O filme “A árvore da
vida” é dirigido por Terrence Malick, o mesmo diretor de “Além da linha
vermelha” e, por coincidência ou não, Sean Penn que fazia o papel do sargento Edward
neste filme sobre a segunda guerra, também trabalha na árvore da vida. Além de
Penn, Brad Pitt é protagonista ao lado de Jessica Chastain.
O filme é
instigante, eu diria que não é para amadores, vale a pena ser assistido mais de
uma vez por aqueles que não captarem a essência da historia que é meio
fragmentada e não obedece uma linha rígida de tempo.
A história começa
nos anos cinquenta na cidade Waco no Texas e foca uma família comum
conservadora americana. Deve-se lembrar que o Texas é um estado conservador tanto
político como religioso, do chamado “Bible belt south”, de onde saíram os Bushs
que governaram os EUA e fizeram guerra durante seus mandatos e onde o
eleitorado é republicano de raiz. Vale lembrar também que o conservacionismo
texano prega o criacionismo como se ciência fosse nas suas escolas primárias,
então não é nenhuma surpresa que o filme tenha justamente uma família
conservadora típica como protagonista da história.
Bem, a família
conservadora de Brad e Jessica (Sr. e Sra. O’Brien) é composta pelos pais e
três filhos meninos. O senhor O’Brien, embora amoroso, cria os filhos com
extrema rigidez, cobra deles comportamento e postura quase de seminaristas
religiosos. Seus gestos e maneiras de se dirigir a ele e outras pessoas têm que
ser observados com rigor absoluto, qualquer deslize é passível de punição. Os
filhos se submetem, mas o mais velho, Jack, costuma se rebelar em horas que não
está sendo observado. Em alguns momentos dá a impressão que filho odeia o pai.
A mãe é passiva, abnegada, amorosa e suporta com estoicismo e sofrimento a
tensão em servir de amortecedor das exigências do marido em relação aos filhos.
O drama que vive a
família gira em torno da morte do filho mais novo em condições que não aparecem
no filme, mas que afetam profundamente o pai, os irmãos e principalmente a mãe
que jamais se recupera da perda. Jack, protagonizado por Sean Penn quando mais
velho, fala muito pouco, aliás, há pouquíssimos diálogos no filme, o diretor
embasa a estória em imagens quase fantásticas com ênfase na água, seja em
cachoeiras, em forma de gelo, cenas submarinas, rios e chuva, muita chuva. Para
contar a estória o diretor mostra a formação do universo desde o big bang até o
aparecimento da civilização moderna, passando por cenas com dinossauros. Há
quase vinte minutos só de cenas da criação do mundo sem nenhum diálogo, mas com
música de fundo magistral. Vale a pena curtir essa parte fundamental do filme
sem pensar em nada só ver, só observar. Como eu disse no início, é instigante. JAIR,
Floripa, 14/08/12.
