
Acreditemos na perenidade, estaremos acreditando no TEMPO.
Esperemos a vitaliciedade, estaremos esperando o TEMPO.
Apostemos da sapiência da natureza, estaremos apostando no TEMPO.
Aceitemos a evolução como resposta à existência da vida, estaremos aceitando o TEMPO.
Aproveitemos o presente, lembremos o passado e aguardemos o futuro, estaremos vivendo o TEMPO, porque TEMPO é vida.
JAIR, Floripa, 28/05/10.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CONTEMPLANDO O TEMPO


A coisa mais misteriosa e esplêndida que podemos imaginar é o TEMPO. Ele é fonte e motor de toda experiência humana concebível e vai até muito além, vai onde nossa imaginação abandona a fronteira do palpável e do visível, e contempla o apenas presumível, o etéreo. Ninguém e nenhuma coisa escapam à sua inclemência e sua obtusa regularidade que a tudo limita e em tudo influi, desde a coesão íntima das partículas subatômicas até a complexa mecânica dos conglomerados galácticos. Àqueles que se recusam quedar-se extasiados à sua força propulsora que, literalmente, move montanhas; e formular sua extrema admiração por essa “entidade” ubíqua e poderosa, dela não conseguirão esquivar-se, não lhes resta senão serem, como todos os demais, tratados com a imparcialidade e insensibilidade de sua marcha constante rumo ao infinito, pois o TEMPO não discrimina, não escolhe e não redime. Estas são pessoas mortas, seus olhos e suas mentes estão fechados para aquilo que é a mais formidável e drástica demonstração de inexorabilidade; para a beleza suprema só perceptível através da mente permeável à estética transcendente, se esta existe.

Saber que ele é imperturbável e absoluto nos dá a correta medida de nossa insignificância, de nossa transitoriedade. O Universo ao TEMPO tudo deve, pois ele é a quarta dimensão da matéria, sem ele nada existiria e nada teria razão de existir. O TEMPO simplesmente é, nada lhe perturba o andamento resoluto e pertinaz elevado a potência infinita. JAIR, San Diego, 10/05/10.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

SEMPRE O TEMPO



Muito antes dos tempos existia o ovo cósmico e o TEMPO. Após a mega explosão que a tudo deu início, ele criou a matéria e a dispersou pela infinitude do cosmos. Onde nada existia, agora surgiam galáxias pejadas de estrelas, cometas, quasares, buracos negros, horizonte de eventos e tudo mais. O TEMPO, tendo semeado estrelas, agora se ocupava em orná-las com planetas que as circulavam feito moscas que rodeiam a lâmpada. Ainda que não existissem lâmpadas, tampouco moscas, tanto estas como aquelas teriam que aguardar que o TEMPO as criasse. Planetas eram rochas flamejantes que lembravam estrelas-crianças que, como Peter Pan, se recusavam a crescer. Ele, o TEMPO, se encarregou de jogar água na fervura dos planetas, esfriou-os de modo a se tornarem lugares menos hostis. Por que não? Feito isso, verificou que agora era possível criar um ambiente profícuo, uma espécie de sopa primeva onde moléculas elementares podiam bem se relacionar criando novas e mais complexas moléculas. Isso se deu a 3,7 bilhões de anos, coisa que, para o TEMPO, nada significa. Nesse caldo de cultura, substâncias orgânicas concentravam-se localmente, talvez em gotículas em suspensão, ou espuma que secava nas margens dos mares. Com o TEMPO e a influência da energia dos raios ultravioleta do sol, combinavam-se em moléculas maiores e mais complexas.

O TEMPO a tudo comandava como um mestre perseverante e calmo cuja paciência mede-se, não em décadas ou milênios, mas em milhões de anos. Naquelas eras as grandes moléculas orgânicas podiam boiar livremente no caldo cada vez mais denso sem serem molestadas, o TEMPO estava a seu favor. Num dado momento formou-se por acidente, uma molécula notável, uma molécula que podia replicar-se. O TEMPO havia proporcionado esse fausto acaso. Na verdade, uma molécula que possa fazer cópias de si mesma não é tão difícil de imaginar como parece à primeira vista e só teria de surgir uma única vez e, para isso, basta que exista TEMPO suficiente. Nada tão insólito, portanto. Não terá sido necessariamente a molécula maior ou mais complexa de todas, que adquiriu essa propriedade extraordinária de ser capaz de tirar cópias de si mesma, mas, por certo, terá sido uma molécula que sofreu um acidente singular. Um acidente nem um pouco improvável, no entanto, certamente, um acidente fundamental, desde que houve TEMPO para que acontecesse. Que acidente fantástico seria esse, já que, replicar-se significa reproduzir-se, significa perpetuar-se, deixar descendência, enfim, significa VIDA? Bem, o TEMPO criou-a e soube esperar que raios cósmicos que, em geral, atravessam nossa atmosfera aos bilhões por minuto, atingissem o âmago da molécula e modificassem a estrutura dos átomos que a compunham, proporcionando à sortuda molécula o poder de auto replicar-se. Foram necessários milhões de anos, na verdade um TEMPO enorme, até que grande quantidade de substâncias muito mais complexas que as originais surgissem. Com o TEMPO são encontrados aminoácidos – os blocos de construção das proteínas, classe de moléculas biológicas. Mais TEMPO ainda, e foram surgindo substâncias orgânicas chamadas “purinas” e “pirimidinas” – blocos de construção da molécula de DNA.

E o TEMPO facultou que a vida evoluísse em variedade e complexidade, porque a evolução é um atributo do TEMPO. Milhões de espécies povoaram lagos, rios, ares, mares e terra do Planeta numa variedade infinita graças ao TEMPO. De moneras a plantas e bactérias, de peixes, répteis e aves a mamíferos. Grandes e pequenos, de sequóias a insetos, todos seguiram crescendo e multiplicando-se, variando e ocupando todos os nichos habitáveis, e até os tecnicamente inabitáveis da Terra, ao longo do TEMPO.

Mas, o TEMPO que havia criado a vida também a suprimia, exterminava. Seres que não se adaptassem a novas condições eram, implacavelmente, varridos do Planeta pelo TEMPO. Assim, todas as criaturas estavam agregadas ao TEMPO que dispunham para evoluir ou morrer. O TEMPO as criou, o TEMPO as destrói. Infeliz é a criatura que acredita ser possível driblar o TEMPO, no fim este não a perdoará, transformá-la-á nos elementos que a compõe. O pó ao pó retornará, o TEMPO se encarrega disso.

Bem, agora tudo funcionava como o TEMPO havia determinado, o relógio cósmico andava para frente há bilhões de anos e o universo se expandia para além de fronteiras sequer imagináveis. Só que o TEMPO, cuja dimensão excede o próprio universo, continua, enquanto os efeitos da grande explosão perdem impulso e, finalmente cessam, daí uma força colossal chamada gravidade se encarrega de contrair aquele universo dilatado ao extremo. Novamente, éons se passarão até que o universo se converta naquele ovo onde tudo começou. TEMPO não faltará. JAIR, Floripa, 24/04/10.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A TIRANIA DO TEMPO


Meus leitores já devem ter percebido que o tempo, com todas suas implicações, é tema recorrente em muitos de meus textos. Ora ele se apresenta em torno de relógios que tentam aprisioná-lo em seus ponteiros e dígitos; ora ele aparece na forma de poesia que o admira em sua perpetuidade e imparcialidade; ora ele é tratado como uma entidade viva que permeia os desvãos de todas as coisas e das atividades humanas. No dia-a-dia o tempo é igual para todos, acomete tudo e todos sem distinção; corrói o metal, degrada o seres vivos, eleva montanhas, seca oceanos e permanece imutável não obstante tencionarmos escravizá-lo colocando rótulos: segundos, minutos, meses, séculos etc. Contudo, é ele que nos escraviza, é um tirano implacável que não se comove com o drama da vida. A tirania do tempo é um fenômeno de nossa era, tão arraigado e presente que raramente pensamos a respeito. Mantemos o tempo em nosso pulso, nas paredes, em locais públicos, torres de igrejas e em todo local que estejamos.
Os relógios os quais decoram o pulso de todas as pessoas, de autoridades a gente comum, podem ter um mecanismo de mola que impulsiona os ponteiros ou um cristal minúsculo que oscila tão precisamente em reação a um impulso elétrico que ele nem adianta ou atrasa mais do que alguns segundos por ano. Os relógios eletrônicos, esses a bateria, são um milagre da tecnologia que passa despercebido; são aparelhos 99,9999 % exatos e ainda assim costumam ser tão baratos que podem ser descartáveis.
A história do relógio atual está ligada aos primeiros aparelhos mecânicos para controle do tempo durante a época elisabetana com o propósito da navegação em longas travessias oceânicas.
Antes disso, Galileu, ainda um jovem estudante sentado na catedral de Pisa, ao invés de prestar atenção na missa, notou a oscilação de um grande lustre suspenso. Usando o próprio pulso como cronômetro, Galileu notou que o lustre parecia levar o mesmo tempo para percorrer um grande arco como para percorrer um arco menor. Essa observação lhe sugeriu uma lei: O tempo necessário para que um pêndulo realize uma oscilação independe da amplitude da oscilação. Nasceu aí o conceito do relógio de pêndulo.
Durante a Idade Média e o Renascimento, os mestres relojoeiros eram artesãos de elite e as principais cidades da Europa disputavam seus talentos quando visavam adquirir o símbolo de status de uma torre com relógio. O mais antigo relógio ainda funcionando encontra-se na catedral de Salisbury na Inglaterra, está tiquetaqueando desde 1386.
Antes da tecnologia mecânica, todo o controle do tempo baseava-se nos ciclos do céu. Nascer e pôr do Sol e da Lua, marés, estações frias e quentes. O controle do tempo tinha o propósito prático de regular a agricultura. A necessidade de controlar o tempo é anterior à civilização, os povos nômades tinham que acompanhar as estações para determinar época de caça, de colheita, de mudança etc.
É irônico que marquemos o tempo com precisão cada vez mais acurada e, ainda assim, não prestemos atenção à vasta extensão de tempo que se estende à nossa frente. Para enfatizar esse despropósito de tempo que fluirá depois que nossa civilização se for, Danny Hills está construindo um relógio que marcará o tempo com perfeição durante cem mil anos. O seu “Clock of the Long Now” é um marcador de tempo para a falta de pensamento de longo prazo da nossa cultura. O relógio tiquetaqueará uma vez por ano, soará o gongo a cada século e o cuco sairá a cada milênio. Esse relógio reúne a melhor tecnologia digital e mecânica e terá uma precisão quase absoluta; continuará marcando o tempo muito depois de seu criador e todos nós termos morrido, é um relógio definitivo. Para muitas pessoas parece estranho que um mecanismo marque um tempo que temos dificuldade de assimilar: um tempo extremo.
Contudo, o que ressalta dessas vãs tentativas de controlar o tempo, é nossa submissão à sua transcendência, ele de nós não depende e a nós nada deve, estejamos ou não na face deste planeta azul; o tempo não espera e não apressa, não divide nem soma, não vive nem padece, a despeito de tudo ele simplesmente É. JAIR, Floripa, 24/01/10.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

SINAL DOS TEMPOS



Na Austrália, grandes porções de seu imenso território são desérticas, o chamado Outback. Localizado na Austrália Central é caracterizado por extensas planícies, inclui o Grande Deserto de Gibson, o Grande Deserto de Areia, Grande Deserto de Vitória, Pequeno Deserto de Areia, Deserto Nullarbor Plain Painted, Deserto Pedirka, Deserto Simpsom, Deserto Strzelecki, Deserto Sturt's Stony, Deserto Tanami e Deserto Tirari, é deserto para nenhum tuaregue ou a habitante do Shael africano botar defeito. A maioria dos desertos se encontra no centro e noroeste do país. O tamanho dos desertos combinados chega a 1371000 quilômetros quadrados e ocupam quase 2/3 do continente. Em grande parte dessa região, especialmente na seca porção ocidental, os únicos humanos habitantes da área são aborígines Australianos, muitos dos quais têm tido muito pouco contato com o mundo exterior. Nas regiões mais áridas prevalece uma flora espinhosa conhecida como "scrub". Porém, na região do oeste existem mais de 6.000 variedades de flores, que desabrocham entre os meses de setembro e novembro. A fauna se caracteriza pela existência de dingos, cães selvagens australianos que sobrevivem da caça; dromedários que foram trazidos do Afganistão quando da colonização e se adaptaram à região tornando-se praticamente nativos; algumas espécies de cangurus não muito exigentes quanto à alimentação e água; uma variedade enorme de lagartos e cobras; e, o mais curioso, uma espécie de sapo vive numa zona onde chove apenas uma vez em cada sete anos e tem a capacidade de absorver muita água que mantém em reserva, através de produção de queratina, substância que existe nas unhas e cabelos. A produção de queratina produz uma espécie de embalagem natural, que permite ao sapo conservar a reserva de água durante muitos anos até que chova de novo. Próximo a Alice Springs, bem no meio do continente, - e do Outback por consequência - localiza-se a famosa formação rochosa conhecida como Ayers Rock, ou Uluru, que tem 346 metros de altura e atrai turistas do mundo inteiro. O Uluru é um monólito de arenito vermelho que lhe dá aquela cor característica, aliás, cor predominante em todos os desertos devido à areia vermelha que forma os solos antigos.



Também curiosa é a cidade subterrânea Coober Pedy que é hoje uma das mais diferentes cidades da Austrália. Sua população de 3.500 habitantes é formada por mais de 45 nacionalidades diversas. O estilo de vida calmo e simpático da cidade a tornou um local de tolerância e diversidade cultural. Coober Pedy é mais conhecida por suas habitações. Há várias acomodações subterrâneas que protegem do duro clima de fora (mas há também casas acima do solo, para quem preferir). O visitante pode conhecer as autênticas casas subterrâneas, assim como os museus, lojas de opala, capelas e igrejas e claro, as minas de opala! Pois é, tirante essa imensa região desértica onde predominam espécies curiosas de flora e fauna, e onde a Inglaterra explodiu três bombas atômicas na década de cinquenta, a Austrália é um país desenvolvido, com um povo multi-étnico trabalhador, com ótima distribuição de renda, sem desemprego, com alguns problemas raciais mal resolvidos com os aborígines, mas muito ativo, atrativo e bonito. A maior parte (95%) de sua população de 24 milhões de habitantes concentra-se nas bordas do continente, no litoral, onde a agricultura produz não só para consumo interno, como também para exportação. Indústrias de máquinas pesadas, naval e exploração de minas de carvão, ferro, ouro e diamantes também se situam no litoral. Acontece que o litoral australiano, seja no leste no lado do Pacífico, ou no oeste no oceano Índico, no norte ou no sul, é um mundo diferente do Outback, os habitantes do litoral têm água em abundância, têm florestas tropicais, clima temperado, frio e até neve nos picos mais altos e vidas urbanas sem qualquer aparência bizarra ou conduta exótica. Esta semana, esse mundo “normal” tornou-se uma estranha mistura de clima marciano e ambiente de ficção científica. Ventos de mais de cem quilômetros por hora oriundos do Outback, carregando milhões de toneladas de poeira vermelha dos desertos, invadiram as cidade de Sydney e outras no litoral de Nova Gales do Sul deixando-as com aparência, no mínimo, inusitada, para não dizer esquisita. E para quem consegue ver poesia em crepúsculos e arrebóis, o céu mais maravilhoso depois das auroras boreais e austrais. O ar que envolve as cidades tornou-se vermelho e opaco, as luzes das ruas tiveram que ser acesas de dia e os aeroportos foram fechados, ninguém ficou alheio ou imune à poeira. Há que lembrar que tal fenômeno NUNCA havia acontecido antes, sendo que há setenta anos houve um caso parecido mas de proporções sensivelmente menores. Quando se dá pouca importância aos alertas de aquecimento global e suas consequências; quando os países como China e Estados Unidos, maiores poluidores do Planeta, não se preocupam em diminuir suas emissões de carbono; quando a humanidade continua consumindo níveis elevadíssimos de energia em nome de um tal desenvolvimento que atinge apenas os países já desenvolvidos, parece que a natureza dá o aviso: “vejam o que sou capaz de fazer se vocês, humanos gananciosos e insensíveis, não se conscientizarem dos problemas que estão criando”. Enchentes brutais, secas duradouras, frios intensos, calor em excesso, chuva ácida, neve em época e local errados e ventos secos carregados de poeira deletéria, estão aí para provar que o clima do Planeta está reagindo à incúria do bicho homem que não cuida da casa onde vive; que não se preocupa com a conservação de seu próprio lar; que não olha com responsabilidade de ser pensante e racional para o futuro da sua espécie e dos demais seres que aqui vivem. A resposta da natureza à negligência humana é o Sinal dos Tempos, é o aviso urgente que seremos vítimas de nossa própria incapacidade de gerir os recursos que ela põe à nossa disposição. JAIR, Floripa, 23/09/09.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O PLANETA


O planeta Terra é um organismo vivo. Suas crostas, suas entranhas, seus oceanos, bem como sua atmosfera estão sempre em movimento, se renovando e se comportando com todas as características de um ente pulsante de vida. As rochas terrestres não constituem massas estáticas. Elas fazem parte de um planeta cheio de dinâmica (variações de temperatura e pressão, abalos sísmicos e movimentos tectônicos). Da mesma forma, as atividades de processos biológicos e atmosféricos causam constantes alterações sobre as massas continentais. Montanhas e rochas crescem e depois desaparecem; mares, lagos e rios surgem para secarem ao longo das eras; desertos, vales, planícies aparecem e somem da paisagem; florestas, ilhas e geleiras surgem para morrerem quase sem deixar rastros. E a existência do ser humano, calculada em menos de um século, não consegue abarcar esses fenômenos telúricos na sua totalidade porque o tempo que os impele e faculta é extremamente longo comparado ao nosso ciclo vital. Ainda que cheguemos a ver rios desaparecendo, lagos secando ou desertos surgindo, o desaparecimento natural de uma montanha, por exemplo, é algo inusitado que não nos é dado observar na nossa curta existência. Conquanto não seja um fenômeno observável, as montanhas surgem e desaparecem no Planeta, porém, o tempo deve ser contado em eras geológicas, e não em anos como estamos acostumados no dia-a-dia. Há indícios que os Andes ainda estão em crescimento, por estranho que possa parecer. Então, os Andes com suas imensas montanhas não passam de um adolescente em fase de desenvolvimento, apesar de seus cinco milhões de anos. A crosta terrestre é a camada externa sólida do planeta, sendo dividida em crosta continental e crosta oceânica, ambas sujeitas ao movimento da placas tectônicas que moldam, modificam, desfazem e constroem seus perfis e formas ao longo de milhões de anos. Na verdade, existem apenas três espécies de rochas na Terra: Rochas Ígneas - São aquelas resultantes da solidificação do magma (material ígneo que está no interior do globo terrestre, e que é expelido pelos vulcões). Quando a consolidação do magma ocorre abaixo da superfície formam-se rochas ígneas. O granito é um exemplo de rocha ígnea; Rochas Sedimentares - Resultam da deposição de detritos de outras rochas (magmáticas ou metamórficas), ou do acúmulo de detritos orgânicos ou ainda, da precipitação química, geralmente em planos baixos, rios, lagos ou vales. Arenito, calcário e ardósia constituem exemplos clássicos dessas rochas; Rochas Metamórficas - Resultam da transformação de outras rochas preexistentes, agora, sob novas condições de temperatura e pressão. Tal transformação acontece pelo aumento da temperatura e ainda ocasiona a elevação da pressão e o aumento de deslocamentos, o que resulta na fragmentação da rocha original. Exemplos: mármore e gnaisse. A superfície da Terra é formada tanto por processos geológicos que formam as rochas, como por processos naturais da degradação e também de erosão. Uma vez que a rocha é quebrada por causa da degradação, os pequenos pedaços podem ser movidos pela água, gelo, vento, ou gravidade. Tudo o que acontece para fazer com que as rochas sejam transportadas chama-se erosão. A superfície do solo, não castigado, é naturalmente coberta por uma camada de terra rica em nutrientes inorgânicos e materiais orgânicos, resultantes da morte de organismos vegetais e animais, que permitem o crescimento da vegetação, daí surgem as florestas; se essa camada é retirada, esses materiais desaparecem e o solo perde a propriedade de fazer crescer vegetação e pode-se dizer que, no caso, o terreno ficou árido, o que pode levar a uma desertificação. As águas da chuva quando arrastam o solo, quer ele seja rico em nutrientes e materiais orgânicos, quer ele seja árido, provocam o enchimento dos leitos dos rios e lagos com esses materiais e esse fenômeno de enchimento chama-se assoreamento. O arrastamento do solo causa no terreno a erosão, também chamada voçoroca. O TEMPO, há quatro bilhões de anos, atua no planeta modificando-o de todas as formas, renovando suas terras e águas, mexendo na atmosfera, formando camadas de gelo depois derretendo, transformando a Terra de jovem quente e estéril em matrona viçosa, agitada e cheia de vida. Lembrando que o Planeta é um organismo delicado que não admite grandes choques e traumas violentos, nas ocasiões que foi abalado por variações climáticas acentuadas ou atingido por asteróides, resultou na quase total extinção da vida então existente. Toda essa movimentação para cima, para baixo, para os lados, constitui a pulsação de vida da Terra. É a manifestação imanente de que ela é um organismo ativo sob todos os aspectos, e que, se não atentarmos para os cuidados que devemos a ela, poderá, um dia, sofrer colapso estrutural ecológico de forma a não mais suportar vida de qualquer natureza. E, se isto acontecer, seremos os primeiros a sentir na carne os efeitos desse falecimento, sem apelação, pereceremos todos, faremos parte daqueles organismos que um dia vicejaram na superfície do Planeta e foram extintos para sempre. JAIR, Floripa, 13/09/09.

sábado, 12 de setembro de 2009

FIO CONDUTOR



Seja na imensidão do cosmos onde todos os astros são regulados e mantém o equilíbrio de suas órbitas rigorosas, como um relógio formidável, a despeito das imperiosas forças, - como ventos estelares, campos magnéticos e a espantosa gravidade - que, em constante interação umas com as outras e, como para provar a teoria, os puxam e empurram na direção do caos; ou seja no íntimo da matéria, no interior das partículas que a compõe, onde as regras são seguidas em perfeita consonância com o como e o porquê daquela física ou química que determina a forma, a cor, o peso e a densidade do objeto, está presente um fenômeno de ação constante que determina e permite essas manifestações. O ajuste perfeito integrado à matéria em todos os níveis; as leis invisíveis que regem os movimentos e o equilíbrio estático de todos os objetos; a luz que emana das fontes naturais; e a percepção que tudo está no universo cumprindo perfeitamente algum fim, - embora este nos escape à compreensão o mais das vezes, - são prova cabal e insofismável que existe algo presente, que permeia o íntimo de todas as criações, e até mesmo o “vazio” das regiões cósmicas não ocupadas por galáxias. A ciência, na sua erudita ignorância, concorda que existe uma ligação entre todos os eventos da natureza, façam eles parte do macro ou do micro cosmos. Algo assim como um “fio de Ariadne” transcendental que une os eventos não só na sua singularidade, mas também na sua gênese: o que mantém a máquina cósmica funcionando e o âmago das partículas de matéria coeso seria o FIO CONDUTOR universal que nós conhecemos por TEMPO. Insofismável e misterioso TEMPO, este imparcial juiz de sentenças irrecorríveis. JAIR, Floripa, 27/08/09.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

NÓS E O TEMPO


Nós estamos apenas de passagem, nosso papel de seres pensantes é viver da melhor maneira possível e pelo maior período de tempo que formos capazes, além de ajudar os outros a fazerem o mesmo. O Que acontece depois disso, e como somos julgados pelos demais, escapa ao nosso controle, a posteridade é resultado do que fizermos hoje, assim como o presente é o somatório de nosso passado. O tempo é como um rio que a tudo arrasta impiedosamente, sem que nós tenhamos ascendência sobre ele, ou que possamos influir na sua marcha obtusa e implacável. Tudo que existe é apenas o presente, e é a ele que nos devemos ater independente do que fizemos ou fomos no passado e de como desejamos ser ou fazer no futuro. O homem, às vezes, tem a veleidade de atribuir ao tempo boas ou más influências em sua vida, em sua mesquinhez ou em suas virtudes, mas, ao que parece, esta é apenas atitude de quem desconhece a verdadeira natureza da entidade TEMPO. Tenhamos consciência que o TEMPO não espera, não apressa, não pára e não contempla dúvidas e vacilações, ele desconhece nossas incertezas, desejos e aspirações, ele não nos adula mas, também não nos pune, nós é que somos instrumentos e alvos de nossas falhas e sucessos, o tempo apenas observa indiferente as ações de suas imperfeitas e presunçosas criaturas, que somos nós. JAIR, Floripa, 09/09/09.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

VERTEDOURO


Etéreo e ubíquo verte, num jorro copioso, a totalidade das criaturas sem nada ter ingerido, sem prévia deglutição do mais ínfimo átomo que seja. Cria do amálgama de pó virtual, a matéria, a luz e o pensamento. Este, o único que tenta dimensioná-lo, convertê-lo à razão, contudo, sem jamais compreendê-lo na sua plenitude, sem jamais equacioná-lo em forma de teorema ao alcance de mentes matemáticas. Pródigo na virtude de criar esbanja crueldade que, com indiferença, aplica às coisas que criou de forma a retorná-las ao pó de onde vieram; coisas que nasceram e acabam como começaram. Sabe, sem esforço de pensar, tudo, do infinitesimal ao imensurável; transcende a finitude do perceptível e se perde na amplidão onde apenas a imaginação alcança; desdenha sentimentos, idéias e a própria vida; perene, não possui início e não terá fim, existiu antes e existirá depois. É a gênese do universo e só poderá ser vislumbrado no exato microponto onde o infinito cruza com o eterno. É o TEMPO. JAIR, Floripa, 24/08/09.

sábado, 5 de setembro de 2009

TENTANDO ENTENDER


O ser humano, criatura do TEMPO, angustiado, tenta entender tudo a sua volta, e o faz movido pela busca incessante do saber que, na sua santa ignorância, admite como único caminho para obter respostas para as perguntas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Para chegar ao entendimento, o homem empreende busca insana e desesperada no âmago das partículas atômicas; se perde nas profundezas abissais do oceano; flutua indagativo no espaço etéreo e não dimensionável; contempla curioso o interior de seu próprio organismo; explora expectante o funcionamento das leis da natureza. Incansável, usa a melhor ferramenta a seu alcance, o cérebro, para observar tudo que o cerca, coletar dados, analisá-los e tirar conclusões. Buscando, obtém certo grau de sucesso com coisas físicas, perceptíveis e manipuláveis, mas com o tempo não, este o desafia como ente acima da sua medíocre compreensão. O homo sapiens filosofa, medita, reflete e culpa o tempo, mas não tem controle sobre ele; atribui a ele todos os males que o afligem e agradece todas as curas que o salvam, mas não o entende; sofre as conseqüências da sua eterna marcha, mas não o manipula; vive sob o império de seu jugo implacável, mas não o conquista. O impalpável e ubíquo tempo escapa a qualquer tipo de conceituação rigorosa e, se resta consolo ao buscador de respostas, o homem apenas consegue quantificá-lo, colocar rótulos, criando a ilusão que pode ter alguma influência sobre ele: segundos, minutos, dias, anos, séculos, milênios, eras etc. Enquanto isso, desprezando todos os esforços do homem e até ignorando-o, o tempo caminha reto, decidido, para frente, traçando a linha condutora de todas as coisas vivas e inanimadas ao fim inelutável. JAIR, Floripa, 02/09/09.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A QUARTA DIMENSÃO


Ao contrário do que possa parecer, antes de ser considerado recurso literário vazio, ou expressão de efeito para ilustrar conversa pseudo científica, a quarta dimensão é uma realidade, é um fato incontestável. Imaginemos um objeto qualquer definido dentro das três dimensões clássicas, altura, largura e profundidade, mas sem duração, sem o intervalo de tempo que determine seu início e término; o mesmo se aplica a um evento também, é impossível imaginar a vida sem nascimento e sem morte no final, por exemplo. Ao se considerar um ser que não passou pela vida tempo algum, não se pode afirmar que viveu, portanto, nunca existiu. Se não começa e não termina, não existe. Tão óbvia é esta afirmação que é difícil até concebê-la. Sejam eventos ou coisas, não há possibilidade de existirem sem duração, portanto, o tempo é uma dimensão fundamental na existência de coisas ou eventos, ainda que, admissível, em tese, coisas com apenas duas dimensões como um desenho no papel, onde a profundidade não tem importância, só sendo consideradas largura e altura. Esse mesmo desenho para existir tem que ter intervalo entre o momento de sua criação até o dia em que for apagado ou destruído de outra maneira, daí podermos afirmar que a quarta dimensão, o TEMPO, é até mais importante que as outras. O TEMPO é, sem qualquer possibilidade de contestação, a quarta dimensão da totalidade das coisas, já que sem duração, sem o intervalo entre o “Big bang” e o fim dos tempos, o universo, na prática, passa a ser uma impossibilidade. JAIR, Floripa, 03/09/09.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

INEXORABILIDADE


O definhar da vida e o degradar das coisas inanimadas é a marca cabal da passagem do TEMPO que, como um mago, conduz com precisão absoluta o movimento uniforme de tudo que existe rumo ao fim insondável. Esse mesmo tempo que foi a gênese de todos os entes que povoam o universo, e que, inexorável, destrói suas criações de cuja matéria formará novas vidas e novas coisas, de átomos a estrelas. Implacável, o tempo soma as partes, diminui espaços, divide a matéria e multiplica seres. O tempo criou a matemática, a geografia e a história; o tempo é maestro invisível da graciosa dança passiva dos astros no espaço imensurável; assim como, condutor imparcial da vida terrena, desde a bactéria microscópica até a imensa baleia azul; passando pelas espécies da ordem dos primatas na qual se enquadra o pretensioso bípede humano. Permanente, cruel e radical, contempla o infinito com a intimidade e segurança de quem o criou e dele ri, como um pai satisfeito ri do filho que mal despontou na vida. Nada o intimida ou incomoda dentro da realidade a qual gerou com naturalidade de quem criou, num notável Big Bang, milhões de bilhões de coisas num piscar de estrela, ou num átimo de trilhonésimo de segundo. A emoção, a paixão, a vida e a morte não passam por ele, não pertencem ao acervo de seus adventos, nada significam, na medida em que são apenas sentimentos e eventos de entes que não tem a marca da inexorabilidade, a qual só ao tempo pertence. JAIR, Floripa, 25/08/09.

domingo, 23 de agosto de 2009

A CORNUCÓPIA DO UNIVERSO


Como um deus generoso, transborda na natureza todos os entes que criou do nada, sem preocupar-se em saber, em sentir, em ter, indiferente. Ancho, dadivoso, solene e vasto, compreende cada grão de areia do deserto e cada estrela do universo. Traz no bojo, a sabedoria do eterno e vaga insensível sem apegar-se ao material, ignorando até a simples existência das coisas; transfigura-se no zero absoluto dos seres para quem nele pensa ou tem a veleidade de tentar compreendê-lo. Nada sobra quando ele se vai, mesmo porque, nada existiria sem ele e nada faria sentido na sua ausência, se esta fosse possível. Da vida, que a ele deve sua existência, nada exige e nem se dá ao exercício de encorajá-la ou exaltá-la como se importância tivesse além de existir, apenas. Dos seres que criou não tem a menor comiseração ou ressente-se se estes o desconjuram e a ele atribuem suas desgraças e mazelas. Desloca-se reto, obtuso, obstinado, sempre para frente, em velocidade constante rumo ao absoluto, onde só ele reinará pela eternidade. Ele é a cornucópia do universo, ele é o TEMPO. JAIR, Floripa, 23/08/09.

sábado, 22 de agosto de 2009

TEMPO


Há, sem dúvida, entre a ciência e os demais saberes filosóficos ou não, um acordo tácito no qual tudo é discutível, quaisquer coisas ou princípios se encontram abertos às dúvidas e questionamentos, o próprio infinito é, em princípio, uma abstração cuja realidade virtual depende de acreditarmos na sua existência. A única e inquestionável “entidade” é o TEMPO, ao qual não se pode atribuir adjetivos e é inconjugável; sua existência independe de nós, de nossa mente, de nossa fé e até do universo; o tempo é a alma imortal de todas as coisas; o tempo é o fio condutor universal que mantém a coesão do átomo até o aglomerado galáctico. Se o tempo deixar de existir ninguém notará, porquanto não haverá ninguém para notar. JAIR, Floripa, 22/08/09.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DO TEMPO


Há o grande, o maior, o extenso, o enorme, o gigante, o de extraordinária grandeza, o imensurável e o TEMPO; Há o menor, o mínimo, o exíguo, o pequenino, o minúsculo, o microscópico, o infinitesimal e o TEMPO; Há o discernível, o perceptível, o evidente, o óbvio, o visível, o claro, o explícito, o insofismável e o TEMPO; Há o obscuro, o cinzento, o sombrio, o escuro, o atro, o pretume, o negror, a escuridão completa e o TEMPO; Há o duvidoso, o plausível, o discutível, o quase certo, o muito provável, o infalível, o incontestável e o TEMPO; Há o opaco, o claro, o translúcido, o diáfano, o transparente, o apenas distinguível, o invisível e o TEMPO; Há o pirilampo, a lamparina, a vela, a lâmpada, a claridade, o relâmpago, a luz do sol a explosão nuclear e o TEMPO; Há o limitado, o evidente, o imperioso, o subsistente por si só, o inquestionável, o absoluto e o TEMPO; Há o atrasado, o devagar, o lento, o demorado, o quase parado, o imóvel, o absolutamente congelado e o TEMPO; Há o ágil, o móvel, o ligeiro, o rápido, o célere, o velocíssimo, o raio, a velocidade da luz e o TEMPO; Há o hoje, o amanhã, o depois de amanhã, o semana que vem, o próximo ano, o futuramente, o nunca e o TEMPO; Há o simples, o elaborado, o emaranhado, o intrincado, o muito complicado, o diabolicamente complexo e o TEMPO; Há o fugaz, o breve, o sazonal, o contínuo, o perene, o quase perpétuo, o eterno e o TEMPO; Há o exeqüível, o realizável, o possível, o viável, o praticável, o quase compulsório, o obrigatório e o TEMPO; Há o trabalhoso, o oneroso, o árduo, o penoso, o dificultoso, o quase irrealizável, o impossível e o TEMPO; Há a unidade, a dezena, a centena, o milhar, a dezena de milhar, o bilhão, o trilhão, o infinito e o TEMPO; Há o usado, o velho, o arcaico, o antigo, o medieval, o pré-histórico, o paleolítico, o jurássico e o TEMPO; Há o próton, o nêutron, o elétron, o méson, o bárion, o fóton, o lépton, o tríton, o quark e o TEMPO; Há o substantivo, o adjetivo, a conjunção, o pronome, a interjeição, o artigo, o advérbio, o verbo e o TEMPO; Há o reino mineral, o vegetal, o animal, o fungi, o monera, o protista, o vírus, a ameba e o TEMPO; Há o Sol, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão, a Lua e o TEMPO; Há o planeta, o satélite, o asteróide, o meteorito, o cometa, o sistema solar, o quasar, a galáxia e o TEMPO; Há a guerra e a paz, o bem e o mal, a vida e a morte, o certo e o errado, superficial e o profundo, o real e o imaginário, o nada e o tudo e o TEMPO; Há o TEMPO. Somente o tempo É. JAIR, Floripa, 03/07/09.