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quinta-feira, 7 de julho de 2011

O Moa



Alguns leitores mostram alguma indignação, ainda que de baixo impacto, quando, em minhas diatribes, classifico o ser humano como uma espécie irresponsável cuja ação na face deste Planeta azul é deletéria e que, em virtude dessa falta de discernimento, um dia, ainda poderá causar a extinção da vida como a conhecemos. Sei que exagero na condenação que faço do Homo sapiens, contudo, a ênfase visa sensibilizar as mentes que me ouvem, se consigo meu intento não sei, mas continuo a fazê-lo porque quero ter a sensação de que “fiz a minha parte” e, se ainda durante minha existência se confirmar o pior, poderei dormir o sono tranquilo dos que estão isentos de culpa.
A maior carga de minha indignação se volta contra as ações gratuitas que o homem comete em nome da lei de Gérson. Desmatamento, caça contra animais indefesos só pelo prazer de matar, deterioração dos ambientes em troca de lucro discutível – desertificam-se extensões imensas de mata amazônica sob o pretexto de criar gado, mas o que se vê realmente é apenas a venda de madeira, por exemplo. Grande parte do quadro de extinção de animais que existe hoje pode ser debitado na conta do Homo exterminatus, essa facinorosa espécie que se arroga dono do Planeta, quando é apenas péssimo inquilino, contrário ao comportamento dos demais seres os quais respeitam uns aos outros e ao ambiente em que vivem.
Pois bem, na conta com saldo negativo que o homem mantém com a natureza, constam milhares de extermínios de animais que só queriam viver a vida e não atrapalhar ninguém. Aqui mesmo no Patropi o mico leão dourado estava no bico do corvo, só não foi extinto porque organismos internacionais, a custa de esforços piramidais, conseguiram cruzamentos em cativeiro e preservaram alguns espécimes até agora. Mas outros animais não tiveram tanta sorte: O maçarico-esquimó está extinto em território brasileiro desde os anos de 1930, e virtualmente extinto em nível mundial; o mutum-do-nordeste está oficialmente extinto na Natureza desde 2001; a perereca-de-santo-andré, está extinta desde os anos de 1920; o rato-candango foi considerado extinto em 2008; o rato-de-Fernando-de-Noronha não é visto desde o século XVI; e a ararinha azul foi considerada extinta na Natureza em 2002, pelo IBAMA. Além dessa lista, correm risco de extinção a Onça pintada pantaneira, o Puma ou onça parda, várias espécies de peixes fluviais e muitas aves como o tico-tico. Aliás, alguém tem visto algum tico-tico por aí? Pelo que lembro, eles eram abundantes na minha infância. Só tinham o temerário hábito de nidificar em arbustos bem rasteiros, o que deixava seus ovos e filhotes a mercê de predadores como cobras e ratos, além de facilitar a ação de humanos malvados que danificavam seus ninhos.
Só que hoje quero falar do moa, a maior e mais pesada ave que já cruzou à frente do homem moderno que se diz civilizado. O moa cujo nome científico é Dinornis novaezelandiae, atingia cerca de 3,7 m de altura com o pescoção estendido, e pesava cerca de 230 kg, era uma das onze espécies da ordem Struthioniformes que compreende espécies sem asas funcionais como o kiwi da Nova Zelândia também, a ema do Brasil, o avestruz da África e o emu da Austrália, além da nossa conhecida perdiz, uma das poucas que voa. A reconstituição de dezenas de esqueletos permitiu avaliar o que se sabe sobre a constituição física dessa imensa ave.
O moa vivia muito bem nas duas grandes ilhas neozelandesas só tendo como inimigo a águia haast, ave imensa que era predadora de seus ovos, filhotes e de adultos velhos ou feridos, até que, por volta de 1300 dC, o povo maori chegou e todos os gêneros moa logo foram levados ao risco de extinção pela caça e, em menor medida, pelo desmatamento. Por volta do ano 1400 quase todos os moa são considerados ​ extintos, juntamente com a águia haast que tinha confiado neles como alimento. Pesquisas recentes usando datação por carbono 14 sugerem fortemente que o moa levou menos de uma centena de anos para extinguir-se, em vez de um período de várias centenas de anos como se acreditava anteriormente.
Contudo, alguns relatos confiáveis têm confirmado que alguns espécimes continuaram persistindo nos cantos mais remotos da Nova Zelândia até os séculos 18 e mesmo 19, quando foram sistematicamente caçados pelos colonizadores brancos. O aparecimento do europeu “civilizado” deu fim a esses poucos indivíduos, e o último espécime, uma fêmea, foi morta por um fazendeiro irado que ainda esmagou com os pés os ovos do ninho que o mãe zelosa cuidava. Foi um fim ignominioso para tão formidável animal.
O moa, como o tilacino - (Thylacinus cynocephalus), comumente conhecido como lobo-da-tasmânia ou tigre-da-tasmânia, foi o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos – e o pássaro dodô das Ilhas Maurício, é mais uma das vítimas inocentes da predação humana. Tudo que se fale contra o homem num caso como esse é pouco, o Homo sapiens é inqualificável quando se trata de transgredir as regras do ambiente ecológico em “seu favor”. A lei de Gérson aplicada na sua pior forma é quase uma segunda natureza desse energúmeno bípede. Não desejo viver o suficiente para ver como acabará esse desmando. Abraços, JAIR, Floripa, 19/06/11.

domingo, 1 de agosto de 2010

Gralha Azul




Homenagem à disseminadora de florestas

A gralha azul (Cyanocorax caeruleus) é uma ave da família dos corvídeos extremamente inteligente, chega a ser mais articulada que os psitacídeos, ou seja, ela, se treinada, fala melhor que papagaio, característica que corvos do hemisfério norte também partilham. Na natureza é particularmente barulhenta, um pequeno bando de gralhas equivale a um monte de crianças fazendo algazarra, tanto é que costuma-se chamar de gralha pessoa que muito fala. Tem ampla distribuição geográfica, que ocorre principalmente nas regiões de clima temperado. De médio porte, medindo até 40 cm de comprimento da ponta do bico à ponta da cauda, possui um aspecto robusto e um bico forte. O corpo tem coloração azul metálica, a cabeça, a garganta e o peito são negros, com as penas da fronte arrepiadas. Seu olho é escuro, diferente da gralha comum que tem olhos amarelos. A coloração da plumagem é semelhante tanto na fêmea como no macho. Embora se considere que seu habitat é a floresta de araucárias do sul do Brasil, por força da variada dieta que inclui insetos, frutos, pequenos invertebrados e até lagartixas, esta ave não tem dependência restrita dessas florestas e sua área de distribuição estende-se desde o sul do Estado do Rio de Janeiro para o sul, até o Estado do Rio Grande do Sul, sendo frequente na mata atlântica da serra do mar. Tanto é assim, que as tenho visto aqui no norte da ilha de Santa Catarina em pequenos bandos, vez ou outra.

No livro de leituras da escola primária de minha infância (Grupo Escolar Jesuíno Marcondes) havia um texto que tratava da Gralha Azul. Dizia o conto que a Gralha Azul, ouvindo as machadadas que derrubavam as araucárias das matas em que vivia, tomou-se de dores pelos pinheiros e resolveu plantar seus pinhões para que nunca as árvores fossem extintas. E assim se deu.

Pois é, a verdade é que as Gralhas Azuis, as quais eram abundantes nos pinheirais de minha cidade natal, realmente plantam pinheiros. Os Pinhões, sementes sazonais do pinheiro, são o alimento predileto das gralhas durante os meses de outono. Acontece que a gralha é um pássaro previdente, intuindo que no resto do ano não haverá mais essa saborosa e energética semente, ela enterra os pinhões excedentes, de forma a tê-los disponíveis quando não forem mais encontrados depois da safra. Desses enterramentos alguns são “esquecidos” pelas gralhas e, depois de algum tempo, brotam formando nova muda de araucária. A Gralha Azul é uma disseminadora de pinheiros, sem ela as árvores teriam dificuldade em se propagar, visto que as sementes, pesadas como são, caem apenas à sombra da própria árvore, correndo risco de nunca conseguirem brotar por falta de espaço.

Tenho um amigo de infância, Antonio Passoni, que possui um pequeno sítio no Paraná, e lá pude observar em tempo real as gralhas “plantando” pinheiros. Estávamos no período da safra de pinhões, elas colhiam alguns que caíam e, ao invés de comê-los de imediato, procuravam local onde a terra estivesse macia e os enterravam, vi com meus próprios olhos depois que meu amigo me chamou a atenção para o movimento que elas estavam fazendo. No local, depois que elas se foram, cavamos com as mãos a terra recém revolvida e descobrimos pinhões com a ponta para cima, também ali já brotavam pequenas mudas, resultado de semeaduras anteriores. Foi uma revelação fantástica que ficou gravada nos meus neurônios para sempre, acabara de presenciar o ato crucial que une árvore e ave numa cumplicidade que a natureza alinhavou através de milhões de anos.

A relação araucária – gralha é o que a ciência chama de consórcio, ou seja, dois ou mais seres que se ajudam mutuamente e tiram proveito disso. Assim, a Gralha Azul depende da araucária para se alimentar e a araucária depende da Gralha Azul para proliferar. Não é de admirar que com o quase desaparecimento da planta o pássaro também tenha entrado na lista das espécies ameaçadas. Hoje quase não se vê a Gralha Azul nas matas ombrófilas (florestas de climas chuvosos) de minha terra, o que é de se lamentar.

Pinheiros são lindas espécies de coníferas, família das árvores mais antigas do Planeta, que correm risco de extinguir-se por incúria humana: desmatamento para uso da madeira; desmatamento para dar lugar a plantações de pinus elliotiti, conífera oriunda da Ásia usada principalmente na fabricação de papel; desmatamento para plantação de soja exportada para confecção de ração animal na Europa e EUA; desmatamento para composição de pastagens para o gado. Gralhas Azuis são aves que habitam o Planeta há 50 milhões de anos, que se adaptaram às florestas ombrófilas, estabelecendo consórcio com as araucárias, e, desse modo, perpetuando as produtoras de seu alimento predileto. Homo sapiens é um primata que evoluiu há uns duzentos mil anos e que ocupa o mesmo habitat das araucárias e gralhas há uns doze mil anos, talvez. A associação gralha – araucária estava em perfeito equilíbrio até que surgisse no horizonte a figura do Homo sapiens, depois disso o mundo veio a baixo, ou seja, gralhas e araucárias correm o risco de desaparecerem para sempre. Há alguma coisa essencialmente errada nessa equação.

Trecho de um conto sobre a Gralha Azul que encontrei no saite: http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/gralha.html

Pesadelo: “Revi-me de arma em punho, pronto para fazer fogo. Quando o fiz, iluminou-se o alvo e, aberta as asas brilhantes, o peito a sangrar, veio ele de manso, se achegando a mim. Os pés franzinos evitavam os sapés esparsos pelo chão e o andar esbelto tinha qualquer coisa de divino. Dardejante o seu olhar, estremeci ante aquela figura de ave e deixei cair a arma. Estático já, estarreci ao ouvir os sonoros e compreensíveis sons que aquele delicado bico soltava naturalmente. Dizia a gralha: “És um assassino! Tuas leis não te proíbem matar um homem? E quem faz mais do que um homem não vale pelo menos tanto quanto ele? Eu, como humilde avezinha, entoando a minha tagarelice selvagem como o marinheiro entoa o seu canto de animação na véspera de praticar seus feitos, faço elevar-se toda essa floresta de pinheiros; bordo a beira das matas com o verdor dessas viçosas árvores de ereção perfeita; multiplico, à medida de minhas forças, o madeiro providencial que te serve de teto, que te dá o verde das invernadas, que te engorda o porco, que te locomove dando o nó de pinho para substituir o carvão-de-pedra nas vias férreas. E ignoras como eu opero!... Vem. Acompanha-me ao local onde me interrompeste o trabalho, para aprenderes o meu doce mister. Vês? Ali está a cova que eu fazia e, além, o pinhão já sem cabeça, que eu devia nela depositar com a extremidade mais fina para cima. Tiro-lhe a cabeça porque ela apodrece ao contato da terra e arrasta à podridão o fruto todo, e planto-o de bico para cima a fim de favorecer o broto. Vai. Não sejas mais assassino. Esforça-te, antes, por compartilhar comigo nesta suave labuta.” A gralha desapareceu e eu voltei à razão. Levantei-me a custo e fui ter ao local escavado pelas aves, uma das quais jazia com o peito manchado de sangue, ao lado de um pinhão já sem cabeça. Admirado, verifiquei a certeza da visão: mais adiante cavouquei com as mãos a terra revolvida de fresco e descobri um pinhão com a ponta para cima e sem cabeça. O José Fernandes fez uma pausa e depois concluiu, mal encobrindo a sua alegria: - Aí está, caro Fidêncio, como vim a ser um plantador de pinheiros. Quero valer mais que um homem: quero valer uma gralha azul!”

JAIR, Floripa, 01/08/10.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

URUBUS


O Aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado no bairro de Cumbica daquele município, tem um departamento de zoologia que cuida do controle de animais que podem causar acidentes nas pistas. Esse departamento, a cargo de uma zoóloga, trata de retirar do local os animais potencialmente perigosos para as atividades de pouso e decolagem. Como se faz isso? Primeiro, conhecendo os hábitos dos ditos e usando esse conhecimento, não para eliminar ou prejudicar os bichos e, sim, para deslocá-los para local seguro. Assim, cobras, capivaras, quero-queros, cães, gatos e urubus são apanhados em armadilhas e mudados de endereço, com a intenção que não mais voltem. Quase todos os animais apanhados são soltos em locais ideais e não retornam para a área do aeroporto. Mas, e os urubus? Aí está um trabalho muito mais difícil de fazer, já que os bichos são territoriais e relutam em adotar outro bioma que não seja aquele a que estão acostumados, e retornam de distâncias de até sessenta quilômetros para o local onde foram apanhados. Para começar, é necessário se conhecer o que é e como vive esse interessante animal. Os urubus, aves da família Cathartidae, primos pobres dos condores, são animais de extrema importância na natureza por serem necrófagos, ou seja, são aves que se alimentam de restos de animais já mortos. Apesar de feioso e com má fama, o urubu tem papel essencial na natureza. Como é um animal necrófago, que se alimenta de carne em putrefação, faz uma espécie de “faxina” nos locais onde vive, pois elimina do meio ambiente a matéria orgânica em decomposição. Contudo, ainda que se alimentem quase exclusivamente de carne em decomposição, não rejeitam carne fresta, o que faz supor que não “preferem” carniça, apenas tem mais facilidade de encontrá-la por motivos óbvios, é claro. Eles são responsáveis pela eliminação de quase a totalidade de carcaças dispostas em um ecossistema, sendo a maioria delas de mamíferos. No Brasil são conhecidas cinco espécies de urubus: O imponente urubu-rei (Sarcoramphus papa) e o urubu-da-mata (Cathartes melambrotos), que muito raramente são encontrados próximos das áreas urbanizadas, e o urubu-preto (Coragyps atratus), este nosso conhecido nos lixões das cidades; o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), e o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus). Apesar de sua importância e abundância, poucas pessoas conhecem seus hábitos, como o comportamento alimentar e a hierarquia social respeitada por essas aves. Os urubus de-cabeça-vermelha e de-cabeça-amarela, normalmente, localizam primeiro a carcaça por possuírem um sentido de olfato mais apurado, sendo então seguidos pelas outras espécies. Para que possam ter uma boa visão de para onde os urubus-de-cabeça-vermelha e de-cabeça-amarela estão voando, as outras espécies procuram atingir grandes altitudes usando com maestria as correntes térmicas para planar, e muitas vezes somem de nossas vistas tornando-se um ponto minúsculo no céu. As correntes térmicas se formam quando o ar frio da atmosfera se aquece em contacto com a superfície terrestre exposta ao sol, tornando-se mais leve e subindo. Este modo de deslocamento permite às aves percorrerem grandes distâncias e permanecerem muito tempo flutuando com um dispêndio mínimo de energia. Essas mesmas correntes são aproveitadas, ainda que de maneira canhestra, pelos pilotos de planadores, os quais se valem de sua força ascensional para ficarem mais tempo no ar. Diferente das demais aves, os urubus não possuem penas em sua cabeça, isso pode ser explicado devido ao fato de se alimentarem de carniça, e essas penas poderiam ser um ponto de contaminação ao entrarem em contato com a carcaça, repleta de microorganismos prejudiciais a sua saúde. Há cientistas dedicados ao estudo do sistema imunológico destes animais para descobrir o segredo da resistência a infecções que parecem possuir. Outro fato pouco conhecido sobre essas aves, é que existe uma clara organização na hora da alimentação. Esta “hierarquia” pode ser vista na maneira como as outras espécies de urubus se afastam da carcaça com a chegada do urubu-rei, e quando encontram uma pele muito resistente, somente ele é capaz de rasgar esta pele graças a seu bico mais forte que o das demais espécies. Dependendo do tamanho da carcaça, esta poderá alimentar muitos urubus, podendo algumas vezes acontecer uma competição entre eles. Com exceção do urubu-rei, que é afetado com ações do homem, tanto pela destruição de seu habitat como pela captura para tráfico por ser muito vistoso, as demais espécies não possuem predadores naturais e também não são “bonitas” a ponto de serem capturadas, de modo que aumentam sua população de acordo com o crescimento de lixo produzido pela sociedade humana. Os cientistas ainda não desvendaram totalmente esse mistério, mas acreditam que os urubus degustam comida estragada sem passar mal graças ao seu sistema imunológico e ao potente suco gástrico secretado por seu estômago. Para encontrar a refeição, eles contam com olfato e visão apurados. São capazes de ver um bicho pequeno a três mil metros de altura! Mas os urubus não cantam de galo: eles não têm siringe, o órgão vocal das aves, e só fazem uns barulhos esquisitos chamados de crocitar, na verdade uma espécie de gorgolejo rouquenho. A reprodução dos urubus acontece no início da primavera. Diferentemente da maioria das aves, eles não constroem ninhos em galhos de árvores ou de arbustos. As fêmeas fazem a postura entre rochas escondidas, paredões rochosos e troncos ocos. Normalmente, colocam dois ou três ovos, sendo que o período de incubação varia de 49 a 56 dias conforme a espécie. Os filhotes, ao contrário dos pais, nascem pelados e se tornam totalmente brancos, só passando a ser negros na adolescência. Os pais revezam-se no ninho, ministrando a seus pequenos comida liquefeita regurgitada de seus estômagos; alimentam os filhotes durante meses. Assim, conhecendo-se o modus vivendi desse útil, meio esquisitão e ecologicamente correto animal, é possível não só afastá-lo dos terminais aéreos, como preservá-lo para continuar fazendo o “trabalho sujo” que a ninguém apraz e que é tão necessário. No Aeroporto de Guarulhos foram capturados 287 animais, que depois de anilhados, foram soltos na serra do mar a oitenta quilômetros de lá. Desses, apenas dois voltaram ao ponto onde foram apanhados, o que prova que é possível livrar-se de seu perigo potencial para a aviação sem lhes causar mal. Homens e urubus podem viver perfeitamente bem, desde que os primeiros entendam e respeitem os segundos. JAIR, Floripa, 13/07/09.