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domingo, 14 de abril de 2013

Primeiro texto


De posse de um novíssimo MacBook Pro da Apple, que deverá substituir o Itautec bem anoso e super usado (está com tecla on/off quebrada) que tem aturado minhas idiossincrasias de escrevinhador por mais de cinco anos, faço aqui esta primeira tentativa de produzir um texto.
Somando às dificuldades inerentes a uma máquina a qual não tenho intimidade alguma; deixei de escrever qualquer coisa que preste em meados de novembro passado. Então não deverá ser surpresa se este primo textus, por assim dizer, sair sem qualquer qualidade, digamos, palatável.
Como acredito que o talento (ou a falta dele) não se perde por aí por falta de uso, coloco minhas fichas todas neste jogo: “o texto sairá tão bom – ou ruim – como os demais antes do recesso”. Então aí vai.
Depois que parei de escrever voluntariamente descobri que meu cérebro se recusa a ficar ocioso, ele exige de mim algum esforço que o desafie. Na falta desse esforço o cérebro vagabundo tende a tornar-se pernicioso, tende a insanidade. Vale o adágio, “cabeça vazia é oficina do diabo”, ou coisa semelhante.
Então, sobrando tempo, e certo espaço vazio no cérebro, me propus estudar entomologia, sim, resolvi adentrar o estranho mundo dos Tisanuros (traças), Odonatas (libélulas), Ortópteros (gafanhotos, grilos e baratas), Isópteros (cupins), Coleópteros (besouros), Lepidópteros (borboletas e mariposas) e milhares de outras famílias, gêneros e espécies que povoam o Planetinha azul desde muitos milhões de anos antes do Homo chamado sapiens sequer “pensar” em aparecer por aqui para encher o saco dos outros viventes.    
Tomada a decisão, adquiri livros didáticos sobre o tema e estou me enfronhando com empenho nesse novo metier. A coisa é particularmente medonha, a quantidade de representes dessa fauna é, para dizer o mínimo, piramidal, e  as dificuldades com o latim são indescritíveis, de modo que só depois de cinco anos estarei “formado” na matéria, acredito com otimismo.  
Se minha previsão se confirmar, faço nova incursão nas ciências e passo a estudar botânica, o qual é outro assunto que me fascina desde muito.
Posto isso, considero que minha reestreia está concluída e nada prometo daqui prá frente. JAIR, Floripa, 14/04/2013.

sábado, 15 de agosto de 2009

LEPIDÓPTEROS


As borboletas são, possivelmente, os insetos mais vistosos, mais ornamentais, mais apreciados pela beleza das asas, mais citados pela literatura poética, mais impressos, pintados e desenhados, mais úteis para polinização e, paradoxalmente, mais massacrados pelo homem. Seja para confeccionar adornos de discutível gosto para vender a turistas, ou espetar alfinetes e “colecioná-los” sem qualquer critério; seja pelo nefando hábito de matar as lagartas do bicho conhecidas como, taturanas e mandorovás e bichos-cabeludos, os pobres insetos servem aos instintos mórbidos e ganância comercial humanos numa escala sem precedentes e, pior, sem terem “culpa no cartório”. Sempre que vejo alguém eliminando lagartas das plantas pergunto o porquê e, quase sempre a resposta é porque são nocivas, feias, prejudiciais. Quando pergunto se a pessoa gosta de borboletas a resposta, invariavelmente é sim. Comportamento paradoxal, as mesmas lagartas que são mortas por serem feias, seriam as borboletas que alegrariam a vista do matador perverso e trariam sorriso ao rosto de uma criança inocente. E, ainda, existem pessoas portadoras de um medo tolo e irracional desses inocentes bichos. A maioria dos lepidópteros não é prejudicial ao homem. As borboletas e mariposas têm papel fundamental na polinização das flores. As lagartas, que são as larvas, podem, por sua vez, causar danos em lavouras ao se alimentar, mas fertilizam o solo com as fezes, e os adultos polinizam as mesmas plantas as quais servem de alimento para suas crias, numa espécie de mutualismo que compensa o dano causado pela alimentação; e algumas são importantes comercialmente, como o bicho-da-seda, borboletinha domesticada pelo homem para fornecer a tão estimada fibra para confecção de tecidos finos e caros. As borboletas são insetos com dois pares de asas com membranas cobertas com escamas e peças bucais adaptadas para a sucção. Embora os lepidópteros pareçam frágeis e apresentem um vôo errático, aparentemente sem direção definida, eles constituem o exemplo mais extraordinário de resistência e de migração a longa distância de qualquer inseto que se tem notícia. A belíssima borboleta-monarca é um animal migratório que, para fugir do frio, costuma viajar todos os anos do Canadá ou dos EUA para o México numa viagem que pode atingir 5950 quilômetros em sete semanas, sem qualquer alimentação ou parada para descanso durante o trajeto. A ordem Lepidoptera compreende duas subordens: Rhopalocera, que apresenta exemplares adultos que voam durante o dia e são denominados borboletas, e Heterócera, que tem atividade noturna e cujos exemplares são chamados de mariposas, bruxas, damas da noite ou borboletas noturnas, em Portugal são chamadas de traças, não me perguntem por quê. Em geral, é possível distinguir borboletas de mariposas quando estão pousadas, as primeiras costumam manter as asas abertas e as outras fechadas. A metamorfose das mariposas faz-se dentro de um casulo mole; as borboletas segregam uma crisálida rígida. As borboletas são em geral coloridas; as bruxas têm coloração sem viço adaptada ao modo de vida noturno. O corpo das borboletas é delicado, costuma ser fino e alongado; as mariposas têm formas mais pesadas, geralmente arredondadas e robustas. No Brasil existem aproximadamente 50.000 espécies de lepidópteros, 57 delas ameaçadas de extinção. As borboletas são fecundadas pelo macho após deixarem a crisálida. A fêmea procura uma planta para colocar seus ovos, em alguns dias os ovos eclodem e saem lagartas que comem a casca dos ovos e a partir daí começam a comer folhas e não fazem outra coisa senão comer. A próxima etapa da metamorfose das borboletas é chamada pupa. Na crisálida, a lagarta se transforma em borboleta lentamente. Quando o processo de transformação termina, a crisálida se abre e a borboleta sai. Quando sua asa estica e fica seca, a borboleta está pronta para voar e alegrar as vistas daqueles que as apreciam, tanto quanto as eliminam. Como citei no início, estes insetos estão presentes na literatura e no imaginário popular, são bonitos e símbolo do etéreo e do poético e, acrescento, de forma lírica ou inspiradora, como musas ou adornos da cena romântica, como acessórios de um panorama ou paisagem e, quase nunca, como protagonistas de desejo ou fonte de uma paixão. Thi Perini, autor de “divagações adolescentóides” segundo ele, escreveu um relato de experiência infantil que considero o melhor texto que já li tendo uma borboleta como objeto de paixão: "Quando eu era criança, bem criança e vivia num sítio, passava as tardes brincando sozinho, nadando no córrego, explorando as grutas e apagando as queimadas que os fazendeiros faziam nos sítios vizinhos, uma vez uma borboleta encanou de me seguir. Pra onde quer que eu fosse ela vinha atrás, pousava no meu ombro, voava ao redor da minha cabeça e eu me apaixonei. À medida em que o dia passava fui sendo tomado por um pavor terrível por saber que borboleta não serve como animal de estimação e que, quando a noite chegasse, ela iria fazer o que quer que seja que as borboletas façam quando anoitece e certamente me abandonaria". Pois é, apesar do bicho homem que, como um rei Midas ao contrário, em tudo que toca vira eca, ainda há alguma esperança para a humanidade, quando a vilipendiada borboleta pode ser o centro da inspiração de um adolescente criativo, nosso futuro como espécie que respeita as outras espécies ainda pode ser viável. Um Planeta onde homens e borboletas possam viver sem que o mais forte e menos racional deles extermine o mais frágil e mais formoso, ainda é plausível e profundamente desejável. JAIR, Floripa, 15/08/09.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

BARATAS



Costuma-se ouvir por aí que os únicos animais que resistiriam a uma explosão atômica seriam as baratas, e até mais, no caso de hecatombe nuclear, enquanto os demais seres vivos do planeta sucumbiriam pela radiação resultante, as baratas se adaptariam e tornar-se-iam os animais dominantes na face da terra, em decorrência da ausência de predadores e competidores naturais. Essas afirmações não estão muito longe da verdade, as baratas, insetos da ordem das Blattaria, estão entre os animais mais resistentes e adaptáveis da fauna mundial. Há mais de 400 milhões de anos vivendo sob as mais diversas condições de climas, competindo com outros seres e tendo tempo suficiente para evoluir e adaptar-se, as baratas tornaram-se campeãs de sobrevivência. Comparando as baratas de hoje com as do passado elas mudaram muito pouco, permanecendo como insetos não especializados, ou seja, comem de tudo e não têm exigências especiais quanto ao ambiente em que vivem. Das tantas características desse inseto, pode-se relatar a capacidade de sobrevivência sem se alimentar durante até um mês, sem ingerir água durante até uma semana, ficar até 40 minutos submersa e se deslocar por fendas muito pequenas de até 1,6 mm, há indícios, inclusive, que algumas espécies chegam a se aliementar do próprio inseticida usado para matá-las. Como os demais, é um inseto ovíparo, que dizer, que se reproduz colocando ovos, e o faz na ooteca que é uma estrutura em forma de cápsula hermética que tem a função de proteger os ovos das variações do ambiente, inclusive dos inseticidas, garantindo assim, a perpetuação da espécie. O corpo das baratas tem formato ovular achatado. A cabeça é curta, subtriangular, apresentando olhos compostos grandes e geralmente dois ocelos (olhos simples). Em geral são de coloração parda, marrom ou negra, porém existem espécies coloridas. Nas zonas tropicais, predominam as de cor marrom avermelhada, além das cores verde e amarela. O formato e o tamanho variam dependendo da espécie, mas em gênero podemos dizer que as fêmeas são maiores que os machos, porém os machos têm as asas mais desenvolvidas. A maior barata tem aproximadamente 20 centímetros de comprimento, já, a menor, cerca de 4 milímetros e por ser tão pequena, vive em ninhos de formigas. As baratas gostam de ambientes úmidos e algumas espécies preferem lugares quentes. A alimentação é variada. As baratas são insetos onívoros, ou seja, comem qualquer coisa, tendo principal atração por doces, alimentos gordurosos e de origem animal, por certo não se preocupam com o colesterol, o diabetes nem com a balança. Conseguem perceber o perigo através de mudanças na corrente do ar à sua volta. Elas possuem pequenos pelos nas costas que funcionam como sensores, informando a hora de correr. As baratas domésticas podem ser vetores mecânicos de doenças e são responsáveis pela transmissão de vários microorganismos nocivos através das patas e fezes. Por isso, são consideradas perigosas para a saúde dos seres humanos, contudo, o maior óbice de sua convivência com os homens refere-se à repugnância real ou suposta que as pessoas por ela sentem, por se tratar de animais que vivem em esgotos e ambientes contaminados, ou seja, são insetos “sujos”. Os seres humanos também odeiam baratas porque pode ser extremamente difícil acabar com elas em razão de seu comportamento natural. Elas se reproduzem rapidamente e são difíceis de matar. Como elas são noturnas, muitas pessoas não percebem sua presença até que sejam tantas que acabaram sem lugares para se esconder. As baratas são particularmente boas para se esquivar e fugir de chinelos, jornais e outras armas domésticas, e várias espécies se tornaram resistentes aos inseticidas. Das 4 mil espécies de baratas que existem no mundo, porém, apenas algumas infestam casas e pontos comerciais. Na verdade, em muitas partes do mundo apenas uma espécie - a barata alemã - é responsável pela maioria das infestações. Infelizmente, as pessoas têm uma boa parte da culpa por essa prevalência mundial. A maioria das pragas de baratas se espalhou pelo planeta pegando carona em barcos, aviões, caminhões a até mesmo em caixas de mudança e sacolas de supermercado. Não importa se estão digerindo madeira decomposta em uma floresta tropical, saboreando restos numa lata de lixo industrial ou se escondendo debaixo de uma geladeira, as baratas são fascinantes. Elas são insetos primitivos extremamente adaptados e nada indica que venham a se tornar extintas algum dia. Apesar de sua natureza imutável, elas sobreviveram quando outras espécies não conseguiram. Por exemplo, os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos, mas as baratas continuaram prosperando até os dias de hoje. Entretanto, mesmo apresentando o status de superinsetos que podem parecer indestrutíveis, elas servem de alimento para uma variedade de outros animais. Algumas espécies de vespas usam as baratas como incubadoras para seus ovos. Uma vespa fêmea pica a barata ou retira suas antenas para deixá-la paralisada. Depois, ela deposita seus ovos dentro da barata, onde os filhotes irão crescer alimentando-se das proteínas baratais até a fase adulta, quando abandonam o local e vão reiniciar o ciclo de vida vespal em outra barata. Além disso, outra praga caseira, as comuns centopéias, comem as ninfas das baratas. Algumas espécies de pássaros como o anu e o bem-te-vi também se alimentam de baratas na falta de melhor prato, supõe-se. Pelo fato de as baratas serem tão resistentes e adaptáveis estuda-se seu organismo com a finalidade de descobrir quais os mecanismos que permitem seu sucesso, e se esses mecanismos são passíveis de serem aproveitados em favor da sobrevivência humana. Cientistas chineses afirmam que componentes químicos encontrados no sistema imunológico das baratas poderão ter um efeito tão benéfico quanto ao AZT no tratamento da AIDS, e isso, por si só, já é uma notícia que justifica olharmos o inseto com menos repugnância e com mais praticidade no sentido de aproveitá-lo para pesquisas médicas. Pelo sim pelo não, vamos dar o benefício da dúvida às baratas! JAIR, Canoas, 05/06/09.

domingo, 12 de abril de 2009

COLEÓPTEROS




Coleópteros são insetos da ordem Coleoptera cuja característica mais notável é aquela carapaça lustrosa, muitas vezes bem colorida que cobre as asas delicadas, protegendo-as. Essa carapaça ou casquinha, chamada élitro, contribui para a estética do bicho e suas cores e padrões podem definir a espécie ou variedade a qual o inseto pertence. Todos os besouros, joaninhas, vaquinhas, carochinhas, gorgulhos, cascudinhos, escaravelhos, carunchos, brocas ou qualquer nome que se dê a esses insetos blindados, são coleópteros. Esses bichos são extremamente bem adaptados aos diversos climas e variedade de ambientes, de forma que vivem em desertos, planícies, matas ciliares, rios, lagos, praias, mangues, montanhas, florestas tropicais e temperadas, pântanos, campos e quaisquer outros nichos ecológicos imagináveis de todos os continentes com exceção da Antártida. Grande parte das pragas que atacam as lavouras são coleópteros, quer insetos adultos, quer suas larvas. Assim, nos acostumamos associar esses bichos com danos que eventualmente eles nos causam e os temos na conta de inimigos públicos, para dizer o menos. Entretanto, essa idéia de perversidade ligada ao inseto não se traduz em números, das 350 mil espécies conhecidas de coleópteros, apenas algumas dezenas, efetivamente, ocupam-se em atacar os cultivares desenvolvidos para alimentação humana, a esmagadora maioria é inocente, ou seja, trata-se de insetos inofensivos que só estão preocupados com a reprodução, alimentação e modus vivendi lá deles, sem tomar conhecimento que na superfície do planeta em que vivem, existe um tal de homo sapiens, seja lá o que isso for ou represente para sua própria existência. Outras tantas espécies podem ser bonitas, úteis, curiosas, muito grandes, muito pequenas, ignoradas, feias, bizarras, estranhas ou indiferentes, mas não molestam o ser humano. A Joaninha é um exemplo de animal bonito e útil – quem durante a infância não apreciou a beleza colorida da carapaça pintalgada de uma joaninha? As joaninhas são predadores no mundo dos insetos e alimentam-se de afídeos, moscas-da-fruta e outros tipos de insetos. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas, o mais das vezes, são consideradas benéficas pelos agricultores. O Besouro vira-bosta ou escaravelho é exemplo de animal útil também: é um bichinho de cerca de 4 centímetros de cor verde metálica ou marrom, que tem como característica o hábito de fazer uma bola de excrementos de animais, principalmente de cavalo, a qual costuma rolar até um local onde, junto com a fêmea, que põe ovos sobre a bola, enterra e deixa para as larvas que nascerem se alimentarem. Essa bolas servem de adubo para a terra onde se encontram. O Besouro bombardeiro é o típico animal curioso: Vivendo na superfície da terra este besouro passa a maior parte do tempo se escondendo entre raízes de árvores ou debaixo de pedras. Sendo um animal carnívoro, gosta de comer insetos de corpo mole e moluscos como lagartas e caracóis, sendo muito veloz para alcançar sua presa. O nome de bombardeiro se dá ao fato de que quando se sente ameaçado bombardeia, em qualquer direção em que se encontre seu predador, com o jato de um líquido que sai do seu abdome. Este líquido sai e provoca uma espécie de fumaça azulada produzindo um barulho alto assustando deste modo o inimigo. Esse líquido expelido sai fervendo e com um cheiro bastante forte e desagradável, podendo provocar queimaduras em outros insetos. Na pele humana só causa uma leve ardência. O Besouro gigante é bizzarro, não só é o maior besouro como também é o maior inseto do mundo. Além ser o maior inseto em peso, também é o maior invertebrado voador. Vive na Floresta Amazônica e se alimenta de material orgânico em decomposição no solo úmido. Pode chegar até a 22 centímetros de comprimento, é maior do que a mão de um homem adulto, e pesar cerca de 70 gramas. Em matéria de periculosidade também os coleópteros estão bem representados. O Besouro venenoso medindo de um dois centímetros vive no sul e centro da Europa, Sibéria e América do Norte. Começa a aparecer na Europa durante o verão. A fêmea põe seus ovos próximos às colméias, pois quando os filhotes nascem entram no ninho das abelhas. Lá dentro sofrem uma transformação, soltam a pele e viram larvas minúsculas que passam a se alimentar das larvas das abelhas. Além de exalar um cheiro muito forte, para que os predadores não se aproximem, eles soltam um veneno que queima a pele formando bolhas. Insetos considerados dos mais venenosos que existem. Outro coleóptero muito interessante é o Besouro Serrador, este bicho costuma fazer um corte bem definido em torno de um galho, o qual derruba e no qual a fêmea deposita ovos que, ao eclodirem, geram larvas que se alimentarão da madeira do galho. O Vaga-lume ou pirilampo também é um coleóptero dos mais estranhos. Com seu corpo frágil, cor de terra, a fêmea do vaga-lume pode somente arrastar-se no chão. Como ela faz para chamar a atenção dos machos alados que zumbem no ar quente da noite? Para compensar a falta de asas, desenvolveu algo muito especial: pequenas glândulas que segregam luciferina, uma substância que em determinadas condições se torna luminescente. A luz verde é o sinal para que o macho interrompa seu balé aéreo e venha juntar-se à fêmea. Essa diferenciação tão marcada entre os sexos é rara entre os coleópteros. Na maioria das espécies de pirilampos ambos os sexos são alados e luminescentes, e o macho atrai as fêmeas com suas luzes pisca-pisca. Este processo é chamado de "oxidação biológica" e permite que a energia química seja convertida em energia luminosa sem a produção de calor. As luzes têm diferentes cores, pois variam de espécie para espécie e nos insetos adultos facilitam a atração sexual. Os lampejos equivalem ao início do namoro: são códigos para atrair o sexo oposto. Mas a luminescência também pode ser usada como instrumento de defesa ou para atrair a caça. De todos os coleópteros o Vaga-lume talvez seja o mais exótico de todos. Bem, considerando esse multimilenar universo de seres pequenos, podemos facilmente escolher os coleópteros como os representantes mais formidáveis dos insetos pela sua espantosa variedade, pela diversidade de suas aptidões e pela beleza de seus coloridos. JAIR, Floripa, 12/04/09.