sexta-feira, 31 de julho de 2009

SOBRE A ARTE DE ESCREVER


No bloguismo já me defini como beletrista, querendo dizer com isto que me dedico a textos sobre amenidades. Amenidades e despretensão, nada mais. A internet e, em particular o bloguismo, permite que nós, os entusiastas, escrevamos e publiquemos nossos textos com comodidade e, também, que aperfeiçoemos a arte da escrita, meu caso. Sem dúvida a web e o processador de textos são os responsáveis pela facilidade com que nós blogueiros expomos nossas idéias e as colocamos ao escrutínio dos leitores. Sem esses instrumentos, muitos potenciais escritores ainda estariam "no armário" devido aos obstáculos de publicar seus textos, de colocar para fora seus anseios e pensamentos. Desde há muito gosto de pôr em letras, - preto no branco para usar uma expressão desgastada, - o que penso, minha opinião e também palpites e reflexões, e até devaneios inconsequentes. Contudo, para que as idéias sejam registradas com alguma competência e alcancem o público é necessário que observemos algumas normas básicas, que me permito expor: 1ª) Primeiro é preciso PENSAR. Sem elucubração criativa não há maneira de trazer a lume qualquer coisa minimamente interessante, que instigue o possível leitor. Sem expor uma idéia nova ou uma reflexão proveitosa, o que se escreve pode se tornar tão interessante como uma bula de remédio, ou seja, não trazer nada além de informações cruas e destituídas de atrativo; 2ª) CLAREZA. De nada adianta ter ótimas idéias, construir belas assertivas, intuir sacadas geniais e ser filigranoso na hora de passá-las adiante. Hermetismo fica bem apenas em Kafka. Clareza significa expor o que se pensa com coerência, de maneira que os leitores entendam, de modo a não deixar dúvida alguma sobre o assunto abordado. Para isso, devemos, além de refletir bem antes de escrever, usar um vocabulário compatível com o público e de acordo com as regras, o que leva ao item seguinte; 3ª) VERNÁCULO, não agredi-lo, não atentar contra sua integridade. Observar as regras gramaticais e a maneira consagrada de escrever as palavras, nada de muita novidade e jamais esdruxularias. Lembrem-se, Guimarães Rosa usava conceituação idiomática única, criava suas próprias regras porque tinha envergadura para isso, se fôssemos iguais a ele não estaríamos escrevendo modestos blogs, estaríamos na ABL. Não ser repetitivo também é regra de ouro, repetição cansa o leitor; 4ª) BAGAGEM. Sem bagagem (leitura), perdão meus caros, só sai merda. A informação nos fornece material para fazer comparações, cotar dados, contrapor opiniões, explicar melhor, convencer. Não há escapatória, só a leitura instrui. Tantos e belos anos passados em bancos escolares capacitam para a vida, criam competência técnica e profissional, possibilitam disputar mercado e lugar à sombra, adestram para competir, mas não trazem instrução e informação que tornam possível escrever bem e com elegância. É isso aí. JAIR, Floripa, 31/07/09.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

SOBRE MEDALHAS


Sinceramente, nunca consegui entender bem os critérios e as justificativas que enchem os peitos dos militares de medalhas. Nada contra que se reconheça o mérito ou bravura do soldado e se lhe conceda condecorações como prova desse merecimento, já que compensações pecuniárias não são permitidas por lei, e é impraticável quantificar quanto vale uma ação heróica, por exemplo. Então, não é o conceder-se medalhas que me intriga, é a veneração que a maioria dos militares sente por essas insígnias; é esse fascínio pela maior quantidade possível delas, um uniforme com dúzias de medalhas é melhor que um com apenas uma ou duas. Mesmo aqueles que nunca participaram de uma batalha, de uma ação de combate ou praticaram um ato heróico ostentam, às vezes, pencas de condecorações. Vaidade pode ser uma explicação, mesmo porque, civis, o clero e os políticos também se pavoneiam com comendas, brasões e faixas sempre que podem, o que parece indicar que é condição humana gostar de adornos, enfeites, adereços. Antes que alguém, preconceituosamente, diga que isso é coisa de “cucarachas”, de militares do terceiro mundo, ou de generais africanos deslumbrados, vou transcrever abaixo notícias de duas ações de guerras. Das notícias dá para inferir que a maior nação guerreira do planeta também tem apego algo exagerado por medalhazinhas e não é seguida pela, talvez, terceira maior nação guerreira do mundo, a Inglaterra, que parece ser parcimoniosa na hora de distribuí-las. ¹ Em 1983 os Estados Unidos com cerca de 6000 homens invadiram a ilha de Granada para depor um governo de esquerda que contrariava os seus interesses, implantando um governo pró-EUA. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha depois de um golpe contra o presidente marxista Maurice Bishop. Alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país. Bishop é destituído e fuzilado num golpe de radicais de esquerda, liderados pelo general Hudson Austin e pelo vice-primeiro-ministro, Bernard Coard. Tropas dos EUA invadem a ilha, depõem o regime e retiram-se gradativamente deixando um governo pró-Estados Unidos, até 1985. Coard e outros 14 envolvidos na morte de Bishop são condenados à morte em 1986, mas a pena é comutada em prisão perpétua. O governo americano distribuiu oito mil medalhas aos seus guerreiros que haviam combatido em granada, sofrido dezoito baixas tendo causado setenta e nove no inimigo. ² Para tentar manter-se no poder e assegurar um mínimo de popularidade, a junta militar que governava a Argentina decidiu executar o Plano Goa, a invasão das ilhas Malvinas ou Falklands para os ingleses, que a habitavam desde 1833, com o objetivo de retomá-las. Assim às 4:30 do dia 2 de abril de 1982, 150 homens do Tático Buzo, uma unidade de elite dos fuzileiros argentinos, desembarcou na capital Port Stanley para prender o governador, mas encontraram forte resistência do destacamento de 68 fuzileiros britânicos que defendia a área em torno da sede do governo. Londres reage de imediato à invasão argentina. A primeira-ministra Margareth Tatcher corta relações diplomáticas com a Argentina. Os Estados Unidos e as Nações Unidas tentam mediar a disputa. Mas Tatcher, sentido-se obrigada a defender uma possessão imperial (afinal o Reino Unido era a terceira potência militar e nuclear do mundo), enviou uma task force, uma força tarefa, para recuperar as ilhas, mobilizando a Marinha Britânica, que parte para as ilhas a 10 mil quilômetros de distância de sua pátria. Os britânicos afundam o destróier argentino Belgrano com trezentos e cinqüenta marinheiros a bordo, mas seu navio de guerra Sheffield é atingido pelos mísseis franceses Exocet, lançados pelos aviões argentinos. A resistência argentina é surpreendente e os dois lados sofrem muitas perdas. A reconquista das ilhas prova-se mais difícil do que os britânicos previam. A Inglaterra gastou 2 bilhões de dólares no conflito. O destaque ficou para os caças-bombardeiros Harrier, aviões que decolam e aterrissam verticalmente, como se fossem helicópteros. Em 14 de junho, os argentinos capitulam. Estima-se que mais de sessenta mil homens das forças armadas britânicas foram mobilizados. O saldo de mortos é de setecentos e doze soldados argentinos e duzentos e cinqüenta e cinco soldados britânicos. Resultou daí que os Britânicos condecoraram seus militares pelos feitos bélicos, fora os 255 mortos que receberam suas medalhas póstumas, 8 outras medalhas foram distribuídas aos que lutaram. Da Argentina, que empregou 10 mil militares na guerra, não se tem notícias de quantas medalhas foram atribuídas a seus heróis e mártires. JAIR, Floripa, 25/07/09.

sábado, 25 de julho de 2009

OS GURKAS


A história militar registra que os Gurkas, unidade do exército de Sua Majestade Britânica formada por soldados nepaleses, tropa equivalente à Legião Estrangeira a serviço da França, constituem o mais letal corpo de soldados do mundo. São altamente disciplinados, e tornaram-se as mais eficientes máquinas de matar do planeta. Costumam fazer o “trabalho sujo” que os soldados regulares britânicos preferem evitar, isto é, são especialistas na luta corpo-a-corpo e costumam eliminar o inimigo a sangue frio. Implacáveis e determinados, atacam amoque, em geral sem qualquer chance de defesa para o inimigo. São movidos pela eficácia e lealdade, não pela vaidade. Os Gurkas integram o Exército Britânico desde o século XIX e são assustadoramente lendárias suas ações militares na II Grande Guerra onde mais de 250.000 deles atuaram, ou, mais recentemente, nas Malvinas onde aterrorizaram os argentinos os quais os chamavam de “terríveis selvagens” e fugiam desesperados à sua aproximação. Os ingleses lutaram duas vezes contra os Gurkas na Índia, em 1813 e 1816. A dificultosa vitória das tropas coloniais resultou em considerável respeito pelas qualidades militares desses soldados nepaleses e na criação, já em 1815 de três batalhões Gurkas a serviço do Império Britânico, numa evidente demonstração que a melhor política é unir-se ao inimigo se é difícil vencê-lo. Os Gurkas são recrutados entre montanheses tribais do Himalaia, e constitui ponto de honra para as famílias da região conseguirem que um membro de seu clã seja incluído na tropa que é reconhecidamente uma tropa de elite, e onde poderão ascender até ao posto de major. Usam um punhal, uma arma ancestral dos nepaleses, o kukri. A arma, de origem grega, foi uma (ou talvez a única) herança de Alexandre, o Grande. Hoje, o kukri é uma extensão do braço de um gurka. De osso, marfim ou metal no cabo, aço da mais alta qualidade na lâmina. Sem uma dimensão exata, o kukri tem em geral 28 a 30 centímetros que servem para apenas uma finalidade: matar. Num rencontro, num embate, um Gurka nunca exibe o seu kukri em vão, uma vez desembainhado o punhal, a lâmina tem de verter sangue, só depois podendo regressar ao escuro descanso da bainha. Os argentinos que os enfrentaram nas Malvinas sentiram quanto é letal essa determinação milenar. Hoje, batalhões gurkas ainda fazem parte dos exércitos indiano e britânico. Neste, a Brigada continua em ação, adaptando-se aos novos tempos – em março passado, o ministro da Defesa Derek Twigg anunciou estudos para admitir pela primeira vez mulheres na unidade. O lema, porém, permanece o mesmo: “Melhor morrer que acovardar-se”. Os Gurkas usam uniforme camuflado de combate que seria igual ao dos militares britânicos, não fosse a bainha para o famoso kukri, conhecido como "pé de cachorro", com o lado cego da lâmina bem rombudo o que a faz uma arma bem pesada, mas o lado do corte é extremamente afiado tornando-a muito eficiente no combate corpo a corpo. Arma, cercada de mitos, foi muito utilizada contra alemães e japoneses na Segunda Guerra Mundial. Mas os gurkas notabilizaram-se mesmo foi pela luta corporal com técnicas desenvolvidas ao longo de milênios pelas artes marciais. Graças a essa fama sinistra, um terror paralisante costuma percorrer as fileiras adversárias quando ouvem ressoar o grito de guerra "Jai Mahakali, Ayo Gorkhali" – em tradução literal, “Glória à deusa da guerra, aqui vão os gurkas”! O uniforme de gala é verde para locais de clima frio e branco nos trópicos, com botões e insígnias em preto. Usam ainda boinas verdes ou o chapéu mole de aba larga e desabada, típico. O armamento padrão é o fuzil americano M 16, de calibre 5,56 mm. Atuando na Malásia e em Bornéu, na Ásia, esses temíveis montanheses se destacaram como excelentes combatentes de selva. Mas tornaram-se mundialmente famosos por sua participação na Guerra das Malvinas, em 1982, com o 1° Batalhão - 7th Duke of Edinburgh's Own Gurkhas Rifles - integrando a 5a. Brigada de Infantaria inglesa. Desembarcaram na Baía de San Carlos e na primeira semana organizaram patrulhas para cercar grupos dispersos de argentinos, o que realizaram com uma eficiência mortal para azar dos portenhos. Finalmente, depois de quase dois séculos de serviços prestados à Coroa Britânica e tantas vezes recompensados apenas com o sangue e as vidas derramadas, os soldados Gurkas conseguiram obter do Governo de Sua Majestade pensões e direitos de Férias idênticos às dos restantes militares das forças britânicas. O processo começou há dois anos, sob pressão de associações Gurkas no Nepal, de onde são oriundos, o Ministério da Defesa do Reino Unido cedeu nas posições anteriores que defendiam que os Gurkas que regressavam ao seu país natal deviam seguir os padrões de vida locais no que concerne ao nível das suas pensões. Mas o argumento começou a cair por terra porque a maioria dos soldados Gurkas que se retiram ficam no Reino Unido e nunca mais regressam ao Nepal, tendo que sobreviver na Europa com uma pensão que é, normalmente, seis vezes inferior à dos seus congêneres britânicos. É até compreensível que continuem vivendo no Reino Unido depois de se retirarem da ativa do exército. Tendo vivido, às vezes, três décadas nas forças armadas, seus costumes e padrões de vida não são mais compatíveis com aqueles encontrados em suas aldeias de origem no Nepal. Entretanto, a medida não vai englobar os 22 mil Gurkas que já se retiraram do serviço ativo e que vivem no Reino Unido, mas com pensões só aplicáveis ao nível de vida no Nepal. Existem atualmente 3400 soldados Gurkas ao serviço do Exército Britânico reunidos na Brigada Gurka atualmente cumprindo missões no Afeganistão e que resultam de uma das seleções mais exigentes de todo o mundo. Todos os anos 28.000 jovens nepaleses concorrem e apenas 200 são escolhidos através de um conjunto de provas físicas extremamente exigentes, como subir correndo uma trilha de dez quilômetros na montanha conduzindo uma mochila de quarenta quilos, mas que produzem um dos corpos militares mais eficientes do mundo como provam suas ações em todas as guerras nas quais participaram e mais recentemente durante as operações de pacificação em Timor Leste após a independência. JAIR, Floripa, 25/07/09.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

UM OLHAR SOBRE BARILOCHE


Este texto, escrito na ocasião de uma viagem a Bariloche, eu o encontrei nos meus arquivos e, como não tinha sido publicado, resolvi fazê-lo, pois, a mim, parece que estendi um olhar menos “turístico” sobre uma região notadamente fequentada por pessoas que estão apenas determinadas a se divertir sem olhar ao redor.
BARILOCHE
Penso que a idade, se nos penaliza com a deterioração dos músculos, a flacidez da epiderme e o mau funcionamento dos órgãos, causando-nos males múltiplos, beneficia-nos com a acuidade dos sentidos e a exacerbação da sensibilidade, permitindo-nos desfrutar das pequenas coisas com mais prazer e intensidade. Assim, justifica-se que uma pessoa como eu vá a um lugar quase só freqüentado por “emergentes” e deslumbrados, visto que a idade me confere a capacidade de ver, olhar, perceber, sentir, gozar e curtir pequenas (e grandes) coisas com olhos de quem já viu muito, mas não tudo, e tem consciência que nada sabe. À parte a estação de inverno que nos negou uma nevada, a Patagônia mostrou-se quase outro planeta de tão diferente, fascinante e surpreendente. Fomos de ônibus de Foz do Iguaçu até Buenos Aires numa primeira etapa, e de Buenos Aires a São Carlos de Bariloche em seguida, numa viagem de mais de quarenta horas. Daí já dá para deduzir quanto foi possível observar da região. A cidade de Bariloche situa-se à margem de um lago de água doce com noventa e três quilômetros de comprimento e quatorze de largura na sua parte mais larga. Esse lago, cujo nome é Nahuel Huapi em idioma “patagonês”, que numa tradução livre significa Ilha do Tigre. Já que não existem tigres na região supõe-se que os primeiros exploradores confundiram o puma, desconhecido deles e muito abundante no lugar, com o tigre, e traduziram Nahuel por tigre, coisas da história. Esse lago, como todos da região, foi formado pelo degelo da última glaciação, cerca de dezesseis mil anos atrás, e é alimentado por degelos da primavera e chuvas que caem com grande intensidade durante o inverno. A profundidade média do lago é de duzentos e sessenta metros e sua maior profundidade conhecida é de quatrocentos e setenta e quatro metros. A temperatura média de suas águas situa-se em torno de doze graus, e no verão chega a dezessete, o que permite a muitos turistas audaciosos curtirem uma praia. É muito piscoso e foi repovoado com salmões e trutas européias, no começo dos anos trinta do século passado. A pesca só é permitida entre novembro e março, e assim mesmo só pesca esportiva com dois peixes, de certo tamanho mínimo, por pessoa por dia. Fizemos uma viagem de um dia por esse lago e mais um chamado Lago Frias, quando pudemos observar as paisagens de cartão postal, a flora e a fauna, constituída quase só por aves aquáticas como gaivotas e cormorões. Os lagos menores (dez quilômetros de extensão) como o Frias, costumam congelar no inverno, os maiores não. O passeio mais prazeroso foi a uma floresta chamada “Valdiviana” por ter seu epicentro na cidade de Valdívia no Chile. Por incrível que possa parecer, trata-se de uma “rain forest” em plena zona semi-antártida, é a floresta mais austral do mundo. Acontece que o encontro das massas de ar quente e úmido do continente colidem com a cordilheira fria, condensam e formam umas das maiores precipitações pluviométricas do planeta, cerca de 4000 mm, algo só comparável às monções da Ásia. Por ser uma floresta úmida, sua fauna e flora são muito variadas sendo possível encontrar muitas espécies de coníferas, algumas até produzem pinhões, e uma, em particular, parece uma sequóia com mais e sessenta metros de altura. Vimos uma dessas “sequóias” com mais de mil e quinhentos anos, devidamente comprovados através da contagem de seus anéis de crescimento. Uma variedade de “barba-de-velho” amarelo-ouro, nasce em uma conífera e lhe confere um visual bem destacado entre as demais árvores. É endêmico, como quase todas os vegetais ali encontrados, um nefasto cogumelo chamado “lau lau”, que “ataca” grandes árvores, causando-lhes uma espécie de câncer, chamados “nudos” pelos patagônicos. Esses nudos, depois das ávores mortas, são usados na confecção de artesanatos os mais variados como, cinzeiros, pés de abajures, estatuetas e pequenos objetos de decoração. Abundante e contraditória é a existência de uma espécie de bambu, gramínea que costuma crescer em florestas tropicais e temperadas, no meio das coníferas. Esse bambu, que até passado recente era usado para a confecção de “sticks” de esquis, é completamente amarelo, maciço e muito resistente. Pasmem, existem beija-flores na floresta! Apesar dos menos vinte graus centígrados, que às vezes acontecem no inverno, os beija-flores sobrevivem por que há uma espécie de arbusto que só floresce no outono e inverno. Outros animais ou migram ou hibernam durante o frio intenso. A floresta está situada dentro de um parque nacional criado em 1903, bem cercado de leis e bem protegido por guardas florestais. Foi muito interessante uma visita ao museu de história natural da Patagônia. O museu está impecavelmente montado, didática e cronologicamente. Desde fósseis da era pré cambriana, passando pelos artefatos como canoas, utensílios domésticos, armas, enfeites, instrumentos musicais, vestimentas de couro e objetos variados dos primeiros patagônicos, e indícios da chegada dos espanhóis como, contas de vidro e espelhos usados nas trocas com os nativos, armas de fogo, armaduras, lanças, elmos e vestimentas, até a recente integração, por volta de 1880, da região à Argentina atual. A flora e a fauna também estão muito bem representadas com bichos empalhados, descrições e amostras vegetais. Merece um registro especial a “integração” da Patagônia executada, principalmente, por Francisco Pascasio Moreno, conhecido por Perito Moreno, uma mistura de Barão do Rio Branco com Marechal Rondon, já que além de ser um demarcador de terras, atuava também na área diplomática, conciliando interesses fronteiriços da Argentina e Chile na contestada região. Perito Moreno tem hoje seu nome perpetuado em diversos acidentes topográficos como glaciares, lagos, rios, ilhas etc por sua destacada atuação, em meados do século dezenove, na demarcação dos limites territoriais dos dois países, e na forte influência que exerceu para a criação do primeiro parque nacional da Argentina. Parece que ele era um apaixonado pela natureza, pois expressou a vontade de ser sepultado numa pequenina ilha do lago Nahuel Huapi, que hoje ostenta uma cruz branca bem visível para os barcos que passam, e onde todos apitam três vezes e fazem um minuto de silêncio ao passar. Sente-se uma coisa mística, como se a alma do herói estivesse pairando sobre tudo, e seus atentos e amorosos olhos a todos observassem. Causou-me uma impressão estranha e duradoura. Como estou numa fase, digamos, botânica, aproveitei para trazer algumas mudas e sementes de plantas nativas da região para ver se as reproduzo nas condições floriaonopolitanas e as transformo em bonsais. É uma experiência que me vejo compelido a fazer. Como passeios mais fúteis, mais turísticos e menos comprometidos culturalmente, fomos a uma fábrica de chocolates caseiros ao estilo suíço, um restaurante com cantor de tango e a um cassino, vejam só!. O retorno foi feito por via aérea por que a via terrestre é muito longa. JAIR, Floripa, 15/06/04.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

SURREALISMO JAPONÊS


Surrealismo, movimento iniciado em 1924 por André Brenton, escritor francês, nega o racionalismo das coisas de modo a desprezar construções lógicas, que sejam produto de um encadeamento cartesiano, por assim dizer. A coerência e o racional desprezados, constrói-se algo onírico que não obedece a regras conhecidas. Os artistas ligados ao surrealismo, além de rejeitarem os valores ditados pelo status quo, criam obras repletas de humor, sonhos, utopias, deformações e informações contrárias a lógica. Na pintura o movimento teve sua expressão máxima nas obras de Salvador Dali e Juan Miró. Do Japão não se conhece nada significativo dentro das artes cuja escola tenha sido o surrealismo, contudo, a conduta de alguns soldados japoneses após a guerra se enquadra perfeitamente em algo contrário a razão. O ótimo livro “Corações sujos”, do escritor e jornalista Fernando Morais, conta a história da Shindô Remei, organização japonesa no Brasil que não acreditava na derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial. Os princípios que a orientaram eram os mesmos dos soldados japoneses que continuaram resistindo após o final da guerra. O sargento japonês Shoichi Yokoi foi descoberto nas selvas da ilha de Guam, no Pacífico, em 1972, 27 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele tornou-se um herói nacional, por sua dramática história de sobrevivência e sua adesão incondicional ao código do exército imperial japonês de jamais render-se. Suas primeiras palavras ao chegar a Tóquio foram: “É com grande constrangimento que estou retornando”, frase que foi transmitida pela TV e tornou-se instantaneamente famosa. O soldado Yokoi foi alistado no Exército Imperial Japonês em 1941 e enviado pouco depois à Ilha de Guam, no Oceano Pacífico, então ocupada pelos japoneses após o ataque a Pearl Harbor, que deu inicio ao conflito naquela região. Quando os norte-americanos recuperaram a ilha em 1944, Yokoi embrenhou-se na selva para evitar a rendição às tropas inimigas. Nos primeiros tempos em que se conservou escondido, ele caçava à noite mantendo-se fora das vistas durante o dia e usava as plantas nativas da ilha para fazer roupas, forro para cama e estocagem de alimentos, que ele escondia no buraco que passou a habitar. Shoichi temia ser morto caso caísse nas mãos dos habitantes de Guam, devido ao tratamento dispensado à população civil da ilha pelos japoneses durante a guerra e por 27 anos escondeu-se numa gruta no terreno de uma parte desabitada da ilha evitando ser descoberto e recusando-se a se entregar mesmo após achar folhetos que anunciavam o fim da guerra. Na tarde de 24 de janeiro de 1972 Shoichi Yokoi foi descoberto nas matas de Talofofo por dois caçadores locais, Jesus Duenas e Manuel DeGracia, que verificavam suas armadilhas para camarões ao longo de um riacho da região. Seu aparecimento quase trinta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial transformou Shoichi numa celebridade e alvo de reportagens em toda a mídia mundial. Após uma turnê tempestuosa por todo seu país, quando despertou a atenção, simpatia e curiosidade de milhões de compatriotas, ele casou-se e estabeleceu-se na área rural de Aichi. Tendo vivido solitário numa caverna por 27 anos, ele se tornou uma figura popular na televisão japonesa e asiática e um adepto da vida austera. Yokoi morreu em 1997, aos 82 anos, de ataque cardíaco em Nagoia, sendo enterrado no cemitério da cidade, na mesma tumba destinada à sua mãe, ali enterrada em 1955, quando ele ainda era um solitário soldado escondido nas selvas de Guam. Na esteira do retorno do sargento Shoichi Yokoi em 1972 os japoneses saíram em busca de mais soldados “perdidos” da Segunda Guerra Mundial. Em 1974 o tenente Hiroo Onoda foi achado nas selvas das Filipinas, onde ficou escondido por 29 anos. Onoda havia sido enviado à ilha filipina de Lubang em 1944 para espiar as forças norte-americanas. Quando a guerra terminou, Onoda recusou-se a acreditar que o Japão tivesse se rendido e resolveu ficar na ilha. Onoda continuou sua campanha, vivendo inicialmente nas montanhas com três outros soldados. Um de seus camaradas rendeu-se às forças Filipinas, e os outros dois foram mortos em batalhas com as forças locais - em 1954 e em 1972 - deixando Onoda sozinho nas montanhas. Por quase três décadas recusou render-se, negando cada tentativa de convencê-lo de que a guerra tinha acabado com a rendição do Imperador. Em 1960, Onoda foi declarado legalmente morto no Japão. Encontrado por um estudante japonês, Norio Suzuki, Onoda recusou-se ainda a aceitar que a guerra tinha acabado a menos que recebesse ordens para baixar armas diretamente de seu oficial superior. Suzuki se prontificou a ajudar e retornou ao Japão com as fotografias de si mesmo e de Onoda como prova de seu encontro. Em 1974, o governo do japonês encontrou o oficial comandante de Onoda, Taniguchi, que havia se tornado um livreiro. Taniguchi foi para Lubang e informou a Onoda da derrota do Japão na guerra e ordenou-lhe a depor armas. Assim, o tenente Onoda emergiu da selva 29 anos após o fim da segunda guerra mundial, e aceitou a ordem do oficial comandante da rendição vestindo seu uniforme e espada, com seu rifle Arisaka ainda em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas granadas de mão. Era seu aniversário de 52 anos de idade. O Tenente Onoda foi recebido no Japão como herói. Foi condecorado com dezenas de medalhas e recebeu inúmeras homenagens. Mudou-se para o Brasil com sua mulher japonesa. Por 29 anos, recusando render-se ao inimigo, ele havia sobrevivido da comida que encontrava na selva ou do que roubava de fazendeiros, e mais, continuou combatento os "inimigos" do Império japonês, que a essa altura eram as forças armadas, a polícia e pessoas comuns filipinas. Praticou incêncios em propriedades rurais, sabotou pontes e instalações e matou trinta de seus perseguidores e, ao render-se, foi perdoado pelo presidente Ferdinando Marcos. Tudo foi registrado no livro de Onoda, "Trinta anos de minha guerra", lançado no Brasil no mesmo ano de 1974. Se há exemplos de surrealismo melhores e mais robustos que estes, sinceramente desconheço. JAIR, Floripa, 22/07/09.

VIVER FAZ MAL À SAÚDE


Vivemos a era dos paradoxos. Ao tempo que somos, simultaneamente, protagonistas, alvos, objetos, vítimas e agentes das mais extensas, intensas, constantes, abundantes, concentradas e regulares campanhas do “Seja saudável”, “Viva mais feliz”, “Libere suas energias” etc, estamos imersos no mais insalubre dos mundos. Todos, absolutamente todos os meios de comunicação, todos os dias, nos empurram olhos e ouvidos adentro mensagens subliminares, e a maioria nem isso, para que adotemos uma vida mais “natural” como meio de vivermos melhor e mais felizes. Será isso possível? Grande maioria dos ensinamentos de como viver melhor, parte do princípio que as doenças e os males de quaisquer espécies que nos acometem têm por causa o desequilíbrio energético a que estamos sujeitos por conta da maneira “errada” de como vivemos. E que, ao eliminarmos as causas desse desequilíbrio ingressamos, automaticamente, na era da saúde. Nada de errado com esse raciocínio, se não fosse um sofisma! (lembrando que sofisma é um raciocínio que parte de premissas verdadeiras e chega a conclusões inaplicáveis, porque falsas). Sim, porquanto os mesmos gurus que nos dão a receita do bem viver relacionam quais são os “agentes” causadores dos males que nos espreitam a cada esquina, e como a eles nos expomos. A relação dos agentes é por demais conhecida, mas não custa nada lembrá-la: O ar que respiramos está totalmente saturado de substâncias cancerígenas, causadoras de males respiratórios e chuva ácida que polui o solo e as plantas, além de corroer as edificações; A água que usamos para beber, lavar nossas vestes e objetos de uso pessoal, nos banhar e elaborar nossa comida contém cloro em excesso que afeta a defesa natural da pele contra agentes externos nos deixando expostos, como uma porta aberta, às mais variadas espécies de microorganismos causadores de doenças, além de, lentamente, intoxicar nosso organismo; A exposição demasiada ao sol causa câncer de pele; Protetores solares são altamente tóxicos; Sexo todo dia e/ou com parceiros(as) diferentes, além de levar ao declínio irreversível da libido, traz o risco de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS; Falta de exercícios e indolência, afetam diretamente nosso metabolismo e, indiretamente, levam a obesidade que, por si só já é uma doença, mas que conduz a males outros, especialmente do coração; Excesso de exercícios sobrecarrega o pobre músculo cardíaco levando-o ao colapso; Os vegetais de nossa dieta alimentar estão saturados de agrotóxicos altamente danosos à saúde; Alimentos industrializados contém corantes, estabilizantes, aromatizantes, solubilizantes e outros “antes” perniciosos; Carne vermelha é proibida por ser de natureza contrária ao que nosso aparelho digestivo está apto a assimilar; Quaisquer espécies de gordura entopem as artérias que irrigam órgãos importantes, levando à arteriosclerose, e causam hipertrigliceridemia também; Açúcares, sejam em forma de sobremesas, balas, bombons ou adoçando refrigerantes, e até em simples cafezinhos, aumentam o risco de diabetes, são um veneno para o corpo; Carnes brancas, sejam de peixe ou de galinha, também não são recomendáveis, reduzem a expectativa de vida, estão saturadas de toxinas oriundas de alimentação industrial maléfica; Trabalho em excesso produz estresse que diminui nossas chances de resistir a ataques nefastos de vírus e bactérias; Trabalhar sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito causa LER, Lesão por Esforço Repetitivo; Usar telefone celular expõe o usuário a ondas hertzianas malignas; Exposição aos raios catódicos da televisão ou do computador encerra enorme risco de produzir câncer; Comer muito faz mal, desnecessário dizer que não comer também; Alimentos fritos, cozidos ou defumados são peçonhentos para o sangue; Lembre-se que tanto lipídios, quanto glicídios e protídeos em exagero, matam; Vitaminas, sais minerais e água, consumir com moderação, sob o risco de intoxicar-se; Café e ovo, proibidíssimos; A preocupação com o futuro e o presente, a ansiedade diante das incertezas materiais e imediatas, a angústia frente às grandes questões filosóficas de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, desgastam a psique; Além disso tudo, o consumo de drogas, proibidas ou não, destroem o homem tanto física e emocional como moral e psiquicamente. Consumir anfetaminas, barbitúricos, estupefacientes, narcóticos, álcool, remédios e medicamentos, complementos alimentares e similares tudo é péssimo para o equilíbrio dos humores corporais. Fumar, mesmo passivamente, causa câncer de cólon, pulmão e bexiga; Daí os gurus concluem que, se extinguirmos todos os elementos, alimentos, posturas, atitudes, bebidas, "modus operandi", áreas de atrito, pressões externas e internas, “venenos”, pressas, obsessões e maus pensamentos que causam estragos em nossas vidas estaremos “de bem com o mundo”, viveremos melhor e com saúde. Basta optarmos por uma vida mais simples, mais "light", algo assim como a de um desiludido aborígine australiano que já estivesse completamente só no "out back" daquele país, e que resolvesse, por razões lá dele, tornar-se vegetariano radical e isolar-se numa caverna, protegido da luz solar para sempre. Basta vivermos sem alimentos industriais, sem água clorada, sem carne de espécie alguma, sem fogo, sem remédios, sem exposição ao sol, sem roupas, sem outro objetivo de vida que não o de apenas sobreviver a cada dia, sem competição e sem sexo, que estaremos salvos! Basta apenas isso, cara pálida! O quê você está esperando? Elimine para sempre “apenas” estes pequenos detalhes, e você estará melhorando em cem por cento sua qualidade de vida! Pois é, se justamente o conjunto de coisas que compõe a vida moderna a está destruindo, conclui-se que esse conjunto de coisas faz mal à saúde, VIVER FAZ MAL À SAÚDE! JAIR, Floripa, 15/07/09.

terça-feira, 21 de julho de 2009

AINDA A ESTULTICE LUNAR


Continuando o combate ao festival de estupidez que circula no saite “A farsa do século” elaborei mais alguns argumentos baseados em afirmações infantis encontrados naquele espaço. Chamou-me a atenção referência de gosto duvidoso, “os três patetas” aos três astronautas da Apollo 11 e, mais adiante, a leviana afirmação, “fizeram uma lavagem cerebral neles, antes e depois da viagem”. Primeiro, quem “fizeram”? Ora, como o autor da afirmação em momento algum definiu o universo dos que conheciam, e guardavam para si esse conhecimento sobre a “farsa”, devemos supor que a lavagem cerebral foi praticada em tantos quantos tiveram acesso a esse “segredo”, não é mesmo? Ainda que que essa discutível expressão “lavagem cerebral” seja usada para nomear métodos de convencimento não científicos aplicado às pessoas que se quer doutrinar num certo sentido, fica claro que nas tantas vezes nas quais foram tentados, como; na China de Mao em adversários políticos durante a chamada revolução cultural; em prisioneiros de guerra do Vietnan na década de setenta; e na Alemanha de Hitler, nunca funcionaram. Ainda que acreditemos que nos EUA, nação apesar de tudo democrática, e onde se respeita as idéias e orientação ideológica de cada cidadão, teria sido possível “lavar” o cérebro de pessoas criadas livres, consideremos quantas seriam essas pessoas e que tempo demandaria essa “doutrinação”. Não bastaria doutrinar apenas os “três patetas”, o programa espacial envolvia um centro de treinamento onde mais de uma centena de astronautas recebia exatamente o mesmo adestramento. A escalação para as missões só era feita quando todos os potenciais tripulantes fossem considerados aptos, e a tripulação composta de três efetivos e dois reservas só era escolhida dias antes da decolagem, sendo assim, virtualmente, TODOS os astronautas teriam que sofrer a tal lavagem, e não só os três patetas como o autor do saite insinua. É de supor que “lavados cerebralmente” não poderiam ter uma convivência pacífica e normal com pessoas que não sofreram o mesmo tratamento, assim, o universo dos lavados teria que ser geometricamente ampliado. Considerando os vários lançamentos, inclusive o da malfadada Apollo 13, perto de vinte astronautas estiveram diretamente envolvidos nas viagens à Lua, e não só os “três patetas”. Temos que lembrar, também, que muitos técnicos, cientistas e auxiliares estavam diretamente ligados aos lançamentos e, naturalmente, estes teriam que receber o tratamento senão tudo iria por água abaixo, não é mesmo? Levando-se em conta que a tal lavagem cerebral quando foi tentada por déspotas e insanos políticos, demandou tempo considerável, às vezes anos, envolveu doutrinadores ou educadores, como se dizia na China, nas áreas psicológicas, comportamentais, políticas e sociais, teríamos dezenas, talvez centenas de psicólogos e cientistas políticos e sociais envolvidos durante meses ou anos para doutrinal homens livres, cultos e adultos para que todos se envolvessem numa trapaça em escala planetal de duração vitalícia. É possível explicar isso? E os próprios doutrinadores viveriam para sempre com suas consciências sabendo que cometeram esse crime? Será que não necessitariam eles, os doutrinadores, de outros educadores que lavassem seus cérebros? Esses outros educadores não estariam também sujeitos a crises de consciências, necessitando, por sua vez, de outros doutrinadores, assim ad eternum? Ora, sejamos sensatos, o autor do saite criou um moto perpetuum kafkiano! Além dessas questões, existe a que diz respeito ao material geológico trazido da Lua pelo programa Apollo. Foi algo em torno de sessenta quilos de pedras, seixos e alguma coisa parecida com terra e areia muito fina que, na sua maior parte, foram divididos e distribuídos a laboratórios e universidades dos EUA e de várias partes do mundo. Não é de estranhar que físicos, químicos, geólogos e outros estudiosos, que até hoje ainda estudam esse material, não percebessem que se trata de material oriundo da própria Terra? Será que esses cientistas que têm as amostras sob seus microscópios não percebem a fraude? Serão eles néscios? Ou eles estão mancomunados com a NASA e fingem que não sabem que o material é falso? Até cientistas da antiga União Soviética aprovam tal atitude, já que também receberam as pedras? Por essas e outra tantas questões que me ocorrem – diga-se, nenhuma respondida pelo autor do saite – é que afirmo: A Lua, além de inspirar os poetas e amantes proporcionando-lhes perturbações oníricas que enriquecem a literatura, atua nos neurônios de certos internautas bloqueando quaisquer resquícios de inteligência que poderiam ter, tornando-os parvos, furtando-lhes a denominação de homo sapiens tornando-os verdadeiros homo stultus, que se acham mais espertos que o resto da humanidade. Haja paciência! JAIR, Floripa, 21/07/09.