quarta-feira, 22 de julho de 2009

VIVER FAZ MAL À SAÚDE


Vivemos a era dos paradoxos. Ao tempo que somos, simultaneamente, protagonistas, alvos, objetos, vítimas e agentes das mais extensas, intensas, constantes, abundantes, concentradas e regulares campanhas do “Seja saudável”, “Viva mais feliz”, “Libere suas energias” etc, estamos imersos no mais insalubre dos mundos. Todos, absolutamente todos os meios de comunicação, todos os dias, nos empurram olhos e ouvidos adentro mensagens subliminares, e a maioria nem isso, para que adotemos uma vida mais “natural” como meio de vivermos melhor e mais felizes. Será isso possível? Grande maioria dos ensinamentos de como viver melhor, parte do princípio que as doenças e os males de quaisquer espécies que nos acometem têm por causa o desequilíbrio energético a que estamos sujeitos por conta da maneira “errada” de como vivemos. E que, ao eliminarmos as causas desse desequilíbrio ingressamos, automaticamente, na era da saúde. Nada de errado com esse raciocínio, se não fosse um sofisma! (lembrando que sofisma é um raciocínio que parte de premissas verdadeiras e chega a conclusões inaplicáveis, porque falsas). Sim, porquanto os mesmos gurus que nos dão a receita do bem viver relacionam quais são os “agentes” causadores dos males que nos espreitam a cada esquina, e como a eles nos expomos. A relação dos agentes é por demais conhecida, mas não custa nada lembrá-la: O ar que respiramos está totalmente saturado de substâncias cancerígenas, causadoras de males respiratórios e chuva ácida que polui o solo e as plantas, além de corroer as edificações; A água que usamos para beber, lavar nossas vestes e objetos de uso pessoal, nos banhar e elaborar nossa comida contém cloro em excesso que afeta a defesa natural da pele contra agentes externos nos deixando expostos, como uma porta aberta, às mais variadas espécies de microorganismos causadores de doenças, além de, lentamente, intoxicar nosso organismo; A exposição demasiada ao sol causa câncer de pele; Protetores solares são altamente tóxicos; Sexo todo dia e/ou com parceiros(as) diferentes, além de levar ao declínio irreversível da libido, traz o risco de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS; Falta de exercícios e indolência, afetam diretamente nosso metabolismo e, indiretamente, levam a obesidade que, por si só já é uma doença, mas que conduz a males outros, especialmente do coração; Excesso de exercícios sobrecarrega o pobre músculo cardíaco levando-o ao colapso; Os vegetais de nossa dieta alimentar estão saturados de agrotóxicos altamente danosos à saúde; Alimentos industrializados contém corantes, estabilizantes, aromatizantes, solubilizantes e outros “antes” perniciosos; Carne vermelha é proibida por ser de natureza contrária ao que nosso aparelho digestivo está apto a assimilar; Quaisquer espécies de gordura entopem as artérias que irrigam órgãos importantes, levando à arteriosclerose, e causam hipertrigliceridemia também; Açúcares, sejam em forma de sobremesas, balas, bombons ou adoçando refrigerantes, e até em simples cafezinhos, aumentam o risco de diabetes, são um veneno para o corpo; Carnes brancas, sejam de peixe ou de galinha, também não são recomendáveis, reduzem a expectativa de vida, estão saturadas de toxinas oriundas de alimentação industrial maléfica; Trabalho em excesso produz estresse que diminui nossas chances de resistir a ataques nefastos de vírus e bactérias; Trabalhar sempre no mesmo lugar e do mesmo jeito causa LER, Lesão por Esforço Repetitivo; Usar telefone celular expõe o usuário a ondas hertzianas malignas; Exposição aos raios catódicos da televisão ou do computador encerra enorme risco de produzir câncer; Comer muito faz mal, desnecessário dizer que não comer também; Alimentos fritos, cozidos ou defumados são peçonhentos para o sangue; Lembre-se que tanto lipídios, quanto glicídios e protídeos em exagero, matam; Vitaminas, sais minerais e água, consumir com moderação, sob o risco de intoxicar-se; Café e ovo, proibidíssimos; A preocupação com o futuro e o presente, a ansiedade diante das incertezas materiais e imediatas, a angústia frente às grandes questões filosóficas de quem somos, de onde viemos e para onde vamos, desgastam a psique; Além disso tudo, o consumo de drogas, proibidas ou não, destroem o homem tanto física e emocional como moral e psiquicamente. Consumir anfetaminas, barbitúricos, estupefacientes, narcóticos, álcool, remédios e medicamentos, complementos alimentares e similares tudo é péssimo para o equilíbrio dos humores corporais. Fumar, mesmo passivamente, causa câncer de cólon, pulmão e bexiga; Daí os gurus concluem que, se extinguirmos todos os elementos, alimentos, posturas, atitudes, bebidas, "modus operandi", áreas de atrito, pressões externas e internas, “venenos”, pressas, obsessões e maus pensamentos que causam estragos em nossas vidas estaremos “de bem com o mundo”, viveremos melhor e com saúde. Basta optarmos por uma vida mais simples, mais "light", algo assim como a de um desiludido aborígine australiano que já estivesse completamente só no "out back" daquele país, e que resolvesse, por razões lá dele, tornar-se vegetariano radical e isolar-se numa caverna, protegido da luz solar para sempre. Basta vivermos sem alimentos industriais, sem água clorada, sem carne de espécie alguma, sem fogo, sem remédios, sem exposição ao sol, sem roupas, sem outro objetivo de vida que não o de apenas sobreviver a cada dia, sem competição e sem sexo, que estaremos salvos! Basta apenas isso, cara pálida! O quê você está esperando? Elimine para sempre “apenas” estes pequenos detalhes, e você estará melhorando em cem por cento sua qualidade de vida! Pois é, se justamente o conjunto de coisas que compõe a vida moderna a está destruindo, conclui-se que esse conjunto de coisas faz mal à saúde, VIVER FAZ MAL À SAÚDE! JAIR, Floripa, 15/07/09.

terça-feira, 21 de julho de 2009

AINDA A ESTULTICE LUNAR


Continuando o combate ao festival de estupidez que circula no saite “A farsa do século” elaborei mais alguns argumentos baseados em afirmações infantis encontrados naquele espaço. Chamou-me a atenção referência de gosto duvidoso, “os três patetas” aos três astronautas da Apollo 11 e, mais adiante, a leviana afirmação, “fizeram uma lavagem cerebral neles, antes e depois da viagem”. Primeiro, quem “fizeram”? Ora, como o autor da afirmação em momento algum definiu o universo dos que conheciam, e guardavam para si esse conhecimento sobre a “farsa”, devemos supor que a lavagem cerebral foi praticada em tantos quantos tiveram acesso a esse “segredo”, não é mesmo? Ainda que que essa discutível expressão “lavagem cerebral” seja usada para nomear métodos de convencimento não científicos aplicado às pessoas que se quer doutrinar num certo sentido, fica claro que nas tantas vezes nas quais foram tentados, como; na China de Mao em adversários políticos durante a chamada revolução cultural; em prisioneiros de guerra do Vietnan na década de setenta; e na Alemanha de Hitler, nunca funcionaram. Ainda que acreditemos que nos EUA, nação apesar de tudo democrática, e onde se respeita as idéias e orientação ideológica de cada cidadão, teria sido possível “lavar” o cérebro de pessoas criadas livres, consideremos quantas seriam essas pessoas e que tempo demandaria essa “doutrinação”. Não bastaria doutrinar apenas os “três patetas”, o programa espacial envolvia um centro de treinamento onde mais de uma centena de astronautas recebia exatamente o mesmo adestramento. A escalação para as missões só era feita quando todos os potenciais tripulantes fossem considerados aptos, e a tripulação composta de três efetivos e dois reservas só era escolhida dias antes da decolagem, sendo assim, virtualmente, TODOS os astronautas teriam que sofrer a tal lavagem, e não só os três patetas como o autor do saite insinua. É de supor que “lavados cerebralmente” não poderiam ter uma convivência pacífica e normal com pessoas que não sofreram o mesmo tratamento, assim, o universo dos lavados teria que ser geometricamente ampliado. Considerando os vários lançamentos, inclusive o da malfadada Apollo 13, perto de vinte astronautas estiveram diretamente envolvidos nas viagens à Lua, e não só os “três patetas”. Temos que lembrar, também, que muitos técnicos, cientistas e auxiliares estavam diretamente ligados aos lançamentos e, naturalmente, estes teriam que receber o tratamento senão tudo iria por água abaixo, não é mesmo? Levando-se em conta que a tal lavagem cerebral quando foi tentada por déspotas e insanos políticos, demandou tempo considerável, às vezes anos, envolveu doutrinadores ou educadores, como se dizia na China, nas áreas psicológicas, comportamentais, políticas e sociais, teríamos dezenas, talvez centenas de psicólogos e cientistas políticos e sociais envolvidos durante meses ou anos para doutrinal homens livres, cultos e adultos para que todos se envolvessem numa trapaça em escala planetal de duração vitalícia. É possível explicar isso? E os próprios doutrinadores viveriam para sempre com suas consciências sabendo que cometeram esse crime? Será que não necessitariam eles, os doutrinadores, de outros educadores que lavassem seus cérebros? Esses outros educadores não estariam também sujeitos a crises de consciências, necessitando, por sua vez, de outros doutrinadores, assim ad eternum? Ora, sejamos sensatos, o autor do saite criou um moto perpetuum kafkiano! Além dessas questões, existe a que diz respeito ao material geológico trazido da Lua pelo programa Apollo. Foi algo em torno de sessenta quilos de pedras, seixos e alguma coisa parecida com terra e areia muito fina que, na sua maior parte, foram divididos e distribuídos a laboratórios e universidades dos EUA e de várias partes do mundo. Não é de estranhar que físicos, químicos, geólogos e outros estudiosos, que até hoje ainda estudam esse material, não percebessem que se trata de material oriundo da própria Terra? Será que esses cientistas que têm as amostras sob seus microscópios não percebem a fraude? Serão eles néscios? Ou eles estão mancomunados com a NASA e fingem que não sabem que o material é falso? Até cientistas da antiga União Soviética aprovam tal atitude, já que também receberam as pedras? Por essas e outra tantas questões que me ocorrem – diga-se, nenhuma respondida pelo autor do saite – é que afirmo: A Lua, além de inspirar os poetas e amantes proporcionando-lhes perturbações oníricas que enriquecem a literatura, atua nos neurônios de certos internautas bloqueando quaisquer resquícios de inteligência que poderiam ter, tornando-os parvos, furtando-lhes a denominação de homo sapiens tornando-os verdadeiros homo stultus, que se acham mais espertos que o resto da humanidade. Haja paciência! JAIR, Floripa, 21/07/09.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A LUA E A BURRICE


Quando se comemora quarenta anos da chegada do homem à Lua, ainda existe muita estultice circulando pela internet onde até se propaga que a viagem ao nosso satélite nunca existiu, e que os americanos movidos pela vontade vencer os russos na corrida espacial, teriam simulado tudo e construído em estúdios cinematográficos as imagens que vimos na ocasião. Sinceramente, para quem viveu naqueles dias, naquelas décadas de sessenta e setenta, não pode haver maior idiotice que essa de duvidar de uma coisa que acompanhamos passo a passo desde as primeiras experiências com foguetes baseadas na tecnologia desenvolvida por Von Braun, até quando o poderoso Saturno V elevou ao espaço a tripulação de três astronautas que lograram alcançar a Lua onde dois deles desembarcaram. Sobre um saite chamado “A farsa do século”, escrevi o seguinte: Churchill, com muita propriedade, dizia: “É possível enganar muitos durante algum tempo, enganar poucos durante muito tempo, mas é impossível enganar muitos durante muito tempo”. Será possível que a NASA, por mais de cinqüenta anos, tenha conseguido enganar bilhões de pessoas em todo o mundo? Os russos que eram adversários dos americanos na corrida espacial; a imprensa mundial que sempre cobre com competência tudo que acontece; os cientistas de todos os países contrários e até os favoráveis a exploração do espaço, que acompanhavam o desenvolvimento das novas tecnologias alcançadas graças à corrida espacial; nós, pessoas comuns, que usufruíamos materiais e produtos surgidos a partir das pesquisas voltadas para o projeto da NASA; os próprios congressistas adversários do presidente que solicitava verbas para a corrida; os técnicos, engenheiros, físicos, químicos, militares, prestadores de serviços, industriais, empresários e outros tantos que, de diversas partes do mundo colaboravam para o projeto? Por que será que das mais de quarenta mil pessoas que trabalhavam na base de lançamento no cabo Canaveral (depois cabo Kennedy) e no centro de controle de Houston, ninguém que tenha sido demitido fez qualquer denúncia sobre essa farsa? Por que será que os astronautas, pessoas normais, sérias, se deram ao trabalho de passar anos em centros de treinamento para depois fingir que foram a um lugar que nunca foram realmente? A quem serviria esse engodo? Por que gastou-se tanto dinheiro fingindo fazer uma viagem, quando FAZER essa viagem custaria a mesma coisa? Os russos são tão tapados que estavam disputando de verdade com um competidor de mentirinha? Quando do lançamento do Saturno V fotógrafos, cinegrafistas, outros jornalistas, e gente comum de todo o mundo se amontoavam para ver e registrar a entrada dos astronautas na cápsula, a contagem regressiva e a decolagem. É de se perguntar, era tudo uma encenação e, antes do lançamento, os astronautas saíam de fininho por uma porta dos fundos sem que ninguém notasse? Ou o lançamento era real e os astronautas ficavam orbitando numa região “secreta” do espaço enquanto multidões acompanhavam pela TV uma gravação prévia mostrando cenas cinematográficas deles na Lua? Se era tudo mentira, qual era o nível da farsa? Só presidente e alguns membros da alta cúpula política sabiam de tudo? Como ficavam os operadores de radares e outros equipamentos destinados a monitorar os artefatos espaciais? Eles sabiam também? Ou eram enganados por artifício fantástico destinado a simular ecos nos radares? Sofreram lavagem cerebral como os astronautas? Os que sofreram lavagem cerebral podem permanecer cinqüenta anos sustentando essa colossal mentira? As famílias dos “lavados” nunca perceberam nada? E os operadores de radares da Rússia também eram um bando de imbecis que nunca notou nada de anormal? Existiam milhares de operadores, técnicos, engenheiros, cientistas, faxineiros e auxiliares nas dependências da NASA e do centro de controle em Houston, todos eram coniventes ou eram inocentes úteis? Se eram cúmplices, como se pode manter o segredo por tanto tempo? Se eram inocentes, como se poderia aliená-los da simulação? Paralelamente as viagens à Lua existia um programa espacial de lançamento de satélites, vôos suborbitais e orbitais, era tudo mentira também? Se era tudo um conluio, como se explica os avanços nessas áreas? Se não era, como se separava, para os que trabalhavam nos projetas, o joio do trigo? Nas especificações dos equipamentos, peças, roupas espaciais e artefatos que eram encomendados às indústrias levava-se em conta que não necessitavam ser, realmente, apropriados para o fim que se destinavam, já que era tudo de mentirinha mesmo, e podiam-se ser feitos de “qualquer jeito”, ou eram perfeitos e gastava-se um dinheiro que poderia ser empregado em outras áreas, como por exemplo, cenas de ficção científica onde se simulava, como num filme, desembarques na Lua? Se eram adequados, por que não empregrá-los indo à Lua mesmo? Se não eram, como se obtinha a conivência da indústria? Dos cientistas convocados para fazer os complexos cálculos de órbitas, distâncias, tempos e rotas todos eram mancomunados ou nada sabiam do embuste? Se eram coniventes, como vivem eles hoje com suas consciências? Se eram inocentes úteis, como estão agora que “sabem” que tudo era uma farsa? Pois é, já definiram a internet como o espaço mais democrático que existe, não duvido, mas concluo que é onde as maiores idiotices e bobagens se propagam como fogo em mato seco; é onde os apedeutas se sentem a vontade para fluir suas burrices que em outro lugar não teriam vez. JAIR, Floripa, 20/07/09.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O CAFÉ


Desde que a sociedade moderna, tomada por preocupações quase insanas com a saúde, tornou-se ferrenha patrulheira alimentar ditando o que pode e o que não pode ser consumido, o café tem alternado status de mocinho e bandido quase toda semana, isto é, ora podemos e devemos tomar nosso cafezinho sem dor na consciência, ora corremos sérios riscos se o fizermos. A última notícia é que se pode tomar até seis cafezinhos por dia sem quaisquer problemas, aliás, é até recomendável que se faça. Antes que essa gangorra cafeinística incline-se para o outro lado nos proibindo de degustar a infusão dessa fascinante rubiácea, vamos conhecê-la um pouco. A lenda sobre as origens do café diz que, numa região montanhosa de onde hoje é a Etiópia, no século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite preocupou-se quando algumas de suas cabras não retornaram ao rebanho. Saiu para procurá-las e encontrou-as saltitando próximo a um arbusto cujos frutos estavam mastigando e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia a qual ele nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos vermelhos meio adocicados e descobriu que eles o enchiam de energia, como aconteceu com as cabras. Entusiasmado, o pastor levou essa maravilha ao mosteiro local, mas as reações dos religiosos não foram favoráveis e ele ateou fogo nos frutos, dizendo serem "obra do demônio". O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu os monges curiosos para descobrir de onde vinha aquele maravilhoso perfume e os grãos de café foram rastelados das cinzas e recolhidos. O abade mudou de idéia, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão eles davam, e os religiosos logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação noturnos. Notícias dos poderes da bebida espalharam-se de um monastério a outro e, assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo, aliás, por toda a região leste africana. As evidências históricas botânicas sugerem que a planta do café originou-e, realmente, na Etiópia Central, onde ainda hoje é possível encontrar plantas selvagens que crescem nas terras altas do país. Ninguém parece saber exatamente quando e onde o primeiro café foi tomado, mas os registros dizem que isso ocorreu em sua terra nativa em meados do século XV. Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia, daí o nome da variedade arabica), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas levaram-no para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região. À medida que o café tornou-se cada vez mais popular, salas especiais nas casas dos mais abastados foram reservadas para se tomar a infusão, e estabelecimentos para degustação desta saborosa bebida começaram a aparecer nas cidades. A primeira abriu em Meca, no final do século XV e início do XVI e, embora originalmente fossem lugares de reuniões religiosas, esses amplos saguões onde os clientes se sentavam em esteiras de palha ou colchões sobre o chão, rapidamente tornaram-se centros de música, dança, jogos de xadrez, gamão etc. Às vezes, esses centros populares de diversão eram atacados e destruídos por fanáticos religiosos, e alguns governantes apoiavam a proibição do café e impunham punições aterrorizadoras: aqueles que desobedecessem poderiam ser açoitados, presos dentro de um saco de couro e atirados no Bósforo. Por aí se vê que, além de restrições baseadas em suas supostas propriedades estimulantes, o café também sofria proibições de caráter religioso. No início do século dezoito os portugueses compreenderam que as terras brasileiras tinham todas as condições que convinham a plantação de café. Mas, infelizmente, eles não possuíam nem plantas nem sementes. O oficial luso-brasileiro Francisco de Mello Palheta, em 1727 recebeu a incumbência de ir à Guiana Francesa para tratar de questões fronteiriças como pretexto para trazer sementes de café. Naquela época, assim como sucedeu com os árabes, a produção cafeeira só era permitida em colônias européias, com um alto faturamento comercial, por isso Portugal armou seu plano. Consta que Palheta teve um affair amoroso com a esposa do governador de Caiena e voltou ao Brasil com sementes de café arábica clandestinamente escondidas num vaso de planta presenteado por Madame D’Orvilliers. Hoje o Brasil é um dos maiores produtores do planeta e, por feliz acaso, essa planta que dá uma bebida considerada sensual e estimulante entrou no país graças a uma história galante. Existem dois tipos de café comercialmente importantes: o café arábica e o canephora (robusta). O arábica cresce normalmente em altitudes acima de mil pés, tem um sabor mais refinado e possui cerca de um por cento de cafeína em sua composição. Já a variedade robusta, como o nome indica, é uma espécie mais resistente e floresce em menores altitudes, produzindo cafés com um sabor mais rústico. O país que mais consome café é os Estados Unidos e onde o café encontrou a maior variedade de sabores e expressões foi na Itália. Existem várias técnicas de preparo do pó para se obter um bom cafezinho: filtragem, percolação, prensagem e pressão, mas tudo é passar água quente pelo pó de modo a lhe extrair o sabor. Pelo pó de café deve passar somente água quente, jamais a bebida. A recirculação torna a bebida muito amarga, áspera e desagradável. O café usado (café esgotado, borra) é o pior inimigo do sabor, aroma, da cafeteira e da sua saúde. Jogue-o fora. Nunca o reutilize, sequer misturando-o ao café fresco, isso é um verdadeiro assassinato do sabor. Para garantir a qualidade ideal, o café já usado e a bebida preparada devem ficar sempre separados. Deguste com prazer uma bebida fresca, um café preparado na hora, ou o mais recente possível. A característica da bebida café é a de ir deteriorando-se lentamente – o oxigênio a tudo ataca e deteriora - e, por isso, um café preparado há mais tempo não tem o mesmo sabor agradável de um café fresco. Para os paladares mais variados existe ainda os tipos, solúvel, aromatizado, orgânico, gourmet e descafeinado. Seja você um mero tomador de café como alimento no seu desjejum, ou aficionado que passa boa parte do dia com a xícara na mão, desfrute sem culpa dessa bebida que é única, universal e extraordinária. Bon apetit! JAIR, Floripa, 13/07/09.

URUBUS


O Aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado no bairro de Cumbica daquele município, tem um departamento de zoologia que cuida do controle de animais que podem causar acidentes nas pistas. Esse departamento, a cargo de uma zoóloga, trata de retirar do local os animais potencialmente perigosos para as atividades de pouso e decolagem. Como se faz isso? Primeiro, conhecendo os hábitos dos ditos e usando esse conhecimento, não para eliminar ou prejudicar os bichos e, sim, para deslocá-los para local seguro. Assim, cobras, capivaras, quero-queros, cães, gatos e urubus são apanhados em armadilhas e mudados de endereço, com a intenção que não mais voltem. Quase todos os animais apanhados são soltos em locais ideais e não retornam para a área do aeroporto. Mas, e os urubus? Aí está um trabalho muito mais difícil de fazer, já que os bichos são territoriais e relutam em adotar outro bioma que não seja aquele a que estão acostumados, e retornam de distâncias de até sessenta quilômetros para o local onde foram apanhados. Para começar, é necessário se conhecer o que é e como vive esse interessante animal. Os urubus, aves da família Cathartidae, primos pobres dos condores, são animais de extrema importância na natureza por serem necrófagos, ou seja, são aves que se alimentam de restos de animais já mortos. Apesar de feioso e com má fama, o urubu tem papel essencial na natureza. Como é um animal necrófago, que se alimenta de carne em putrefação, faz uma espécie de “faxina” nos locais onde vive, pois elimina do meio ambiente a matéria orgânica em decomposição. Contudo, ainda que se alimentem quase exclusivamente de carne em decomposição, não rejeitam carne fresta, o que faz supor que não “preferem” carniça, apenas tem mais facilidade de encontrá-la por motivos óbvios, é claro. Eles são responsáveis pela eliminação de quase a totalidade de carcaças dispostas em um ecossistema, sendo a maioria delas de mamíferos. No Brasil são conhecidas cinco espécies de urubus: O imponente urubu-rei (Sarcoramphus papa) e o urubu-da-mata (Cathartes melambrotos), que muito raramente são encontrados próximos das áreas urbanizadas, e o urubu-preto (Coragyps atratus), este nosso conhecido nos lixões das cidades; o urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), e o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus). Apesar de sua importância e abundância, poucas pessoas conhecem seus hábitos, como o comportamento alimentar e a hierarquia social respeitada por essas aves. Os urubus de-cabeça-vermelha e de-cabeça-amarela, normalmente, localizam primeiro a carcaça por possuírem um sentido de olfato mais apurado, sendo então seguidos pelas outras espécies. Para que possam ter uma boa visão de para onde os urubus-de-cabeça-vermelha e de-cabeça-amarela estão voando, as outras espécies procuram atingir grandes altitudes usando com maestria as correntes térmicas para planar, e muitas vezes somem de nossas vistas tornando-se um ponto minúsculo no céu. As correntes térmicas se formam quando o ar frio da atmosfera se aquece em contacto com a superfície terrestre exposta ao sol, tornando-se mais leve e subindo. Este modo de deslocamento permite às aves percorrerem grandes distâncias e permanecerem muito tempo flutuando com um dispêndio mínimo de energia. Essas mesmas correntes são aproveitadas, ainda que de maneira canhestra, pelos pilotos de planadores, os quais se valem de sua força ascensional para ficarem mais tempo no ar. Diferente das demais aves, os urubus não possuem penas em sua cabeça, isso pode ser explicado devido ao fato de se alimentarem de carniça, e essas penas poderiam ser um ponto de contaminação ao entrarem em contato com a carcaça, repleta de microorganismos prejudiciais a sua saúde. Há cientistas dedicados ao estudo do sistema imunológico destes animais para descobrir o segredo da resistência a infecções que parecem possuir. Outro fato pouco conhecido sobre essas aves, é que existe uma clara organização na hora da alimentação. Esta “hierarquia” pode ser vista na maneira como as outras espécies de urubus se afastam da carcaça com a chegada do urubu-rei, e quando encontram uma pele muito resistente, somente ele é capaz de rasgar esta pele graças a seu bico mais forte que o das demais espécies. Dependendo do tamanho da carcaça, esta poderá alimentar muitos urubus, podendo algumas vezes acontecer uma competição entre eles. Com exceção do urubu-rei, que é afetado com ações do homem, tanto pela destruição de seu habitat como pela captura para tráfico por ser muito vistoso, as demais espécies não possuem predadores naturais e também não são “bonitas” a ponto de serem capturadas, de modo que aumentam sua população de acordo com o crescimento de lixo produzido pela sociedade humana. Os cientistas ainda não desvendaram totalmente esse mistério, mas acreditam que os urubus degustam comida estragada sem passar mal graças ao seu sistema imunológico e ao potente suco gástrico secretado por seu estômago. Para encontrar a refeição, eles contam com olfato e visão apurados. São capazes de ver um bicho pequeno a três mil metros de altura! Mas os urubus não cantam de galo: eles não têm siringe, o órgão vocal das aves, e só fazem uns barulhos esquisitos chamados de crocitar, na verdade uma espécie de gorgolejo rouquenho. A reprodução dos urubus acontece no início da primavera. Diferentemente da maioria das aves, eles não constroem ninhos em galhos de árvores ou de arbustos. As fêmeas fazem a postura entre rochas escondidas, paredões rochosos e troncos ocos. Normalmente, colocam dois ou três ovos, sendo que o período de incubação varia de 49 a 56 dias conforme a espécie. Os filhotes, ao contrário dos pais, nascem pelados e se tornam totalmente brancos, só passando a ser negros na adolescência. Os pais revezam-se no ninho, ministrando a seus pequenos comida liquefeita regurgitada de seus estômagos; alimentam os filhotes durante meses. Assim, conhecendo-se o modus vivendi desse útil, meio esquisitão e ecologicamente correto animal, é possível não só afastá-lo dos terminais aéreos, como preservá-lo para continuar fazendo o “trabalho sujo” que a ninguém apraz e que é tão necessário. No Aeroporto de Guarulhos foram capturados 287 animais, que depois de anilhados, foram soltos na serra do mar a oitenta quilômetros de lá. Desses, apenas dois voltaram ao ponto onde foram apanhados, o que prova que é possível livrar-se de seu perigo potencial para a aviação sem lhes causar mal. Homens e urubus podem viver perfeitamente bem, desde que os primeiros entendam e respeitem os segundos. JAIR, Floripa, 13/07/09.

sábado, 11 de julho de 2009

A CRIAÇÃO DA VIDA


A ciência conhece, ou acha que conhece, o processo de criação da vida. Para ela, (a ciência) a vida surgiu a partir de um grau de organização da matéria primordial que existia. Não se sabe que matérias estavam presentes nesse início dos tempos mas, as mais praticáveis seriam a água, o dióxido de carbono, o metano e a amônia; todos compostos simples que sabemos estarem presentes nos planetas do nosso sistema solar e nos demais planetas recentemente descobertos em outros sistemas de nossa galáxia. Alguns cientistas reproduziram em laboratório as condições que, supostamente, imperavam no planeta terra quando jovem. Colocaram essas substâncias simples em frascos e as submeteram a radiações de fontes ultra-violeta e ação de correntes elétricas – uma simulação de relâmpagos a que estiveram expostas há bilhões de anos. Após algumas semanas desse “tratamento”, surge algo interessante no interior dos frascos: um caldo acastanhado contendo grande quantidade de substâncias muito mais complexas que as originalmente lá colocadas. Normalmente são encontrados aminoácidos – os blocos de construção das proteínas, classe de moléculas biológicas. Mais recentemente, as simulações laboratoriais das condições químicas da terra antes do aparecimento de vida, já produziram substâncias orgânicas chamadas “purinas” e “pirimidinas” – blocos de construção da molécula de DNA. Conjetura-se que processos análogos a estes devem ter criado uma espécie de “sopa primeva” que os cientistas crêem ter constituído os oceanos cerca de 3,7 bilhões de anos atrás. As substâncias orgânicas concentravam-se localmente, talvez em gotículas em suspensão, ou espuma que secava nas margens dos mares. Sob a influência da energia dos raios ultravioleta do sol, combinavam-se em moléculas maiores e mais complexas. Pode-se perguntar por que isso não ocorre hoje. Moléculas assim seriam rapidamente absorvidas, degradadas ou devoradas por bactérias e outros seres vivos. Entes que apareceram tardiamente no planeta, como queremos demonstrar. Naqueles tempos as grandes moléculas orgânicas podiam boiar livremente no caldo cada vez mais denso sem serem molestadas. Num dado momento formou-se por acidente, uma molécula notável, uma molécula que podia replicar-se. Na verdade, uma molécula que possa fazer cópias de si mesma não é tão difícil de imaginar como aparece à primeira vista e só teria de surgir uma única vez. Não terá sido necessariamente a molécula maior ou mais complexa de todas, que adquiriu essa propriedade extraordinária de ser capaz de tirar cópias de si mesma, mas, por certo, terá sido uma molécula que sofreu um acidente singular. Um acidente nem um pouco improvável, no entanto, certamente, um acidente fundamental. Que acidente fantástico seria esse, já que, replicar-se significa reproduzir-se, significa perpetuar-se, deixar descendência, enfim, significa VIDA? Por que essa molécula constituída por uma cadeia complexa de vários blocos moleculares, que nada mais é que, em essência, milhões de átomos – que a bilhões de anos continuam imutáveis - organizados de certa maneira, passou a ter essa qualidade especial? A resposta a essas questões parece vir de um livro sem pretensão de desvendar o mistério da vida: “O que é a energia atômica”, de Maxwell Eidinoff e Hyman Ruchlis. Os autores introduzem o leitor no mundo atômico desde a descoberta do átomo, o que é a radioatividade, a fissão e fusão nucleares, a descoberta das partículas elementares, o funcionamento das pilhas e bombas atômicas, o esmagamento de átomos através de feixes de energia e outros conhecimentos relativos à estrutura do átomo e suas partículas subatômicas. É um livro que, em linguagem simples, dá informações deveras interessantes aos leitores curiosos sobre o mundo atômico, e nada mais. Entretanto, no capítulo que trata das emissões vindas do espaço que atingem a terra, as chamadas radiações cósmicas, há um revelador trecho que diz: "Agora mesmo o leitor está sendo alcançado por muitas delas (partículas das radiações cósmicas) sem a mais leve sensação. Algumas radiações atravessam nosso corpo. Ocorrem muitas colisões em que milhares de moléculas de nosso corpo são arrebentadas”. Ora, percebamos, “milhares de moléculas são arrebentadas”, o que significa isso? Significa que a estrutura das moléculas sofre modificações. Significa que os átomos - que a bilhões de anos continuam imutáveis – que compõe as moléculas, sofrem modificações. Significa que a molécula primordial, que boiava, junto com milhares de outras similares a ela e igualmente inertes, em algum momento, sofreu modificação em sua estrutura devido às radiações cósmicas. Significa que as radiações cósmicas transmutaram o íntimo da matéria, impingindo-lhe mudanças tais e tão significativas que, por isso, são responsáveis pelo surgimento da VIDA na terra, e onde mais se possa encontrá-la. Significa que o “fluido vital” apregoado pelos antigos, nada mais é que modificações íntimas na matéria inerte, originadas pela quebra de moléculas, causada pelas radiações de altíssima energia vindas do espaço. Quando se diz que a vida veio do espaço, de certa maneira, está se propagando uma verdade incontestável. A vida veio do espaço, na medida que as radiações cósmicas são integralmente responsáveis pela desestruturação molecular na “sopa primeva” que deu origem à propriedade auto-replicadora da molécula primogênita. Os raios cósmicos, em outro contexto são responsáveis, também, pela degradação das moléculas que se unem em aminoácidos e outras substâncias, que formam células, que fabricam tecidos, que constituem órgãos, que se agregam em sistemas que permitem a vida, quando atingem as moléculas dos seres vivos arrebentando-as, mas isso já é outra história. JAIR, Floripa, 24/07/05.

terça-feira, 7 de julho de 2009

METAMORFEIOSE


É inegável, fora as inúmeras polêmicas que a agitada vida de Michael Jackson nos brindou, sua maior contribuição para o folclore mundial foi a transformação de um negro bonito num branquelo horroroso.