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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Acacallis cynea











Fui informado por meu amigo blogueiro Attico Chassot que hoje é o dia do Orquidófilo, de modo que, por ser orquidófilo, fiquei na obrigação de prestar homenagem a estas que em texto anterior chamei de “As mais belas flores do Planeta”, as maravilhosas orquídeas.
Então, como escrever algo a respeito dessas plantas que seja uma homenagem sincera e faça jus a sua beleza? Acho que posso ressaltar algo de exótico como a cor azul. Embora exista muita orquídea por aí apresentando várias tonalidades de azul, todas são “orquídeas de laboratório”, flores desenvolvidas a partir de cruzamentos entre espécies e até entre gêneros diferentes. Na natureza essa cor é rara, tão rara que os livros que tratam dessas flores costumam relatar a existência de apenas cinco espécies azuis. Entre essas espécies a que mais chama atenção por sua beleza é a Acacallis cynea, encontrável na floresta amazônica. No hotel que eu ficava hospedado em Manaus, hotel Tropical, existe um orquidário bem montado e bem cuidado com centenas de exemplares de orquídeas da região, o qual eu costumava frequentar para apreciar as lindezas que iam florindo em diversas ocasiões ao longo do ano. Dentre as tantas plantas existia uma, e apenas uma, Acacallis cynea, e ela florescia em novembro. O cuidador do orquidário sempre chamava minha atenção para quando ela estivesse prestes a desabrochar para que eu não perdesse o evento. Por dois ou três anos tive a satisfação de ver a Acacallis florida. Confesso que me emocionei cada vez.
Reproduzi aqui algumas fotos da bela Acacallis encontradas na internet porque as minhas fotos tiradas antes das máquinas digitais encontram-se em alguma gaveta por aí e não sei como achá-las. Fica aqui minha prova de veneração às mais belas flores do Planeta. JAIR, Floripa, 22/06/11.

sábado, 1 de maio de 2010

BESOUROS, ORQUÍDEAS E EVOLUÇÃO


O Besouro e a orquídea Ophyr


Taí um tema interessante, sou evolucionista convicto, juramentado e militante e nutro paixão por orquídeas as quais chamo de “As mais belas flores do Planeta”, conforme texto que publiquei, além disso já produzi texto sobre coleópteros.

Pois é, talvez a mais curiosa dependência do cheiro para encontrar uma companheira e perpetuar a espécie seja encontrada num besouro sul-africano que costuma se enterrar no solo e ali permanecer durante o inverno. Na primavera, com o degelo, os besouros emergem, mas os machos o fazem algumas semanas antes da fêmeas. Nessa mesma região da África do Sul, evoluiu uma espécie de orquídea (Ophyr) que exala um aroma idêntico ao feromônio da fêmea do besouro. Estudos provam que a evolução da orquídea e da fêmea do besouro produziu basicamente a mesma molécula. A evolução dos besouros machos, por sua vez, investiu no olfato em prejuízo da visão, eles são extremamente míopes. E a orquídea, muma espécie de malandragem evolutiva, tem um labelo em forma de inseto, parece uma fêmea receptiva ao coito, engana totalmente o macho cegueta. Os besouros ficam “se achando”, passam várias semanas “copulando” com as flores como se estas fossem “besouras” cheias de amor para dar; e, em consequência, polinizando as flores ardilosas. De repente, para espanto dos besourões donjuans, surgem do solo as fêmeas autênticas, estas sim cheias de amor para dar. É de imaginar que os exauridos machos se vejam feridos nos seus egos reprodutores, mas nem por isso deixam de transar com as fêmeas.

Apesar de tudo, as orquídeas foram polinizadas, de acordo com o que a natureza lhes programou, pelos besouros amorosos (quase escrevi cheios de tesão mas, como este é um blog familiar, abstive-me), os quais, agora envergonhados, se empenham ainda mais em fertilizar suas parceiras e garantir a próxima geração de míopes machos libidinosos e perfumadas fêmeas. Assim, tanto as flores como os insetos saíram no lucro.

Observe-se que não é interessante para as orquídeas serem demasiadamente atraentes; se os besouros deixarem de se reproduzir, as orquídeas não terão quem as polinize. Provavelmente, também não é bom que inexistam orquídeas falaciosas, pois estas estimulam a libido dos besouros de modo a torná-los mais ansiosos para agradar suas companheiras.

Por outro lado, uma atração sexual puramente olfativa, sem variação de intensidade ou “nuances” que definam um aroma melhor que outro, é uma limitação evolutiva pelo fato de toda fêmea produzir o mesmo aroma, não há possibilidade de diferenciação entre os parceiros, ou seja, o macho é atraído igualmente por qualquer fêmea, não pela mais saudável ou mais apta. Não há como ele se “apaixonar” por uma mais que outra como acontece quando é o macho que atrai a fêmea, com exibições de força ou de saúde.

Ainda que seja curioso e algo sofisticado, o método de enganação desenvolvido pela orquídea Ophyr é muito comum na natureza, outros animais e plantas o usam sem qualquer pudor em várias regiões do Planeta. Fingimentos, mimetismos e simulações estão na ordem do dia de inúmeros seres vivos que desejam deixar descendentes, não existe ética quando se trata de evolução. É, a natureza tem seus truques que até o mais crédulo dos homens nem desconfia. JAIR, Floripa, 26/04/10.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AS MAIS BELAS FLORES DO PLANETA



Durante alguns anos, quando morei em casa térrea, fui um apaixonado colecionador de orquídeas. Montei um espaço apropriado em meu quintal ao qual dei o nome de “Orquidário Dedo Verde” em homenagem ao livro “O menino do dedo verde”, de Maurice Druon. Li tudo que podia sobre essas fascinantes plantas, visitei orquidários e exposições, frequentei sociedades orquidófilas, comprei, colhi, plantei, reproduzi, importei e cuidei dessas que são as mais belas flores que a natureza já produziu. Confesso que, por um bom tempo, mergulhei de corpo e alma no hobby, fui um orquidófilo dedicado e imerso até o pescoço na botânica e, especialmente, na família Orchidae, que é onde estão classificadas as orquídeas.
A Orchidae é, provavelmente, a maior família das angiosperma. Lembrando que angiospermas são plantas que produzem sementes em um ovário, como as rosas, por exemplo. A ciência já descreveu, até o momento, 25 mil espécies de orquídeas, sendo atribuída aos orquidófilos a produção da metade desse número, por hibridização.

Vanilla subindo na hospedeira

Mas, o que é uma orquídea? É uma planta superior – que possui raízes, caule, folhas, flores e sementes – distribuída por todos os continentes à exceção da Antártida. Possui flores que além de três pétalas geralmente separadas e coloridas, têm três sépalas, também coloridas, que fazem parte do conjunto. E é essa flor, geralmente muito atraente, que define a planta, TODAS as orquídeas têm flores com estas características.

Flores da Vanilla

A variedade de tamanho da planta, as formas e as cores das flores e os habitats onde elas são encontradas, fascinam o homem desde que este descobriu a existência de tão bela criatura. Existem plantas de mais de três metros de altura como a Selenipedium; com vinte metros ou mais como a Vanilla, – de cujas sementes se extrai o produto baunilha usado na culinária e fabricação de doces - a qual forma uma espécie de cipó que se agarra às arvores; e a Ornithocephalus, por exemplo, que não passa de 5 centímetros a planta, com flores de seis milímetros. Em relação ao ambiente que as orquídeas vivem, pode-se classificá-las em três grupos, embora algumas espécies apareçam em mais de um grupo, às vezes: epífitas ou dendrobatas, são as que nascem em árvores; terrestres, no chão, que pode ser areia, humus ou terra; e as rupestres que se desenvolvem em pedras. Todas são necrófitas, ou seja, suas raízes alimentam-se de matéria morta, não procedendo, portanto, o hábito popular de chamá-las “parasitas”, pois estas são uma família de plantas que prejudicam seu hospedeiro alimentando-se de sua seiva.
Dentro desse universo magnífico e grandioso, fiquei fascinado pelas orquídeas exóticas e pelas mini-orquídeas, e a elas dediquei meus estudos mais profundos, meu tempo mais precioso e minhas buscas mais tenazes.


Dockrillia cucumerina, a jóia da corôa de qualquer orquidário
Nas minhas pesquisas livrescas descobri aquela que a maioria dos orquidófilos considera a mais estranha do mundo, e, para meu gáudio, uma das menores também: Dockrillia cucumerina, anteriormente catalogada como Dendobrium cucumerinum, também chamada “orquídea pepino” porque suas “folhas” têm a forma dessa cucurbitácea. Lembrando que as cucurbitáceas são todas as abóboras, melões, melancias, pepinos e semelhantes. Pois bem, essa raridade só vive numa certa porção de floresta tropical no nordeste da Austrália. Que fazer para consegui-la? A solução é viajar para a Austrália, é claro! Foi o que fiz. Aliei visita a meu filho que, por coincidência, morava no nordeste australiano, ao meu desejo de possuir tal excentricidade, viajei para lá e consegui em um orquidário, quatro mudas da cucumerina, foi o ápice de minha busca, foi como encontrar a pedra filosofal para os alquimistas.


A delicadíssima Ornithocephalus iridifolius
Ainda bem que não é só viajando para o outro lado do mundo que se consegue essas rarezas. Uma das mais fascinantes e estrambóticas orquídeas é a que tem o estranho nome de Ornithocephalus iridifolius, porque suas pequenas flores de seis milímetros têm semelhança extraordinária com a cabeça de um passarinho, daí o ornithocephalus do nome. Pois é, a literatura coloca algumas espécies dessa fugidia criatura no sul do Brasil, sem especificar o tipo de floresta, a preferência climática ou a altitude que as plantas são encontradas. Acontece que eu morava no norte da ilha de Santa Catarina onde existe um trecho bem conservado de mata atlântica, local no qual eu fazia caminhadas ecológicas, buscava material para esculturas e apreciava as inúmeras orquídeas que lá abundam. Numa dessas incursões encontrei a iridifolius em toda sua pequenez e beleza, em um galho caído, praticamente no quintal de minha casa. Trouxe para minha coleção duas mudas e deixei lá mais de uma dúzia de exemplares. Colecionar sim, depredar a natureza não.
Como nem tudo acontece como a gente planeja ou deseja, um dia mudei de casa térrea para apartamento e minhas orquídeas tiveram que ser realocadas para o sítio de uma amiga, onde ora se encontram felizes e saudáveis como merecem estar. JAIR, Floripa, 25/02/10.