sábado, 21 de julho de 2012
Dingo
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Livros e cães

“Embora se espere que os livros possam mudar ao longo dos tempos (futurologia? os livros eletrônicos de hoje parecem corroborar essa previsão), assim como as pessoas também o fazem, a diferença está em que, as pessoas sempre se afastam quando percebem que não podem obter nenhuma vantagem, interação positiva, prazer, interesse ou pelo menos um momento aprazível em nossa companhia, um livro nunca nos abandona. Nós com certeza vamos abandoná-lo, algumas vezes por muitos anos, ou até para sempre talvez. Mas eles, os livros, mesmo traídos ou maltratados, nunca vão nos dar as costas: vão continuar esperando por nós silenciosos e humildes nas prateleiras ou nos cantos e porões onde foram deixados. E eles nos esperam por dezenas de anos, só sua destruição por traças, umidade ou fogo, impedirá que eles estejam à nossa espera. Não se queixam e não se cansam. Até que um dia qualquer, quando nós precisamos de um deles, quando sentimos necessidade de folhear suas páginas silenciosas e sábias, mesmo que seja numa noite chuvosa ou num dia frio, ou mesmo que seja um livro velho e maltratado que tenhamos jogado num canto sem qualquer cuidado, e que tenha ficado esquecido por muitos anos, ele não vai decepcionar-nos – descerá da prateleira poeirenta ou sairá de seu canto úmido e bolorento e virá conviver conosco como se nada tivesse acontecido. Não fará cobranças, não inventará desculpas e não perguntará se vale a pena, se ele nos merece, se nós o merecemos, se nós temos ainda algo a ver com ele, ou se tem algo a ver conosco, mas virá às nossas mãos no momento que nós quisermos, jamais fugirá ou nos trairá”.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Cachorros II

Mas, a relação homem-cão é muito antiga, remonta há dez mil anos quando as primeiras tribos humanas começaram a deixar o nomadismo de caçadores-coletores e passaram a se fixar na terra tornando-se pastores-agricultores, isto é, praticamente desde os primeiros alvores do que chamamos civilização. Sabe-se que esses homens primitivos domesticaram o lobo asiático e dele, através de seleção genética, foram criando as primeiras “raças” que acabaram dando a origem às centenas que conhecemos na atualidade.
Para nós pode parecer estranho que os Homo daquele tempo tenham domesticado o lobo, contudo, devemos lembrar que o animal – selvagem ou não – procura fundamentalmente duas coisas: alimento e segurança. Portanto é razoável supor que os primeiros aglomerados humanos produziam rejeitos que atraiam os animais, principalmente em épocas de escassez. Ossos e restos de comida deviam ser convidativos aos lobos famintos. Uma vez que os animais se aproximavam, os mais mansos podiam ser capturados e mantidos em cativeiro, ou mesmo apenas dentro do perímetro da aldeia onde recebiam alimentos, se sentiam seguros e podiam procriar sem problema. E, como não existe almoço grátis, os homens obtinham uma fonte de proteínas segura para os dias difíceis e usavam os animais como fonte de calor nas noites invernais, além de contar com eles como sentinelas de suas casas. Era uma simbiose perfeita em que ambos ganhavam e que continua existindo em certas sociedades primitivas até hoje.
Pois bem, sempre chamou-me a atenção a irresistível atração entre populações pobres e os cães. Onde existe gente pobre existe cachorros em quantidades significativas. Mendigos atraem cães e são atraídos por eles também. Morei aqui em Floripa num condomínio recém formado em um bairro de classe média baixa. Ao me mudar não havia muitos moradores no condomínio, de modo que havia bem poucos cachorros ainda. Fiquei observando como evoluiria a população canina então. Não foi preciso esperar muito, a comunidade tinha duzentas casas e quando umas cento e cinquenta estavam ocupadas já havia uma quantidade de cães que empatava com o número de ocupações. E daí para frente o número de cachorros só fez aumentar. Não sei como está hoje, porque de lá me mudei, mas garanto que quando saí havia mais cães que famílias.
Para contrariar minha assertiva que cães e pobres se atraem como pólos opostos de imãs, conto que quando estive em Cuba há cinco anos, esperava encontrar muitos cachorros nos bairros pobres de Havana, enganei-me. Apesar da extensa e visível pobreza das classes operárias de Cuba, pude observar que os canídeos eram quase inexistentes pelas ruas e casas. Sempre que visito outros países costumo escrever minhas impressões primeiras sobre o que vejo de peculiar, exótico, curioso ou mesmo comum na sociedade. Em virtude, produzi um texto meio jocoso: “Donde están los perros?” quando voltei daquela Ilha Caribenha. Confesso que não me atrevi a publicá-lo por que poderia parecer meio preconceituoso com as pessoas de lá, mas, principalmente, preconceituoso com os cachorros. Não tenho dúvidas que não sou habilitado a falar sobre o regime político da Ilha. E mais ainda, é impossível escrever qualquer coisa sobre Cuba sem acrescentar uma opinião política a tudo que disser, e política não é minha praia.
Mas, sem qualquer ranço ou viés político, os cães são os animais sem os quais a humanidade não teria tomado o rumo que tomou no decurso civilizatório que nos tornou o que somos hoje. Os cães sofreram um processo evolutivo artificial que os tornou, cada vez mais, seres adaptados às necessidades e idiossincrasias humanas em todos os níveis e consoantes todas nossas exigências do dia-a-dia. Desde o cãozinho ornamental cheio de fitinhas e laçarotes das madames até os cães pastores que contribuem para a segurança de rebanhos em qualquer parte do mundo, passando por sentinelas e condutores de deficientes visuais, ou, nas guerras onde eles foram condicionados a levar explosivos para baixo de tanques inimigos, como fizeram os russos, canídeos dão uma contribuição fundamental para quase tudo que fazemos. Até mais que isso, os cães são nossas companhias e nossos cúmplices em toda nossa história, nós e eles partilhamos uma vida comum e não há como referir-se a cultura dos povos e nações sem fazer referência a importância que eles tiveram e tem no rumo da civilização que construímos. Estejamos certos, se um dia o homem conquistar o espaço sideral e conseguir explorar outros planetas, o cão estará ao seu lado. Viva nossos fiéis companheiros de jornada! JAIR, Floripa, 21/09/11.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A SAGA DA FIDELIDADE
É sobre essa virtude canina elevada ao mais alto grau que trata este texto, baseado em notícias de jornais do Oregon da época. Em agosto de 1923, o collie Bobbie perdeu-se de seus donos enquanto estes viajavam por Indiana, EUA. O cão e a família Smith viviam no Oregon, estado situado a distância de
Histórias como esta existem às centenas, quase sempre não comprovadas mas, de qualquer forma, interessantes e com certo mistério a ser resolvido. Como os animais conseguem orientar-se nesses deslocamentos? Há quem acredite que animais, mais que humanos até, possuem uma percepção extra-sensorial. Os mais céticos, como eu, admitem que os animais, sejam domésticos ou não, têm uma capacidade de orientação geral, uma espécie tosca de GPS orgânico que se guia pelo sol ou pelas linhas magnéticas da Terra, do tipo: “desloquei-me para direita donde me encontrava, logo, para voltar, tenho que andar para a esquerda”. Feito isso, o bicho vai, grosso modo, no sentido que deve e, por tentativa e erro, acaba chegando em região conhecida, que, geralmente é onde os cheiros lhes são familiares, daí é só “fazer sintonia fina” e achar o local onde mora. E o que o move, o que determina sua vontade de chegar é a fidelidade que dedica a seu dono.
Para ilustrar, uma experiência própria: Quando eu tinha uns doze anos, lá na minha Palmeira natal, recebi a incumbência de abandonar um gato de minha mãe que supostamente estava comendo pintinhos de uma vizinha. Essa história de comer pintinhos não estava bem contada porque o gato gostava mesmo de camundongos, e degustava também lagartixas e até cobras de pequeno porte que encontrava pelas redondezas. Não obstante, lá fui eu, com uma caixa de papelão na garupa da bicicleta onde havia colocado o assustado bichano. Pedalei até onde estava sendo construída uma estrada nos arredores da cidade e, considerando que estava “longe” de casa, soltei o animalzinho. Ele escafedeu-se, ganhou umas moitas de guanxuma ali perto e sumiu, não mais o vi. De volta para casa, pedalando calmamente, fui informar que havia cumprido a missão. Ao chegar, para espanto de todos, lá estava o gato alegre e cheio de saúde lambendo-se todo, sem aparentar qualquer trauma ou desconforto. Pela esperteza, o bicho deixou de ser punido novamente e, para felicidade de todos, não mais almoçou os pintinhos. Provavelmente o meu “longe” era apenas o quintal da casa do felino, daí ele ter voltado com tanta facilidade. Neste caso, a fidelidade do animal seria apenas ao lugar no qual encontrava abrigo e alimento e não a seus donos. JAIR, Floripa, 28/03/10.
sábado, 9 de maio de 2009
CACHORROS DO BRASIL


