As artes e a ciência têm seus pontos altos quando surge no cenário alguma mente que brilha. Assim foi quando surgiu Da Vinci, Newton, Einstein, Picasso, Camões, Dante e outros luminares. O Século vinte e um contava até o dia de hoje com o maior escritor da língua portuguesa depois de Camões, José Saramago (1922 – 2010). Morreu um escritor de imaginação poderosa que criava estórias fantásticas e as colocava em palavras com uma elegância que não se via nas letras desde Cervantes. Quem
José Saramago dominava o idioma e o fazia moldar-se a seu jeito, sem conspurcar-lo sem agredi-lo, era capaz de escrever sem pontos finais um capítulo inteiro sem, contudo, entediar o leitor ou tornar o texto menos compreensível. A vírgula, ela a usava com uma propriedade nunca vista antes, era um mestre, dava-se ao direito de criar sua própria versão da última flor do Lácio.
O mundo, e especialmente a literatura da língua portuguesa, perdeu hoje não só um prêmio Nobel, mas uma mente que, ao brilhar, iluminava nossas prosaicas vidas de leitores.
Saramago, você que não acreditava numa vida após a morte, deve estar se diluindo no espaço-tempo, doando sua matéria para alguém ou alguma coisa que vier depois e que a usará para um propósito nobre, esperemos. Adeus, Picasso das letras. JAIR, Floripa 18/06/10.
PS - Para quem ainda não leu, recomendo: "As intermitências da Morte"