domingo, 14 de abril de 2013

Primeiro texto


De posse de um novíssimo MacBook Pro da Apple, que deverá substituir o Itautec bem anoso e super usado (está com tecla on/off quebrada) que tem aturado minhas idiossincrasias de escrevinhador por mais de cinco anos, faço aqui esta primeira tentativa de produzir um texto.
Somando às dificuldades inerentes a uma máquina a qual não tenho intimidade alguma; deixei de escrever qualquer coisa que preste em meados de novembro passado. Então não deverá ser surpresa se este primo textus, por assim dizer, sair sem qualquer qualidade, digamos, palatável.
Como acredito que o talento (ou a falta dele) não se perde por aí por falta de uso, coloco minhas fichas todas neste jogo: “o texto sairá tão bom – ou ruim – como os demais antes do recesso”. Então aí vai.
Depois que parei de escrever voluntariamente descobri que meu cérebro se recusa a ficar ocioso, ele exige de mim algum esforço que o desafie. Na falta desse esforço o cérebro vagabundo tende a tornar-se pernicioso, tende a insanidade. Vale o adágio, “cabeça vazia é oficina do diabo”, ou coisa semelhante.
Então, sobrando tempo, e certo espaço vazio no cérebro, me propus estudar entomologia, sim, resolvi adentrar o estranho mundo dos Tisanuros (traças), Odonatas (libélulas), Ortópteros (gafanhotos, grilos e baratas), Isópteros (cupins), Coleópteros (besouros), Lepidópteros (borboletas e mariposas) e milhares de outras famílias, gêneros e espécies que povoam o Planetinha azul desde muitos milhões de anos antes do Homo chamado sapiens sequer “pensar” em aparecer por aqui para encher o saco dos outros viventes.    
Tomada a decisão, adquiri livros didáticos sobre o tema e estou me enfronhando com empenho nesse novo metier. A coisa é particularmente medonha, a quantidade de representes dessa fauna é, para dizer o mínimo, piramidal, e  as dificuldades com o latim são indescritíveis, de modo que só depois de cinco anos estarei “formado” na matéria, acredito com otimismo.  
Se minha previsão se confirmar, faço nova incursão nas ciências e passo a estudar botânica, o qual é outro assunto que me fascina desde muito.
Posto isso, considero que minha reestreia está concluída e nada prometo daqui prá frente. JAIR, Floripa, 14/04/2013.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

É nosso?


Monteiro Lobato, o famoso escritor de sobrancelhas hirsutas, bigode chapliniano e ideias racistas, criador do Sítio do Pica-pau amarelo, foi um nacionalista ferrenho e defendeu desde a década de trinta do século passado um política petrolífera para o país onde todas as etapas de produção, desde a prospecção, passando pelo refino e transporte até a distribuição, fossem dominados e aproveitados por empresas nacionais. Chegou até lançar em 1931, sua Companhia Petróleos do Brasil, que em apenas quatro dias teve metade de suas ações subscritas. A companhia de Lobato foi pioneira em extração de petróleo em solo brasileiro. Em 1936, a 250 metros de profundidade vê irromper o primeiro jato de gás de petróleo do poço São João, em Riacho Doce, em Alagoas. Infelizmente, o governo Vargas e os interesses das grandes companhias multinacionais não se coadunavam com o nacionalismo lobatiano, de modo que, apesar de grande futuro que apresentava, sua companhia viu-se boicotada e teve que fechar as portas. Em 1950, inspirados no exemplo de Monteiro Lobato, os partidos políticos de esquerda e os movimentos sociais lançaram a campanha de rua em defesa do petróleo. A campanha "O Petróleo é nosso", empolgou o país e serviu de pretexto para que o Congresso Nacional aprovasse a legislação sobre o Petróleo que, na última hora, recebeu uma emenda que criou o monopólio da Petrobrás. Pois bem, “O petróleo é nosso” foi uma campanha de conscientização que fez o Brasil lembrar que tudo que existe no subsolo pertence à NAÇÃO. Veja bem, pela Constituição, quem compra um pedaço de terra de qualquer tamanho, não se adona do que existir abaixo do solo – solo é aquela fina camada agriculturável que você pode até cavar para fazer um poço, mas se encontrar uma mina de diamantes, por exemplo, estes não são seus, são da NAÇÃO, está na Constituição. Então, ficou patente desde então que o que existe no subsolo do Paraná, do Pará, da Paraíba, do Acre, ou da fazenda do senhor Sérgio Cabral no interior do Rio de Janeiro, é da NAÇÃO e não de pretensos donos. Não há razão para brigas, disputas, bate bocas ou baixarias pelo que se tem embaixo da terra, ponto. Essa gritaria babaca de políticos babacas por causa de royalties de petróleo encontrado na plataforma continental do País não tem qualquer sentido, está na Constituição também que somos uma República Federativa, isto é, uma Nação que se divide em estados administrativos subordinados à Federação, estados que sequer têm autonomia legislativa plena e que dependem do poder federal em vários níveis. Ou seja, sem o poder federal os estados federados não existem. Então, cambada de energúmenos, vão fazer alguma coisa útil como cortar a grama, lavar o carro ou tirar cera do ouvido e deixem de falar bobagem! JAIR, Floripa, 18/12/12. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Yraima


A jovem cientista Yraima Moura Lopes Cordeiro é membro da Academia Brasileira de Ciências. Doutora em ciências biológicas, hoje é professora adjunta do Departamento de Fármacos da Faculdade de Farmácia da UFRJ, universidade pela qual se graduou em ciências biológicas / modalidade médica e obteve os títulos de mestre e doutora, Summa cum laude, em química biológica.
Lembrando que a ABC é uma entidade que congrega os melhores e mais expressivos cientistas do país. Em paralelo, poderíamos dizer que a ABC representa para a ciência pátria o que a ABL representa para a literatura brasileira, mas com uma importante ressalva. Enquanto a ABL reúne em sua irmandade esdrúxulas indicações políticas como José Sarney e Marco Maciel, por exemplo, e outras inexplicáveis como Arnaldo Niskier e Ivo Pitanguy, a ABC utiliza critérios estritamente técnicos, de modo que seus membros são todos laureados com, no mínimo, doutorado. Além disso, grande maioria dos velhinhos membros da ABL, se limita a tomar chá nas reuniões modorrentas das quintas feiras e se auto louvar pelas obras que produziu. Enquanto a ABC é conhecida pela atuação firme e produtiva de seus membros nas suas respectivas áreas de trabalho.
Yraima foi uma garotinha perfeitamente normal para época e lugar onde nasceu e cresceu. Nasceu no Rio de Janeiro na década de 70, exatamente dois minutos após sua irmã Naiana, a qual também é doutora, mas em outra área.
O que faz uma garota em tudo normal se tornar sumidade em alguma área? A meu ver, seus pais e o ambiente saudável que a envolveu. Heloisa e Ruy, além de pais convencionais na educação de seus rebentos, sempre foram leitores vorazes e seletivos, na casa deles nunca estiveram ausentes bons livros de todas as áreas, bem como horas regulares de leituras diárias. As gêmeas, e mais o garoto Aimberê que veio depois, tiveram como referência e “habitat” um ambiente em que livros faziam parte do mobiliário e eram lidos e manuseados com familiaridade todos os dias. Assim, quando Yraima ingressou na escola, nunca se sentiu “obrigada” a estudar, nunca achou que livros e estudos eram chaturas pelas quais tinha que passar como um sacrifício de vestal, pelo contrário, a cultura livresca fazia parte de seu DNA familiar e ela nunca teve necessidade se esforçar muito para adquirir conhecimento. Vale lembrar também que sua infância foi povoada de aventuras e seres fantásticos, como gnomos, que habitavam o sítio de seu avô nas noites de verão iluminadas de pirilampos e sonorizadas por grilos e outros terríveis bichos talvez alienígenas que comiam cérebros de crianças. Como se vê, uma infância perfeitamente saudável, que ela, a irmã e o irmão aproveitavam nadando numa piscina natural do sítio, mesmo quando a temperatura invernal desaconselhava essa prática. Aliás, Yraima é exímia nadadora desde praticamente o berço, aprendeu a nadar antes de deixar as fraldas.
As férias quase sempre incluíam dias vividos intensamente em Visconde de Mauá onde rios, cachoeiras e mata atlântica de transição se conjugam na forma de um quase santuário de natureza preservada povoada com gente que sabe respeitá-la.
Pois é, instrumentada com uma infância prenhe de fantasias, espaços e brincadeiras saudáveis; tendo pais disciplinados que davam valor ao hábito da leitura e aos estudos; boa aluna que estudou numa escola montessoriana; tendo facilidade para aprender idiomas – é fluente em várias línguas, inclusive alemão; e tendo gosto pela ciência desde muito cedo, é plausível e compreensível que hoje esteja ente os luminares que compõem o plantel da ABC.
Então, Yraima, ao contrário dos advogados deste Patropi, que ao passar nas provas da OAB passam a se auto intitular “doutores”, como se tivessem defendido alguma tese, é doutora De facto e De Jure, pois defendeu tese frente uma banca, tendo feito pesquisas para seu trabalho até em alemão na própria Alemanha.
Parabéns para essa guria que engrandece a ciência do país e que, por acaso, é minha sobrinha. JAIR, Floripa, 02/12/12. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Dinheiro



Acabo de ler “Família, afeto e finanças”, livro escrito por meu amigo Olegário e sua mulher Angélica. Trata-se de escorreita cartilha persuasiva e didática que nos esclarece sobre como nós e nossas famílias podemos nos relacionar com o dinheiro e seu poder.
Angélica, psicóloga renomada e esclarecida, nos conduz com maestria pelos tortuosos caminhos que a psique humana costuma trilhar para acolher ou rejeitar os benefícios, desafios ou bonificações que esse bem essencial, dinheiro, nos pode trazer.
Olegário, de formação técnica excelente como aviador, além de ser consultor financeiro, explicita através de gráficos e argumentos sólidos, pormenorizadamente, todos os meios que podemos utilizar para otimizar o dinheiro e as finanças para o futuro de nossa família.
A feliz combinação de psicologia aplicada e fundamentos econômicos é um caminho seguro para entendermos que dinheiro e seu uso podem trazer felicidade sim, ao contrário do que diz o adágio. Não importa quanto temos ou quanto podemos ter, a busca de um futuro feliz e com disponibilidade de caixa para realizar sonhos é possível e desejável.
Do livro depreende-se que dinheiro tem um aspecto dualista: é ferramenta e produto. Como ferramenta ou instrumento, pode semelhar-se a um martelo, por exemplo, podemos usá-lo para pregar coisas úteis, para construir, ou podemos dar uma martelada no dedo, o que não é agradável. Como produto ele tem preço, mercado, liquidez e lucro ou prejuízo. Podemos “vendê-lo” bem fazendo aplicações que dão lucro (juros), ou podemos “comprá-lo” a preços mais baixos.
Uma coisa que fica evidente é que famílias disfuncionais, tendo muito ou pouco dinheiro, sempre têm uma má relação com ele, e isso se reflete em todo “modus vivendi” que essas famílias assumem. Para haver harmonia entre membros da família e um possível futuro confortável é preciso que se desmistifique os preconceitos que rondam o dinheiro em toda sua história. Ele não é intrinsecamente bom ou ruim, o uso que dele fazemos é que trará resultados bons ou ruins, e pronto.
Recomendo a leitura de “Família, afeto e finanças” como o melhor livro sobre o tema disponível por aí. Boa leitura! JAIR, Floripa, 10/11/12. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Cenote

Turistas nadando no Cenote Ik-Kil
Próximo à cidade em que vim ao mundo, Palmeira, existe um enorme formação rochosa de arenito que, onde aflorou, deu origem a Vila Velha, monumentos rochosos naturais esculpidos por água e ventos; e, onde não é visível, permite a existência de rios subterrâneos que, eventualmente, formam cavernas, uma das quais descobri juntamente com meu primo Joel e já a descrevi neste blogue. Pois bem, os rios subterrâneos tendem a corroer o arenito formando a ditas cavernas e, em alguns casos, o teto desmorona dando forma a buracos redondos que lá chamamos de furnas. Bem próximo a Vila Velha existem três furnas, sendo a mais impressionante um poço circular de oitenta metros de diâmetro com mais de cem metros de profundidade e cinquenta metros de água.
Na península de Yucatán acontece algo semelhante, mas em escala centenas de vezes maior e mais espetacular. A península de Yucatán é uma planície calcária e não possui córregos ou rios de superfície. Contudo, por ser calcária – e o calcário é rocha menos resistente que o arenito – há uma profusão de rios subterrâneos. Mais do que no Paraná os rios da península formam cavernas em maior número e estas, também em maior número, tendem a desmoronar formando poços arredondados e profundos, lá chamados cenotes. Esses cenotes – mais de oitocentos - estão espalhados por toda a península, mas o mais importante chama-se cenote sagrado de Chichén Itzá e está localizado junto ao sítio arqueológico maya Chichén Itzá que numa tradução livre quer dizer "boca do poço do Itza".
Os mayas consideravam que o cenote sagrado era uma das três entradas para o paraíso dos mortos. Eles acreditavam que podiam se comunicar com os deuses e ancestrais, oferecendo sacrifícios no cenote. Os Mayas costumavam rezar por colheitas abundantes, chuvas boas e fortuna. Depois do “descobrimento” até padres coletavam água do cenote que eles julgavam ser sagrado, para eles a água era benta. Os sacerdotes mayas lançavam oferendas em forma de cerâmica, peças de ouro e prata e, eventualmente, prisioneiros sacrificados ao cenote.
Porque a água dos cenotes é altamente alcalina costuma preservar até objetos perecíveis. Objetos de madeira, por exemplo, que em outro meio teriam desaparecido, foram encontrados em boas condições naquela água. A possível existência de valiosos tesouros no fundo do cenote sagrado aguçou a ganância de exploradores desde que se descobriu Chichén Itzá. Assim, em 1904, Edward Herbert Thompson, vice-cônsul dos EUA no México, comprou a área de Chichén Itzá com o único intuito de prospectar o fundo do cenote sagrado em busca de tesouros mayas. Para isso usou um sistema de roldanas acionado por motor a vapor que incluía uma série de grande baldes numa corrente, os quais, como uma draga, iam retirando a lama do fundo e vertendo-a numa depressão próxima. Em seguida pesquisava-se a lama que acabou oferecendo uma grande variedade de objetos de madeira, incluindo armas, cetros, ídolos, ferramentas e jóias. Jade foi a maior categoria de objetos encontrados seguido de têxteis. A presença de jade, ouro, cobre no cenote oferece uma prova da importância das Chichén Itzá como um centro cultural. Nenhuma dessas matérias-primas é nativa do Yucatán, supondo que pessoas (outros mayas) viajaram para Chichén Itzá de outros lugares da América Central, a fim de adorar os deuses. Pedra, cerâmica, ossos humanos e conchas também foram encontrados no cenote. Arqueólogos descobriram que muitos objetos mostram evidências de serem intencionalmente danificados antes de serem jogados no cenote, denotando uma ritualidade não muito clara do porquê dessa atitude.
A maioria das principais descobertas do cenote feitas sob a supervisão de Edward Herbert Thompson ele vendeu. Oitenta por cento do resultado dessa busca de Thompson pode ser encontrado no Museu Peabody da Universidade de Harvard, os restantes vinte por cento foram vendidos para o governo mexicano e se encontram no Museu Maya na Cidade do México.
Em 1909, Thompson decidiu mergulhar no cenote para explorar o fundo. Apesar da pouca visibilidade ele encontrou uma camada de cinco metros de lama que continha vários objetos de ouro. Em 1961, William Folan, um diretor de campo para o Instituto Nacional de Antropologia e Historia (INAH), ajudou a lançar outra expedição ao cenote.
Algumas das suas descobertas notáveis incluíram um osso com inscrições e uma faca de obsidiana com cabo de ouro, revestida numa bainha de madeira com mosaico de jade e turquesa. Em 1967, Román Piña Chán fez outra expedição. Ele tentou dois novos métodos que muitas pessoas tinham sugerido por um longo tempo: o esvaziamento da água do cenote e clarificação da água. Ambos os métodos foram apenas parcialmente bem sucedidos. Apenas cerca de quatro metros de água puderam ser removidos, o cenote é alimentado por rio subterrâneo que impede seu esvaziamento total. Também a água foi clarificada por apenas um curto período de tempo.
Depois dessas incursões não muito produtivas, o governo mexicano proibiu quaisquer prospecções no local e o definiu como patrimônio histórico nacional. Tive oportunidade de visitar o Cenote Ik-kil que está liberado para natação para os turistas. Para isso, foi construída uma “rampa” em forma de túnel em espiral que dá acesso ao espelho d’áqua a quase trinta metros de profundidade. Atualmente, mergulhadores especializados em cavernas costumam explorar outros cenotes do Yucatán onde têm encontrado ossos de animais pré históricos e algumas ossadas humanas eventualmente, mas nunca tesouros. JAIR, Floripa, 07/10/12.

domingo, 7 de outubro de 2012

Os Mayas



Agora em 2012 os Mayas, mais uma vez, viraram notícia por causa de seu calendário que, supostamente, marca o fim dos tempos para o dia 21 de dezembro. Objeto de milhares de conjeturas fantásticas, grande produção de oliúde e saites aos borbotões, o calendário realmente existe e o original se encontra num museu em Londres, cópia dele está no Museu Maya na cidade do México.
Estive passeando no México, na península de Yucatán, e tive oportunidade de ir até Chichén Itzá, local onde se situa a chamada “cidade Maya” que tem a famosa pirâmide e vários outros monumentos construídos com fins rituais religiosos nos anos mil de nossa era.
Os Mayas eram um povo que construiu uma civilização na região de florestas tropicais onde hoje é a Guatemala, Honduras e Península de Yucatán no México. Este povo desenvolveu sua fantástica cultura, aparentemente autóctone, a partir de 900 anos antes de Cristo que durou até em torno do ano 1200 de nossa era quando as camadas mais pobres do povo revoltaram-se destituindo e matando a nobreza numa espécie de “revolução francesa” que deu feição de anarquismo à organização que restou. Em seguida, outros povos invadiram a região e destruíram sua estrutura social. Só restando a partir daí aldeias isoladas sem qualquer vínculo com a antiga civilização a não ser a língua e as habilidades artesanais.
O fato é que, apesar de historiadores e outros estudiosos referirem a um “império Maya”, há indícios que eles nunca chegaram a formar um império unificado, uma nação com um comando central e estrutura administrativa que permitisse a existência de um exército coeso que pudesse defender com eficácia “suas fronteiras”. Parece que essa falha favoreceu a invasão das terras pelos Toltecas que eram guerreiros mais organizados. Como é fácil de perceber pelas ruínas dos monumentos que restaram, as cidades não eram necessariamente locais de residência do povo, elas abrigavam o núcleo do poder religioso e das decisões políticas da civilização. O povão morava fora dos muros das cidades e a eles cabia obedecer e pagar impostos. O poder imperial – uma junta de sacerdotes e gente de sangue azul - era considerado um representante dos deuses no Planeta Terra. A zona urbana – local onde se localiza a pirâmide - era habitada apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e saberes), chefes militares e administradores do império (cobradores de impostos). Vê-se que o Plano Piloto de Brasília teve uma fonte antiga onde beber. Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos que formavam a base da sociedade, não tinham privilégios só lhes cabia apoiar os nobres. Qualquer semelhança com os decadentes impérios europeus do século dezenove, talvez seja mera coincidência, mas os efeitos maléficos que essa estratificação social causou à organização não o é.
A agricultura era a base da economia, principalmente o cultivo de milho, feijão e batatas. E eles desenvolveram técnicas de irrigação que eram muito avançadas para a época. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império e para isso construíram “estradas” que são perfeitamente detectáveis ainda. Tive oportunidade de ver uma delas.
Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço arquitetônico. O artesanato também se destacou: fiação de tecidos, uso de tintas em tecidos e roupas.
Desenvolveram escrita pictorial na qual os símbolos, a exemplo de nosso alfabeto, representavam os sons como as letras os representam para nós. Tanto articulado era o idioma escrito, que hoje é possível representar nosso alfabeto com os hieróglifos mayas. Isto é, pode-se “escrever” nossas palavras com os símbolos deles sem qualquer prejuízo para a compreensão. Como a língua maya está viva, não é difícil comparar suas representações fonéticas com os sons que usamos, há símbolos para todas as nossas letras.
Transposição dos hieróglifos mayas para nosso alfabeto.
Na matemática usavam sistema trinário – três dígitos: zero, um e cinco. Antes que alguém ache três dígitos uma aberração, é só lembrar que os computadores só usam dois: zero e um. Curiosamente, já conheciam o zero antes do mundo ocidental. Com esses três dígitos construíram um calendário funcional quase perpétuo que hoje é objeto de vasta especulação. Seus descendentes que vivem na região do Yucatán conseguem transpor qualquer data atual do nosso gregoriano calendário, para calendário deles. Essa habilidade, que não é difícil de entender depois que nos explicam como funciona o sistema trinário, falcuta-lhes amealhar alguns pesos dos turistas pela confecção de amuletos pingentes de prata com quaisquer datas que interesse ao turista.
Na arquitetura, não precisa dizer, suas pirâmides, embora semelhantes às egípcias em escala menor, são de esmerado acabamento e pejadas de inscrições e formas geométricas que lhes conferem um valor artístico invejável. Como os mayas não dispunham de metal duro para lavrar as pedras calcárias que usaram na confecção de seus monumentos, pirâmides e templos, fizeram uso de obsidiana, uma rocha vulcânica extremamente dura. O problema é que não existe obsidiana no Yucatán, então, deduz-se, eles a importavam de regiões longínquas como América Central. Lamentavelmente alguns monumentos foram explodidos pelos exploradores em busca de ouro, o qual inexistia.
Hoje o sítio Chichén Itzá é uma das sete maravilhas do mundo, tombado como patrimônio histórico da humanidade, assim como o é o Cristo Redentor do Rio de Janeiro. JAIR, Floripa, 07/10/12. 

domingo, 2 de setembro de 2012

O ET


Se esses ufólogos alienados quiserem um exemplo sólido que somos visitados por extraterrestres de vez em quando, ou que eles estão entre nós, vale dar uma olhadela na vida de Nikola Tesla, nascido na atual Croácia, mas que ao tempo de seu nascimento ainda era Sérvia. Até o detalhe de sua vinda ao mundo (10/07/1856) quando ele chegou à Terra exatamente à meia noite durante uma violenta tempestade elétrica, e de sua morte solitária e estranha, sua vida foi repleta de genialidade e comportamentos heterodoxos. 
Adulto, Tesla era olhado mais ou menos como um mago, misterioso e avesso à proximidade com outras pessoas, mas, estranhamente, gostava de anunciar suas descobertas e invenções como num circo, com espalhafato e cobertura da imprensa. A maioria de suas invenções foi e ainda é futurista, tanto no design quanto ao fim que se destina, inclui desde tele transportes, raios mortais e naves de guerra antigravidade até a corrente alternada de amplo uso até hoje. Mas na sua trajetória fulminante, Tesla criou um inimigo poderoso e vingativo quando provou que sua corrente alternada era melhor e mais barata e segura para ser transportada a longas distâncias, em comparação com a corrente contínua de Thomas Alva Edison. Tesla ganhou a parada por que tinha apoio de George Westinghouse. Mas seu comportamento exótico ia mais longe, ele falava de coisas tão estranhas que os investidores as rejeitavam incontinenti – especialmente por que a desordem obsessivo-compulsiva da qual sofria o levava a sempre dar três voltas no quarteirão, dobrar as roupas três vezes e fazer tudo multiplicado por três. Sem possuir carisma, num tempo que inexistia marketing pessoal, ele perdeu as patentes de muitas de suas criações, entre elas a do rádio – patente perdida para o italiano Guglielmo Marconi. Num ato de justiça histórica, contudo, a patente do rádio, em 1943, acabou sendo reconhecida como de Tesla novamente.
Numa atitude muito parecida com o ET do Spielberg, Tesla passou os últimos anos de sua vida vivendo recluso em um hotel de Nova Iorque e tentando usar suas ondas de rádio para lançar sinais para o sistema solar, convencido de que transmissões estavam sendo enviadas para a Terra a partir do espaço. Morreu (07/01/1943) em seu quarto de hotel aos 86 anos, sozinho, falido e seu corpo parecia um saco de ossos. Supõe-se que havia deixado de se alimentar a semanas.
Há quem (ufólogos naturalmente, pois estes já existiam naquele tempo) suspeite que sua preocupação em ouvir os sons vindos do espaço, ou aquilo que muitos viam como desperdício de seu gênio, fosse uma tentativa de retornar ao tempo (ou planeta) do qual viera. Em todo caso, o FBI confiscou a maioria de suas anotações e as mantém até hoje classificadas como material ultra secreto, um prato cheio para os ufólogos de plantão. JAIR, Floripa, 27/08/12.