Silva JardimEstando ligados à evolução do Planeta não significa que os vulcões estejam ligados à história do homem propriamente, ou seja, na maioria dos casos, nunca se tornaram “sujeitos da história”, no entanto, alguns por se situarem em locais onde as pessoas acabaram se estabelecendo para morar, influíram marcadamente no progresso da civilização humana.
Os casos mais conhecidos da relação dos vulcões com cidades e homens, entre outros, são: A erupção do Monte Pelée de 1902, na Martinica, uma das mais devastadoras de que se tem conhecimento, tendo causado a morte de quase 30.000 pessoas e a destruição total da cidade de Saint-Pierre, situada no sopé da montanha; O Krakatoa, no dia 27 de Agosto de 1883, a ilha de mesmo nome, localizada no estreito de Sunda, entre as ilhas de Sumatra e Java, na Indonésia, desapareceu quando o vulcão de mesmo nome - supostamente extinto - entrou em erupção. É considerada a erupção vulcânica mais violenta que o homem moderno já testemunhou. As erupções e explosões duraram 22 horas e o saldo foi de mais de 37 mil mortos. Sua explosão atirou pedras a aproximadamente 27 km de altitude e o som da grande última explosão foi ouvida a cinco mil quilômetros; O Kilauea vulcão localizado no Parque Nacional de Vulcões do Havaí, nos Estados Unidos, é considerado o vulcão mais ativo do mundo e tanto destrói edificações, florestas e estradas, como constrói novos “terrenos” de lava úbere as quais serão ocupados em seguida; Por último, o Vesúvio, que no dia 24 de agosto de ano 79 de nossa era, entrou em erupção de forma catastrófica lançando pedras e cinzas, sepultando as cidades de Pompéia e Herculano situadas nas suas faldas.
Plínio, o velho, historiador romano, morreu na erupção, mas seu sobrinho também chamado Plínio, descreveu a ação destrutiva do Vesúvio a qual soterrou as duas cidades com o que os geólogos e vulcanólogos atuais chamam de fluxo piroclástico. A avalanche de cinzas e detritos em alta temperatura alcançou as cidades de modo formidável, cobrindo tudo com uma camada de 15 metros de espessura, matando todas as pessoas que não fugiram e conservando os móveis, utensílios, casas e locais de trabalho e lazer tal como se encontravam naquele momento. Pompéia e Herculano permaneciam como que dentro de uma cápsula do tempo quando foram “descobertas” por arqueólogos e se tornaram inestimáveis objetos de estudos dos usos e costumes romanos, bem como atrações turísticas importantes para a Itália e o mundo. Até os cadáveres das pessoas deixaram impressões ocas no interior da cinza solidificada como cimento, de modo que os espaços preenchidos com gesso reproduziram o corpo dos indivíduos no momento da morte. As figuras tridimensionais assim produzidas são algo meio bizarro, mas de grande apelo turístico.
Pois esse mesmo Vesúvio de tão marcada fama e tão destacado fautor de catástrofes foi causador de uma morte que, de certa forma, influenciou indiretamente na história da República brasileira.
Antônio da Silva Jardim, nascido em agosto de 1860 na Vila de Capivari, no estado do Rio de Janeiro foi um advogado, jornalista e ativista político brasileiro, que teve atuação importante nos movimentos abolicionistas e republicanos no país. Em 1891 candidatou-se a deputado federal e foi derrotado. Embora republicano convicto, idealista e determinado resolveu, então, retirar-se temporariamente da política e viajar para o exterior para descansar, clarear as ideias e repensar o seu futuro e o do Brasil.
Aos 31 anos de idade, visitou Pompéia e, curioso por conhecer o vulcão Vesúvio, mesmo tendo sido avisado de que ele poderia entrar em erupção a qualquer momento, escorregou, caiu e foi tragado por uma fenda que se abriu na cratera da montanha – deixando o motivo dessa morte envolvido em mistério, pois a imprensa da época insinuou que ele poderia ter suicidado por desilusão política.
Contudo, a morte de Silva Jardim teria sido um acidente, segundo seu amigo e guia na malfadada excursão, Joaquim Carneiro de Mendonça, testemunha do fato. Em homenagem ao jornalista morto, foi determinado que o município fluminense de Capivari passaria a ter o atual nome de Silva Jardim. Sem contar que em inúmeras cidades do país existem praças, ruas e avenidas com o nome do desditado político.
Assim, um vulcão lá na Europa distante, teria influenciado os rumos da República brasileira ao ceifar a vida de um ativista político que era uma esperança importante por seus pronunciamentos e atitudes diante dos novos desafios que a nação enfrentava. Embora no Patropi estejamos a salvo desses formidáveis fenômenos, o Vesúvio adentrou - e talvez alterou - nossa história para sempre. JAIR, Floripa, 21/09/11.













