terça-feira, 11 de agosto de 2009

A GRIPE PARA LEIGOS (COMO EU)


Com a chegada da gripe, primeiro denominada injustamente de “suina” e depois de “Influenza A (H1N1)” e alcunhada de “A” para facilitar nossa vida, surgiram afirmações na imprensa que deixam nós, os leigos, se não apavorados, pelo menos temerosos do que pode acontecer: à nossa saúde em particular; e ao resto da humanidade no geral. De cara, a palavra “pandemia” está sendo largamente utilizada permitindo-nos imaginar alguma coisa como a peste negra que assolou a Europa, em várias ocasiões a partir do século doze, matando quase um terço da população, e dizimando aldeias e cidades quase ao ponto de inviabilizar a civilização em algumas das regiões mais afetadas; ou lembrar da gripe espanhola que, causada por um vírus extremamente fatal ao homem, se propagou em progressão geométrica a partir dos campos de batalha da Europa em 1917 e matou milhões de pessoas em todo o mundo; ou, ainda, a chamada gripe asiática que, em meados da década de cinquenta do século passado, contagiou mais da metade da população mundial, levando a óbito centenas de milhares de habitantes, acometidos de infecções oportunistas, em virtude da imunidade diminuída pela doença. Será que o termo pandemia está bem colocado e devemos temer mais essa gripe que as gripes comuns que todos os anos acometem milhões de pessoas em todo o mundo matando muitos milhares delas? Será que a gripe “A” é tão perniciosa que devemos nos cercar de cuidados muito mais severos que os usados contra as gripes comuns? Para nos situarmos a respeito dessas indagações vamos rever alguns fatos e procurar algumas definições. Todas as doenças causadas por microorganismos patogênicos ou agentes biológicos como, vírus, bactérias, amebas, fungos, protozoários e parasitos têm algumas particularidades comuns, umas com as outras: contágio, virulência, morbidade e mortalidade são quatro importantes fatores que todas têm, e que definem a gravidade da ocorrência quando estas se instalam numa população e, em menor ou maior grau, demandam cuidados necessários para evitar uma epidemia ou uma pandemia. Lembrando: Epidemia – doença que ataca ao mesmo tempo muitas pessoas da mesma terra ou região; Pandemia – doença que ataca ao mesmo tempo a maior parte das pessoas de uma região ou do mundo. Agora vejamos os conceitos das características comuns das doenças infecciosas: Contágio – transmissão de doença por contato mediato ou imediato. É a capacidade que o agente tem de se difundir numa população, seja por contato físico, transmissão de sangue, troca de mucos corporais ou pelo ar, simplesmente. Assim, a AIDS, por exemplo, é muito menos contagiosa que qualquer gripe, sendo que esta ao ser transmitida pelo ar é extremamente “democrática”, não escolhe classe social, cor, idade, credo religioso ou nível de escolaridade; Virulência – capacidade do microorganismo de causar danos ao organismo afetado, ou seja, intensidade da doença que o agente causa. De forma que, um vírus que causa uma leve coriza e algum desconforto é menos virulento do que outro que causa febre, dores no corpo e congestão pulmonar; Morbidade – taxa de indivíduos doentes numa dada população. Maior número de doentes em relação ao número de habitantes, igual a morbidade maior, bem simples; Mortalidade – número de doentes que morrem em função da doença. Se de certo grupo de doentes morre a metade, significa que a mortalidade é de cinquenta por cento. Lembrando que a medicina diz que, ao contrário das gripes espanhola e asiática do passado, tanto o contágio como a virulência, a morbidade e a mortalidade da gripe “A” são iguais das outras gripes. E não me venham com a conversa que se trata de um vírus novo, porque, o universo de vírus que causam gripe compõ-se de mais de duzentas variedades diferentes, de tal modo que podemos ter gripe todos os anos de nossa vida sem nunca repetir o mesmo vírus, sempre somos atacados por um novo vírus. Então para que tomar medidas excepcionais contra alguma coisa igual outra que se enfrenta sem maiores problemas? E tem mais uma coisa importante, mas que ninguém fala: todos os anos milhões de pessoas são acometidas de gripes “comuns” e muitas morrem. Isso significa que com o surgimento de uma nova gripe com a mesma potência das outras (contagio, virulência, morbidade e mortalidade), vai morrer o dobro de pessoas contagiadas, já que agora temos mais uma doença? A reposta é NÃO. Porque grande maioria dos que são contagiados pela nova gripe são as mesmas pessoas que seriam atingidas pelas gripes comuns, apenas o agente é outro, um pouco diferente, mas as condições que as pessoas pegaram a gripe “A” são as mesmas que pegariam as outras gripes. Então não podemos somar os pacientes de gripes diferentes. Quando muito podemos criar um “fator de novidade gripal” que adiciona um pouco mais de pacientes afetados, já que a novidade alcança, além dos indivíduos pré-determinados a ficar gripados, - ou seja, aqueles que pelas condições físicas debilitadas, ou pela exposição aos fatores de contaminação, pegariam qualquer outra gripe no período considerado, - alguns outros poucos que viajaram para o exterior e lá se expuseram ao novo vírus, por exemplo. Assim, meus senhores, pandemia, epidemia e os cambau é exagero, é alarmismo desnecessário e paranóico. Que devemos nos prevenir, não tenham dúvidas, mas não há razão para pânico nem para fechar escolas, ou usar máscaras cirúrgicas o tempo todo. A prevenção deve ser igual a que teríamos que fazer contra qualquer gripe. Se assim fosse, todos os anos em período de surto gripal todas as escolas deveriam ser fechadas e os mesmos cuidados agora tomados seriam obrigatórios também. Considerando que existem apenas duas opções para criarmos anticorpos que nos imunizem contra esse agente: vacinação e exposição ao virus, o que as autoridades estão fazendo é uma rematada estultice, pois não temos vacina e estamos evitando a exposição, ou seja, o problema está sendo adiado, empurrado com a barriga, algum dia nossa saúde vai pagar essa conta. Ou então, a medicina está escondendo alguma coisa terrível a respeito dessa gripe e não nos diz nada, o que não acredito, teoria conspiratória não é uma boa opção. JAIR, Floripa, 11/08/09.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

SOBRE NUVENS


Duvido que exista alguém que, quando criança, não se deitou na grama e apreciou as nuvens, não viu castelos, peixes, barcos e aves em constante mutação naquelas formações brancas que se parecem com algodão doce em alguns momentos. Duvido também, que a maioria desses que olharam as nuvens e as curtiram ou se encantaram com elas, saiba como são formadas, de que matéria elas se constituem ou porque existem céus sem nuvem e céus nublados. Interessante não? Nós, virtualmente, vivemos a nossa existência toda debaixo dessas formações e estamos, o mais das vezes, a mercê de fenômenos relacionados com elas, costumamos tomar decisões como, “hoje vai dar praia?” em função delas e geralmente nada sabemos sobre essas efêmeras mutantes atmosféricas. As nuvens não nos são indiferentes, contudo, como atesta nossa literatura poética que está eivada de referências e termos que relacionam as nuvens a nós. Exemplo: Nefelibatas são pessoas que vivem com a “cabeça nas nuvens”, fora da realidade, em devaneio, sonhadores, enfim; Estar nas nuvens significa estar feliz, muito satisfeito, extasiado de alegria; Como nuvem passageira é outra expressão usada para nomear algo fugaz, transitório, que não deixa rastro; Como nuvens carregadas, expressão que quer dizer algo funesto, pungente, tristonho. Claro, se a literatura e a imaginação humanas registram tantas expressões e termos relacionados com as nuvens, isso deve significar que, apesar de quase nada sabermos sobre elas, as consideramos importantes, necessárias e até fundamentais em nossa vida, não é mesmo? Assim, vale a pena saber alguma coisa sobre essa massa de vapores de água condensados na atmosfera em forma de gotículas, que produzem cores e formas variadas em diversas altitudes. Bem, vejamos então o que podemos dizer sobre essas familiares desconhecidas que pairam sobre nossas cabeças, ou passam ligeiras sob nossos pés quando viajamos de avião: As nuvens são formadas pelo resfriamento do ar até a condensação da água que ascendeu aos ares devido evaporação de rios, lagos, pântanos, mares e umidade do solo. Para que haja a nuvem são necessárias três condições, sem as quais ela não se forma: ¹água em forma de vapor, ²temperatura adequada e ³núcleo de condensação. Depois que a água evapora, ela tende a elevar-se em virtude que o ar aquecido próximo do solo é mais leve que o ar frio, e o vapor de água encontra-se misturado ao ar atmosférico e sobe com este; a medida que o ar sobe vai encontrando condições mais frias, expande-se em função da pressão menor e está pronto para formar nuvens, só faltando o terceiro elemento; ao encontrar núcleos de condensação, que podem ser partículas de poeira, pólen, cinza vulcânica ou fumaça, o invisível vapor dágua diluído no ar tende a ser atraído por esses corpos estranhos, se aglomera em torno deles e forma a gotícula visível da nuvem. Sabem aquele rastro que parece fumaça saindo dos aviões a jato em grande altitude? O nome é trilha de condensação e é uma nuvem. Acontece que naquela altitude existem duas condições para a formação da nuvem, mas falta a terceira. Há vapor dágua na atmosfera e temperatura adequada, faltam os núcleos de condensação. A exaustão dos motores do avião fornecem os núcleos em forma dos resíduos da queima do combustível, em geral monóxido e dióxido de carbono. As partículas se aglomeram em torno dos núcleos e formam a nuvem, cuja existência será longa ou breve dependendo se as condições permanecerem ideais ou não. Daí, dependendo da altitude, regime dos ventos e temperatura, da orografia do terreno, da quantidade de água e gelo na formação e da aparência, as nuvens passam a ser classificadas em dez categorias diferentes, cada uma com suas particularidades. Claro, existindo desde diáfanos véus como os cirrus e cirrocumulus, até nuvens pesadas que geram chuvas como as nimbostratus. O esquema abaixo dá uma idéia dessa nomenclatura e as formas mais comuns dessas companheiras do cotidiano:



Sabem aquelas nuvenzinhas que habitualmente são branquinhas e parecem fofinhas, com jeito de carneirinhos ou chumaços de algodão? Pois é, elas são as mais comuns e são chamadas de “Cumulus humilis”, isso mesmo cúmulo humilde, por que são baixas e menos imponentes que outras, como suas irmãs mais velhas e rechonchudas cumulus congestus, ou suas primas mal humoradas e perigosas para a aviação cumulonimbus, por exemplo. Vejamos uma boa descrição dessas humildades: "Os cumulus humilis (cumulus de bom tempo) parecem grandes flocos densos de algodão a flutuar e têm uma base plana (mais escura) e contornos bem definidos que se vão tornando menos definidos à medida que envelhecem e ficam mais erodidas. As partes iluminadas pelo Sol têm uma cor branca brilhante. Formam-se em massas de ar com alguma instabilidade, quando a umidade é relativamente baixa e a temperatura é relativamente elevada”. Sejam quais forem nossas relações ou nossa informações a respeito das nuvens, o fato é que entre o céu e terra elas são soberanas; desde sempre são resultado e influem no clima e nas condições que tornam possível a vida sobre o Planeta e não há nada que possamos fazer para modificar seu caráter onipresente e atuante todo o tempo. Quando a humanidade já não habitar esse planetinha azul e o fim dos tempos para os homens tiver chegado, as nuvens continuarão aí ainda, formosas, flutuantes e volúveis, decorando o teto celeste sem ao menos se importarem com nós, e ressaltando nossa insignificância frente ao universo. JAIR, Floripa, 10/08/09.

sábado, 8 de agosto de 2009

HAMMER E O LÁPIS


Na antiguidade clássica, tanto gregos quanto romanos já utilizavam instrumentos parecidos com o lápis: eram barrinhas redondas de chumbo que serviam para traçar linhas, desenhar e escrever. O protótipo do lápis poderá ter sido o antigo stylus romano, o qual consistia de um pedaço de metal fino, geralmente chumbo, utilizado para escrever nos pergaminhos. Entre todos os instrumentos de escrita, o lápis é sem dúvida o mais universal, versátil e econômico, produzido aos milhões todos os anos, mesmo na era da Internet. Os primeiros lápis, como são conhecidos hoje, vieram das montanhas de Cumberland (Inglaterra), onde em 1565 foi encontrada a primeira mina de grafite. O grafite da mina inglesa de Cumberland foi de tal forma explorado, que os ingleses passaram a proibir sua exploração sob ameaça de pena de morte. A qualidade do grafite inglês e os lápis com ele produzidos foram desvalorizando-se cada vez mais. Explique-se, o grafite era encaixilhado e colado dentro de pequenas ripas de madeira, cujo formato final era moldado manualmente, formando uma espécie de sanduíche. E somente por possuir o monopólio do mercado é que a Inglaterra conseguiu vender seus lápis de má qualidade por um preço ainda alto. O lápis surge na Alemanha pela primeira vez em 1644 na agenda de um Oficial de Artilharia. Em 1761 na aldeia de Stein, perto de Nuremberg, Kaspar Faber inicia sua própria fábrica de produção de lápis na Alemanha. A partir de 1839 ocorre um aperfeiçoamento do chamado processo de fabricação do grafite, com a adição de argila; A partir de então argila e grafite moídos são misturados até formarem uma pequena vara e depois queimados. Através da mistura de argila com grafite tornou-se então possível fabricar lápis com diferentes graus de dureza. Em 1856 Lothar von Faber adquire uma mina de grafite na Sibéria, não muito distante de Irkutsk, que produzia o melhor grafite da época. Embora a forma e a aparência externa dos lápis tenham sido mantidas iguais até os nossos dias, não é possível comparar os lápis fabricados antigamente com a pureza e seriedade com que os artigos atuais são produzidos. Armand Hammer, (1898 – 1990) mega empreendedor norte americano com interesses múltiplos, tornou-se multimilionário atuando nas áreas de petróleo, produtos farmacêuticos e alimentícios, papelaria, importação de caviar e peles e, acreditem, fabricação de LÁPIS na União Soviética. Hammer já se tornara muito rico nos EUA no início do século, quando então resolveu diversificar sua atuação vendendo produtos farmacêuticos e o excedente da produção de trigo americano para os russos. Em 1920, ele mudou-se para a União Soviética em especial para acompanhar o seu grande negócio de exportação de canetas e lápis e importação de caviar e peles de zibelina. Uma vez lá, verificou que os lápis russos eram de tal forma ruins, de baixa qualidade, que prejudicavam o aprendizado das crianças, o grafite era duro e quebradiço e a madeira da qual eram fabricados era de veios irregulares e muito dura também. Foi aí que resolveu propor ao governo soviético, - que nessa altura ainda era representado por Lenin, - construir uma fábrica de lápis nos moldes das existentes no Ocidente. Uma vez conseguida a concessão, importou dos EUA todo o maquinário, trouxe alguns técnicos e operários especializados e montou a maior fábrica de lápis do planeta. Seus produtos eram de tão boa qualidade, que as fábricas soviéticas se viram quase às moscas, porquanto todas as escolas, repartições governamentais e outros órgãos da burocracia preferiam os lápis Hammer a quaisquer outros. Depois de algum tempo Hammer passou o controle da fábrica para os soviéticos e retornou aos EUA, mas, até hoje Hammer ainda é sinônimo de lápis da Rússia, mais ou menos como algumas pessoas chamam lâmina de barbear de “gilete”, confundindo a marca com o produto. Agora, o gancho que fecha o círculo Hammer - Lápis: no início da corrida espacial os americanos verificaram que as canetas esferográficas comuns não funcionavam bem em condições de gravidade zero e a baixas temperaturas. Para resolver esse problema, os engenheiros contrataram uma empresa especializada (Fischer) para projetar a caneta espacial. Dez anos e US$ 12 milhões depois, estava pronta a caneta que podia ser usada no espaço em qualquer posição, embaixo d’água, em qualquer superfície, inclusive metálica, em temperaturas de até 30 graus negativos e 180 positivos e jamais vazava. Essa caneta não é lenda urbana, eu tenho uma dessas que ganhei de meu filho. Os russos, que tiveram o mesmo problema, optaram por uma solução mais simples: passaram a usar um lápis. Quem diria, esse mesmo singelo lápis que um megacapitalista típico, num momento de inspiração em busca de maiores lucros, havia introduzido na burocracia mais cabulosa do planeta; um produto tão simples e universal, serviu para cutucar o orgulho dos americanos contribuindo fortemente para um vexame frente a seus concorrentes menos imaginosos e mais pobres. São os ossos do capitalismo, eu diria. JAIR, Floripa, 09/08/09.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O ABACAXI


Fruto é o invólucro que envolve e protege a semente, produto da floração. Os frutos têm origem do ovário das flores. Após a fecundação dos óvulos em seu interior, o ovário cresce, acompanhado de uma alteração de seus tecidos provocada pela influência de hormônios vegetais, que atuam na estrutura, consistência, cores e sabores, dando origem ao fruto. Os frutos mantêm-se íntegros protegendo as sementes até, pelo menos, o momento da maturação. Quando as sementes estão prontas para germinar, os frutos amadurecem, e podem se abrir ou cair ao solo, liberando as sementes, ou tornam-se atrativos para serem ingeridos por animais, que as depositarão após estas passarem por seu aparelho digestivo. Assim, vegetais superiores que se reproduzem por sementes e cumprem todas as etapas de floração, fecundação e desenvolvimento de sementes, produzem frutos, exemplos: coqueiros, laranjeiras, figueiras, jaqueiras, tomateiros, berinjeleiras, caquizeiros, etc. Alguns frutos, entretanto, são chamados de legumes, tais como; pepino, chuchu, tomate, berinjela etc, não há uma linha divisória exata que defina o que é um legume. Já, fruta é uma designação genérica de todos os frutos e inflorescências usadas como alimentação, geralmente “in natura” exemplo: coco, laranja, cereja, manga, morango, abacaxi etc. Lembrando que inflorescência é uma espiga formada de flores completas. Deu para entender? O abacaxi, assim como também o morango, não é um fruto em termos biológicos, não tem as características que o definem como um fruto, não é produzido por uma planta superior que gera sementes. O abacaxi é uma inflorescência de flores extremamente juntas aderidas a um eixo central, e é uma fruta, aliás, certas variedades de abacaxi são excelentes frutas. Não seria uma sandice afirmar que o abacaxi é um cacho de flores. Também é, por estranho que possa parecer, uma bromélia. Sim, meus caros amantes e colecionadores dessas lindas plantas, o abacaxi é uma ilustre espécie da família das bromeliáceas. Embora haja botânicos que situam a origem do vegetal na África e até na Oceania, não há dúvida que o abacaxi é oriundo da América, pois já era cultivado pelos indígenas em extensas regiões do Novo Mundo, antes do descobrimento. Como só existem variedades selvagens aqui nas Américas fica claro que é daqui que o abacaxi se espalhou pelo mundo tropical e semitropical. Origina-se da América do sul e, ao que parece, do sul do Brasil. Provavelmente, as atuais variedades cultivadas descendem de abacaxizeiros selvagens aqui existentes. Não se sabe, todavia, quando, onde e como essa domesticação se verificou, mas, a 4 de novembro de 1493, Colombo e seus marinheiros descobriram o abacaxizeiro na ilhas Guadalupe, nas Pequenas Antilhas. As espécies selvagens de abacaxis e suas variedades principais são: Ananaí-da-amazônia, ananás-branco-do-mato, ananás-vermelho-do-mato, curauá-da-amazônia, existem, também, algumas variedades que dão uma fruta não maior que seis ou sete centímetros e são excelentes para decoração. Todos têm as margens das folhas armadas de espinhos, exceto a última, nas quais, praticamente, só existe um acúleo terminal. Essa fruta não tem casca propriamente, possui uma superfície rugosa que deve ser retirada para consumo. O que pode ser chamada casca do abacaxi é formada pela reunião das brácteas e sépalas das flores que o formam. Logo abaixo da “casca”, inseridos na periferia de depressões em forma de taça, podem ser encontrados restos de pétalas e de estames, enquanto de cada uma dessas depressões aparece um vestígio de estilete. É exatamente esse estilete que pinica a língua de quem não toma o cuidado de retirar a casca da fruta de maneira apropriada. Talvez, pelo fato de o abacaxi possuir essa espécie de casca difícil de retirar, no Brasil é comum designar-se como ABACAXI um problema espinhoso ou complicado de resolver. Quando maduro o abacaxi apresenta sabor muito ácido e muitas vezes adocicado. É rico em vitaminas C", B1, B6, ferro, magnésio e fibras. Devido sua beleza e existência da coroa, o abacaxi é conhecido como rei das frutas. Além da polpa, a casca e o miolo do abacaxi podem ser utilizados para a produção de sucos. Previne dores de garganta e resfriados e é bom para a circulação por conter a enzima bromelina. Servindo também como tempero para amaciar carnes. O abacaxi pode ser consumido in natura, industrializado sob a forma de geléia, vinho, cristalizado, passa, licor. Ao comprá-lo é bom observar se as folhas da coroa não estão secas nem murchas, se o cheiro está bom e não existem manchas, e a melhor forma de comprovar se está bem maduro é puxar uma folha da coroa, esta saindo com facilidade está bom para consumo. O melhor período de safra compreende o mês de dezembro a janeiro. No Brasil, são cultivadas várias espécies, como o abacaxi amarelo, porém a que se destaca é a variedade Pérola, de polpa amarelo-pálida, sabor bastante doce, casca esverdeada, mesmo quando maduro e pouca acidez. Os principais países produtores de abacaxi são os Estados Unidos (no Awai), o Brasil, a Malásia, Formosa, México e as Filipinas. Pois é meus leitores, essa fabulosa fruta tão brasileira não deve faltar à mesa de qualquer pessoa, seja ela preocupada com dieta e alimentação saudável ou não. Bom apetite a todos! JAIR, Floripa, 08/07/09.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O SUDÁRIO


O termo sudário vem do latim, sudarium que significa pano para suor, toalha pequena. A primeira menção que se faz do hoje chamado Sudário de Turim é de 1157 por um abade islandês, Nicholas Soemundarson que foi em peregrinação à Constantinopla e diz ter visto, entre outras relíquias religiosas, um “sudário com sangue e marcas de Cristo” naquela cidade. Depois disso, Godofredo de Charny, cavalheiro francês de reconhecida bravura, adquiriu-o em 1356, possivelmente de origem espúria, já que nunca esclareceu como o tinha conseguido. Quando Godofredo morreu, sua viúva permitiu que o sudário fosse exibido como objeto adoração na igreja que seu marido havia construído. Hoje, propriedade legal da monarquia italiana e cedido ao museu religioso do bispado, encontra-se em Turim, Itália, um pano de linho fiado manualmente com 4,36 metros de comprimento por 1,10 metros de largura com características tais que suscita veneração religiosa de muitos cristãos e curiosidade científica e histórica em uma boa parte da intelligentsia mundial. E a igreja católica não oficializa qualquer posição a respeito, ou seja, não contesta a autenticidade do tecido nem desencoraja quem o julga verdadeiro, portanto, santo. Sobre o longo pano existem duas esmaecidas imagens cor de palha, uma de frente outra de costas de um homem nu que foi, aparentemente, flagelado e crucificado, cujas mãos estão cruzadas abaixo do abdômen. As imagens aparecem cabeça com cabeça, de modo a sugerir que um corpo tenha sido deitado de costas em uma das pontas do tecido, o qual foi depois dobrado para cobrir a frente do corpo. O sudário tem muitos buracos queimados e chamuscados que foram remendados. Além disso, tem sinais inequívocos de sangue nos pulsos, pés, testa, abdômen e costas. Existem, também, grandes manchas de água que, segundo a história apareceram em função de um incêndio em 1532 no santuário onde se encontrava a relíquia. Pegou fogo no altar e derreteu em parte a caixa de prata onde se encontrava a rara peça, queimando-o em alguns lugares. Foram feitos remendos com linho de outra origem, e estes são bem visíveis até hoje. Ao apagarem o fogo teriam molhado o tecido manchando-o de água. Início da polêmica, em 1381, pela primeira vez, o sudário teve sua autenticidade contestada por três bispos que o examinaram. Um dos bispos escreveu ao Papa Clemente VII que se encontrava em Avinhão: "O sudário é uma falsificação pintada, e a igreja local está se tornando rica através das contribuições feitas pelos peregrinos que vêm vê-lo". O Papa recebeu a carta e sentenciou o bispo que a escreveu ao silêncio perpétuo sobre o assunto, e ordenou que os eclesiásticos dissessem que o pano era uma “representação”. De lá para cá, mesmo raramente apresentado ao público, o tecido tem acalorado discussões inconcludentes entre os adeptos de sua santidade e os céticos. A bibliografia a respeito de sua história e de suas características é vasta, dúzias de livros já foram publicados por aqueles que tiveram a experiência de tê-lo visto, fotografado e pelos que apenas fazem cogitações a respeito. O estudo mais extenso, com mais embasamento científico e melhor documentado já realizado sobre o objeto foi feito em 1978 por um grupo de cientistas americanos que, aproveitando uma exibição pública da mortalha que iria acontecer naquele ano em Turim, formou uma equipe de quarenta sumidades nas áreas de ótica, fotografia, espectroscopia, radiologia, física molecular e nuclear, entomologia, microscopia, botânica, fisiologia, anatomia, hematologia e outros tantos ramos da química, e submeteu o pano por cinco dias (120 horas contínuas) a testes não destrutivos cujos resultados foram analisados, comparados e deglutidos depois por mais de 150 mil horas de trabalho e trouxeram conclusões interessantes, inusitadas e até surpreendentes. Pelas evidências físicas, matemáticas, médicas e químicas ficou claro que devia ter havido um homem crucificado no Sudário. Foram descobertas evidências medicamente exatas de um homem que fora açoitado com um flagrum (chicote de duas ou três pontas terminadas em peça de metal, osso ou pedra, usado pelos romanos), tanto de frente como de costas, por dois homens; que havia carregado alguma coisa pesada que lhe feriu ambos os ombros; que tivera alguma coisa colocada sobre sua cabeça, que causara ferimentos pontilhados no couro cabeludo e na testa; que tivera lesões no nariz e nos joelhos proporcionados por uma queda; que fora golpeado no rosto; que fora crucificado no local anatomicamente certo, ou seja, os pulsos; cujo sangue, escorrendo pelos braços, tivera gotas sensíveis à gravidade nos ângulos corretos para a posição dos braços numa crucificação; cujas pernas foram quebradas; que tinha uma lesão em forma de elipse no lado sugerindo ferimento com objeto contundente; e que, deitado sobre o pano, teve sangue post-mortem escoando do ferimento e empoçando na parte mais estreita das costas; cujos pés haviam sido trespassados por uma ponta de ferro e sangraram; e nas plantas desses pés havia terra, sugerindo que o homem havia andado descalço antes do sacrifício. Vejam as palavras de Don Lynn, um cientista, a respeito do assunto: "O Sudário é anatomicamente exato; está de acordo, historicamente com os Evangelhos; tudo está de acordo com o que sabemos. É um retrato exato da paixão e morte de Cristo..." Veja bem, os homens da ciência não conseguiram, por provas incontestáveis, concluir que foi Jesus Cristo que esteve envolto naquela mortalha, apenas afirmam e provam que ALGUÉM foi crucificado e envolvido ali. É possível que jamais se prove QUEM ali jazeu. E, isso se deve ao fato que não foi possível determinar a idade do pano de linho, como os ensaios foram não destrutivos não se fez o teste de carbono quatorze, o que permitiria saber sua idade bem aproximada. Na falta de provar a idade da mortalha, a polêmica continua em aberto estimulando a imaginação dos cientistas e a crença dos cristãos dogmáticos. Eu fico no meio. JAIR, Floripa, 06/08/09.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DO TEMPO


Há o grande, o maior, o extenso, o enorme, o gigante, o de extraordinária grandeza, o imensurável e o TEMPO; Há o menor, o mínimo, o exíguo, o pequenino, o minúsculo, o microscópico, o infinitesimal e o TEMPO; Há o discernível, o perceptível, o evidente, o óbvio, o visível, o claro, o explícito, o insofismável e o TEMPO; Há o obscuro, o cinzento, o sombrio, o escuro, o atro, o pretume, o negror, a escuridão completa e o TEMPO; Há o duvidoso, o plausível, o discutível, o quase certo, o muito provável, o infalível, o incontestável e o TEMPO; Há o opaco, o claro, o translúcido, o diáfano, o transparente, o apenas distinguível, o invisível e o TEMPO; Há o pirilampo, a lamparina, a vela, a lâmpada, a claridade, o relâmpago, a luz do sol a explosão nuclear e o TEMPO; Há o limitado, o evidente, o imperioso, o subsistente por si só, o inquestionável, o absoluto e o TEMPO; Há o atrasado, o devagar, o lento, o demorado, o quase parado, o imóvel, o absolutamente congelado e o TEMPO; Há o ágil, o móvel, o ligeiro, o rápido, o célere, o velocíssimo, o raio, a velocidade da luz e o TEMPO; Há o hoje, o amanhã, o depois de amanhã, o semana que vem, o próximo ano, o futuramente, o nunca e o TEMPO; Há o simples, o elaborado, o emaranhado, o intrincado, o muito complicado, o diabolicamente complexo e o TEMPO; Há o fugaz, o breve, o sazonal, o contínuo, o perene, o quase perpétuo, o eterno e o TEMPO; Há o exeqüível, o realizável, o possível, o viável, o praticável, o quase compulsório, o obrigatório e o TEMPO; Há o trabalhoso, o oneroso, o árduo, o penoso, o dificultoso, o quase irrealizável, o impossível e o TEMPO; Há a unidade, a dezena, a centena, o milhar, a dezena de milhar, o bilhão, o trilhão, o infinito e o TEMPO; Há o usado, o velho, o arcaico, o antigo, o medieval, o pré-histórico, o paleolítico, o jurássico e o TEMPO; Há o próton, o nêutron, o elétron, o méson, o bárion, o fóton, o lépton, o tríton, o quark e o TEMPO; Há o substantivo, o adjetivo, a conjunção, o pronome, a interjeição, o artigo, o advérbio, o verbo e o TEMPO; Há o reino mineral, o vegetal, o animal, o fungi, o monera, o protista, o vírus, a ameba e o TEMPO; Há o Sol, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão, a Lua e o TEMPO; Há o planeta, o satélite, o asteróide, o meteorito, o cometa, o sistema solar, o quasar, a galáxia e o TEMPO; Há a guerra e a paz, o bem e o mal, a vida e a morte, o certo e o errado, superficial e o profundo, o real e o imaginário, o nada e o tudo e o TEMPO; Há o TEMPO. Somente o tempo É. JAIR, Floripa, 03/07/09.

domingo, 2 de agosto de 2009

SOBRE O TEMPO


Como uma imposição inexorável de sentido absolutamente singular o tempo flui translúcido e permeável, invade o íntimo das coisas, ocupa todos os desvãos, nichos, vazios e interstícios, seja uma dimensão tridimensional ilimitada acima da compreensão humana como os espaços intregaláticos ou o âmago do átomo. Se lhe falta solidez sobra obstinação, dele é impossível escapar, mesmo que se vá além da borda do universo. Ainda assim, para o compreendermos, é compulsório que se vá até lá. Pois há coisas só possíveis após a fímbria do universo. JAIR, Floripa, 01/08/09.