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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sandices animais





Para fins didáticos os homens costumam dividir a natureza em três reinos básicos: mineral, vegetal e animal. Existem reinos como os das moneras e outros mais, mas não é disso que vamos falar, então fiquemos com os três iniciais. Já toquei na vida das plantas em meu texto “Sandices botânicas”, portanto agora é vez de falar dos animais.
A maioria dos homens por ser pretensiosa, arrogante e ignorante costuma não se enquadrar na mesma categoria dos outros animais, parece querer dar a impressão de pertencer a um reino a parte. Até a bíblia no livro de Gênesis faz menção que os animais foram criados para “servir ao homem”. Santa ignorância! Homens e ratos são seres do mesmo reino e um é tão evoluído quanto o outro. São diferentes sim, talvez tão diferentes entre si quando o é um cão de um gato, por exemplo, mas a diferença termina aí. Então vejamos, para aqueles que se julgam muito superiores a esses mamíferos, veio-me à mente que, a propósito do término do "Projeto Genoma", o qual depois de consumir milhões de dólares e milhares de horas das cabeças pensantes mais poderosas do planeta e, de tempos em tempos, movimentar a mídia com notícias sensacionais a respeito de descobertas fantásticas, chegou à conclusão que: contados todos os genes do homem, estes não passam de uns meros trinta mil, o mesmo número de genes do rato. Para a ciência, que achava que os genes do homem chegariam à casa dos cem mil, foi um balde de água fria esta conclusão, pois, se depender dos genes, o arrogante bicho-homem é apenas um rato que fala.
Então, preconceitos e arrogância a parte, o Homo sapiens e centenas de outros animais estabeleceram uma convivência, nem sempre muito pacífica e sem estresse, há milhares de anos e continuam essa relação nos tempos atuais, o mais das vezes com prejuízo para os outros e visível “ganho” para nós a parte “inteligente” do relacionamento.
Mas, como se deu esse consórcio entre o bípede falante e os bichos, em geral, de quatro – alguns, como as abelhas e o bicho da seda têm seis, as aves têm duas e as bactérias e os peixes não têm - patas? Começou há pelo menos dez mil anos quando os primeiros humanos que até então eram nômades caçadores-coletores, resolveram “sossegar o pito”, ou seja, estabeleceram os primeiros assentamentos semi permanentes, ou fixos de fato. Portanto, a relação homem-cão, por exemplo, é muito antiga, isto é, praticamente desde os primeiros alvores do que chamamos civilização. Sabe-se que os homens primitivos domesticaram o lobo asiático e dele, através de seleção genética, foram criando as primeiras “raças” que acabaram dando a origem às centenas que conhecemos na atualidade. Assim, também o onagro (espécie de burrico), o cavalo, reses como cabras, vacas e ovelhas foram sendo introduzidos nas aglomerações semi urbanas. É razoável supor que os primeiros aglomerados humanos produziam rejeitos que atraiam os animais, principalmente em épocas de escassez. Ossos e restos de comida deviam ser convidativos aos lobos famintos, roças e plantações domésticas atraíam os comedores de plantas. Uma vez que os animais se aproximavam, os mais mansos podiam ser capturados e mantidos em cativeiro, ou mesmo apenas dentro do perímetro da aldeia onde recebiam alimentos, se sentiam seguros e podiam procriar sem problema. Deve-se sempre levar em conta que, mesmo na natureza, os animais estão sempre em busca de segurança, alimento e oportunidade de reprodução, e era isso que os homens lhes proporcionavam, daí domesticá-los tornou-se uma consequência da proximidade e da utilidade efetiva ou potencial que representavam.
Mais a civilização avançava rumo à modernidade, mais animais eram incorporados ao já numeroso contingente desses “auxiliares” e às vezes escravos das pessoas. Desde os maciços elefantes asiáticos, passando por renas, cavalos, vacas, coelhos, perus, galinhas, canários, peixes e até bactérias, todos se tornaram parte integrante do cenário civilizatório. Homens e seus animais domesticados construíram a civilização.
Assim, animais antes selvagens agora domesticados atrelados aos homens erigiram o piramidal edifício que suporta a civilização, na maioria das vezes com enorme prejuízo para aqueles e benefícios para estes. Os bichos carregaram gente e as mais diversas cargas no lombo; forneceram suas carnes para alimentação, pele e ossos para roupas abrigos, utensílios e armas; foram e são usados como cobaias nos mais diversos experimentos laboratoriais para obtenção de novos produtos e medicamentos; são sacrificados para uso de seus hormônios como fixados de perfumes e seus lipídios para fabricação de cosméticos; servem para recreação humana desde corridas de cavalos e cães, até brigas de peixes e galos; alem de serem caçados por lazer, como os são veados, gamos, felinos africanos, rinocerontes, bisões e dezenas de espécies de aves.
Enquanto homens exercerem domínio neste Planeta, enquanto continuarem se achando melhores e mais dotados que outros animais, estes estarão sempre na iminência de desaparecer para sempre. Atualmente há registro de milhares de animais que foram extintos, alguns não chegaram nem a ser estudados e conhecidos. Entre estes se encontra o Tilacino, conhecido por Tigre da Tasmânia, um marsupial carnívoro no formato de um cão grande que foi dizimado por caçadores australianos sob a alegação de que comia ovelhas, fato nunca comprovado. O último espécime conhecido foi filmado em cativeiro em 1936, ano em que morreu.
Outro animal, o moa, vivia muito bem nas ilhas neozelandesas só tendo como inimigo a águia haast, ave imensa que era predadora de seus ovos, filhotes e de adultos velhos ou feridos, até que, por volta de 1300 dC, o povo maori chegou e todos os gêneros de moa foram levados ao risco de extinção. Por volta do ano 1400 quase todos os moa são considerados ​ extintos, juntamente com a águia haast que tinha confiado neles como alimento. Alguns relatos confiáveis têm confirmado que alguns espécimes continuaram persistindo nos cantos mais remotos da Nova Zelândia até os séculos 18 e mesmo 19, quando foram sistematicamente caçados pelos colonizadores e definitivamente extintos. No confronto da fauna nativa como os homens estes sempre saem “ganhando” para prejuízo do Planeta. JAIR, Floripa, 26/01/12

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobre dor


De acordo com a International Association for the Study of Pain: "Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com danos reais ou potenciais em tecidos e órgãos, ou assim percebida como tal, isto é, por se tratar de uma experiência também emocional, pode existir dor sem um real dano a qualquer parte do corpo”. E a definição continua: “A incapacidade de comunicar verbalmente não exclui a possibilidade de que um indivíduo esteja sentindo dor e necessite tratamento para alívio da mesma”, isso significa que os animais ditos irracionais, embora não possam expressar, sentem tanta dor quanto os humanos.
A dor é absolutamente subjetiva. Cada indivíduo aprende o uso da palavra dor através de experiências próprias relacionadas com traumatismos no início da sua vida. A dor é individual, particular e não pode ser delegada nem dividida, não há dor coletiva nem compartilhada. Os analgésicos e anestésicos nasceram da imperiosa necessidade de afastar dos humanos essa tão desconfortável sensação.
Os cientistas verificam que os estímulos que causam dor são os mesmos que causam provável dano nos tecidos. Portanto, a expressão “a dor é nossa amiga” se aplica plenamente, ao sentirmos o desconforto dessa sensação, procuramos evitar a causa da dor e, em consequência, a causa do dano. Para provar, basta aproximarmos a mão da chama de uma vela. Percebemos que, por reflexo, retiramos a mão tão logo sentimos dor, assim evitamos o dano da queimadura.
Por outro lado, dado a subjetividade da dor e por essa subjetividade tornar inviável a construção de um “dolorímetro” confiável que enquadre a intensidade das dores numa escala que possa comparar dores originadas em órgão e tecidos diferentes, nascem polêmicas acerbadas sobre qual ou quais as dores mais doloridas, por assim dizer.
A Bíblia é pródiga em associar dor ao parto, em Romanos (8:22) podemos ler: “a natureza criada geme até agora, como em dores de parto”. Além de, em Gênesis (3:16) está dito com referência à mulher: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores” . Ora, seja pelo fato da dor do parto ser “bíblica”, ter pedigree, por assim dizer, ou por alguma razão obscura qualquer, convencionou-se que essa é a dor mais intensa que pode acometer um ser humano. Só que, quem já teve cálculo renal, afirma de pés juntos que essa é a dor Primus inter pares, que não há dor que se compare a ela. Ainda há um adágio meio machista que afirma: “Quem acha que a dor do parto é a pior, é porque nunca levou um chute nos testículos”. E a contrapartida feminista: “Quem afirma que chute na genitália é a dor mais cruciante, tente defecar uma bola de futebol para ver”. Dessa forma, ficou estabelecido um impasse. Como já dissemos, não existe um dolorímetro, então cada um pode afirmar o que achar conveniente, em outras palavras pode puxar a brasa para sua dor. Provavelmente, as mulheres vão continuar sentindo as terríveis dores que acompanham o nascimento de mais um rebento, e os homens se queixando como bebês chorões quando levarem uma bolada na região pélvica.
Mas existe uma tribo no México que resolveu esse imbróglio de modo brilhante, criativo, com equipamento de baixíssima tecnologia e resultados surpreendentes. Os Huichol acreditam que a dor do parto deve ser partilhada por aquele co-responsável pela gravidez da mulher. Assim, a mulher em trabalho de parto agarra um cordão que fica amarrado com firmeza nos testículos do marido, e a cada contração puxa o barbante. Quanto mais intensa a contração, tanto maior o puxão.
Parece que, além de conscientizar o pai sobre o sofrimento da mãe ao parir, esse costume acarreta um “efeito colateral” de consequência social decisiva para cultura dos Huichol: tornou-se uma ferramenta eficiente no controle de natalidade. A expectativa de dor lancinante nas gônadas faz com que os maridos pensem duas vezes antes de engravidar suas mulheres, preferem a abstinência nos dias férteis delas depois de terem passado pela experiência da tortura escrotal uma ou duas vezes. Por conseguinte, os Huichol têm baixo índice de natalidade e, com isso, conseguem manter uma qualidade de vida mais elevada que seus conterrâneos que não utilizam o cordãozinho maldoso. A dor é duplamente amiga dos Huichol, de certo modo, muito mais do que para o resto da humanidade. JAIR, Floripa, 07/11/11.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Sobre a Bíblia


Como escrevi algumas vezes, a Bíblia é um apanhado de crônicas produzidas por pessoas diversas em épocas distintas e sobre assuntos os mais variados. Não é um compêndio científico, tampouco histórico, serve apenas como referência de usos e costumes de povos que viveram num passado que, por coincidência, era antes, durante e algum tempo depois da vida de Jesus. Não costumo publicar produtos de outros autores, mas o texto abaixo está tão interessante que resolvi colocá-lo aqui. É do livro “Ostra feliz não faz pérola” de Rubem Alves. Espero que ele me perdoe por copiá-lo.

Consultório bíblico
“Laura Schlessinger é uma conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos. Ela tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre homossexualidade, a locutora disse que se tratava de uma abominação, pois assim a Bíblia afirma no livro de Levítico 18:22 . Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever: “Querida dra. Laura: Muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segundo a Lei de Deus. Eu mesmo tenho aprendido muito em seu programa de rádio e desejo compartilhar meus conhecimentos com o maior número de pessoas possível. Por exemplo, quando alguém se põe a defender o estilo homossexual de vida, eu me limito a lembrar-lhe que o livro de Levítico, no capítulo 18, versículo 22, estabelece claramente que a homossexualidade é uma aberração. E ponto final... Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas concretamente sobre a forma de cumpri-las:
Gostaria de vender minha filha como serva, tal como indica o livro de Êxodo, 21:7. Nos tempos que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?
O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens como mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses?
Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Lev. 18:19, 20:18 etc). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.
Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha no sábado deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?
No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não poderá se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu necessito de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus? Será que se pode abrandar um pouco essa exigência?
A maioria de meus amigos homens tem o cabelo bem cortado, muito embora isto esteja claramente proibido em Levítico 19:27. Como é que eles devem morrer?
Eu sei, graças ao Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas?
Meu tio tem uma granja. Deixa de cumprir o que diz o Levítico 19:19, pois planta dois tipos de sementes no mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber, algodão e poliéster. Além disso, ela passa o dia proferindo blasfêmias e maldizendo. Será que é preciso levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-los? Não poderíamos adotar um procedimento mais simples, qual seja, o de queimá-los numa reunião privada, como se faz com um homem que dorme com sua sogra, ou uma mulher que dorme com seu sogro? (Levítico 20:14). Sei que senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a Palavra de Deus é eterna e imutável””.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O CRIACIONISMO É UMA BOBAGEM ESFÉRICA*


O criacionismo, como qualquer ser inteligente sabe, é um besteirol sem tamanho. É até estranho que tanta gente perca um tempo precioso se dedicando a uma hipótese tão estúpida e absurda. A ciência está careca de provar que os seres vivos encontram-se na face deste Planeta há mais de três bilhões de anos, e que evoluíram para suas formas atuais desde outras formas primitivas. Os criacionistas acreditam que toda a vida que existe foi criada num átimo, nas suas formas atuais, há cerca de seis mil anos (alguns admitem dez mil anos) por uma entidade suprema. Em consequência dessa estultice os criacionistas enxergam homens e dinossauros convivendo ao mesmo tempo. A evolução é um fato comprovado por provas físicas, o criacionismo é uma bobagem que se baseia na fé.

Quero repetir aqui argumento que usei em meu texto “A maravilhosa ciência”: A ciência “aconselha-nos a considerar hipóteses alternativas em nossas mentes, para ver qual se adapta melhor à realidade. Presta-se como ferramenta do cético, do inconformado, do curioso e não daqueles habituados a certezas inquestionáveis”. Por isso, o cientista (e por extensão o evolucionista) é uma mente sempre aberta para ideias e propostas novas, já o criacionista é adepto de “certezas inquestionáveis”.

O livro Why evolution is true, de Jerry Coyne, é uma obra que apresenta de maneira sentenciosa provas irrefutáveis da evolução, oferecidas pela distribuição geográfica. Ele também aborda a característica dos criacionistas de ignorarem evidências, quando estas são contrárias a sua fé; quando são provas que não corroboram aquilo que eles acreditam, aquilo que eles leem nas escrituras. Diz Coyne: “As evidências biogeográficas da evolução agora são tão poderosas que eu nunca vi um livro, artigo ou conferência criacionista tentar refutá-las. Os criacionistas fazem de conta que as evidências não existem”. Os criacionistas agem como se apenas os fósseis fossem evidências da evolução. Realmente, o testemunho dos fósseis é o mais substancial e o mais “visível”, por assim dizer. Incontáveis fósseis foram desencavados desde a época de Darwin, e todas as evidências obtidas a partir deles corroboram ou são compatíveis com a evolução. E, mais importante, nenhum fóssil contradiz a evolução. Se fosse o caso, como o evolucionista “considera hipóteses alternativas”, o edifício evolucionista ruiria fragorosamente e a ciência acataria humildemente uma hipótese que se adequasse a nova realidade.

Não obstante, por mais convincentes que sejam as provas dos fósseis, considera-se que elas não são as mais poderosas que a ciência dispõe. Mesmo que em nenhum momento tivessem encontrado fósseis, as evidências fornecidas pelos animais sobreviventes ainda assim nos impeliriam de maneira inexorável e categórica à conclusão de que Darwin estava certo. A cronoestratigrafia, que é o estudo referente à idade de rochas e de camadas geológicas, torna tão evidente a sequência de eras, que até o pior cego não pode se furtar de reconhecer a idade da Terra e sua evolução.

Com o surgimento da genética e o mapeamento do genoma de plantas e animais, foi possível estabelecer “parentesco” entre os seres de modo a fortalecer ainda mais o que já se sabia de suas ascendências e descendências. A distribuição geográfica dos seres, mais uma vez prova a deriva dos continentes, a existência de placas tectônicas e a antiguidade do Planeta.

O criacionismo empunha a Bíblia como se um tratado de ciência fosse; como se a verdade última da história do universo, do homem e da vida, ali estivesse contida. A Bíblia não pode ser encarada como compêndio de história, muito menos de ciência, quando muito é um apanhado meio desconexo de filosofia doutrinária escrito por vários autores distribuídos no espaço e no tempo, cada um contando à sua maneira estórias e lendas de um povo e de uma região, ouvidas e interpretadas de acordo com os costumes de cada época.

Os autores da Bíblia ao contarem o mito do dilúvio, por exemplo, estavam colocando em letras o que ouviam dos mais velhos que haviam escutado de outros contadores de estórias, algo que estava entranhado na tradição folclórica de povos mais antigos como os mesopotâmicos (Epopéia de Gilgamesh), babilônicos e hassídicos. Lembrando que mito é uma narrativa em forma de história que, por meio de seleção de eventos e atribuição de relevância a situações e personagens, torna um passado virtual em algo significativo, encorajando a coesão social. Depreende-se que os mitos são necessários. É razoável inferir que nem os escribas acreditavam na veracidade de suas estórias, eles provavelmente as escreviam como ficção.

Enquanto a estultice do criacionismo descarta as evidências que a ciência descobre sobre a evolução, e assume como verdade estórias ficcionais e lendas nem tão boas registradas na Bíblia, não haverá como conciliar a boa ciência com a cegueira de quem não quer ver. Lamentável. JAIR, Floripa, 08/04/10.

*Por qualquer ângulo que se olhe é igual.