segunda-feira, 17 de maio de 2010

RACISMO É BURRICE




No meu texto “Cor não é raça”, escrevi o seguinte: Querer definir o homem como espécie e dividi-lo em raças de acordo com a cor da pele ou tipo físico é coisa mais estúpida que se pode fazer. Raças humanas não existem. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de dez genes dentre os milhões que compõem o genoma humano.” Pois bem, aqui explicito mais fatos que embasam minha opinião contra o racismo amparada com a palavra da ciência, para que não haja dúvidas de onde vêm meus argumentos.

Hoje quero juntar aos meus arrazoados outros dados da ciência que foram descobertos através das pesquisas do projeto “Genoma Humano”, os quais destroem o chamado “racismo científico”.

Historicamente, a noção de raça humana surgiu durante a expansão imperial européia, e baseia-se num pequeno conjunto de características fenotípicas observáveis a olho nu, superficiais, portanto. Significativamente, o avanço no estudo dos grupos sanguíneos forneceu os primeiros indicativos científicos da variabilidade hereditária da humanidade, sem comprovar teoria de racismo alguma. O fator RH também evidencia diferenças que estão correlacionadas com a distribuição geográfica dos grupos humanos, nunca de “raças” humanas, que isso é criação político-econômica, nunca científica. As variações genéticas entre populações mapeadas por meio desses marcadores não ajudaram a sustentar as antigas teorias raciais, que caíram por terra.

Com a descoberta e uso do DNA tornou-se possível aprofundar as investigações sobre as origens e migrações das antigas populações humanas. Na verdade, o DNA mitocondrial, que é um marcador que não se altera por milhares de gerações, apontou para o que os cientistas chamaram de “Evas” primordiais: Seriam apenas dez mulheres as nossas “mães”, oriundas da África, que geraram toda a humanidade. Não há, portanto, fundamento científico para afirmar que “raças” humanas tiveram origens distintas, todos temos um pé na África.

Os computadores facilitaram o processamento de uma enorme massa de informações genéticas que ajudaram a mapear a aventura pré-histórica humana. Uma conclusão quase banal a que se chegou é que a “distância genética” entre populações aumenta na razão direta da distância geográfica que as separa. A explicação é simples, os humanos cruzam-se com o parceiro que está próximo, na mesma localidade ou localidade vizinha. Isto diminui a variação genética do grupo local e aumenta a “distância genética” com um grupo distante. Simples.

Mesmo assim, dois indivíduos escolhidos casualmente dentro da mesma região só serão 5% mais parecidos entre si do que de qualquer indivíduo de outro continente por exemplo. Na verdade, como comprovou o mapa genético fornecido pelo projeto Genoma Humano, não é possível encontrar qualquer “fronteira” que delimite raças no continuum da humanidade, onde as semelhanças são abundantes e existem pequenas variações dentro de quaisquer grupos considerados.

Num interessante experimento que cientistas americanos fizeram, reuniram-se oito representantes de etnias diferentes e comparou-se o DNA mitocondrial deles. Eram pessoas que vivem nos EUA, mas de origens díspares como uma chinesa, um árabe, um índio sioux, uma sueca, um maori da Nova Zelândia, um fueguino do sul da Argentina, um negro do Zaire e uma tailandesa. Para surpresa dos pesquisadores o grupo apresentava tanta diferença genética quanto um grupo de pessoas da mesma aldeia pode apresentar. As semelhanças eram tão grandes que a sueca, branca de olhos azuis, tinha “parentesco” evolutivo com o sioux, a ponto de serem “primos” distantes, descendentes da mesma Eva primordial africana.

Os mapas genéticos tornam evidente a falta de embasamento científico na crença que existem raças humanas. Esses mapas mostram que não há maior similaridade entre, por exemplo, europeus do leste e oeste que entre europeus e africanos. Por outro lado, há tantas diferenças estatísticas entre populações vizinhas, que os adeptos das seitas racistas poderiam sustentar que existem milhões de raças.

Finalizando, como qualquer população selecionada para compor uma amostra apresentará diferenças genéticas estatisticamente relevantes, o tal “racismo científico” que Hitler usou para se livrar dos judeus, não passa de balela, ou seja, burrice pseudo científica. JAIR, San Diego, 17/05/10.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

FOCAS URBANAS

Focas de La Jolla.


Já publiquei texto referente a animais que, sem outra opção, urbanizaram-se para sobreviver. Isto é, na medida em que o progresso humano avança por áreas antes selvagens, os bichos que ali habitam morrem, fogem ou adaptam-se ao novo meio. Assim, aves e mamíferos, principalmente de pequeno porte, são compulsados a partilhar com humanos e suas traquitanas e modus vivendi, completamente exóticos a seres costumados a viver em harmonia com a natureza.

Pois é, aqui em San Diego, Califórnia, num encantador bairro turístico a beira do Pacífico, La Jolla, existe uma praia pequena e bem protegida cujo nome é Piscina das crianças. É de se esperar que crianças habitualmente frequentem o lugar, não é mesmo? Nada mais distante da verdade. A simpática prainha é lar exclusivo de uma população de focas. Diga-se, o litoral sul da Califórnia é formado quase exclusivamente por falésias, com escassas praias de entremeio, razão pela qual as focas aproveitam esses locais para parir e criar filhotes com segurança.

A história é interessante, em 1931, uma milionária viúva de nome Ellen Browning Scripps, preocupada com o lazer e bem estar das crianças do bairro as quais não tinham um pedaço de areia seguro para brincarem, mandou construir um quebra-mar que permitiu o surgimento de uma praia abrigada, de imediato chamada Children’s Pool.

Até aí tudo bem, mas, acontece que as águas da costa sudoeste do País são habitadas por uma espécie de foca a “Mirounga angustirostris”, endêmica dessa região. Essa espécie de mamífero prefere águas não muito frias para procriar e amamentar seus filhotes. A piscina das crianças pareceu às focas o lugar ideal para suas atividades comunitárias, e para ali elas se mudaram de mala e cuia na década de setenta.

E agora José, a praia é dos rebentos humanos ou dos mamíferos marinhos? Já que crianças e focas não podem partilhar a mesma minúscula praia sem prejuízo de ambos, formou-se uma polêmica. Legalmente a praia formada pelo muro foi doada pela viúva Ellen à prefeitura de San Diego para servir de área de lazer às crianças. Mas focas não sabem ler e o mar é seu domínio natural, não há como expulsá-las do próprio lar, e extermínio está fora de cogitação, mesmo porque a Califórnia é o estado americano que mais se preocupa com ecologia; o estado que mais leis aprovou protegendo a fauna e flora da região; como o estado é semi deserto, aqui há leis que premiam com incentivos fiscais empresas e cidadãos que conservam água ou que menos agridem a natureza.

Assim, focas ou crianças? Cidadãos adictos de crianças saltitantes, e cidadãos afeiçoados a focas protegidas encaminharam projetos de leis a favor de umas e outras à instância municipal que, depois de pareceres contraditórios, levou à corte do Estado, a qual enviou a batata quente à Suprema Corte. É, meus amigos, a Suprema Corte sentindo que estava se metendo numa enrascada sem tamanho, devolveu as ações à instância municipal alegando incompetência, isto é, o assunto devia ser resolvido pelos munícipes e seus representantes, nada mais que isso.

Diante disso, em 1998, o juiz Timothy Taylor derrubou duas decisões anteriores de outros juízes que teriam forçado San Diego dispersar as cerca de 200 focas que vivem naquela praia. A cidade já gastou perto de dois milhões de dólares nesta questão, o que inclui um milhão de custas judiciais. A municipalidade destacou que há um sentimento que o juiz tomou a decisão certa nesta controvérsia que já dura anos. Portanto, até o presente momento, as focas continuam na praia e ninguém tem direito de retirá-las, mas os descontentes com a situação querem mudar esse status e reverter a praia às crianças.

Bem típica essa atitude, o Homo sapiens sofre do que se convencionou chamar de síndrome de especismo, conduta que coloca o ser humano em primeiro lugar, mesmo a custa da vida de outros seres se necessário.

Vejamos, para as focas é uma questão de vida ou morte, sem a praia elas poderão não sobreviver, considerando que estão na terceira ou quarta geração nascidas naquele sítio e são essencialmente territoriais. Existem registros escritos de suas presenças nas proximidades há séculos. Já para as crianças, é apenas uma área de lazer que poderá ou não ser utilizada, mesmo porque as águas daquele pedaço do pacífico não são exatamente tépidas como os humanos gostam, pelo contrário, são bastante frias, próprias para focas e seus parentes, os leões marinhos. Ainda mais, as crianças gostam de ver as focas e se comprazem de acompanhar suas atividades diárias.

De qualquer forma, enquanto a estadia dos mamíferos marinhos continuar ali, percebe-se com clareza o contraste entre a sociedade mais urbana e desenvolvida do Planeta com seus carrões estacionados a menos de vinte metros da praia, e a vida primitiva das Miroungas que só querem um cantinho seu para dar prosseguimento seguro a perpetuação de sua espécie. San Diego, 15/05/10.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O CRIACIONISMO TEM PÉS DE BARRO




Os criacionistas, em sua grande maioria, são cristãos fundamentalistas cuja premissa principal é a interpretação literal da Bíblia e a crença na sua infalibilidade. Decorre daí que, a bobajada criacionista, frente às robustas e avassaladoras provas que o evolucionismo apresenta, acabou cindindo-se em várias frentes, algumas menos intransigentes que outras, mas todas dogmáticas, ou seja, é assim, porque assim é, não há necessidade de explicar os fenômenos. Lembrando que dogma é: “Ponto fundamental e incontestável de uma doutrina religiosa, apresentado como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar”. Os criacionistas mais radicais, aqueles que acreditam na verdade literal da bíblia como George Bush, por exemplo, ainda são maioria, mas há outras “escolas”, por assim dizer.

Entre as dissidências, existe aquela, cujo membro mais ilustre foi João Paulo II, a qual admite que a bíblia explica os fenômenos com parábolas e fábulas, ou seja, o livro de Gênesis das escrituras apenas adaptou a forma da criação do universo para melhor entendimento das massas. Mas a ciência explica as leis (criadas por Deus) que regem o universo, o Planeta e a vida os quais foram criados conforme as teorias vigentes, apenas existe um anterior Ser supremo – o qual não explica sua origem - que tudo comandou e tudo supervisiona nos seus mínimos detalhes. Neste caso, o “Big Bang” seria Deus, é só lembrar do “Faça-se a Luz” do Gênesis.

o Intelligent Design (Projeto Inteligente) é a aceitação de que certas características do universo e dos seres vivos são melhores explicadas por uma causa inteligente, (por um Deus que projetou certas partes dos seres vivos) e não por um processo não-direcionado como a seleção natural. Essa “seita” criacionista cunhou uma expressão tão bombástica quanto vazia: complexidade irredutível, a qual exprime a “descoberta” de certos organismos ou sistemas que, por sua complicação mecânica ou funcional, não poderiam ter evoluído por adição ou modificação de partes, pois não funcionariam, só o “pacote” pronto teria condições de operar corretamente. Para ilustrar a “complexidade irredutível” eles costumam mencionar a coagulação sanguínea e o olho dos mamíferos. Dizem ser impossível o olho ter evoluído, pois não há como existir um-quarto-de-olho, meio-olho, e assim por diante.

Acontece que a ciência já provou que o olho dos mamíferos e de outros seres evoluiu não apenas uma vez, mas dezesseis vezes independentes, em épocas e condições diferentes. Evoluiu de células sensíveis à luz até sua complexidade atual, sempre enxergando um pouco mais. Evolutivamente falando, aquele indivíduo que enxergasse um pouco mais que outro, teria mais chance de passar seus genes adiante, daí a seleção natural se encarregaria de contemplar a evolução dos que viam sempre melhor. Simples, para quem quer ver.

O fio de Ariadne que une essas ideologias criacionistas é sempre um Construtor, Uma entidade Suprema, um Deus onipotente que tudo provê; não há espaço para as leis da ciência, tão conhecidas e que funcionam tão bem em todos os níveis.

John Burdon Sanderson Haldane, um dos pilares do darwinismo moderno, conta que após uma conferência sobre evolução, foi interpelado por uma senhora descrente do evolucionismo, e deu-se o seguinte diálogo:

Senhora: Professor Haldane, mesmo levando em conta os bilhões de anos que o senhor diz estarem disponíveis para a evolução, não posso acreditar que seja possível passar de uma única célula a um complexo corpo humano, com suas trilhões de células organizadas em ossos, músculos, nervos, sistemas, órgãos como o coração que funciona sem parar por décadas, quilômetros de vasos sanguíneos e um cérebro capaz de pensar, falar e sentir.

Haldane: Mas, minha senhora, a senhora mesma fez isso. E só levou nove meses.

Por essas e outras é que o criacionismo não se sustenta nos próprios pés, até por que tem pés de barro. JAIR, San Diego, 13/05/10.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

CONTEMPLANDO O TEMPO


A coisa mais misteriosa e esplêndida que podemos imaginar é o TEMPO. Ele é fonte e motor de toda experiência humana concebível e vai até muito além, vai onde nossa imaginação abandona a fronteira do palpável e do visível, e contempla o apenas presumível, o etéreo. Ninguém e nenhuma coisa escapam à sua inclemência e sua obtusa regularidade que a tudo limita e em tudo influi, desde a coesão íntima das partículas subatômicas até a complexa mecânica dos conglomerados galácticos. Àqueles que se recusam quedar-se extasiados à sua força propulsora que, literalmente, move montanhas; e formular sua extrema admiração por essa “entidade” ubíqua e poderosa, dela não conseguirão esquivar-se, não lhes resta senão serem, como todos os demais, tratados com a imparcialidade e insensibilidade de sua marcha constante rumo ao infinito, pois o TEMPO não discrimina, não escolhe e não redime. Estas são pessoas mortas, seus olhos e suas mentes estão fechados para aquilo que é a mais formidável e drástica demonstração de inexorabilidade; para a beleza suprema só perceptível através da mente permeável à estética transcendente, se esta existe.

Saber que ele é imperturbável e absoluto nos dá a correta medida de nossa insignificância, de nossa transitoriedade. O Universo ao TEMPO tudo deve, pois ele é a quarta dimensão da matéria, sem ele nada existiria e nada teria razão de existir. O TEMPO simplesmente é, nada lhe perturba o andamento resoluto e pertinaz elevado a potência infinita. JAIR, San Diego, 10/05/10.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

OS CFCs E A CAMADA DE OZÔNIO






A partir da década de vinte do século passado, especialmente nos países desenvolvidos, generalizou-se o uso de refrigeradores. Claro, essas engenhocas eram consideradas só pelo que de bom podiam proporcionar a seus usuários. Por razões de conveniência e saúde pública, para que produtores de frutas, carnes, legumes e laticínios pudessem negociar seus produtos a maiores distâncias, e para que as famílias consumidoras pudessem desfrutar refeições frescas e saudáveis. Parecia carro a álcool, todo mundo queria ter um. Na época, os fluidos ativos, cujos aquecimentos e esfriamentos forneciam a refrigeração, eram amônia e dióxido de enxofre – produtos tóxicos e fedorentos. Vazamentos desses gases constituíam pequenos desastres que deveriam ser evitados, razão pela qual um gás substituto devia ser encontrado. Idealizava-se um líquido que, nas condições corretas, circulasse, mas não causasse danos se vazasse dentro o refrigerador, ou quando este fosse descartado como ferro-velho. Para isso, seria ótimo que cientistas encontrassem um material que não fosse tóxico, nem inflamável, que não oxidasse, não queimasse os olhos, não atraísse insetos, não exalasse mau cheiro, nem incomodasse os animais domésticos. Contudo, ainda que procurassem muito, parecia não haver tal produto na natureza.

Assim, químicos dos EUA e da Alemanha desenvolveram (independentes) uma classe de moléculas que nunca existira antes. Eles lhes deram o nome de (CFCs), clorofluorcarbonetos, compostos de um ou mais átomos de carbono combinados com alguns átomos de cloro e/ou flúor.

O sucesso do no produto foi espetacular, indo muito além das mais otimistas expectativas dos inventores. Os CFCs não só se tornaram o principal fluido ativo dos refrigeradores, mas também dos condicionadores de ar, de residências e carros. Encontraram aplicações amplas em latas de spray, espuma isolante, solventes industriais e produtos de limpeza, em especial na indústria de eletro-eletrônicos. O nome de marca mais conhecido dessa maravilha é Freon, marca registrada da DuPont, famosa indústria química que também detém o monopólio da fabricação do polímero por ela desenvolvido, Teflon.

Considerados inofensivos para o meio ambiente os CFCs foram largamente utilizados pela indústria por décadas. No início da década de setenta, um milhão de toneladas de CFCs era manufaturado por ano, número que, na década seguinte, decresceu à força de acordos internacionais.

Agora, digamos que na década de setenta você tenha utilizado um prosaico desodorante em spray em seu banheiro. As moléculas de CFC em aerossol, propulsor do produto, saem em fina névoa e não aderem a seu corpo ou a qualquer parede ou objeto do banheiro. Elas tendem a elevar-se, sair pela janela e, já ao ar livre, carregados pelas correntes de convecção e pela circulação atmosférica global, atingirem qualquer parte do Planeta. Não existem CFCs localizados, sedentários, nacionais, bairristas, todos são nômades cosmopolitas e circulam livremente. Com raras exceções, não se desfazem e não se combinam quimicamente com outras moléculas. São praticamente inertes. Depois de alguns anos, lá estão eles belos e formosos flanando na alta atmosfera, onde sobrevivem por cem anos, aproximadamente.

Acontece que a alta atmosfera, cerca de 25 quilômetros de altitude, é berço do ozônio. Isso mesmo, aquele ozônio que serve de escudo contra os raios ultravioleta emanados do astro Rei. Os mesmos raios UV nocivos à nossa pele são responsáveis pela desagregação dos CFCs, livrando-os do cloro. Esse danado cloro, agora livre de sua prisão CFC, é um catalisador extraordinário que ataca as moléculas de ozônio destruindo-as, mas não é ele próprio destruído. Calcula-se que um átomo de cloro pode decompor cem mil moléculas de ozônio antes de a gravidade trazê-lo para uma altitude onde será carregado pela chuva até o solo.

E daí cara pálida? Que importância tem que algumas moléculas inocentes, lá no alto onde praticamente ninguém vai, sejam destruídas por um átomo malvadão? Acontece que o ozônio é o escudo natural de Gaia contra os malditos raios ultravioletas. A camada de ozônio é tênue, mas é a ÚNICA proteção que temos contra os UV, cancerígenos e nocivos queimadores da pele dos humanos. Especialmente de humanos com pele clara, com baixo teor de melanina.

Mas, por mais importante que seja protegermos a pele, os raios UV atacam ainda com mais vigor, os ácidos nucléicos e as proteínas, que são as moléculas básicas da vida, ácidos nucléicos formam o DNA e o RNA dos seres vivos, além do mais, enfraquecem o sistema imunológico de plantas e animais.

Concluindo, mesmo que não vejamos e muito menos sintamos os efeitos malévolos imediatos da destruição do ozônio protetor, eles existem e são diretamente causados por um produto inventado e manipulado pelo Homo sapiens. A ninguém mais podemos inculpar por nossos elevados índices de câncer de pele e outros males relacionados com a incidência de raios UV, a não ser a nós mesmos e a nossa incúria. É isso aí. JAIR, Floripa, 06/05/10.


domingo, 2 de maio de 2010

HEXADATILIA

Natália Guimarães

Consta que a miss Brasil de 2007, a belíssima Natália Guimarães, nasceu com seis dedos nas mãos. Problema resolvido com uma intervenção cirúrgica não muito complicada, quando ela era bebê ainda. Entre outros famosos com dedos a mais, Daniela Cicarelli é uma das mais comentadas por aí, no caso dela, em um dos pés.

Pois é, quando garoto em minha cidade natal, havia um colega de classe, de nome Carlos Fabris, vulgo Sabugo, que tinha seis dedos em cada pé, era até famoso por isso, gostava de mostrá-los. Muito depois, vim a saber que é um acaso não muito raro e chama-se hexadatilia, a qual atribui-se a uma má formação congênita que, em outras palavras, quer dizer mutação, herança genética. Existe vários graus, por assim dizer, dessa anomalia. Em alguns casos os dedos adicionais são apenas simulacros, não têm falanges que os tornem completos; em outros os dedos são perfeitos e funcionais.

Apesar da aparência esdrúxula de mão com seis dedos, em geral não causa problemas, há uma família em Brasília, onde várias pessoas entre pais, filhos, tios e sobrinhos têm essa anomalia, e nem por isso são menos hábeis com as mãos, a não ser para calçar luvas. Inclusive, um deles é um exímio tocador de cavaquinho. Dizem até que, não apesar dos seis dedos, e sim por causa deles.

Essa mutação genética, juntamente com outra chamada sindatilia, a qual consiste em ter dedos colados, geralmente dois a dois, não é uma mutação benéfica, tampouco prejudicial, trata-se de mutação inócua, ou seja, o portador não estará nem mais menos apto para a sobrevivência. Aliás, lembro que meu amigo Sabugo também tinha os dedos dos pés colados, dois a dois, o carinha era fera nesse negócio de mutação.

Abaixo, algumas fotos, não alteradas por photoshop, que chupei da internet, as quais ilustram vários casos de hexadatilia.


Radiografia mostrando a estrutura de mão hexadátila.


Pé feminino com seis dedos.

Inglês com hexadatilia em ambas as mãos.


Mão instrumentada para comemorar o hexa.


Por mais anônimos e discretos que os portadores de seis dedos sejam, a expectativa neste ano de Copa do Mundo de Futebol é de brilho fora do comum. Como o nosso futebol tem cinco títulos mundiais e é um dos favoritos para ganhar novamente, o título hexacampeão poderá ser explicitado em uma só mão dos hexadátilos, e isso os fará estrelas nas possíveis propagandas vindouras. JAIR, Floripa, 02/05/10.

sábado, 1 de maio de 2010

BESOUROS, ORQUÍDEAS E EVOLUÇÃO


O Besouro e a orquídea Ophyr


Taí um tema interessante, sou evolucionista convicto, juramentado e militante e nutro paixão por orquídeas as quais chamo de “As mais belas flores do Planeta”, conforme texto que publiquei, além disso já produzi texto sobre coleópteros.

Pois é, talvez a mais curiosa dependência do cheiro para encontrar uma companheira e perpetuar a espécie seja encontrada num besouro sul-africano que costuma se enterrar no solo e ali permanecer durante o inverno. Na primavera, com o degelo, os besouros emergem, mas os machos o fazem algumas semanas antes da fêmeas. Nessa mesma região da África do Sul, evoluiu uma espécie de orquídea (Ophyr) que exala um aroma idêntico ao feromônio da fêmea do besouro. Estudos provam que a evolução da orquídea e da fêmea do besouro produziu basicamente a mesma molécula. A evolução dos besouros machos, por sua vez, investiu no olfato em prejuízo da visão, eles são extremamente míopes. E a orquídea, muma espécie de malandragem evolutiva, tem um labelo em forma de inseto, parece uma fêmea receptiva ao coito, engana totalmente o macho cegueta. Os besouros ficam “se achando”, passam várias semanas “copulando” com as flores como se estas fossem “besouras” cheias de amor para dar; e, em consequência, polinizando as flores ardilosas. De repente, para espanto dos besourões donjuans, surgem do solo as fêmeas autênticas, estas sim cheias de amor para dar. É de imaginar que os exauridos machos se vejam feridos nos seus egos reprodutores, mas nem por isso deixam de transar com as fêmeas.

Apesar de tudo, as orquídeas foram polinizadas, de acordo com o que a natureza lhes programou, pelos besouros amorosos (quase escrevi cheios de tesão mas, como este é um blog familiar, abstive-me), os quais, agora envergonhados, se empenham ainda mais em fertilizar suas parceiras e garantir a próxima geração de míopes machos libidinosos e perfumadas fêmeas. Assim, tanto as flores como os insetos saíram no lucro.

Observe-se que não é interessante para as orquídeas serem demasiadamente atraentes; se os besouros deixarem de se reproduzir, as orquídeas não terão quem as polinize. Provavelmente, também não é bom que inexistam orquídeas falaciosas, pois estas estimulam a libido dos besouros de modo a torná-los mais ansiosos para agradar suas companheiras.

Por outro lado, uma atração sexual puramente olfativa, sem variação de intensidade ou “nuances” que definam um aroma melhor que outro, é uma limitação evolutiva pelo fato de toda fêmea produzir o mesmo aroma, não há possibilidade de diferenciação entre os parceiros, ou seja, o macho é atraído igualmente por qualquer fêmea, não pela mais saudável ou mais apta. Não há como ele se “apaixonar” por uma mais que outra como acontece quando é o macho que atrai a fêmea, com exibições de força ou de saúde.

Ainda que seja curioso e algo sofisticado, o método de enganação desenvolvido pela orquídea Ophyr é muito comum na natureza, outros animais e plantas o usam sem qualquer pudor em várias regiões do Planeta. Fingimentos, mimetismos e simulações estão na ordem do dia de inúmeros seres vivos que desejam deixar descendentes, não existe ética quando se trata de evolução. É, a natureza tem seus truques que até o mais crédulo dos homens nem desconfia. JAIR, Floripa, 26/04/10.