segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O MÉDICO-MONSTRO


ROBERT LOUIS STEVENSON nasceu a 13 de novembro de 1850 em Edimburgo capital da Escócia, filho único de um próspero engenheiro civil. Desde muito jovem Stevenson quis ser escritor, e preparou-se para isso. Escreveu inúmeros livros, sendo os dois mais conhecidos, “A ilha do tesouro” (1881), e “O médico e o monstro” (1886), ambos tornaram-se clássicos de aventuras e terror. A ação de “O médico e o monstro” transcorre em Londres do século XIX. A ambientação propícia ao mistério: o fog londrino perpassa a história do princípio ao fim, as luzes mergulham nas sombras, os fatos marcantes ocorrem nas ruas estreitas e de pouco movimento. O que teria levado Dr.Jekyll, homem recatado, elegante, de finas maneiras, a proteger Edward Hyde, um criminoso de feições grosseiras e hábitos estranhos e assustadores? Por mais que Stevenson, com impressionante acuidade, tenha caprichado na descrição ambiental e na construção de personagem maligno e de intenções assustadoras e mortais, parece que nossa sociedade conseguiu produzir algo muito mais intimidante e terrível. Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada, tal como um médico reputado que atende pessoas proeminentes da sociedade e cobra muito caro por seu trabalho, por exemplo; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos, algo assim como um profissional que, aproveitando-se da incapacidade de reação de seus pacientes, comete atos lesivos a sua integridade física e moral, um criminoso dissimulado, enfim. As duas naturezas quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar, um monstro abandona a mente do homem normal e comanda suas atitudes através daquele corpo que, até então, se comportava de modo dito civilizado. Um dos mais famosos especialistas em reprodução assistida do país, doutor Roger Abdelmassih, é acusado de crimes sexuais contra pacientes e está preso desde a última segunda-feira (17). O médico foi denunciado (acusado formalmente) pela Promotoria na última quinta-feira (13) sob acusação de 56 estupros. Em geral, as mulheres o acusam de beijá-las ou acariciá-las quando estavam sozinhas sob efeito de anestesia sem o marido ou a enfermeira presente. Algumas disseram terem sido molestadas sexualmente após a sedação. Há indícios que o médico venha apresentando esse comportamento de Mr Hyde por, pelo menos, quarenta anos e tenha molestado centenas de mulheres indefesas, algumas tendo ficado grávidas dele, inclusive. Pois é, a vida imitando a arte na maior crueza e de forma mais sinistra. A nossa versão de “Dr. Jekyll and Mr. Hyde” ganha de lavada dos personagens de Stevenson, com o agravante que é real e seus atos prejudicam pessoas reais, e não servem apenas para deleitar leitores de histórias de terror. JAIR, Floripa, 24/08/09.

domingo, 23 de agosto de 2009

A CORNUCÓPIA DO UNIVERSO


Como um deus generoso, transborda na natureza todos os entes que criou do nada, sem preocupar-se em saber, em sentir, em ter, indiferente. Ancho, dadivoso, solene e vasto, compreende cada grão de areia do deserto e cada estrela do universo. Traz no bojo, a sabedoria do eterno e vaga insensível sem apegar-se ao material, ignorando até a simples existência das coisas; transfigura-se no zero absoluto dos seres para quem nele pensa ou tem a veleidade de tentar compreendê-lo. Nada sobra quando ele se vai, mesmo porque, nada existiria sem ele e nada faria sentido na sua ausência, se esta fosse possível. Da vida, que a ele deve sua existência, nada exige e nem se dá ao exercício de encorajá-la ou exaltá-la como se importância tivesse além de existir, apenas. Dos seres que criou não tem a menor comiseração ou ressente-se se estes o desconjuram e a ele atribuem suas desgraças e mazelas. Desloca-se reto, obtuso, obstinado, sempre para frente, em velocidade constante rumo ao absoluto, onde só ele reinará pela eternidade. Ele é a cornucópia do universo, ele é o TEMPO. JAIR, Floripa, 23/08/09.

sábado, 22 de agosto de 2009

TEMPO


Há, sem dúvida, entre a ciência e os demais saberes filosóficos ou não, um acordo tácito no qual tudo é discutível, quaisquer coisas ou princípios se encontram abertos às dúvidas e questionamentos, o próprio infinito é, em princípio, uma abstração cuja realidade virtual depende de acreditarmos na sua existência. A única e inquestionável “entidade” é o TEMPO, ao qual não se pode atribuir adjetivos e é inconjugável; sua existência independe de nós, de nossa mente, de nossa fé e até do universo; o tempo é a alma imortal de todas as coisas; o tempo é o fio condutor universal que mantém a coesão do átomo até o aglomerado galáctico. Se o tempo deixar de existir ninguém notará, porquanto não haverá ninguém para notar. JAIR, Floripa, 22/08/09.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SAL TEMOS E SAL VAMOS TER


No dia-a-dia de nossa civilização “fast-tudo”, com tantas opções disponíveis para facilitar ou melhorar as condições de vida do homem moderno, é quase impossível nós repararmos nos detalhes que fazem a diferença entre viver hoje e há cem ou duzentos anos, por exemplo. Estão tão entranhadas no nosso cotidiano as melhorias conquistadas ao longo do desenvolvimento social humano que quase não as vemos – e se vemos não reparamos: a água que escorre da torneira, que mata nossa sede e torna a vida mais limpa e saudável; a eletricidade sempre à mão para acionar os diversos recursos domésticos a nossa volta; os combustíveis (gases e líquidos) que produzem energia para deslocamentos, calefação e preparo alimentar; os próprios alimentos já semipreparados; e, principalmente o SAL, talvez por ser implícito, diluído, camuflado e apenas sentido nas comidas e bebidas. Contudo, esse condimento tão vulgar e barato já foi nobre. Os registros do uso do sal remontam a 5 mil anos. Ele já era usado na Babilônia, no Egito, na China e em civilizações pré-colombianas. Cerca de 110 a.C., o Imperador chinês Han Wu Di iniciou o monopólio do comércio de sal no país, transformando a "pirataria de sal" em crime sujeito à pena de morte. Foi também considerado um artigo de luxo e só os mais ricos tinham acesso a ele. Nas civilizações mais antigas, contudo, apenas as populações costeiras podiam extraí-lo. Mesmo assim, estavam sujeitas a períodos de escassez, determinados por condições climáticas e por períodos de elevação do nível do mar. A tecnologia de mineração só começou a se desenvolver na Idade Média. Basicamente existem dois tipos de sal, um deles é o sal marinho que é extraído através da evaporação da água do mar, e o outro é o sal de rocha também conhecido como sal-gema que é retirado das minas subterrâneas ou planícies de sal que são resultantes de mares e lagos antigos que secaram. É comum encontrar nos altiplanos bolivianos imensos lagos secos com profundidade de até cem metros de sal puro, aliás, lagos que são a única fonte de sal daquele País que não possui litoral. Ao longo da história da humanidade, principalmente na Europa, o sal foi considerado, juntamente com as chamadas especiarias, fundamental para a preservação dos alimentos e foi chamado de ouro branco. Era usado principalmente na conservação de carnes de aves, de peixes e de gado. Os Gregos e Romanos, utilizavam o sal como moeda para suas transações e com este condimento os romanos pagavam os soldados de suas legiões, daí surgiu a palavra salário que deriva de sal. Por ser tão valioso, o sal foi alvo de muitas disputas. Roma e Cartago entraram em guerra em 250 a.C. pelo domínio da produção e da distribuição do sal no Mar Adriático e no Mediterrâneo. E após vencer os cartagineses, o exército romano salgou as terras do inimigo, para que se tornassem estéreis. O sal em seu estado puro consiste de cloreto de sódio em forma de cristais e é encontrado em grande quantidade na natureza, em alguns casos são adicionados a ele substâncias ou temperos para o seu uso culinário. O Sal de cozinha, de mesa ou refinado: é o mais comum e também mais usado para preparar os alimentos; neste sal pelas leis brasileiras deve-se ser adicionado iodo para se evitar o bócio. Sal marinho: Existem diversos tipos, dependendo da procedência e a cor de seus cristais pode variar. O sal marinho, obtido por evaporação da água do mar, é um sal usado como ingrediente na cozinha e em produtos cosméticos, entre outros. O seu conteúdo mineral dá-lhe um sabor diferente do sal de mesa, que é principalmente cloreto de sódio purificado a partir do sal marinho ou obtido de sal rochoso (halite), um mineral obtido por mineração de minas de sal. O sal de mesa também contém, por vezes, aditivos tais como iodetos (usados como suplemento alimentar) e vários agentes antiaglomerantes. A macrobiótica considera que o sal marinho é uma alternativa mais saudável ao sal de mesa. Várias zonas do mundo, incluindo a França, a Irlanda, e a área de Cap Cod (EUA), produzem sal marinho menos salgado, por isso, especializado. Na maior parte do mundo, o sal marinho é mais caro que o sal de mesa. Entretanto, no Brasil, em função da abundância de locais de fácil encontro do binário sol/sal, como o litoral do nordeste, o sal marinho é o tipo mais comum e barato. Como Portugal possuía salinas, tratou de exportar seu sal para as colônias e de proibir não apenas a extração local, como o aproveitamento das salinas naturais. Os brasileiros, que tinham acesso a sal gratuito e abundante, foram obrigados, em 1655, a consumir o produto caro da metrópole. No final do século 17, quando a expansão da pecuária e a mineração de ouro aumentaram demais a demanda, a coroa, incapaz de garantir o abastecimento, permitiu o uso do sal brasileiro, desde que comercializado por contratadores, ou seja, por atravessadores portugueses. Os médicos aconselham que devemos reduzir o consumo de sal, para prevenir doenças no coração, principalmente a hipertensão. Entretanto, a mesma ciência que nos aconselha consumir menos desse tempero, permite que praticamente a TODOS os produtos alimentares seja adicionado cloreto de sódio. Como sou hipertenso, procuro evitar alimentos e bebidas que contenham valores apreciáveis de sódio, e, para isso, bani todo e qualquer refrigerante – inclusive diets e ligths - de minha vida, só bebo água mineral. Também não tomo água de coco porque contém sódio. Para minha surpresa, descobri que algumas marcas de água mineral têm sódio adicionado! Durma-se com um barulho destes! A elevada ingestão de sal de cozinha faz com que o organismo retenha mais líquidos e aumente seu volume, podendo elevar a pressão sanguínea causando a hipertensão que é responsável pelo infarto e a AVC (Acidente Vascular Cerebral), além disso o excesso de sal pode também prejudicar os rins. Não é somente diminuir o sal dos alimentos, deve-se também observar que vários alimentos industrializados possuem sal, por exemplo: pães, queijos, cereais, bolachas, enlatados, e, principalmente, embutidos. Desde já, dá para inferir duas coisas: na vida moderna é impossível livrar-se completamente do SAL; e, apesar dos riscos, sua presença é desejada, porquanto a vida é menos saborosa, a vida se torna INSÍPIDA sem esse condimento. JAIR, Floripa, 21/08/09.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

CURIOSIDADE


Em 1941, quando os Estados Unidos já haviam declarado guerra ao Japão, William Patrick H. (1911-1987) escreveu uma carta diretamente ao presidente Roosevelt solicitando permissão para servir nas forças armadas dos EUA. Ele era um cidadão britânico nascido em Liverpool, apto fisicamente e com idade para o serviço militar. Na época, alistamento militar era a forma mais fácil de conseguir a cidadania americana. Mas, como tinha vivido na Alemanha, foi posto em banho maria por três anos antes de ter seu voluntariado aceito. Por fim, admitido na Marinha, serviu por mais de um ano, foi ferido em combate, ganhou uma medalha e modificou seu sobrenome um tanto constrangedor para Stuart-Houston. O curioso é que esse voluntário era sobrinho de Hitler, filho de Alois Hitler Jr meio irmão de Adolf. Willy nascera em Liverpool, em 1911, e depois de uma fracassada tentativa de morar na Alemanha nazista e pegar carona na fama do tio ditador, acabou se mudando para Nova York. Seus filhos sobreviventes, hoje respeitados profissionais que trabalham com jardinagem, ainda vivem na cidadezinha de Patchogue em Long Island, Nova york, onde ele se estabeleceu após a guerra. Parece que, cientes que carregam uma herança maldita, todos os três filhos optaram por não terem descendentes e encerrar a linhagem. Recentemente deram declaração que pretendem escrever um livro contando a vida do pai, William Patrick Hitler.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O MONSTRO


Já comparei aqui antes as atrocidades cometidas pelos dois maiores assassinos que a história registrou, Hitler e Stálin. Como o holocausto de Hitler talvez seja o fato criminoso que mais rendeu estudos, debates, registros, investigações e literatura a respeito, os crimes cometidos por Stálin permanecem meio que obnubilados e pouco comentados, até porque o hermético regime comunista nunca foi afeito a divulgar suas mazelas, reveses, insucessos e pecados. A propaganda soviética fez maravilhas na ocultação dos verdadeiros horrores de sua história e das condições em que viviam os cidadãos durante o stalinismo. Depois da queda da cortina de ferro, alguns documentos da época estalinista vieram a luz e expuseram, ainda que parcialmente, aquele período nebuloso de terror inominável que se abateu sobre o povo da União Soviética. Para se entender como foi possível um só homem, Stálin, exercer com mão de ferro o poder de vida e morte sobre milhões de pessoas, é necessário que se entenda como funcionava a hierarquia do poder naquele País. Todas as instituições do Estado, inclusive o Exército, estavam subordinadas ao controle dos órgãos do Partido Comunista; que deviam obediência cega aos escalões superiores; que eram chefiados pelo Comitê Central; que estava sob ordens do Politburo. Por sua vez, o Politburo, o Comitê, todos os órgãos do Partido e instituições do Estado estavam à mercê do Serviço de Segurança (NKVD, depois KGB); e o Serviço de Segurança era uma criatura de Stálin e a ele estava atrelado. Se Stálin não fosse escravo de seus demônios, seria o único homem livre do sistema. Todos temiam o ditador e este, como o macho dominante da matilha, tinha que mostrar a própria força – manter o terror no mais alto nível - sob o risco de ser triturado sem piedade pela máquina partidária infernal. O terror stalinista permeava todas as esferas da vida soviética, de modo que agora que os fatos são conhecidos, não se pode negar que estavam na mesma categoria de infâmia que as práticas do Nazismo de Hitler. Ele durou mais tempo, certamente matou mais seres humanos e, na destrutiva irracionalidade que podemos chamar de MAL ABSOLUTO, atingiu um nível mais profundo e mais inexplicável, se isso é possível. Porque, tendo eliminado todos os rivais do círculo bolchevique original, Stalin passou da matança seletiva dos “inimigos sociais” e opositores políticos para a eliminação de seus próprios seguidores. Em 1929-1930 dedica-se à coletivização da agricultura, liquidando camponeses - pequenos, médios ou grandes proprietários de terras. São todos executados ou deportados em massa com suas famílias. Durante o período de 1936-39, chamado de Grande Terror, ele praticou assassinatos em massa sem nenhum propósito aparente, sua sede de sangue parecia necessidade patológica. Às vésperas da guerra, ele vinha dando ordens ao Serviço de Segurança para matar cotas aleatórias: trinta mil habitantes de certa região, cinquenta mil de outra, sem qualquer justificativa, terror puro. Milhares de cidadãos completamente inocentes foram fuzilados após serem forçados a denunciar outros igualmente inocentes, que depois seriam também fuzilados. E o ciclo de falsas denúncias e assassinatos aumentou geometricamente até o ponto de ameaçar paralisar o país inteiro. Num surto paranóico insano, Stálin então condenou a morte seu principal assassino, Nicolai Iejov, chefe do Serviço de Segurança, que havia matado seu antecessor, Genrikh Iagoda. Iejov foi imediatamente morto por Lavrentii Béria, um depravado ensandecido, que comandou o NKVD durante a guerra e liderou a próxima leva de assassinatos de Stálin, aliás, o próprio Béria foi jogado numa infecta prisão e fuzilado mais tarde como traidor. Generais comandantes de exércitos eram executados sem julgamento por covardia, sempre que as batalhas trouxessem um revés para o Exército Vermelho, ninguém estava excluído da sanha assassina do Líder inconteste. O massacre de Katyn, na Polônia, onde 25 mil oficiais poloneses foram mortos e enterrados na floresta, se insere nessa política de terror stalinista, em 1992 foi divulgado pelo presidente Ieltsin documento assinado pelo próprio Stalin, em 05 de março de 1940 dando ordem para o massacre. O medo paralisante e coerção selvagem guiaram todas as políticas pelas quais o Estado stalinista foi mobilizado para desenvolver a guerra contra os alemães. Na verdade, para todos os cidadãos soviéticos que não estavam nas linhas de frente, a diferença entre paz e guerra nem se notou. O número de mortos durante o Grande Terror não foi muito menor que os mortos durante a guerra. Desde 1929, economia centralizada dependia de uma força de trabalho prisioneira das doutrinas do Partido e da disciplina de ferro do planejamento estatal. O suprimento de alimentos dependia da improdutiva agricultura coletivizada, o que equivale à morte por inanição de muitos, porquanto o pouco que se produzia era entregue ao Estado, e aos camponeses, servos das fazendas, o mais das vezes nada sobrava. Para os camponeses era um grande alívio ser convocado a lutar, pelo menos comia-se um pouco, combatia-se um inimigo conhecido ao invés de ficar em casa dominado pelo medo paralisante da hidra maldita que matava sem motivo e da qual não se tinha qualquer defesa. Terminada a guerra, os retornados, - tanto prisioneiros capturados pelas tropas alemãs, como civis levados como escravos para manter a máquina bélica em funcionamento enquanto os alemães lutavam – foram enviados para os Gulags, ou simplesmente fuzilados, 2,4 milhões de pessoas morreram. Em 1953, depois da morte do sanguinário ditador, no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, o sucessor de Stalin, Kruschev, denuncia o "culto da personalidade" stalinista e os crimes e atrocidades atribuídos ao monstro. Político duro, paranóico e sem escrúpulos, Stalin usou seu poder para destruir todos os que surgiram em seu caminho, foram mais de 17 milhões de assassinatos. Temido e admirado, é, muitas vezes, retratado como um homem de inteligência medíocre, que conseguiu seu poder graças, exclusivamente, à esperteza e ao impiedoso massacre dos que cruzaram à sua frente. Essa avaliação, contudo, é uma subestimação, pois a ideologia concebida por Stalin - que passou à história com o nome de stalinismo - teve grande importância na consolidação do regime soviético e de suas terríveis injustiças. O regime que seguiu até a derrocada final da aberração chamada comunismo, é fruto do stalinismo e de sua doutrina do Estado onipotente tendo como alicerce cidadãos sem qualquer valor humano, meros peões descartáveis. O MONSTRO venceu, sua ideologia de terror continuou invicta até o fim do IMPÉRIO DO MAL. JAIR, Floripa, 19/08/09.

COMUNISMO E NAZISMO


Os dois movimentos ideológicos que mais marcaram o século vinte, o Comunismo e o Fascismo na sua versão mais radical e violenta, o Nazismo, foram duas faces da mesma moeda. Em que pese diferenças teóricas de propósitos dessas ideologias, seus métodos e finalidades se equiparam, se mesclaram e as tornaram siamesas quanto à violência inaudita que usaram contra seus próprios cidadãos e ao mal que causaram à humanidade. Farinhas do mesmo saco, emanavam seu poder absoluto de um Estado forte, acima do cidadão, e de um partido único que ditava as diretivas de governo, cujo chefe se confundia com o chefe do Partido. O Nazismo, que cresceu rapidamente nos anos trinta do século passado, é o nome do movimento liderado pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP), de Hitler. Como o próprio nome do partido deixa implícito, era um movimento SOCIALISTA e NACIONALISTA, o que permite classificá-lo como de esquerda e de direita ao mesmo tempo, numa aparente contradição. A parte socialista de sua composição era revolucionária, populista e militante e conduziu seus membros a confrontos brutais de suas milícias fardadas com outras organizações socialistas e democráticas na Alemanha de entre guerras. Já, a parte nacionalista era uma espécie de aberração nunca antes vista em partidos fascistas ou quaisquer outros, nem mesmo na Itália onde o movimento havia nascido com Mussolini em 1922. Os nazistas apregoavam, contra todas as evidências científicas e antropológicas, que os alemães pertenciam a uma “raça superior”, predestinada a sobrepor-se a todas outras e dominar o mundo. Faziam apologia de que necessitavam de lebensraum (espaço vital) que seria conseguido através da eliminação e escravização de povos subumanos, eslavos, poloneses, ucranianos e ocupação de suas terras a leste. Pior do que tudo, segundo o livro Mein Kampf (Minha Luta) de Hitler, precisavam eliminar todos os judeus do planeta, a quem chamavam de lixo, percevejos e outros adjetivos impublicáveis, e a quem atribuíam todos os males da humanidade. Após assumir o poder em 1933, logo no ano seguinte realizaram um expurgo em seu próprio partido, “a noite dos longos punhais” onde assassinaram centenas de militantes das SA, órgão paramilitar que dava apoio a Hitler durante suas campanhas políticas, e costumava espancar, torturar e até matar militantes de outros partidos. Em seguida puseram em execução seus anunciados planos de exterminar todos que lhes fossem adversários políticos ou, meramente, seres que não tinham direito a vida como: judeus, ciganos, eslavos, negros, testemunhas de Jeová, homossexuais, comunistas, doentes mentais e deficientes físicos. Criaram um plano de eutanásia que alcançava os “pesos mortos” da sociedade alemã, e campos de concentração (Dachau, Buchenwald, Ravensbrück) onde matavam de fome, doenças e exaustão seus oponentes e as “raças inferiores”. Em 1935 os nazistas criaram as tais leis de Nuremberg, direcionadas aos cidadãos judeus e suas famílias, de modo a torná-los párias na sociedade que viviam a centenas de anos. Com a guerra iniciada em 1939, os nazistas deram vazão a seus instintos através da matança de milhões de civis inocentes, especialmente judeus, da Alemanha e de países ocupados. O chamado Holocausto levou aos campos de extermínio (Auschwitz, Belzek, Birkenau, Bergen-Belsen, Chelmno, Majdanek, Sobibór, Treblinka) e câmaras de gases, seis milhões de judeus e perto de três milhões de outras etnias, inclusive alemães. No leste, quando da invasão da Rússia, grupos de extermínio das tropas SS, acompanhavam a Wehrmacht (exército alemão), e matavam com um tiro na nuca, civis judeus e suas famílias bem como comissários políticos soviéticos. Só na ravina de Babi Yar, na Ucrânia, dezenas de milhares de judeus foram fuzilados covardemente, aliás, covardia era a marca registrada das ações praticadas pelas SS. O Comunismo, interpretação soviética radical do socialismo definido e defendido por Marx em seu livro “O Capital”, era uma autodefinição criada pela vanguarda de esquerda que se dizia “a única forma verdadeira de socialismo”. Em contraposição ao Nazismo que era considerado de “extrema direita”, o comunismo dizia-se de “extrema esquerda”. Na verdade, assim como o fascismo, o movimento comunista tinha sua própria mistura de elementos esquerdistas e direitistas. Enquanto fosse revolucionário tendo derrubado a elite que depôs a monarquia czarista dos Romanov, era ao mesmo tempo elitista, na medida em que um pequeno grupo de “camaradas” se aboletou na cúpula dirigente e detinha todo o poder que, em teoria, deveria emanar do povo. Com a morte de Lenin em 1924, fundador do comunismo soviético, subiu ao poder o sanguinário Stálin que além da ênfase na criação de uma nação forte e moderna e, para isso, criou planos quinquenais de desenvolvimento; passou à perseguição implacável daqueles que considerava adversários políticos, dissidentes do partido, etnias diferentes da sua – era georgiano – e antigos pequenos proprietários rurais, os quais agora deviam se tornar escravos em fazendas coletivas improdutivas que, na década de trinta, geraram crises catastróficas de fome que mataram milhões de pessoas. Contabiliza-se que 17 milhões de pessoas tenham sido eliminadas através de fuzilamento sumário, deportação para campos de trabalho na Sibéria, chamados Gulags, onde morriam de fome e frio, ou vítimas de torturas nas prisões de Moscou. Durante a guerra, Stálin estabeleceu ordens draconianas para que todo desertor e prisioneiro fossem sumariamente fuzilados, mais de dois milhões de soldados russos e inimigos tiveram esse fim. Depois da guerra internou em campos da morte todos os soldados que haviam sido prisioneiros dos alemães, todos morreram. Seja pela escala colossal de assassinatos; pela metodização tipo “linhas de montagens” empregados; pela degradação moral e física impingidas às vítimas; pela hediondez dos meios usados, ou motivos indefensáveis e fúteis alegados, não há parâmetros na História mundial para comparar os genocídios que essas duas ideologias perpetraram. Mesmo levando-se em conta os massacres dos armenios pelos turcos; dos índios americanos pelos colonizadores europeus; dos adversários de Idi Amin em Uganda; dos tutsis pelos hutus em Ruanda e dos Chechenos mais recentemente, os dois aparentes divergentes ideológicos, Hitler e Stálin, foram campeões incontestes de maldade e extermínio, foram sinistros agentes do MAL ABSOLUTO. Em nome de ideologias espúrias que foram conflitantes a ponto guerrearem entre si, convergiram e se mesclaram dentro da fome de poder e praticaram os maiores crimes que a humanidade já assistiu. JAIR, Floripa, 17/08/09.