Parece uma compulsão ou algo menos drástico, mas a grande maioria dos seres humanos, em algum ponto de sua vida, gostaria de saber suas origens, quem eram e de onde vieram seus antepassados. Inúmeros saites na internet atestam que existe bastante interesse sobre genealogia. Genealogia é o estudo dedicado à busca de informações sobre as origens das famílias, suas raízes, sua história familiar, registros históricos se estes existirem, histórias de imigrantes, significados de sobrenomes etc. A chamada árvore genealógica é o produto final da busca de raízes empreendida por quem se interessa por seus ancestrais.
Pois bem, como disse um sábio lá do Paraná: “Pobre não possui árvore genealógica, quando muito, seus antepassados se enroscavam num arbusto genealógico”. Como minha família sempre foi pobre, meu interesse foi procurar esse arbusto de que fala o sábio, busca nada sofisticada porém, apenas argúi os parentes mais velhos sobre aqueles mais velhos ainda que já não mais estão entre os vivos. Por outro lado, seria ocioso caçar documentos, pessoas sem posses em tempos idos (e também nos atuais) sequer costumavam registrar seus filhos regularmente.
Minha busca rendeu frutos com relação a meu avô paterno, David Rodrigues Cordeiro, o qual participou do histórico Cerco da Lapa e teve sua atuação registrada por um major que relatou toda a luta, inclusive a efêmera ação na qual David, juntamente com outros cinco militares, repeliu os atacantes que ameaçavam a guarnição de um canhão. Há também registro histórico que um dos meus tios bisavós paternos, Francisco Demétrio, que apresentou-se como voluntário da pátria na guerra do Paraguai. Ele voltou vivo da guerra, recebeu uma gleba de terra pelo seu voluntariado, dizem que atuou com bravura na passagem do arroio Itororó, e o túmulo dele encontra-se no cemitério de Palmeira, túmulo que é lembrado e reverenciado vez ou outra quando as autoridades resolvem fazê-lo.
Mas, hoje quero falar de meu avô paterno, Joaquim Teodoro da Silva, o qual sempre foi “sem eira nem beira” no dizer de seus próprios filhos e de minha avó. Explico, ele apenas “apareceu” no Paraná quando do término da construção da RVPSC (Rede Viação Paraná Santa Catarina) na qual trabalhara como peão. Terminada a ferrovia, meu avô, sem raízes, referências ou conhecimentos foi ficando no interior de Palmeira onde acabou casando com minha avó, Guilhermina, sobrinha de Manoel Demétrio. Casaram tiveram filhos, estes casaram e tiveram filhos também. Sou filho de Ananias, rebento mais velho deles.
Passaram os anos, os netos cresceram e arribaram e eu fui parar em Santa Catarina onde casei. Minha avó havia falecido há muitos anos, meu pai já havia morrido também, seu Joaquim estava muito velho e ainda não se conhecia sua origem ou qualquer parente seu. Meu tio José, sabendo vagamente que o pai dele era originário de São José, SC, e, considerando que eu morava em Floripa, e São José é uma cidade-satélite da capital, perguntou-me se eu poderia procurar algum parente naquela cidade através dos cartórios de registro ou indagando por lá. Queria ao menos saber de algum parente antes que meu avô viesse a falecer. Nada muito difícil, como se vê. Acontece que toda a família da mãe de minha mulher é, justamente, oriunda de São José, então resolvi começar minha pesquisa por eles.
Minha sogra sugeriu-me que procurasse um tio dela, Dedé, o qual tinha perto de noventa anos, continuava vivendo em São José e possuía uma memória de elefante para fatos passados. Encontrei-o sentado na soleira da porta de sua casa e entabulamos uma agradável conversa até que lhe contei sobre meu avô. Disse-lhe apenas o que sabia: que meu avô era daquela cidade e que tinha aparecido no Paraná com a conclusão da estrada de ferro RVPSC. Tio Dedé olhou-me e perguntou como era o nome dele. Ao que respondi: - Joaquim Teodoro da Silva. Ele, meio surpreso: - É meu primo, pensamos que havia falecido, porque nunca tivemos notícias depois que ele saiu de casa aos treze anos!
Mais surpreso fiquei eu! Meu avô era primo da avó de minha mulher, então, esta e eu somos primos ainda que distantes. Agora vejamos o que diz o código civil de 2002 com relação ao grau de parentesco entre pessoas: “Contam-se, em linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até o ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente”. Isso quer dizer que, na prática, somos parentes em segundo grau de nossos irmãos, por exemplo, em primeiro grau só somos parentes em linha direta como nossos pais e nossos filhos. Para colaterais a contagem começa em segundo grau, primos sempre serão em quarto grau, no mínimo. Meu avô Joaquim era primo (4º grau) da Brandina, avó de minha mulher, e eu sou primo em oitavo grau da Brandina minha mulher. Estudo de genealogia não é uma ciência exata, sabe-se como começa, mas onde acaba quase sempre é uma incógnita. JAIR, Floripa, 02/07/11.
Pois bem, como disse um sábio lá do Paraná: “Pobre não possui árvore genealógica, quando muito, seus antepassados se enroscavam num arbusto genealógico”. Como minha família sempre foi pobre, meu interesse foi procurar esse arbusto de que fala o sábio, busca nada sofisticada porém, apenas argúi os parentes mais velhos sobre aqueles mais velhos ainda que já não mais estão entre os vivos. Por outro lado, seria ocioso caçar documentos, pessoas sem posses em tempos idos (e também nos atuais) sequer costumavam registrar seus filhos regularmente.
Minha busca rendeu frutos com relação a meu avô paterno, David Rodrigues Cordeiro, o qual participou do histórico Cerco da Lapa e teve sua atuação registrada por um major que relatou toda a luta, inclusive a efêmera ação na qual David, juntamente com outros cinco militares, repeliu os atacantes que ameaçavam a guarnição de um canhão. Há também registro histórico que um dos meus tios bisavós paternos, Francisco Demétrio, que apresentou-se como voluntário da pátria na guerra do Paraguai. Ele voltou vivo da guerra, recebeu uma gleba de terra pelo seu voluntariado, dizem que atuou com bravura na passagem do arroio Itororó, e o túmulo dele encontra-se no cemitério de Palmeira, túmulo que é lembrado e reverenciado vez ou outra quando as autoridades resolvem fazê-lo.
Mas, hoje quero falar de meu avô paterno, Joaquim Teodoro da Silva, o qual sempre foi “sem eira nem beira” no dizer de seus próprios filhos e de minha avó. Explico, ele apenas “apareceu” no Paraná quando do término da construção da RVPSC (Rede Viação Paraná Santa Catarina) na qual trabalhara como peão. Terminada a ferrovia, meu avô, sem raízes, referências ou conhecimentos foi ficando no interior de Palmeira onde acabou casando com minha avó, Guilhermina, sobrinha de Manoel Demétrio. Casaram tiveram filhos, estes casaram e tiveram filhos também. Sou filho de Ananias, rebento mais velho deles.
Passaram os anos, os netos cresceram e arribaram e eu fui parar em Santa Catarina onde casei. Minha avó havia falecido há muitos anos, meu pai já havia morrido também, seu Joaquim estava muito velho e ainda não se conhecia sua origem ou qualquer parente seu. Meu tio José, sabendo vagamente que o pai dele era originário de São José, SC, e, considerando que eu morava em Floripa, e São José é uma cidade-satélite da capital, perguntou-me se eu poderia procurar algum parente naquela cidade através dos cartórios de registro ou indagando por lá. Queria ao menos saber de algum parente antes que meu avô viesse a falecer. Nada muito difícil, como se vê. Acontece que toda a família da mãe de minha mulher é, justamente, oriunda de São José, então resolvi começar minha pesquisa por eles.
Minha sogra sugeriu-me que procurasse um tio dela, Dedé, o qual tinha perto de noventa anos, continuava vivendo em São José e possuía uma memória de elefante para fatos passados. Encontrei-o sentado na soleira da porta de sua casa e entabulamos uma agradável conversa até que lhe contei sobre meu avô. Disse-lhe apenas o que sabia: que meu avô era daquela cidade e que tinha aparecido no Paraná com a conclusão da estrada de ferro RVPSC. Tio Dedé olhou-me e perguntou como era o nome dele. Ao que respondi: - Joaquim Teodoro da Silva. Ele, meio surpreso: - É meu primo, pensamos que havia falecido, porque nunca tivemos notícias depois que ele saiu de casa aos treze anos!
Mais surpreso fiquei eu! Meu avô era primo da avó de minha mulher, então, esta e eu somos primos ainda que distantes. Agora vejamos o que diz o código civil de 2002 com relação ao grau de parentesco entre pessoas: “Contam-se, em linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até o ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente”. Isso quer dizer que, na prática, somos parentes em segundo grau de nossos irmãos, por exemplo, em primeiro grau só somos parentes em linha direta como nossos pais e nossos filhos. Para colaterais a contagem começa em segundo grau, primos sempre serão em quarto grau, no mínimo. Meu avô Joaquim era primo (4º grau) da Brandina, avó de minha mulher, e eu sou primo em oitavo grau da Brandina minha mulher. Estudo de genealogia não é uma ciência exata, sabe-se como começa, mas onde acaba quase sempre é uma incógnita. JAIR, Floripa, 02/07/11.